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sábado, 23 de novembro de 2013

Beato Miguel Agustín Pro, Presbítero Jesuíta e Mártir de Cristo Rei


Beato Miguel Agustín Pro, Presbítero e Mártir 
(conhecido como "Mártir de Cristo Rei")
Hoje, trago ao conhecimento dos leitores de nosso "blog" um resumo da vida e do martírio do glorioso beato Miguel Pro, jesuíta, brutalmente assassinado a mando do governo socialista anti-católico e anti-clerical que governou o México nos anos 1927 - 1929, que ceifou a vida de centenas católicos (bispos, padres, religiosos e leigos), pelo simples fato de praticarem a sua fé. 
     Interessante que praticamente ninguém conhece esse fato que se deu no Século XX, a não ser o povo católico mexicano, que ainda guarda viva a memória de seus mártires (alguns já canonizados e beatificados). 
   A insurgência dos católicos mexicanos contra a arbitrariedade, crueldade e falácia do governo socialista/comunista da época, levou os mesmos a pegarem em armas e lutarem pela deposição do dito cujo governo. Essa revolta popular ficou conhecida como a "Revolução dos Cristeros" ou a "Revolta Cristera". Os "cristeros", como eram chamados, eram compostos por alguns ex-militares que abandonaram as fileiras do exército fiel ao governo e por uma grande maioria de homens e mulheres de origem humilde: camponeses e agricultores que se organizaram como exército e conseguiram com que a nação mexicana pudesse voltar às origens católicas que tanto a marcaram e que tão profundamente estavam arraigadas nos corações e nas famílias de todo o país. A situação como estava se desenrolando não podia ser mais suportada: as igrejas, conventos e seminários foram fechados, os padres e religiosos foram proibidos de vestirem seus hábitos e batinas, era proibido o ensino religioso, missas não poderiam ser celebradas e nem mesmo a administração dos sacramentos. Os padres ou leigos que eram pegos desobedecendo as ordens presidenciais eram sumariamente conduzidos à prisão e imediatamente executados. Muitos não foram nem sequer julgados! Alguns padres foram fuzilados ou enforcados dentro ou em frente da própria igreja onde eram flagrados celebrando a Santa Missa. O bom povo católico mexicano não pode ficar inerte e se mobilizou para destituir o governo autoritário e tirano do poder. 
Foto tirada no dia de sua prisão (véspera de sua 
morte) Observa-se as roupas civis. Conforme 
a ultrajante legislação da época, não era 
lícito a um padre o uso da batina em público.
Bem, voltemos ao nosso querido beato. Padre Miguel Agustín Pro era um padre "maravilhoso", usando um termo moderno. Inteligente, piedoso, simpático, dedicado a seu rebanho, amante à Santa Igreja, devoto da Virgem Maria e fiel à administração dos sacramentos, centro da vida sacerdotal. Mesmo com a perseguição e proibição de exercer seu ministério, padre Miguel o fazia com assiduidade e amor, na clandestinidade, arriscando-se a ser capturado e preso (como ocorreu). 
Dos mártires daqueles dias, nenhum chamou tanto a atenção do público no México e no resto do mundo como o jesuíta Miguel Agustín Pro. Pro foi morto por um pelotão de fuzilamento em frente das câmeras dos jornais que o governo trouxera para gravar o que esperava ser o constrangedor espetáculo de um padre implorando por misericórdia. 
Foi uma das primeiras tentativas modernas de usar a mídia para a manipulação da opinião pública com propósitos anti-religiosos. Mas, ao invés de vacilar, Pro demonstrou grande dignidade, pedindo apenas a permissão de rezar antes de morrer. Após alguns minutos de prece, levantou-se, ergueu seus braços em forma de cruz – uma tradicional posição de oração mexicana – e, com voz firme, nem desafiante, nem desesperada, entoou de forma comovente palavras que desde então se tornaram famosas: ‘Viva Cristo Rey‘.”


De personalidade cativante, dono de si, e piedoso, Padre Pro destacou-se entre os personagens do movimento dos Cristeros, de resistência ao regime socialista que se instaurava no México em 1926.
Padre Pro retornou ao México (passara um tempo na Europa por motivo de estudos) justamente no período do governo do presidente Plutarco Elias Calles, o “Nero do México” em meados de 1926. Antes de sua chegada, cerca de 160 padres já haviam sido fuzilados e outros vários presos. Como relatado por um biógrafo jesuíta:
“… toda ordem religiosa foi dissolvida. Todas as escolas católicas, secularizadas, o que significa que, na realidade, tornaram-se ateístas; nelas, nenhuma menção a Deus era tolerada. Crucifixos foram arrancados das paredes e as estátuas, destruídas. Em seguida, para eliminar toda “propaganda Católica” (…)
Para que entendam a importância deste homem, beato, publico logo abaixo suas últimas fotos, que mostram sua execução. Cabe lembrar, como dito acima, que as fotos só existem porque o governo mexicano chamou a imprensa, acreditando que Padre Pro negaria a Cristo e pediria misericórdia aos comunistas. 
Ao contrário como podem ver abaixo, Padre Pro foi fiel até o fim, causando desespero aos políticos da época a ponto de confiscarem todas as fotos tiradas (algumas das que restaram retratam bem o ocorrido). As imagens são fortes e podem ser chocantes. Não estamos "acostumados" em praticamente assistir a um martírio. 
Apesar de ter sido um assassinato, não confundamos o que aconteceu com o padre Miguel Pro e o que acontece no "dia a dia" de nossas cidades: homicídios, por vezes, diários, motivados por brigas, roubos, assaltos, vinganças ou motivos "passionais". Não. O padre Pro morreu por Cristo, morreu por que era um padre católico, fiel à sua vocação e a seu ministério. 
Não fiquem "horrorizados" com as fotos abaixo. Elas mostram os últimos momentos na terra de um herói de nossa fé. Ao mesmo tempo que nos dá "pena" vermos um homem bom como ele ser morto injustamente, não esqueçamos que ele morreu pela fé. Sua alma certamente voou para os braços de Deus tão logo recebeu aqueles tiros dos soldados. 
Peçamos ao beato Miguel Pro que tenha piedade de nós e que interceda por nós. Vivemos na época do "secularismo" e do "relativismo". A fé está enfraquecida em muitos que se dizem cristãos e católicos. Peca-se facilmente. Renega-se ao Cristo e à sua vontade por pouca coisa. Cada vez mais "católicos" (pessoas que dizem que eram "católicas") sua religião por falsas doutrinas, por seitas, por superstições e crendices "mágicas" e "esotéricas". 
Que seu exemplo e o sangue derramado em seu martírio continue a suscitar verdadeiros cristãos que, como ele, estejam dispostos a dar a sua vida antes de trair a Cristo no mínimo que seja... 




Momento no qual o padre chega ao local de seu iminente martírio. Foi
condenado à morte sem direito a um julgamento. Padre Pro caminha para
a morte certa portando apenas um crucifixo e um rosário.


Padre Miguel Pro pede para rezar antes da execução. Pega
nos bolsos do paletó um crucifixo e um terço. Oferece
suas preces e seu perdão aos seus executores.


Padre Miguel Pro, de joelhos, perde perdão a Deus por seus pecados e reza
por seus executores, perdoando-os de todo o coração. O chefe do pelotão
mostrado na foto pede-lhe perdão pelo que irá fazer.


O padre Miguel estica os braços em forma de cruz, com o crucifixo na mão
direita e o terço na mão esquerda. Seu semblante é sereno.


No momento de receber os tiros, o padre exclama com voz
forte e corajosa: "Viva, Cristo Rey!"

O padre recebe os tiros e começa a cair ao solo.

O padre recebe os tiros e começa a cair no solo.

O padre Miguel cai, no entanto, ainda não está morto. Um soldado
aproxima-se e lhe dá o "tiro de misericórdia" na cabeça.

A alma heroica do mártir de Cristo é recebido no Céu pelos
Anjos.
O corpo do mártir chega ao necrotério.

O corpo do mártir é examinado no necrotério.
Funeral do Padre Miguel Pro. Uma multidão de fiéis seguiu seu
sepultamento,  apesar do grande risco que correu de ser abordada
e dispersada por tropas fiéis ao governo socialista. 


         Beato Miguel Agustín Pro, rogai por nós! Rogai pela América Latina, pelo México e pelo Brasil, nestes tempos tão difíceis! 

São Columbano, Abade beneditino (memória facultativa)


São Columbano, abade beneditino
(Catequese do Papa Emérito Bento XVI, dada no Vaticano em 11 de junho de 2008)

Queridos irmãos e irmãs!
Hoje gostaria de falar do santo abade Columbano, o irlandês mais conhecido do início da Idade Média: com razão ele pode ser chamado um santo "europeu", porque como monge, missionário e escritor, trabalhou em vários países da Europa ocidental. Juntamente com os irlandeses do seu tempo, ele estava consciente da unidade cultural da Europa. Numa sua carta, escrita por volta do ano 600 e dirigida ao Papa Gregório Magno, encontra-se pela primeira vez a expressão "totius Europae”, isto é: de toda a Europa, referindo-se à presença da Igreja no Continente (cf. Epistula I, 1).
Columbano nasceu por volta do ano 543 na província de Leinster, no sudeste da Irlanda. Educado na própria casa por óptimos mestres que o iniciaram no estudo das artes liberais, confiou-se depois à guia do abade Sinell da comunidade de Cluain-Inis, na Irlanda setentrional, onde pôde aprofundar o estudo das Sagradas Escrituras. Com cerca de trinta anos entrou no mosteiro de Bangor no nordeste da ilha, onde era abade Comgall, um monge muito conhecido pela sua virtude e pelo seu rigor ascético. Em total sintonia com o seu abade, Columbano praticou com zelo a severa disciplina do mosteiro, conduzindo uma vida de oração, de ascese e de estudo. Ali foi também ordenado sacerdote. A vida em Bangor e o exemplo do abade influenciaram a concepção do monaquismo que Columbano maturou com o tempo e difundiu depois ao longo da sua vida.


Aos cinquenta anos, seguindo o ideal ascético tipicamente irlandês da "peregrinatio pro Christo", isto é, do fazer-se peregrino por Cristo, Columbano deixou a ilha para empreender com doze companheiros uma obra missionária no continente europeu. De facto, devemos ter presente que a migração de povos do norte e do leste fizera voltar ao paganismo inteiras Regiões já cristianizadas. Por volta do ano 590 este pequeno grupo de missionários chegou à costa da Bretanha. Acolhidos com benevolência pelo rei dos Francos da Austrásia (atual França), pediram apenas um pouco de terra inculta. Obtiveram a antiga fortaleza romana de Annegray, totalmente em ruínas e abandonada, já coberta pela floresta. Habituados a uma vida de extrema renúncia, os monges conseguiram em poucos meses construir sobre as ruínas o primeiro eremitério. Assim, a sua reevangelização começou a desenvolver-se antes de tudo mediante o testemunho da vida. Com a nova cultivação da terra começaram também uma nova cultivação das almas. A fama daqueles religiosos estrangeiros que, vivendo de oração e em grande austeridade, construíam casas e arroteavam a terra, difundiu-se rapidamente atraindo peregrinos e penitentes. Sobretudo muitos jovens pediam para ser acolhidos na comunidade monástica para viver, como eles, esta vida exemplar que renovava a cultura da terra e das almas. Depressa se tornou necessária a fundação de um segundo mosteiro. Foi edificado a poucos quilómetros de distância, sobre as ruínas de uma antiga cidade termal, Luxeuil. O mosteiro tornar-se-ia depois o centro da irradiação monástica e missionária de tradição irlandesa no continente europeu. Um terceiro mosteiro foi erigido em Fontaine, a uma hora de caminho mais a norte.



Em Luxeuil, Columbano viveu quase vinte anos. Ali, o santo escreveu para os seus seguidores a Regula Monachorum durante certo período mais difundida na Europa do que a de São Bento designando a imagem ideal do monge. É a única antiga regra monástica irlandesa que hoje possuímos. Como integração ele elaborou a Regula Coenobialis, uma espécie de código penal para as faltas dos monges, com punições bastante surpreendentes para a sensibilidade moderna, explicáveis apenas com a mentalidade do tempo e do ambiente. Com outra obra famosa intitulada: De poenitentiarum misura taxanda, escrita também em Luxeuil, Columbano introduziu no continente a confissão e a penitência privadas e reiteradas; foi chamada penitência "tarifada" devido à proporção estabelecida entre gravidade do pecado e tipo de penitência imposta pelo confessor. Estas novidades despertaram a suspeita dos Bispos da região, uma suspeita que se transformou em hostilidade quando Columbano teve a coragem de reprová-los abertamente pelos costumes de alguns deles. A ocasião em que se manifestou o contraste foi a contenda sobre a data da Páscoa: de facto, a Irlanda seguia a tradição oriental, em contraste com a tradição romana. O monge irlandês foi convocado em 603 a Châlon-sur-Saôn para prestar contas diante de um sínodo dos seus costumes relativos à penitência e à Páscoa. Em vez de se apresentar ao sínodo, ele enviou uma carta com a qual minimizava a questão convidando os Padres sinodais a discutir não só sobre o problema da data da Páscoa, segundo ele um pequeno problema, "mas também de todas as necessárias normas canônicas desatendidas por muitos, o que é mais grave" (cf. Epistula II, 1). Contemporaneamente escreveu ao Papa Bonifácio IV como alguns anos antes já se tinha dirigido ao Papa Gregório Magno (cf. Epistula I) para defender a tradição irlandesa (cf. Epistula III).

Sendo muito intransigente em todas as questões morais, Columbano entrou depois em conflito também com a casa real, porque tinha reprovado asperamente o rei Teodorico pelas suas relações adulterinas. Isso originou uma rede de intrigas e manobras a nível pessoal, religioso e político que, no ano 610, se transformou num decreto de expulsão de Luxeuil para Columbano e para todos os monges de origem irlandesa, que foram condenados ao exílio definitivo. Foram escoltados até ao mar e embarcados para a Irlanda com o patrocínio da corte. Mas o navio encalhou a pouca distância da praia e o capitão, vendo nisto um sinal do céu, renunciou a prosseguir e, com receio de ser amaldiçoado por Deus, reconduziu os monges para a terra firme. Eles, em vez de voltarem para Luxeuil, decidiram começar uma nova obra de evangelização. Embarcaram no Reno e subiram o rio. Depois de uma primeira etapa em Tuggen junto do lago de Zurique, foram para a região de Bregenz perto do lago de Constância para evangelizar os Alamanos.
Mas pouco depois Columbano, devido a vicissitudes políticas pouco favoráveis à sua obra, decidiu atravessar os Alpes com a maior parte dos seus discípulos. Permaneceu só um monge de nome Galo; da sua ermida ter-se-ia depois desenvolvido a famosa abadia de Sankt Gallen, na Suíça. Tendo chegado à Itália, Columbano encontrou um acolhimento favorável junto da corte real longobarda, mas teve que enfrentar imediatamente grandes dificuldades: a vida da Igreja estava dilacerada pela heresia ariana que ainda prevalecia entre os longobardos e por um cisma que tinha separado a maior parte das Igrejas da Itália setentrional da comunhão com o Bispo de Roma. Columbano inseriu-se com autoridade neste contexto, escrevendo um libelo contra o arianismo e uma carta a Bonifácio IV para convencê-lo a dar alguns passos decididos em vista de um restabelecimento da unidade (cf. Epistula V). Quando o rei dos longobardos, em 612 ou 613, lhe confiou um terreno em Bobbio, no vale da Trebbia, Columbano fundou um novo mosteiro que depois se tornaria um centro de cultura comparável com o famoso de Montecassino. Nele viu o fim dos seus dias: faleceu a 23 de Novembro de 615 e nesta data é comemorado no rito romano até hoje.

A mensagem de São Columbano concentra-se numa firme chamada à conversão e ao desapego dos bens terrenos em vista da herança eterna. Com a sua vida ascética e com o seu comportamento sem ceder face à corrupção dos poderosos, ele evocava a figura severa de São João Baptista. A sua austeridade, contudo, nunca é fim em si mesma, mas unicamente o meio para se abrir livremente ao amor de Deus e corresponder com todo o ser aos dons por Ele recebidos, reconstruindo assim em si a imagem de Deus e ao mesmo tempo arroteando a terra e renovando a sociedade humana. Cito das suas Instructiones: "Se o homem usar rectamente as faculdades que Deus concedeu à sua alma, então será semelhante a Deus. Recordemo-nos que lhe devemos restituir todos aqueles dons que ele depositou em nós quando estávamos na condição originária. Ensinou-nos o seu modo com os seus mandamentos. O primeiro deles é o de amar o Senhor com todo o coração, porque Ele nos amou primeiro, desde o início dos tempos, ainda antes que nós viéssemos à luz deste mundo" (cf. Inst., XI). O Santo irlandês encarnou realmente estas palavras na própria vida. Homem de grande cultura escreveu também poesias em latim e um livro de gramática revelou-se rico de dons de graça. Foi incansável construtor de mosteiros, assim como intransigente pregador penitencial, empregando todas as suas energias para alimentar as raízes cristãs da Europa que estava a nascer. Com a sua energia espiritual, com a sua fé, com o seu amor a Deus e ao próximo tornou-se realmente um dos Padres da Europa: ele mostra-nos também hoje onde estão as raízes das quais pode renascer esta nossa Europa.


São Columbano, Abade, rogai por nós! 

São Ricardo Pampuri, Médico e Religioso da Ordem Hospitaleira de São João de Deus (os Fatebenefratelli)



São Ricardo Pampuri nasceu em Trivolzio, perto de Pávia, a 2 de agosto de 1897, e foi batizado com o nome de Hermínio Filipe. Foi o penúltimo de 11 filhos de Inocente Pampuri e Ângela Campari. A sua mãe faleceu quando Hermínio era ainda uma criança de apenas três anos de idade e o seu pai morreu alguns anos mais tarde: por isso, foi confiado aos tios. Ainda jovem estudante, entrou para a Sociedade de São Vicente de Paulo e colaborou na fundação da Associação Juvenil da Associação Católica "Dom Bosco".

Ao terminar os seus estudos de Medicina, com 24 anos de idade, tornou-se médico de família em Morimondo, uma aldeia não muito distante de Trivolzio; exerceu aí a sua profissão com zelo e bondade, pondo em prática na vida profissional a sua fé e o seu forte sentido de missão. Escreveu as seguintes palavras à sua irmã Longina, freira missionária:

“Reza para que o orgulho, o egoísmo ou qualquer outra má paixão nunca me impeçam de ver Jesus nos meus doentes. É Ele que cura, é Ele que consola”.

E assim escrevia, nos seus propósitos, ao preparar-se para a profissão religiosa (Na Ordem Hospitaleira de São João de Deus):

"Quero servir-Vos, meu Deus, no futuro, com perseverança e amor supremo: nos meus superiores, nos irmãos, nos doentes, vossos prediletos: dai-me a graça de os servir como Vos serviria a Vós."

Depois da morte, ocorrida no dia 01 de maio de 1930, a sua fama de santidade foi-se difundindo por toda a Itália e, depois, na Europa e no mundo. Vários milagres foram atribuídos à sua intercessão. São ainda muitos os peregrinos que se deslocam a Trivolzio para venerar os seus restos mortais (corpo incorrupto), que repousam na igreja paroquial.

Durante a cerimônia de canonização, celebrada no dia 1 de novembro de 1989, o Santo Padre Beato João Paulo II, afirmou na homilia que proferiu:

 
“Não podem deixar de nos impressionar as palavras com que são Ricardo se dirigia, num último colóquio, ao seu diretor espiritual: ‘Padre, como me acolherá Deus?... Eu amei-O muito, e muito O amo’. Neste intenso amor reside o valor supremo do carisma de um verdadeiro Irmão da Ordem de São João de Deus, cuja vocação consiste precisamente em repropor a imagem de Cristo a cada pessoa que encontra no seu caminho, numa relação feita de amor desinteressado e alimentado pela fonte de um coração puro”.

Oxalá que são Ricardo Pampuri, estimado e venerado com devoção por muitos jovens e médicos, seja sempre um modelo de fé e de oração, de amor e de caridade para os jovens de hoje. Humilde discípulo de Cristo segundo o estilo de são João de Deus, colocou toda a sua humanidade no dom generoso de si mesmo ao serviço dos irmãos que sofrem.
 
Oração: São Ricardo, caminhaste tempos atrás pelas ruas da nossa terra. Rezaste no silêncio das nossas igrejas. Serviste com amor e inteligência aos doentes nas nossas casas. Foste acolhedor para com todas as pessoas que te procuraram.
Hoje, como naquele tempo os teus doentes, eu também te procuro e dirijo-me a ti para que me ajudes a ter a curado corpo e do espírito e obtenha-me do Senhor a tua mesma fé. Amém!
São Ricardo Pampuri, rogue por nós!





São Ricardo Pampuri, rogai por nós, pelos doentes e sofredores!


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MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II  AO PRIOR-GERAL DA ORDEM HOSPITALEIRA DE SÃO JOÃO DE DEUS NO PRIMEIRO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE SÃO RICARDO PAMPURI:

Ao Reverendíssimo FR. PASCUAL PILES FERRANDO
Prior-Geral da Ordem Hospitaleira de São João de Deus.

1. No centenário do nascimento de São Ricardo Pampuri, desejo dar graças ao Senhor por este Santo que honra essa Família religiosa. A presença das suas Relíquias no hospital dos Fatebenefratelli, na Ilha Tiberina, constitui a ocasião oportuna para repropor, a quantos trabalham no âmbito dessa estrutura hospitalar, o testemunho eloquente da sua vida, inteiramente impregnada do programa ascético do «ama nesciri et pro nihilo reputari». Tive a alegria de proclamar Beato em 1981, e Santo em 1989, esta límpida figura de homem do nosso tempo. Nele refulgem os traços da espiritualidade laical delineada pelo Concílio Ecuménico Vaticano II.

A sua existência terrena, contida no arco de apenas 33 anos, mostra como em breve tempo este jovem religioso soube alcançar o ápice da santidade. Nos primeiros anos de vida em Trivolzio e Torrino, durante os estudos secundários e universitários em Milão e Pavia, na frente ítalo-austríaca durante a primeira guerra mundial, e depois em Morimondo, como médico municipal, deixou em toda a parte vestígios de piedade e de amor pelos pobres. Sustentado pelo exemplo dos seus entes queridos e pelo convívio com piedosos e zelosos sacerdotes, empenhou-se em múltiplos campos de apostolado: foi sócio assíduo e generoso do Círculo Universitário e das Conferências de São Vicente de Paulo, presidente da Associação juvenil da Ação Católica, Terciário franciscano e animador incansável de iniciativas de formação espiritual e de caridade. Com a idade de 30 anos, entrou na Ordem dos Fatebenefratelli, de cujo carisma se tornou um dos intérpretes mais significativos.

2. «Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?» (Mc 10, 17). Parece ser esta a pergunta que atravessa os pensamentos deste jovem, sempre em busca da perfeição cristã. «Falta-te apenas uma coisa: Vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e segue- Me» (Mc 10, 21). Ao convite do Senhor ele, dotado de fé e caridade profunda, respondeu com alegria, doando-se completamente a Cristo pobre, humilde e casto e entrando na Ordem dos Fatebenefratelli. Vítima de uma doença contraída em zona de guerra, ao abraçar o carisma de São João de Deus, conseguiu dar plenitude ao seu desejo de anunciar e testemunhar aos doentes o Evangelho de Cristo crucificado e ressuscitado.

Como o divino Mestre, sentiu a urgência do «deserto» e da oração (cf. Mc 1, 35) para depois poder servir os irmãos, especialmente os doentes e os sofredores. «Tenho necessidade de me recolher um pouco em mim mesmo na presença do Senhor, para que a minha alma não se torne insensível nem se perca em estéreis e prejudiciais preocupações externas», escrevia numa sua carta. Essa necessidade levava-o a viver constantemente unido ao Senhor, a deter-se por longo tempo diante do tabernáculo e a nutrir uma terna devoção pela Virgem. Na escola do Evangelho, tornou-se para quantos o conheceram e, sobretudo, para os seus assistidos um sinal vivo da misericórdia de Deus, sempre disponível a ver nos doentes o Cristo que sofre, a ajoelhar-se na soleira das casas onde reinava a dor e a partir apressado sem esperar nenhuma recompensa.

Tendo escolhido cumprir profundamente a vontade do Pai, à imitação do seu Senhor, viveu como ato supremo de obediência e de amor também a doença e a morte.

3. Como não acolher a mensagem contida no maravilhoso caminho de santidade de São Ricardo Pampuri, que essas celebrações centenárias repropõem de modo eloquente?

Aos Coirmãos da Ordem à qual pertencia, chamados a servir Cristo nos doentes, o testemunho deste jovem médico- cirurgião indica que a união com Deus deve alimentar constantemente a vida religiosa e a atividade apostólica. Aos leigos que trabalham nas estruturas hospitalares, São Ricardo Pampuri, médico apaixonado pela sua missão entre os doentes, propõe que amem a própria profissão e a vivam como vocação. Ele, que no cuidado dos que sofriam jamais separou ciência e fé, empenho civil e espírito apostólico, convida todos os agentes de saúde a terem sempre em conta a dignidade da pessoa humana, para exercerem o «dever quotidiano» com o espírito do bom Samaritano. O testemunho que deu na doença, que o levou à morte, encoraja todos os que sofrem a não perderem a confiança em Deus; antes, exorta-os a acolher também na prova o projeto de amor do Senhor.

Enquanto invoco a especial proteção de São Ricardo Pampuri, oro para que as celebrações jubilares do seu nascimento e o inteiro programa espiritual e cultural preparado para essa festividade, constituam para todos uma ocasião de renovado empenho na vida cristã, nas relações interpessoais e no serviço aos doentes.

Relicário com o coração
de São Ricardo Pampuri
Possam aqueles que visitam as Relíquias de São Ricardo Pampuri, com a radicalidade e generosidade por ele testemunhadas até à morte, seguir o exemplo de São João de Deus, Fundador dessa Ordem Hospitaleira.

Com estes bons votos, concedo-lhe, bem como aos Coirmãos, às Religiosas colaboradoras, aos Agentes de saúde e aos doentes uma especial Bênção Apostólica.

Vaticano, 22 de Outubro de 1997.


JOÃO PAULO II











sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Beato Miguel Rua, o Primeiro Salesiano.


Beato Miguel Rua: primeiro sucessor de São João Bosco.
Miguel Rua nasce em Turim no dia 9 de junho de 1837. Último de nove filhos, perde o pai aos oito anos. Estudou com os Irmãos das Escolas Cristãs até à terceira série elementar.
Deveria começar a trabalhar na Real Fábrica de Armas de Turim, onde o pai era operário, mas Dom Bosco – que aos domingos ia confessar na escola – propôs-lhe continuar os estudos com ele, garantindo-lhe que a Providência pensaria nas despesas.
Certo dia, Dom Bosco distribuía algumas medalhas aos seus meninos. Miguel era o último da fila e chegou atrasado, mas ouviu Dom Bosco dizer: "Toma, Miguelzinho!". O padre, porém, não lhe estava dando nada, mas acrescentou: "Nós dois faremos tudo meio a meio", e assim foi de fato.
Colaborador da Companhia da Imaculada com Domingos Sávio, foi aluno modelo, apóstolo entre os colegas. Dom Bosco lhe disse: "Preciso de ajuda. Farei com que recebas a veste dos clérigos; estás de acordo?". "De acordo!", respondeu.
Em 25 de março de 1855, nos aposentos de Dom Bosco, nas mãos do fundador, fez os votos de pobreza, castidade e obediência. Era o primeiro Salesiano. Começa a trabalhar intensamente: ensina matemática e religião; assiste no refeitório, no pátio, na capela; tarde da noite, copia numa bela caligrafia as cartas e as publicações de Dom Bosco, e, enfim, estuda para ser padre. Tinha apenas 17 anos!
É-lhe entregue também a direção do oratório festivo São Luís. Em novembro de 1856, morre Mamãe Margarida. Miguel, então, vai encontrar-se com sua mãe: "Mamãe, a senhora quer vir com a gente?". A senhora Joana Maria vem, e também nisso a família Rua fez meio a meio com a família Bosco.
Em 1859, Rua acompanha Dom Bosco na audiência com o Papa Pio IX para a aprovação das Regras e, ao retorno, é-lhe confiada a direção do primeiro oratório em Valdocco. Foi ordenado sacerdote em 29 de julho de 1860.
Dom Bosco escreve-lhe um bilhete: "Verás melhor do que eu a Obra salesiana atravessar os limites da Itália e estabelecer-se no mundo". O Padre Rua abre a primeira casa salesiana fora de Turim, em Mirabello. Poucos anos depois, retorna a Valdocco, substituindo e assistindo Dom Bosco em tudo.
Em novembro de 1884, o Papa Leão XIII nomeia o Padre Rua vigário e sucessor de Dom Bosco, que morrerá em seus braços quatro anos depois.
O Padre Rua, considerado então a regra viva, torna-se paterno e amável como Dom Bosco. Enfrenta e supera inúmeras dificuldades no governo da Congregação. Consolida as missões e o espírito salesiano.

Morreu no dia 6 de abril de 1910, com 73 anos. Com ele, a Sociedade passou de 773 a 4000 Salesianos, de 57 a 345 Casas, de 6 a 34 Inspetorias em 33 países. Paulo VI beatificou-o em 1972, dizendo: "Ele fez da fonte um rio". 
Abaixo, publico um bom acervo com fotos e estampas desse santo homem que tão bem soube encarnar o espírito do fundador e pai espiritual Dom Bosco: 


Foto do Beato Miguel Rua


Beato Miguel Rua

Primeira Missa do beato Miguel Rua, assistido por Dom Bosco (pintura)


Beato Miguel Rua 

Beato Miguel Rua rezando o breviário

Beato Miguel Rua orando perante uma imagem de
Nossa Senhora de Lourdes


Foto do beato sentado junto à sua mesa de estudos


Beato Miguel Rua


Beato Miguel Rua

Beato Miguel Rua (pintura em parede de igreja)

Beato Miguel Rua (pintura)



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Serva de Deus Edvige Carboni, Virgem Leiga e Mística Estigmatizada



Edvige Carboni nasceu em Pozzomaggiore, a dois de maio de 1880, filha de Giovane Battista e Maria Domenica Pinna. Sua infância e adolescência transcorrem num ambiente familiar moralmente são, honesto, forte e generoso, dedicado ao trabalho assíduo e diligente. Trabalhava no tear e ajudava a mãe nos trabalhos domésticos. Aos dez anos, Edvige fez sua primeira comunhão e, apesar de sua vida não revelar exteriormente nada de singular, a serva de Deus iniciou um caminho de perfeição evangélica, fortificada da oração incessante, dos sacramentos; humilde, obediente, pura e caritativa com todos, Edvige Carboni correspondia generosamente à graça de Deus que nela trabalhava de modo pleno, enchendo-a com os seus dons.
         Não ficou livre das incompreensões que vinham por parte de muitos, Edvige perdoava a todos e sempre, com doçura e humildade, que foram suas marcas. Na paróquia, desenvolveu com amor sua atividade de catequista, ensinando a todos como amar e servir a Deus...e não só com palavras; para todos, ela tinha um sorriso uma palavra de encorajamento, uma oração; os homens pobres e os doentes eram seus prediletos, aqueles que se aproximavam dela sentiam a presença do sagrado. Existiam muitos Padre e Bispos que a estimavam e viam nela o dedo de Deus, entre esses está o Servo de Deus Padre Giovanni Battista Manzella, Monsenhor Ernesto Maria Piovella, São Luís Orione, Padre Felício Capello, São Pio de Pietrelchina e o passionista Ignazio Parmeggiani, seu ultimo confessor.
         A luta e a doença da família impediram-na de tornar-se religiosa e levaram-na a aceitar o emprego perto do Correio, pois sua família em casa necessitava após o desaparecimento da mãe. Edvige pensou e decidiu doar-se totalmente sem reservas e com alegria.
         Mesmo necessitando de muitas coisas, ela se privava mesmo do necessário para assistir os pobres e famintos durante as duas grandes guerras mundiais. Ela não era distante dos problemas do mundo e tinha coragem de enfrentá-los. Deus e a fé eram o centro de toda a sua intenção e ação: este é o seu segredo, essa é a sua singularidade no meio a tantas mulheres do seu e do nosso tempo.


          Edvige era aquela mulher forte da Bíblia e aquela virgem prudente do Evangelho, ela soube perfeitamente fundir e unir a vida de Marta e Maria. “Senhor, vou morrer de tanto amar-te”, era seu lema. E todo o seu diário é permeado de expressões similares. Imenso era o seu amor pela Eucaristia, pela Santíssima Virgem e pelas almas do Purgatório.
         Em 1929, resignada pela vontade de Deus, Edvige deixou sua terra natal para viver em seguida em várias localidades do Lacio, e em 1938 em Roma, ano esse que fez sua ultima visita à Sardenha.
         Seria um erro ao falar de sua gigantesca figura, sem falar de seus dons místicos, e os carismas que muitos notaram nela, apesar de tudo fazer para que não fossem conhecidos. Não foram, porém, esses dons que a fizeram santa, mas somente a virtude evangélica que ela praticou, sua fé forte, sua esperança e caridade, o espírito de bem-aventurança que nela operou coisas extraordinárias e finalmente a obediência ao Papa que ela defendia tenazmente diante das críticas ao seu magistério.
         Os fatos relatados sobre ela são muitos e maravilhosos: ela lia os corações, previa eventos futuros, foi vista em êxtase sob o chão onde estava ajoelhada, a farinha que doava para o pão se multiplicava, obteve a graça da chuva e com sua oração que um rapaz voltasse à vida após ter sofrido uma queda de cavalo.
         O dom que mais lhe custou foram os estigmas que trouxe em seu corpo desde 1909 até o fim da vida. Além dos estigmas ela tinha outros fenômenos místicos: êxtase e visão, a visita de Nossa Senhora e dos Santos, animação de imagens sacras, perseguição diabólica, bilocação, comunhão mística, perfume e contato com as almas do purgatório.
         Não era portadora de nenhum mal psíquico; a serva de Deus era equilibrada e mulher sã; chegamos então à conclusão que Deus se manifesta misteriosamente e maravilhosamente nos seus Santos; Deus por ser Poderoso, age como quer e em quem quer. O muro que separa a nossa realidade da realidade eterna é frágil; no místico, Deus anula esse muro e dá uma resposta a tantos que O negam.
         Edvige Carboni deixou sua jornada terrena para iniciar a celeste em dezessete de fevereiro 1952 em Roma, seu corpo repousa no cemitério Albano Laziale.


terça-feira, 19 de novembro de 2013

O Massacre dos Cristãos


Os circos romanos (o maior e mais famoso foi o Coliseu) foram os palcos
da morte de milhares de Mártires Cristãos.

        Desde pequeno que guardo profunda admiração pelos mártires cristãos da Igreja de Roma. Creio que foi minha mãe quem me incutiu isso, quando falava das multidões de mártires massacradas nos circos romanos pelos imperadores Nero, Calígula, Trajano, Domiciano e outros. 
          Muitos foram famosos: Perpétua, Felicidade, Flávia Domitila, Inês, Anastácia, Cecília, Águeda, Martinha, Quitéria, Dorotéia, Filomena,  Bibiana, Júlia, Vitoriano, Plácido, Vito, Pancrácio, Floro, Januário, Tarcísio, Sebastião, Silvestre, Inácio de Antioquia, Policarpo, João, Paulo, Cosme, Damião, etc. 
        Muitos, porém, jamais saberemos os nomes. No entanto, igualmente testemunharam Jesus Cristo derramando seu sangue glorioso em cruzes, jogados aos leões, queimados em fogueiras, esquartejados por cavalos ou rodas, afogados em rios, crivados por flechas ou lanças, etc. Eram pessoas de várias idades, classes sociais ou condições econômicas: generais, centuriões, soldados, políticos, damas nobres, donas de casa, artesãos, comerciantes, médicos, sacerdotes, bispos, papas, diáconos, virgens consagradas, crianças, jovens  e anciãos. 
         Hoje, publico essa carta escrita na época por uma testemunha ocular desses massacres, um cidadão romano por nome Septímio. A carta é um verdadeiro tesouro, pois, além de legítima, é rica em detalhes e mostra a grande coragem, amor e fé demonstrados pelos santos mártires diante do imperador e das turbas sedentas de sangue. 
        Leiam com atenção e deixem-se emocionar pela narrativa. Que ela nos anime a enfrentar as dificuldades cotidianas e as lutas que travamos em nosso caminho de fé. 
           Santos mártires de Roma, rogai por nós! 


O Massacre dos Cristãos

  (Narrado por Septímio)

        “Uma espécie de gente, muito característica, Flávio, apareceu no Estado. Encontram-se às ocultas e recusam-se a queimar incenso diante dos deuses oficiais. Não saúdam César quando ele passa. Diz-se que essas pessoas adoram divindades estranhas e praticam estranhos ritos.
O imperador Cláudio mandou prender milhares delas para pasto dos leões; Nero mandou enfia-las em postes e cobri-las com um traje untado de breu e piche. E depois, certa noite, ateou-lhes fogo e fê-las desfilar pela cidade como tochas ardentes. E aquela gente sofria silenciosamente, ao que parece. Nossos imperadores romanos experimentam profundo ‘prazer’ em torturar homens, mulheres e crianças que morrem sem uma palavra de protesto.
Meu amigo Petrônio me disse que tem suspeitas de que os indivíduos são confortados por algum poderoso espírito, que paira sobre eles. Na última semana, quando Petrônio foi ver uma moça que ia ser queimada numa estaca, ficou bem perto dela, no momento em que a amarravam, e pôde ouvi-la murmurar: ‘Virgem Mãe!’ Petrônio imagina que são palavras mágicas, de tal poder que tornam os cristãos capazes de morrer tão bravamente. Essa gente, diz ele, deve ser ‘encantada’. Suportam os maiores suplícios de rosto impassível. Muitos deles retiram-se para o deserto a viver sozinhos em furnas, flagelando-se e rezando. Cada vez aumenta mais o número de romanos que procuram esses cristãos, os quais lhes prometem salva-los das orgias dos Césares e mostrar-lhes um reino muito maior que o império romano. Negariam eles a divindade de César, esses rebeldes que partem o pão e oferecem vinho e cochicham estranhas orações, quando se encontram?
Assim, ontem, nova turma foi lançada aos leões no Coliseu; o dor de sangue e das entranhas dilaceradas dominou os perfumes árabes com que o Coliseu tinha sido banhado. O espetáculo era repugnante. Contudo exercem ‘mágico’ efeito sobre os expectadores. Muitos deles desceram para a arena, convertendo-se ao Cristianismo.
Que poder, humano ou divino, ó Flávio, sustenta esses homens? E que conta mágica é essa que conserva seu número sempre em aumento, a despeito de serem milhares deles queimados na estaca ou devorados pelas bestas selvagens?
Ontem assisti a uma função noturna, no circo. Nero arranjou novo sistema de iluminação para o espetáculo.  Em lugar das costumeiras tochas, o circo foi iluminado pelo clarão dos mártires em chamas... Vi-os com os meus próprios olhos e nova luz brilhou em mim. Sinto... não diga isso a ninguém... sinto que me estou tornando cristão!

(carta enviada a Flávio pelo cidadão romano Septímio, durante o reinado do Imperador Nero, que foi do ano 54 ao ano 68 d.c.)




Texto retirado da Revista Católica “Jesus Vive e é o Senhor”, na sessão “Vida e Conhecimento”.




Santos Mártires Cristãos da Igreja de Roma



Santos Anjos vindo buscar as almas dos mártires para o Céu.



Sepultamento dos Mártires nas catacumbas romanas. 




segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Beata Maria do Divino Coração, Virgem (Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor)



A humanidade e a Igreja devem muito à esta religiosa ao lado. Graças a ela o mundo foi solenemente consagrado ao Sagrado Coração de Jesus. Quantas almas não foram salvas, quantas desgraças e catástrofes não foram evitadas graças a essa consagração!

Pode parecer estranho, em uma análise superficial, a necessidade de o mundo ser consagrado ao Coração de Jesus. "O mundo já não é dele? Ele não é o Rei do Universo?", alguém poderia questionar... 




O problema é que as Sagradas Escrituras dizem que o "príncipe" deste mundo é satanás (João 12, 31 14, 30; 16, 11).  Culpa de Deus? Não! Nunca! Culpa nossa, da humanidade. Nós é que, desde Adão e Eva, colocamos o mundo nas mãos do maligno. Ele realmente se sente "dono do mundo" (cf. em Mateus 4, 8-9). Por isso, faz-se necessário, no plano divino de salvação, que nós, os filhos de Deus redimidos pelo Sangue de Cristo no Batismo, ofereçamos e consagremos o mundo a seu verdadeiro Senhor, Jesus Cristo. E nada mais belo do que consagrá-lo a seu Coração Santíssimo, Divino e Humano, no qual está como que concentrado todo seu infinito amor e inconcebível misericórdia.

A Igreja, de modo especial o Santo Padre e os bispos unidos a ele, como "medianeira" entre Deus e a humanidade, pode e deve fazer essa consagração do mundo ao Coração de Jesus, para que esse Coração cheio de amor e bondade possa salvar o maior número de almas possível, apesar de nossa imensa indignidade.

Bem, voltemos à nossa Beata. A bem-aventurada Maria do Divino Coração pertencia à Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor. Natural de Münster, Alemanha, (alemã pelo nascimento, portuguesa pelo coração) Maria do Divino Coração nasceu em 1863.

Era filha dos condes de Münster. Em 1888 ingressou no Convento das Irmãs do Bom Pastor, cujo apostolado específico se realiza junto à juventude feminina marginalizada. Em 1894, aos 31 anos, partiu para Portugal. Depois de três meses passados em Lisboa chegou ao Porto como Superiora do Recolhimento do Bom Pastor. Conseguiu, mercê de muita tenacidade e absoluta confiança no Coração de Jesus, transformar aquela casa em ruínas num florescente jardim de Deus.

A Beata Maria do Divino Coração tinha como ápices de sua espiritualidade a devoção ao Sagrado Coração e à Apresentação de Maria no Templo. A essas duas devoções dedicava toda sua vida, bem como, suas orações e sacrifícios. Desejava ardentemente, graças a revelação particular, que o mundo fosse consagrado ao Sagrado Coração de Jesus. Para conseguir esse intento, escreveu fervorosas cartas ao Santo Padre Leão XIII impetrando-lhe essa graça para o mundo. 

Em 1896, caiu doente, afetada por uma osteomielite. Morreu no ano de 1899, nas vésperas da realização de seu ardente desejo: a consagração do mundo inteiro ao Sagrado Coração de Jesus, feita por Leão XIII. A Irmã Maria ofereceu a Deus o seu sofrimento, unindo-se ao Servo Sofredor que continuamente oferece a sua vida pela salvação do mundo.


Em Ermesinde ergue-se majestosa a igreja do Sagrado Coração de Jesus. Ali, diante da Hóstia consagrada em constante exposição, ajoelham perpetuamente almas em adoração reparadora.







O Coração Divino e Humano de Jesus é o Centro de nossa Fé e religião. Nele estão todos os tesouros do Amor e Misericórdia, bem como os méritos infinitos de sua Sagrada Paixão e Morte.