Páginas

sábado, 21 de dezembro de 2013

Serva de Deus Anne-Louise Lateau, leiga e virgem (estigmatizada)


Serva de Deus Anne-Louise Lateau, estigmatizada
Anne-Louise Lateau foi uma jovem como todas as outras que se encontram neste mundo. Nasceu à 29 de janeiro de 1850 e foi batizada no dia 30. Sua vida foi próxima de germinar em frutos de Santa Teresa do Menino Jesus. Com efeito, ela teve sofrimentos imensos quando perdeu seu pai, que era ferreiro e foi tomado pela varíola a 18 de abril de 1950. Ela mesma conheceu por longo tempo os horrores desta doença, que nem sempre pode ser curada.
 Sua infância foi vivida numa grande pobreza. Esta jovem recebeu pouca instrução, não frequentou escola mais do que sete meses, porém recebeu alguma ideia de catecismo. Louise aprendeu a escrever observando as outras alunas. Fez sua Primeira Comunhão em 1861. Começou a trabalhar muito cedo, para ajudar a sua mãe e toda a sua vida ela consagrou aos pobres e doentes.
 Ela viu e ajudou muitos irmãos vítimas da cólera. Muitos morreram na epidemia que tomou conta da região em 1866. Ela organizou um escritório onde pudesse ajudar qualquer necessidade.
Louise trabalhava muito e costurava as vestimentas destinadas aos pobres. Ela entrou na Ordem Terceira de São Francisco em 1867. Sua vida foi modificada em 1868, quando Louise tinha 18 anos, e pela primeira vez o sangue escorreu de suas mãos, do seu lado e de seus pés. Médicos, especialistas em teologia, padres, personalidades civis se apresentaram em sua casa para constatar esses fatos extraordinários.
Em abril de 1873, o Papa Leão XII declarou: “O fato acontecido em Bois-d´Haine é maravilhoso. Vocês podem dizer isto de minha parte, pois jamais os médicos poderão explicar o que lá acontece.”.

Os estigmas
    Na noite da primeira sexta feira de 1968, no dia 03 de janeiro, Louise fez uma oração quando um raio de luz penetrou em sua alma. E a transportou para fora dela mesma, e a fez sentir uma grande alegria, seguida de grandes sofrimentos. Estas manifestações agudas partiam seu coração com sulcos de dor, que arrebentavam nos pés e nas costas. Essas manifestações misteriosas se renovavam na sextas feiras seguintes, a partir da sexta feira de 24 de abril. A imitação das chagas de Jesus, o sangue fluía do seu lado esquerdo, dos pés e mãos. Também apareciam os ferimentos da coroa de espinhos e mais tarde uma chaga no ombro direito. No lugar dos estigmas permanecia uma marca rosada, seca inteiramente fechada, um pouco mais lisa que a pele. A quantidade de sangue que perdia era no mínimo de 250 g.

O êxtase da sexta-feira
    A partir de 17 de julho de 1868, o surgimento dos estigmas era acompanhado pelos êxtases, a duração do êxtase era variada. Mas se manifestava antes do meio dia da sexta-feira. Louise falou destes êxtases aos padres que a interrogaram.   Ela era tomada por uma luz espiritual que revelava algo da grandeza de Deus.
    “Eu sou envolvida por um grande sentimento da presença de Deus, e não seu onde me encontro. Eu O vejo tão grande e me sinto tão pequena que não sei aonde me esconder.”
 
O êxtase da Comunhão.
    O êxtase da Comunhão produzia também, em Louise uma tão grande união com Cristo, que o mundo exterior perdia o seu sentido. Essa intensa união com o Senhor, demorava meia hora.
 
Jejum total.
    Em março de 1861, foi a última vez que Louise pode se alimentar sem se sentir mal. Depois deste dia até a páscoa de 09 de abril, ela não conseguiu tomar nenhum alimento. No dia da Páscoa, com dificuldade ela comeu um pequeno pedaço de pão e no dia seguinte meia maçã, qualquer comida, porém, ela vomitava; só a Eucaristia,  seu corpo não rejeitava.
 
A insônia.
    A partir de 15 de setembro de 1868, ela recebeu os ferimentos da coroa de espinhos. Depois disto, ela não tinha mais necessidade de dormir. As noites em claro são longas para maioria dos homens, mas no caso de Louise sua profunda união com Deus a fazia perder a noção do tempo.
    “Graças a Deus, a noite passa como o dia que não percebo nada”.
    Apesar do jejum, a insônia, a perda do sangue nos estigmas, Louise se encarregava dos trabalhos mais pesados da casa, lavava a roupa, limpava a casa, cuidava do jardim, da chaminé e de todas as atribuições familiares. Durante a semana, com exceção da sexta-feira ajudava os pobres e doentes e quando o trabalho da casa permitia, ela se esforçava o mais que podia para ajudar sua mãe e suas irmãs.
    A partir de janeiro de 1876, tornou-se impossível para Louise ir a Igreja, ela não podia deixar sua casa onde recebia a comunhão. Viveu restrita ao leito desde janeiro 1879 até 25 de agosto de 1883, quando morreu às 06: 30 da manhã com 33 anos.

    Ela está enterrada no antigo cemitério da Igreja. A causa de sua canonização foi aberta por pelo bispo diocesano, Dom Jean Huard em agosto de 1991. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

São José Cafasso, Presbítero - Catequese do Papa Bento XVI


São José Cafasso, Presbítero
José Cafasso nasceu em Castelnuovo d'Asti, o mesmo povoado de São João Bosco, em 15 de janeiro de 1822. Foi o terceiro de quatro filhos. A última, irmã Marianna, seria a mãe do Beato José Allamano, fundador dos Missionários e Missionárias da Consolata. Nasceu no Piemonte de século XIX, caracterizado por graves problemas sociais, mas também por muitos santos que se empenhavam em solucioná-los. Estes estavam unidos entre si por um amor total a Cristo e por uma profunda caridade com os mais pobres: a graça do Senhor sabe difundir e multiplicar as sementes de santidade! Cafasso realizou o Ensino Médio e o biênio de filosofia no Colégio de Chieri e, em 1830, passou ao Seminário Teológico, onde, em 1833, foi ordenado sacerdote. Quatro meses mais tarde, ingressou no lugar que para ele seria a única e fundamental "etapa" da vida sacerdotal: o Internato Eclesiástico de São Francisco de Assis, em Turim. Entrou para aperfeiçoar-se na pastoral, mas lá fez frutificar seus dons de diretor espiritual e seu grande espírito de caridade. O internato, de fato, não era somente uma escola de teologia moral, onde os jovens sacerdotes, procedentes sobretudo do campo, aprendiam a confessar e a pregar, mas era também uma verdadeira e própria escola de vida sacerdotal, onde os presbíteros se formavam na espiritualidade de Santo Inácio de Loyola e na teologia moral e pastoral do grande bispo Santo Afonso Maria de Ligório. 

O tipo de sacerdote que Cafasso encontrou no internato e que ele mesmo contribuiu para reforçar - sobretudo como reitor - era o do verdadeiro pastor, com uma rica vida interior e um profundo zelo no cuidado pastoral: fiel à oração, comprometido na pregação, na catequese, dedicado à celebração da Eucaristia e ao ministério da Confissão, segundo o modelo encarnado por São Carlos Borromeu, por São Francisco de Sales e promovido pelo Concílio de Trento. Uma feliz expressão de São João Bosco sintetiza o sentido do trabalho educativo naquela comunidade: "No internato se aprendia a ser sacerdote".
São José Cafasso procurou levar a cabo este modelo na formação dos jovens sacerdotes, para que, por sua vez, estes se convertessem em formadores de outros sacerdotes, religiosos e leigos, segundo uma especial e eficaz corrente. Da sua cátedra de teologia moral, ele educava para que fossem bons confessores e diretores espirituais, preocupados pelo verdadeiro bem espiritual da pessoa, incentivados por um grande equilíbrio em fazer sentir a misericórdia de Deus e, ao mesmo tempo, um agudo e vivo sentido do pecado. Três eram as principais virtudes do Cafasso professor, como recorda São João Bosco: calma, delicadeza e prudência. Para ele, a verificação do ensino transmitido estava constituída pelo ministério da Confissão, à qual ele mesmo dedicada muitas horas do dia; a ele se dirigiam bispos, sacerdotes, religiosos, leigos eminentes e pessoas simples: a todos sabia oferecer o tempo necessário. De muitos, também, que chegaram a ser santos e fundadores de institutos religiosos, foi sábio conselheiro espiritual. Seu ensino nunca era abstrato, baseado somente nos livros utilizados nessa época, mas nascia da experiência viva da misericórdia de Deus e do profundo conhecimento da alma humana, adquirido no longo tempo transcorrido no confessionário e na direção espiritual: a sua era verdadeiramente uma escola de vida sacerdotal.

São José Cafasso: modelo sublime de sacerdote santo. 

Seu segredo era simples: ser um homem de Deus; fazer, nas pequenas ações cotidianas, "o que possa representar maior glória de Deus e maior proveito das almas". Amava de forma total o Senhor, estava animado por uma fé bem arraigada, sustentado por uma oração profunda e prolongada, vivia uma sincera caridade com todos. Conhecia a teologia moral, mas conhecia também as situações e o coração das pessoas, de cujo bem se encarregava, como o bom pastor. Os que tinham a graça de estar perto dele se transformavam em outros bons pastores e confessores válidos. Indicava com clareza a todos os sacerdotes a santidade a ser alcançada precisamente no ministério pastoral. 

O Beato Clemente Marchisio, fundador das Filhas de São José, afirmava: "Entrei no internato sendo um grande travesso e um meio doido, sem saber o que queria dizer ser sacerdote, e saí de lá sendo totalmente diferente, plenamente imbuído da dignidade do sacerdote". Quantos sacerdotes foram formados no internato e depois seguidos espiritualmente! Entre estes, como já comentei, surge São João Bosco, que o teve como diretor espiritual durante 25 anos (de 183 a 1860): antes como clérigo, depois como sacerdote e depois como fundador. Todas as escolhas fundamentais da vida de São João Bosco tiveram como conselheiro e guia São José Cafasso, mas de uma maneira bem precisa: Cafasso jamais buscou formar em Dom Bosco um discípulo "à sua imagem e semelhança", e Dom Bosco nunca copiou Cafasso; imitou-o certamente nas virtudes humanas e sacerdotais, definindo-o, de fato, como "modelo de vida sacerdotal"; mas desenvolveu suas próprias atitudes pessoais e sua peculiar vocação - um sinal da sabedoria do mestre espiritual e da inteligência do discípulo: o primeiro não se impôs sobre o segundo, mas o respeitou em sua personalidade e o ajudou a ler qual era a vontade de Deus sobre ele. 

Queridos amigos, este é um ensinamento belíssimo para todos aqueles que estão comprometidos na formação e educação das jovens gerações e é também um forte convite sobre quão importante é ter um guia espiritual na própria vida, que ajude a entender o que Deus quer de nós. De maneira simples e profunda, nosso santo afirmava: "Toda a santidade, a perfeição e o proveito de uma pessoa está em fazer perfeitamente a vontade de Deus (...). Felizes nós, se conseguirmos verter assim nosso coração dentro do de Deus, unir de tal forma nossos desejos, nossa vontade à sua, que formem um só coração e uma só vontade: querer o que Deus quer, querer na forma, no tempo, nas circunstâncias que Ele quiser e querer tudo isso não por outro motivo a não ser porque Deus o quer".

São José Cafasso: apóstolo dos encarcerados

Mas outro elemento caracteriza o ministério do nosso santo: a atenção aos últimos, em particular aos presos, que em Turim do século XIX viviam em lugares inumanos e inumanizadores. Também neste delicado serviço, levado a cabo durante mais de vinte anos, ele foi sempre o bom pastor, compreensivo e compassivo - qualidade percebida pelos detentos, que acabavam por ser conquistados por esse amor sincero, cuja origem era o próprio Deus. 
São José Cafasso: anjo dos condenados. 
A simples presença de Cafasso fazia o bem: serenava, tocava os corações endurecidos pelas circunstâncias da vida e sobretudo iluminava e removia as consciências indiferentes. Nos primeiros anos do seu ministério entre os presos, ele recorria frequentemente às grandes pregações que chegavam a envolver quase toda a população carcerária. 
Com o passar do tempo, privilegiou a catequese pequena, feita nos colóquios e nos encontros pessoais: respeitoso das circunstâncias de cada um, enfrentava os grandes temas da vida cristã, falando da confiança em Deus, da adesão à sua vontade, da utilidade da oração e dos sacramentos, cujo ponto de chegada é a confissão, o encontro com Deus, feito para nós misericórdia infinita. 
Os condenados à morte foram objetos de cuidados humanos e espirituais especialíssimos. Ele acompanhou ao patíbulo, após tê-los confessado e administrado a Eucaristia, 57 condenados à morte. Acompanhava-os com profundo amor, até a última respiração da sua existência terrena.
Morreu no dia 23 de junho de 1860, após uma vida oferecida totalmente ao Senhor e consumada pelo próximo. Meu predecessor, o venerável servo de Deus Papa Pio XII, no dia 9 de abril de 1948, proclamou-o padroeiro das prisões italianas e, com a exortação apostólica Menti Nostrae, em 23 de setembro de 1950, o propôs como modelo aos sacerdotes comprometidos na confissão e na direção espiritual.

Queridos irmãos e irmãs: que São José Cafasso seja um convite para todos a intensificar o caminho rumo à perfeição da vida cristã, a santidade; em particular, que recorde aos sacerdotes a importância de dedicar tempo ao sacramento da Reconciliação e à direção espiritual, e a todos a atenção que devemos ter com os mais necessitados. Que nos ajude a intercessão da Beata Virgem Maria, a quem São José Cafasso era devotíssimo e chamada de "nossa querida Mãe, nosso consolo, nossa esperança".

Corpo Incorrupto de São José Cafasso


[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]

Queridos irmãos e irmãs:

Na semana passada, fez cento e cinquenta anos que morreu São José Cafasso, que resplandece na Igreja pelos seus dotes de diretor espiritual e o seu grande espírito de caridade. Este o levou a privilegiar os últimos, os encarcerados: durante mais de vinte anos, foi o pastor compreensivo e compassivo dos reclusos de Turim. Por isso depois foi proclamado pelo Papa Pio XII patrono dos estabelecimentos carcerários. São José Cafasso não foi pároco como o Santo Cura d'Ars, mas formador de párocos e sacerdotes diocesanos; mais ainda, formador de sacerdotes santos, entre os quais se conta São João Bosco. O seu segredo era simples: ser um homem de Deus, procurando, nas ações humildes de cada dia, fazer tudo aquilo que pode servir para a maior glória de Deus e o bem das almas.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

São Charbel Makhlouf, presbítero e monge maronita.


São Charbel Makhlouf, Presbítero e Monge
Nasceu em 1828, numa pequena aldeia chamada Beka´Kafra, no Líbano. Desde sua infância se sentia atraído pelo Senhor. Gostava de rezar nas grutas, para satisfazer sua sede de Deus.
Numa noite, em 1875, num mosteiro das altas montanhas do Líbano, um monge solicita a seu Superior permissão para tornar-se asceta e isolar-se na ermida do convento. Tal autorização só é dada depois de muita reflexão. O Superior pede ao monge que espere mais tempo e lhe entrega um processo para estudar.
- É assunto urgente, acrescenta. Poderá velar hoje além da hora regulamentar.
O monge leva sua lâmpada à cozinha a fim de que o servente abasteça de azeite. O servente, querendo zombar do humilde monge, enche a lâmpada de água. O monge se recolhe à sua cela e acende a lâmpada e ela se acende. O servente brincalhão estava observando. Ao ver a luz na cela do monge, perturba-se e corre a relatar o fato ao Superior. Este vai imediatamente à cela, e verifica que, de fato, a lâmpada, acesa, só contém água. No dia seguinte, autoriza o monge a ocupar a ermida do convento.
No oriente, duas zonas geográficas têm, desde a Antiguidade, atraído e inspirado os santos e ascetas: o Deserto e Alta Montanha. Em ambos, na solidão imensa e silenciosa, o homem parece sentir mais vividamente, através de um firmamento mais próximo e mais límpido, uma presença sobre-humana. No decorrer dos séculos, Montanha do Líbano, particularmente, tem servido de abrigo aos monges, aos ascetas, aos santos. Terra cheia de belezas naturais.
Os conventos faziam parte desse modo de vida. Edificados como fortalezas em colinas ou vales estratégicos, eram a um só tempo centros religiosos, culturais, patrióticos.
São Charbel, símbolo de união entre o Oriente e Ocidente, nasceu no dia 8 de maio de 1828 em Biga'kafra, a mais alta cidade do Líbano, a 1600 m de altitude. Foi à beira do Vale da Kadisha, em frente a Becharre, a cidade natal de Gibran. Quinto filho de Antun Zarour Makhlouf e Brígita Al-Chidiac.
São Charbel foi batizado sob o nome de Yussef Makhlouf, que significa José. A família era simples, porém muito respeitada. No ambiente de simplicidade, ele cresceu num meio familiar muito religioso.
Tinha dois irmãos e duas irmãs. Quando fez três anos o pai faleceu. Antes de se deitarem, ajoelhados em volta da mãe, eles rezavam as preces que ela fazia. Ao lado, um incenso queimando em um prato sobre um altarzinho suspenso à parede. Nela, Nossa Senhora ficava no centro, em meio a outros santos.
Dois de seus tios maternos eram monges anacoretas no convento de Santo Isaías, no Vale da Kadisha. Desde a sua primeira infância Yussef manifestou uma tendência muito pronunciada para o isolamento e a devoção.
Abandonava seus camaradas e retirava-se para rezar numa gruta, que foi denominada a princípio, ironicamente, de Gruta do Santo. Com o desejo de ser monge, ele só pensava em entrar num convento. Ouvia uma voz interior chamá-lo: "Deixa tudo e segue Cristo". 
Um dia, Yussef deixou a casa em segredo e foi ao convento de Nossa Senhora, da Ordem dos Monges Libaneses Maronitas, na cidade de Maifuq, onde foi admitido como seminarista. Tinha 23 anos.
O seminarista tem uma só reposta: "Deus me quer inteiramente para Ele." O noviciado, que dura dois anos, é um tempo de provações pesadas. No fim de seu primeiro ano de noviciado, o seminarista transferiu-se do Mosteiro de Maifuq para o Mosteiro de São Maron, em Anaya, pertencente à mesma Ordem.
Ele já abandonara seu nome de batismo, Yussef e adotara o de Chárbel. Trocar de nome, quando se ingressa na vida religiosa, é tradição no Oriente. Simboliza a renúncia ao passado e entrada numa nova vida, a troca dos tesouros do mundo pelos da eternidade.
São Charbel, glória do Líbano
Em 23 de julho de 1859, Chárbel é ordenado. É o momento em que ele dá uma mostra da seriedade do juramento. Nesse dia, sua mãe foi ao mosteiro e perguntou por ele. O padre Charbel recusa-se a recebê-la e lhe dirige breves palavras no interior da capela, sem que pudessem se ver um ao outro.
- É assim, meu filho, que me privas do prazer de abraçar-te e estreitar-te ao peito?
- Se Deus permitir, nós nos veremos no céu, por toda a eternidade.
Essa renúncia sobre humana dá o tom da vida que começa agora para o Padre Charbel. São 16 anos como monge no Mosteiro São Maron, e 23 anos como asceta na ermida do convento, dedicada a São Pedro e São Paulo.
Na realidade, seus 16 anos de mosteiro foram como uma introdução a seus anos de eremita, que são o ponto culminante de sua existência. Poucas palavras descreverão essa vida de silêncio, trabalho, desprendimento, preces, jejuns, mortificações, meditações, vigílias - levados todos ao máximo onde um ser humano pode chegar.
O eremita visa a ser um novo crucificado, um novo cordeiro da Páscoa. Padre Charbel concilia seus dias entre os trabalhos braçais nas propriedades do convento e as preces e as meditações. O regulamento lhe permite dormir 5 horas. Mas ele dorme 3 horas e meia. Passa o resto do tempo rezando. Diz: "A prece relaxa os membros mais eficazmente que o sono." Às vezes, permanece horas a fio ajoelhado diante da sagrada hóstia.
Sua cela mede 06 metros quadrados. Um colchão de folhas de carvalho, um jarro de água, uma lâmpada de azeite, um prato de madeira sobre um banquinho, uma pedra que serve de cadeira. Este é todo o conteúdo do quarto.
Na ermida, Charbel fazia uma só refeição a cada 24 horas, às 13 horas. Alimentava-se de poucos cereais e legumes verdes ou cozidos. Nunca comeu carne, nem frutas.
Conta Padre Simeão, de Aitu: “Quando cheguei à ermida, Padre Chárbel estava na capela, ajoelhado, os braços estendidos em cruz”. Permaneceu assim muito tempo. O dinheiro, naturalmente, nada significava para ele. Nem o dinheiro, nem bem material algum.
A ermida de São Pedro e São Paulo, uma construção maciça de pedras mal talhadas, está situada a 1400 metros de altitude no cume de uma elevação, a uns 200 metros do convento.
Mas no inverno, a neve, o frio, os ventos, as tempestades a castigam com rigor. Procurando maltratar ainda mais o corpo, Padre Charbel veste no inverno a mesma batina que no verão, nada lhe acrescentando.
Sofria de cólicas renais. Agüentava as dores sem se queixar e sem tomar remédios. "Completo na minha carne o que faltou aos sofrimentos de Cristo." "Parece já viver na eternidade", dizia o irmão Elias Mihrini. "Perdia-se em Deus como um rio se perde no mar.", escreveu Paul Daher.

Mal vestido, mal alimentado, exposto sem defesa ao frio e ao calor, privado de qualquer conforto e de qualquer ternura, era, entretanto, o homem mais feliz da comunidade. Seu rosto estava sempre radiante. Nunca reclamava. Nunca se queixava. Quando rezava, uma luz celestial iluminava-lhe o semblante. O Senhor tornara-se sua verdade, sua força, sua riqueza, sua alegria, a razão de sua vida.
No dia 16 de dezembro de 1898, o padre Charbel começou a Santa Missa. Mas, ao recitar a prece "Pai da verdade, eis o Vosso Filho, vítima do vosso agrado! Aceitai-o", foi atacado pela paralisia. E começou a agonizar, sempre com os lábios em oração. Na noite do Natal desse mesmo ano, em 24 de Dezembro, aos 70 anos, deixou a vida terrena e nasceu para o céu. Faleceu serenamente, cheio de paz e gozo espiritual.


Santinho com o painel da Beatificação

Painel da Canonização
Durante três dias após sua morte, por sob seu túmulo, pairou um globo de luz possível de ser visto por todos os monges e, ao mesmo tempo, cânticos celestes belíssimos eram possíveis de serem ouvidos.

Nos anos que se seguiram à sua santa morte, graças, curas e até milagres foram relatados às dezenas e centenas pelos fiéis que recorriam à sua intercessão. 

Eram sinais claros da bem aventurança gloriosa que alcançara no Céu. Porém, outro impressionante milagre ocorria com seu santo corpo... 




O CORPO INCORRUPTO DE SÃO CHARBEL

O corpo incorrupto de são Charbel é considerado o mais impressionante entre os corpos incorruptos de santos e santas. Poder-se-ia dizer que era um “morto vivo”, visto que, seu corpo, mesmo décadas após sua morte, não somente conservava-se absolutamente intacto como era flexível, morno, suava e o sangue dentro das veias era fluido. Realmente era impressionante. Devido ao suor (não tinha odor ruim, mas, manchava o hábito), os monges responsáveis pela guarda do corpo necessitavam trocar o hábito pelo menos a cada semana para lavá-lo.
Esse milagre, tal qual aqui descrevo, conservou-se até o dia de sua beatificação. Nesse mesmo dia ocorreu um outro milagre: seu corpo (as partes moles) simplesmente “evaporaram”, desapareceram, ficando seu esqueleto limpo, no entanto, com a aparência de um “esqueleto de um vivo”, isto é, os ossos eram (e ainda são) de cor rosada, cor de “vinho”. O corpo não se decompôs: simplesmente desapareceu, deixando os ossos limpos com um suave aroma de rosas e de cor de “vinho”. Ainda hoje se conservam assim.
São provas de que a nossa Igreja é a verdadeira Igreja fundada por Deus e deixada no mundo como testemunha da Verdade: Jesus Cristo. Os corpos incorruptos dos santos como santa Bernadete, são Charbel, santa Maria Domingas Mazarello, santa Josefina Bakhita, são João Maria Vianney, santa Catarina Labouré e muitos outros são provas de que o Deus do Universo acompanha sua Igreja com amor dando provas claras e inquestionáveis de que sua Santa Religião é a católica.
Que tal realidade aumente e confirme sempre mais a nossa fé. Amém!


Venerável Servo de Deus Benigno de Santa Teresa do Menino Jesus, Carmelita Descalço.


(Inzago, em 23/07/1909 – Trezzo, 25 de outubro de 1937)


Resumo:
Depois de fazer uma experiência de trabalho no mundo secular, entrou na Ordem dos Carmelitas Descalços. Ordenado sacerdote, foi reitor e vice-mestre de noviços em Concesa (Milão).
Observou a Regra de sua Ordem e serviu em uma atividade pastoral generosa. Cuidou do ministério do confessionário, na Ação Católica e em fomentar vocações religiosas.
Amava a província Lombarda dos Carmelitas Descalços, que lhe deu a vida. Morreu santamente de peritonite em 1937.

Sua vida:
O jovem carmelita Ângelo Calvi, nasceu em 23 de julho de 1909, em Inzago. Terceiro filho de pais muito pobres: Teresa e Francisco Calvi Ceserani.
Cresceu em uma casa que partilhava o mesmo pátio com outras casas. Era uma criança e adolescente muito responsável, alegre e generoso. Ajudava muito sua mãe, lavando os pratos e panelas após as refeições de sua casa. Colaborou na criação de bichos da seda e cortando a grama nos campos para dar para as vacas. Também trabalho como aprendiz na oficina de carpinteiro.
Mesmo com tanto trabalho para fazer, todas as manhãs, dirigia-se à Igreja Matriz de sua vila para saudar a Jesus na Eucaristia.
Quando não estava no trabalho, em casa ou na carpintaria, ia à paróquia para orar. Era filiado à Ação Católica, movimento eclesial que se encontrava em expansão na diocese de Milão.
Divulgava entre os amigos, com grande alegria e fervor, a devoção a Jesus na Eucaristia, promovendo com os companheiros do Oratório São Luís a adoração noturna na capela.
Ângelo tinha 15 anos quando um amigo seu, Carlos Caldarola, fez uma visita ao Santuário-Convento de Concesa de Trezzo, administrado pelos Carmelitas Descalços, onde ambos participaram da cerimônia de admissão de um grupo de novatos. Era o dia 14 de setembro de 1924. Ambos ficaram muito impressionados com a bela cerimônia e, a partir desse momento, floresceu a sua vocação para a vida religiosa. Seu amigo Carlos pediu admissão entre os filhos de Dom Bosco e nosso caro Ângelo Calvi entre os carmelitas. 
Ângelo tinha 17 anos quando, em 22 de novembro de 1926, entrou no internato para os vocacionados (equivaleria hoje ao Aspirantado) aberto pelos Carmelitas em Cherasco, na província de Cuneo. Como havia abandonado a escola há anos para dedicar-se ao trabalho, ajudando sua família, era-lhe difícil acompanhar os estudos e equiparar-se aos demais companheiros.
No entanto, sua vocação era verdadeira e, portanto, determinou-se a não perder o foco nos estudos. Mediante a intercessão de santa Teresinha do Menino Jesus, à qual ele sempre foi dedicado, seus esforços foram recompensados, de forma que alcançou o topo da classe em matéria de sucesso nos estudos. No início (quando enfrentava dificuldades em acompanhar as matérias), havia sido aconselhado a permanecer irmão leito ou a retornar à sua família, mas, ele decidiu firmemente tornar-se padre. 
Terminou o ensino médio em Cherasco, em 21 de junho de 1928, juntamente com outros cinco jovens. No convento de Concesa tomou o hábito religioso, recebendo o nome de “Benigno de Santa Teresa do Menino Jesus”. Deu início ao seu noviciado, onde foi inserido na formação para a vida comum e específica dos Carmelitas Descalços.
Em 26 de junho de 1929 fez a profissão religiosa simples, seguida da solene em 17 de julho de 1932. Continuou seus estudos filosóficos e teológicos em Milão/ Piacenza.
Seus colegas de classe afirmaram que jamais o viram com impaciência ou irritação, mas, sempre leve, suave e constante mesmo em circunstâncias adversas ou desfavoráveis. Recebia com humildade as correções, inclusive agradecendo quem o corrigia.
Tornou-se muito querido pelos confrades mais velhos e doentes que sempre o chamavam quando era a sua vez de servir na enfermaria, pois ele sabia que ouvir com paciência, amor e ternura, bem como dar uma boa palavra vale mais do que quaisquer medicamentos.
De resto, foi absolutamente um jovem religioso comum, sempre seguindo a máxima de sua padroeira, Santa Teresinha do Menino Jesus: “a santidade não consiste em fazer coisas extraordinárias, mas, em fazer coisas comuns de forma extraordinária”.
A oração foi a base de sua vida espiritual e, através dela, adquiriu humildade, obediência e serenidade, bem como a estima dos irmãos.
Foi ordenado sacerdote em Piacenza em 26 de maio de 1935, cercado por seus familiares. Em junho de 1936 foi designado para o convento de Concesa Trezzo, em Adda, como vice mestre de noviços, substituindo o pároco doente  como pastor assistente de Santa Maria Assunta, a igreja da localidade.
Inumeráveis são os testemunhos relativos a seu espírito de caridade para com os doentes, os deficientes, os deformados e deficientes mentais; comparecia a onde quer que fosse necessário como sacerdote. Foi um ano de muito trabalho e todos seus irmãos confrades foram capazes de conhecer e apreciar as suas virtudes.
Jamais negligenciava a vida comunitária, nem a formação e a amizade fraterna com os noviços que lhe foram confiados, nem a caridade para com os irmãos idosos.
Foi então que começou o calvário de sua doença. No final de setembro de 1937 sentiu uma violenta dor no abdome, que foi diagnosticada como uma simples colite. Mesmo com a dor, continuou a sorrir, ficar em silêncio e a caminhar do convento à paróquia.
Em 21 de outubro a situação piorou rapidamente, ficando a dor mais forte obrigando-o a ficar de cama. Dias depois ele foi levado às pressas para o hospital de Legnano, sendo colocado na sala de cirurgia.
Assim que teve seu abdome aberto pela incisão cirúrgica, um jato de pus espirrou com tal força que manchou quase toda a sala de cirurgia. Os médicos e enfermeiras tentaram fazer o que era possível, no entanto, naquele tempo, ainda não havia sido inventada a penicilina.
Foi dado o diagnóstico de “peritonite tuberculosa”. Devido ao corte a dor aliviou, no entanto, a infecção progrediu rapidamente com febre alta, calafrio, tremores e ardência no corte.
Nesta altura, Benigno já estava consciente da gravidade de seu quadro clínico e de sua hora chegara. Rodeado por alguns de seus irmãos de Ordem e por seu superior, ofereceu sua vida pela Província Lombarda dos Carmelitas Descalços, que, na época, estava em perigo de supressão, e, também, por um companheiro seu, frei Teófano Stela, missionário na Índia.
Depois de receber os últimos sacramentos e depois de renovar seus votos religiosos no Carmelo, já fraco ao extremo, decidiram transportá-lo de volta para o Convento de Concesa, com o consentimento de seus familiares que faziam-lhe companhia à sua cabeceira.
Já em sua cela, pediu humildemente perdão a toda a comunidade por algum defeito seu ou contrariedade que tenha causado e, mesmo sentindo muita dor, exclamou: “Me sinto feliz, muito feliz! É maravilhoso morrer carmelita, com o hábito da Virgem”! Após dizer isso, entregou sua alma jovem e pura a Deus. Era o dia 25 de outubro de 1937. Tinha 28 anos de idade.
Seu funeral foi uma apoteose na cidade. A multidão que acompanhava o féretro confirmava a reputação de santidade que o havia acompanhado sua vida. 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Beata Maria Cândida da Eucaristia, Virgem Carmelita Descalça.



Hoje postarei um resumo da vida da beata Maria Cândida da Eucaristia, carmelita descalça. Apesar de sua memória litúrgica ser apenas no dia 14 de junho, estou postando essa publicação a pedido do Revmo. padre Francisco Menezes, sacerdote camiliano, grande amigo de nossa Comunidade Rainha do Carmelo. Ontem, após a celebração da Santa Missa em ação de graças pelo encerramento das atividades do ano de 2013 de nossa comunidade, quando o levava a sua residência, ele me pediu que escrevesse sobre essa beata que ele muito admira, exatamente por causa de seu profundo amor pelo Mistério da Santíssima Eucaristia. 
No final de sua biografia, posto também uma belíssima "carta" que a santa monja escreveu ao seu grande amor, Jesus Hóstia, na qual ela revela seu entranhado amor pela presença real de Jesus na Eucaristia, Centro de toda a vida da Igreja. 



Espero que apreciem sua bela vida, seus exemplos, e que todos procuremos imitar-lhe a fé, amor e devoção ao Santíssimo Sacramento do Amor. Amém!



Maria Cândida da Eucaristia nasceu no dia 16 de janeiro de 1884, em Catanzaro (Itália), cidade para onde a família, originária de Palermo, se transferiu por um breve período de tempo devido ao trabalho do pai, Pedro Barba, que era Conselheiro do Tribunal de 1ª Instância; foi batizada três dias depois com o nome de Maria Barba. Sua mãe chamava-se Joana Florena. Maria era a décima de doze filhos.
Quando a menina completou dois anos, a família retornou para a capital siciliana e ali Maria viveu a sua juventude. Aos quinze anos manifestou a sua vocação religiosa à qual seus pais, apesar de serem profundamente religiosos, se opuseram com determinação. 
De fato, Maria teve que esperar quase vinte anos para poder realizar a sua aspiração, demonstrando, nestes anos de expectativa e de sofrimento interior, uma força de ânimo surpreendente e uma fidelidade incomum. Depois da morte de sua mãe, seguindo o conselho do Cardeal Alessandro Lualdi, entrou finalmente no Mosteiro das Carmelitas Descalças de Ragusa, que tinha surgido havia pouco tempo e era muito pobre.
Entrou no Carmelo a 16 de abril de 1920, onde assumiu o nome de Maria Cândida da Eucaristia, em certos aspectos profético. Em 17 de abril de 1921 pronunciou a profissão simples e a solene no dia 23 de abril de 1924.
O amor pela Eucaristia manifestou-se nela desde a primeira infância quando, com 10 anos, foi admitida à Primeira Comunhão e a sua maior alegria era poder comungar. Desde então, privar-se da Santa Comunhão tornou-se para ela "uma cruz pesada e angustiante".
     Maria Barba, sempre estimulada por uma devoção especial ao mistério eucarístico, no qual ela via o mistério da presença sacramental de Deus no mundo e a concretização do seu amor infinito pelos homens, motivo da nossa confiança plena nas suas promessas, constrói alguns anos mais tarde um novo mosteiro, que ainda hoje existe.
Irmã Maria Cândida quis "fazer companhia a Jesus no seu estado de Eucaristia quanto mais fosse possível". Prolongava as suas horas de adoração e, sobretudo, das 23 às 24 horas de cada quinta-feira, prostrava-se diante do Tabernáculo em adoração. A Eucaristia polarizava verdadeiramente toda a sua vida espiritual, não tanto pelas manifestações devocionais, quanto pela incidência vital da relação da sua alma com Deus. Foi da Eucaristia que Maria Cândida encontrou as forças necessárias para se consagrar a Deus como vítima no dia 01 de novembro de 1927.
Seis meses depois da profissão solene, em 10 de novembro de 1924 foi nomeada pela primeira vez Priora do seu Mosteiro: um cargo que aceitou e uma responsabilidade que desempenhou em sinal de obediência a Deus, com dedicação total e grande seriedade. Durante os três primeiros anos como Priora, assumiu também o cargo de Mestra de noviças.
Desenvolveu plenamente o que ela mesma definia como a sua "vocação pela Eucaristia", ajudada pela espiritualidade carmelita – são muito conhecidas as páginas em que santa Teresa de Jesus descreve a sua especialíssima devoção à Eucaristia e como na Eucaristia a Santa Fundadora experimentasse o mistério fecundo da Humanidade de Cristo – na qual se apoiou depois da leitura de "História de uma Alma" de Santa Teresinha do Menino Jesus.
Durante os anos em que guiou o seu mosteiro, de 1924 a 1947, salvo uma breve interrupção, infundiu na sua comunidade um profundo amor pela Regra de Santa Teresa de Jesus e contribuiu de modo direto para a expansão do Carmelo Teresiano na Sicília, a fundação de Siracusa, e para o retorno do ramo masculino da Ordem na região.
A partir da solenidade do Corpus Christi de 1933, Maria Cândida começou a escrever a sua pequena "obra-prima" de espiritualidade eucarística, "A Eucaristia, verdadeira joia de espiritualidade vivida". Trata-se de uma longa e intensa meditação sobre a Eucaristia, uma recordação da experiência pessoal e um aprofundamento teológico dessa experiência.
     Na Eucaristia, a beata vê sintetizadas todas as dimensões da experiência cristã:
 A Fé: “Ó meu Amado Sacramento, eu Te vejo, eu creio em Ti! Ó Santa Fé!”. “Contemplar com Fé redobrada a nosso Amado no Sacramento: viver com Ele que vem cada dia”.
A Esperança: “Ó minha Divina Eucaristia, minha querida esperança, tudo espero de Ti! Desde menina foi grande minha esperança na Santíssima Eucaristia”.
A Caridade: “Jesus meu, quanto Te amo! É um imenso amor o que eu nutro em meu coração por Ti, ó Amor Sacramentado! Quão grande é o amor de um Deus feito pão para as almas! De um Deus feito prisioneiro por mim”!
     Sem dúvida a Virgem Maria é o verdadeiro modelo de vida eucarística. Ela levou em seu seio o Filho de Deus e continuamente o engendrava nos corações de seus discípulos. “Eu quisera ser como Maria” – escreve a beata em uma das páginas mais intensas e profundas de A Eucaristia – “ser Maria para Jesus, ocupar o lugar de sua Mãe. Em minhas Comunhões, tenho sempre Maria presente. De suas mãos quero receber Jesus, Ela deve fazer de mim uma coisa só com Ele. Eu não posso separar Maria de Jesus. Salve, ó Corpo nascido de Maria! Salve Maria, aurora da Eucaristia”!
     Para a beata Maria Cândida, a Eucaristia é alimento, é encontro com Deus, é fusão de coração, é escola de virtude, é sabedoria de vida. “O Céu mesmo não possui mais; Aquele tesouro único está aqui, é Deus! Verdadeiramente, sim verdadeiramente: meu Deus e meu Tudo”. “Peço a meu Jesus ser colocada como sentinela de todos os sacrários do mundo até o fim dos tempos”.
     No dia 12 de junho de 1949, na Solenidade da Santíssima Trindade, depois de alguns meses de sofrimentos físicos atrozes, Maria Cândida da Eucaristia faleceu.
     Em 05 de março de 1956, Mons. Francisco Pennisi, Bispo de Ragusa, abriu o processo ordinário diocesano concluído em 28 de junho de 1962. Foi beatificada em Roma no dia 21 de março de 2004. A Igreja a celebra no dia 12 de junho e o Carmelo Descalço no dia 14 de junho. 




Carta de irmã Maria Cândida da Eucaristia a Jesus Hóstia:
Oh, Jesus! Hóstia de amor, hóstia imaculada e imenso fascínio da minha alma! Gostaria de contemplar-te sempre, beber de Ti um amor e uma pureza infinitos. Gostaria de ser semelhante a Ti, para alegrar-te.
Ó meu Jesus! Doa-me o esplendor da Hóstia. Dá-me o candor da hóstia imaculada. Ó Alimento divino, gostaria de transformar-me em Ti, de tornar-me para Ti como Tu: uma hóstia pura, dulcíssima e santa. Como eu me comprazo em Ti, assim, gostaria que Tu te comprazas em mim.
Hóstia santa e imaculada, eu me sacio com a tua pureza. Tu que és a vida, faz que eu viva em Ti. Ainda mais uma vez me consagro inteiramente ao teu amor, te consagro todos os meus sofrimentos, os meus suspiros, as minhas aspirações e todos os meus desejos.
Desejo só a Ti, unicamente e sempre a Ti. Eu te ofereço todo o meu amor como uma torrente: desde quando o meu coração recebeu a vida até o dia em que esta se apagará. Recebe-me como lâmpada que não se apaga, roubada pelo teu amor, adorando, agradecendo, reparando, tendo as abertas asas do meu amor para defender-te dos profanadores e dos corações malvados e para afasta-los de Ti.
Ó Pai celeste! Concede-me, dia e noite, te acompanhar com o coração, ó Jesus, enquanto Tu desces como hóstia nas almas maculadas pelo pecado, sacrílegas ou cheias de indiferença e dissipação. Transbordante de imensa dor, peço perdão por elas e quero reparar.
Sim, meu Jesus, Tu nos fazes felizes nesta vida, porque só contigo a alegria e o sorriso nunca faltarão. Quem te encontra, encontra tudo!
Eu te amo, te adoro, te louvo e te agradeço. Por teu amor não desça nestas almas, mas converte-as. Eu te amo, ó meu Bem, no Sacramento, e gostaria que a tua vida resplandecesse através de mim.
Queria que a Hóstia resplandecesse nos meus olhos, na minha fronte, nos meus lábios, no meu peito. Queria mostrar-te a todos, ó Pão da Vida, e transmitir a todos a tua beleza! Ó bela e imaculada Hóstia, sou toda tua. Como tua propriedade que seja marcada com o teu sinal, a Hóstia.
Por que todos os homens não te conhecem? Tu és a felicidade e todas as belezas e as alegrias estão em Ti, mas os homens não o sabem. Não te compreendem e perdem o caminho que conduz ao oásis da verdadeira felicidade.
Ó Jesus, se o mundo conhecesse o teu Sagrado Coração, o desejo ardente de fazer todos felizes, se conhecesse quanto Tu fizeste e continua a fazer para cada um dos teus filhos redimidos!

Ó filhos dos homens, até quando desconhecereis o amor do Filho de Deus por vós? Faz 20 séculos que Ele é prisioneiro para vós no Santíssimo Sacramento, escravo de amor sob as espécies sacramentais, vítima perene por vós. Lanço para vós o grito do meu coração, tão angustiado! Estendo os braços, acordai-vos! Eles não têm mais forças. Vinde e provai e tereis paz e felicidade. Sim, meu Jesus, Tu nos fazes felizes nesta vida, porque só contigo a alegria e o sorriso nunca faltarão. Quem te encontra, encontra tudo, quando eu também, na minha juventude, te encontrei, encontrei verdadeiramente tudo! 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Beato Gaspar Stanggassinger, Presbítero Redentorista.


"Os santos têm intuições especiais - escreveu Padre Stanggassinger - O que é importante para mim, que não sou santo, são as simples verdades eternas: a Encarnação, a Redenção e a Santíssima Eucaristia" *.
Gaspar Stanggassinger, nascido em 1871 em Berchtersgaden, sul da Alemanha, era o segundo de 16 irmãos. Seu pai, homem respeitado por todos, era fazendeiro e explorava uma pedreira.
Desde a adolescência sentiu um crescente desejo de ser sacerdote. Em seus primeiros anos, Gaspar brincava de padre "pregando" breves sermões a seus irmãos e irmãs, os quais ele costumava levar em procissão a uma capela entre as montanhas perto da sua casa.
Aos 10 anos foi para Freising a fim de continuar os estudos. Achou bastante difíceis os estudos. Seu pai lhe disse que, se não passasse nos exames, teria de deixar a escola. Com uma vontade forte, notável dedicação e fidelidade à oração, fez constantes progressos. Nos anos seguintes, durante as férias, começou a reunir ao seu redor grupos de garotos para formá-los na vida cristã, criar uma comunidade entre eles e organizar o seu tempo livre. Todo dia o grupo ia à missa, passeava ou fazia uma romaria. Era admirável a dedicação de Gaspar para com eles e chegou a ponto de arriscar sua vida para salvar um garoto em perigo na subida de uma montanha.
Gaspar entrou no seminário de Munique e Freising em 1890 para começar o estudo da teologia. Para melhor discernir a vontade de Deus, seguiu voluntariamente um rigoroso programa de oração. Sem tardar teve a certeza de que o Senhor estava chamando-o para a vida religiosa. Com efeito, após uma visita aos Redentoristas, teve a inspiração de seguir sua vocação missionária.
Não obstante a oposição do pai, entrou para o noviciado redentorista de Gars em 1892 e foi ordenado sacerdote em Regensburg em 1895. Gaspar Stanggassinger entrou na Congregação do Santíssimo Redentor com a intenção de ser missionário. No entanto, foi nomeado pelos superiores para formar os futuros missionários como vice-diretor do seminário menor de Durrnberg, perto de Hallein. Dedicou-se totalmente a esta responsabilidade.
Como religioso, fez voto de obediência e viveu-o com transparência e de modo consistente.
Toda semana passava 28 horas ensinando nas salas de aula e era sempre acessível aos rapazes. Aos domingos nunca deixou de prestar serviços nas igrejas das aldeias vizinhas, sobretudo na pregação. Mesmo com tanta carga de trabalho, era sempre paciente e compreensivo com as necessidades dos outros, particularmente dos estudantes, que viam nele mais um amigo que um superior. Embora as regras da formação naquele tempo fossem muito rigorosas, Gaspar nunca agiu rispidamente, e cada vez que ele tinha a impressão de ter sido injusto com alguém, pedia desculpas sem demora e humildemente.

Profundamente devoto de Jesus na Eucaristia, convidava os rapazes e os fiéis aos quais pregava a recorrer ao Santíssimo Sacramento nas horas de necessidade e ansiedade. Exortava-os a ir até Jesus para adorá-lo e falar-lhe como a um amigo. Suas pregações eram contínuos apelos aos fiéis para levar a sério a vida cristã, crescendo na fé por meio da oração e da conversão contínua. Seu estilo era direto e cativante, sem ameaças de castigos como era comum nos sermões da época.
Em 1899 os Redentoristas abriram um novo seminário em Gars. Padre Stanggassinger foi transferido para lá como diretor. Tinha 28 anos de idade. Apenas teve tempo de pregar um retiro para os estudantes e de participar da abertura do ano letivo. No dia 26 de setembro terminou sua jornada terrestre, vítima de peritonite.
A causa da beatificação começou em 1935, com a trasladação do corpo para a capela lateral da igreja de Gars. No dia 24 de abril de 1988 foi proclamado bem-aventurado pelo Santo Padre, o beato João Paulo II.

* Nota do autor do blog: concordo com o senhor, padre Gaspar! Nós, cristãos católicos, estamos perdendo pouco a pouco a fé justamente por não valorizarmos os verdadeiros tesouros de nossa Sagrada Religião. Se quisermos robustecer a nossa fé, temos que voltar nosso pensamento, atenção, consideração, carinho e amor para os Mistérios da Encarnação do Verbo, da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus e da Santíssima Eucaristia. Não existe cristianismo sem isso. Não seremos católicos verdadeiros sem crermos, valorizarmos e vivenciarmos esses sagrados Mistérios de Cristo Jesus. 
Que a Virgem Maria nos conceda a fé que ardia nos corações dos santos. Somente assim, nossas trevas converter-se-ão em luz. Amém. Amém. Amém! 

domingo, 15 de dezembro de 2013

Beata Maria dos Anjos, Virgem Carmelita Descalça.


                                                            Resumo
A beata Maria dos Anjos, no século Mariana Fontanella, foi a primeira carmelita italiana a subir à glória dos altares. Foi proclamada beata pelo beato Papa Pio IX em 1865. Nascida em 07 de janeiro de 1661 em uma família nobre do Piemonte, superando a oposição dos pais, veio com pouco mais de 15 anos entrar no Carmelo de Santa Cristina, em Turim.
Distinguida pela por uma grande maturidade humana e espiritual, logo se tornou mestra das noviças. Na idade de 33 anos, foi eleita priora. Apoiava a quem precisava de ajuda no caminho espiritual. Sua fama de santidade atravessou os muros do convento chegando até à casa real. Muitas vezes vieram-lhe visitar as princesas.
Desejava ardentemente a fundação de um novo Carmelo em Moncalieri, para acomodar as jovens vocacionadas que não podiam se acolhidas em Turim por falta de vaga. O local só pode ser inaugurado em 1703.
Faleceu santamente em 16 de dezembro de 1717. “A bondade do Senhor – diz em um de seus escritos – é maior do que os muitos males e pecados que cometemos e antes nos cansamos de ofendê-lo do que Ele de nos perdoar”.


Sua vida

Em 1638, subiu ao trono de Turim Carlos Emanuel II, o que melhorou a administração na cidade. No entanto, o Piemonte ainda permanece sob tutela francesa, o que retarda qualquer iniciativa política. 
A cidade de Turim, por essa época, está cheia de muita fé, fé essa enraizada nas famílias, paróquias e mosteiros. Na verdade, é o momento em que nascem novas fundações de casas religiosas, graças ao “estímulo espiritual” deixado pelo vida e exemplo de são Luís de Gonzaga.
Neste clima, em 07 de janeiro de 1661, nasce o último dos 11 filhos do conde João Fontanella Baldissero e de Maria Tana Santena, batizada com o nome de Marianna. Pequena, vem a saber que sua mãe é da mesma família – oriunda de Chieri – na qual nascera, um século antes, Marta Tana, que foi mãe de são Luís de Gonzaga (1568 – 1591), o príncipe de Mântua, que abraçou a vocação religiosa e seguiu a Jesus virgem, obediente e pobre, entre os jesuítas. Havia renunciado à sua herança e títulos consideráveis. Luís, verdadeiro anjo de carne e osso, tinha sacrificado a sua vida aos 23 anos, em Roma, servindo entre os infectados por uma grave epidemia de cólera, que também o vitimou. Quando Mariana nasceu, já havia sido proclamado santo.
Mariana cresce espiritualmente diante dos olhos de todos, levando a sério a Luís Gonzaga como modelo e intercessor. Imita-o na fé, caridade, na pureza ilibada e em sua devoção a Jesus.
Sua educação, desde menina, é intensamente cristã, enriquecida por uma terna devoção a Nossa Senhora e São José. Ao mesmo tempo ela sabe o que viver e sofrer por causa de Turim e as relações entre sua amada cidade e os demais Estados da Europa, muitas vezes em guerra uns contra os outros por razões de supremacia dinástica, militar e econômica.
Ao longo de sua vida, seus olhos estarão constantemente voltados para Deus como o Único, Senhor da história de seu tempo. Ela sabe que pode, com o poder da oração, ser influente perante Deus, o que não é pouca coisa. Aos 14 anos, seu pai falece. Mas, o chamado de Deus está amadurecendo e planeja consagrar-se a Ele no Carmelo, fascinada pelo ideal de santa Teresa de Ávila e de são João da Cruz. Havia em Turim o mosteiro das Carmelitas Descalças (Mosteiro de Santa Cristina) fundado em 1639, que a inspira fortemente.
Com notável firmeza, Mariana entrou neste mosteiro. Em 19 de novembro 1675, ela recebeu o hábito religioso e tornou-se irmã Maria dos Anjos. Durante o ano do noviciado, ficou animada em sua nova vida e se apaixona por Jesus. Durante a época do Natal, muito querida à tradição carmelita, emite a profissão. Chama a atenção o fato de ter apenas 15 anos de idade. Mas, por uma graça especial de Deus, dá “passos largos” no caminho da maturidade humana e espiritual, avançando rapidamente em direção ao cume da santidade.
Neste caminho, a irmã Maria logo se encontra com o sofrimento: ela aceita todas as provações e tribulações com confiança, serenidade e até com heroísmo, deixando aprimorar a alma e a vida, apontando para uma forte transfiguração mística em Jesus, através de sua vida de oração e de união com Ele. Essa união muitas vezes transborda para as irmãs e todos aqueles que muitas vezes buscam o mosteiro a procura de sua oração e de seu conselho.
Irmã Maria está muito familiarizada com a realidade de Deus e da humanidade. Também conhece a história de seu tempo. Goza, ainda jovem, uma reputação de santidade. As irmãs que estão sob sua orientação acreditam que ela é um anjo enviado por Deus. É estimada por seus concidadãos da cidade de Turim. Em 1694 foi eleita priora. Ela tinha apenas 33 anos. Para ser eleita teve que pedir uma dispensa apostólica; mas, é confirmada neste cargo por três vezes seguidas: um sinal de sua autoridade. Não sendo mais possível ser reeleita, será a mestra de noviças. Para as noviças sob sua formação será realmente uma mãe e uma guia para a santidade.

Na história política do Piemonte, novos conflitos com a França recrudescem perigosamente. Enquanto isso, no Carmelo de Santa Cristina, a madre Maria dos Anjos ora fervorosamente e obtêm de Nossa Senhora o fim da guerra e a libertação de Turim. O rei da França libera o Piemonte. Maria atribui a vitória à intercessão de São José e proclama o esposo virginal de Maria Santíssima o santo padroeiro da cidade.
É crescente a admiração e a estima pela freira santa, de forma especial, a casa real de Savóia. Seus membros tornam-se seus confidentes. No entanto, os seus favoritos sãos os pobres e os humildes. Ela é conhecida por todos por seu amor ao país, à Igreja e ao Papa. Exerce seu “sacerdócio comum” com seu amor vivido em oração contínua, na imolação e no silêncio, em união com o Crucificado. Mulher singular, rica em favores divinos, em 1702 torna-se fundadora, abrindo um Carmelo em Moncalieri, dedicado a São José.
É uma verdadeira filha de santa Teresa de Jesus (de Ávila), zelosa na observância da Santa Regra e Constituições. Ofereceu sua vida para a Igreja e para a conversão do mundo a Jesus. Sedenta de oração e da solidão, no entanto, não se “isola” dos problemas do mundo. Interessa-se e reza por seu povo e por sua Pátria.
Em 1706, Turim é novamente sitiada pelos franceses por quatro vezes. Se Pedro Micca (comandante das forças piemontesas) se sacrifica para impedir a entrada francesa na cidade, Maria dos Anjos se dirige mais uma vez à Virgem Maria impetrando-A a proteção de Turim. Em 07 de setembro de 1706, as forças combinadas do príncipe Eugênio de Savóia conseguem uma vitória decisiva e a fuga dos franceses, vitória essa prevista por Maria dos Anjos. Cheia de júbilo e gratidão, Maria dos Anjos, vai agradecer a vitória sobre a colina de Superga, onde é levantado um santuário à Virgem Maria, à qual tinha prometido na hora do perigo.
Ela sempre teve uma terna devoção a Nossa Senhora, invocada sob os títulos mais bonitos em Turim, entre os quais, se destaca o de Nossa Senhora da Consolação. A honra com a oração do santo rosário. Procura imitar suas mais altas virtudes, especialmente a paixão apostólica pela salvação das almas. “Por essa causa ela oferece a Deus o sofrimento que não lhe falta, um sinal, conforme a doutrina católica – característica essa vivida com especial entusiasmo por santa Teresa – de uma especial amizade com Deus, que costuma associar seus amigos a seu Filho Crucificado.
Quando solicitada, Maria, enriquecida com dons singulares de Deus, ilumina aos irmãos com cartas de incentivo e conselhos, como uma verdadeira mestra: nesses escritos autobiográficos vislumbramos seu estilo resplandecente, sua vida angelical e sua doutrina. Durante este período, no auge de sua maturidade humana e espiritual, o Senhor a favorece de graças místicas extraordinárias, às quais ela corresponde com uma generosidade sem reservas, tornando-se verdadeiramente “tudo em todos”, com humildade, dedicação, espírito de serviço, delicada atenção às necessidades das irmãs, solicitude amorosa para seu crescimento espiritual, plena fidelidade ao carisma da Ordem, com um carinho especial para a Santa Madre Teresa, para qual nutre uma devoção singular e que é retribuída com favores especiais.
Sua santidade brilhava em amor ardente especialmente pelas almas. Essa forte experiência foi produzida pela oração e penitência, apoiadas por sua caridade generosa e ardente. Seu zelo realizava-se nas “obras e obras” em favor de alguém que precisava de sua ajuda ou de sua oração. A fama de sua santidade logo cruzou o limiar da clausura, manifestada de forma especial pelas visitas frequentes ao mosteiro pelas princesas e sua corte. Pessoas de todas as classes e categorias recorreram a ela para aconselhar-se ou para suplicar a sua intercessão com o Senhor.
Entre estes se distinguiram Madame Reale, a duquesa, e o próprio Vitório Amedeo II (rei do Piemonte). Ansiosa por escapar dessa reputação e impulsionada pelo desejo de fundar um novo Carmelo para acomodar as jovens que não puderam ser recebidas em Santa Cristina por falta de espaço, iniciou negociações com os superiores diretos e com autoridades civis. Após superar muitas dificuldades, em 16 de setembro de 1703 teve a alegria de ver inaugurado o Carmelo de Moncalieri. Não conseguiu transferir-se para ele visto que a casa de Savóia exerceu forte pressão junto aos superiores para impedir que a madre se afastasse de Turim.
Assim, continuou a fornecer às monjas de Moncalieri o necessário, cuidando de sua formação espiritual e supervisionando com coração de mãe o bom funcionamento da comunidade.
Nossa beata foi também grande incentivadora da devoção ao Santo Sudário de Turim. Juntamente com o beato Sebastião Valfré, recomendava aos fiéis que o tivessem em grande conta e devoção, pois sabia, por revelação divina, que era o verdadeiro pano que cobrira o Corpo Santíssimo do Salvador. 

Em 16 de dezembro de 1717, morre com apenas 56 anos de idade, partindo para o encontro com Deus. Apenas cinco anos após sua morte começa a causa de sua beatificação. Em 05 de maio de 1778, o Papa Pio VI proclama suas virtudes heroicas. Pio IX, em 25 de abril de 1865, a inscreve entre os bem aventurados do Céu. São João Bosco, em 1866, escreveu uma biografia da beata que se espalhou entre seus leitores católicos, propondo-a como modelo de santidade e amor cristão pela terra natal.  Sua memória litúrgica é celebrada em 16 de dezembro.