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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

SANTA FILOMENA, Virgem e Mártir




No dia 25 de maio de 1802, os ossos de uma mulher entre 13 e 15 anos foi descoberto no cemitério de Santa Priscila, nas escavações das catacumbas em Roma. Uma inscrição próxima ao túmulo dizia “A paz seja contigo, Filomena”, junto com inscrições de uma âncora, três flechas e uma palma. Próximo aos ossos foi descoberto um vaso de vidro com um depósito de sangue ressequido. Por ser costume dos primeiros mártires deixar símbolos e sinais como estes, foi facilmente determinado que Santa Filomena havia sido uma virgem mártir.
                                                                      
No reinado do Papa Pio VII, quando foram encontradas essas relíquias, o padre Francisco de Lúcia, da cidade de Mugnano delle Cardinale (Itália), desejou levar as relíquias de um santo para sua paróquia e foi à Santa Sé em Roma para solicitá-las.

Quando estava na Capela do Tesouro (onde ficavam as sagradas relíquias), dentre tantas apenas três possuíam nomes: um adulto, uma criança e Santa Filomena. Quando ajoelhou-se diante das relíquias de Santa Filomena, sentiu-se possuído de uma alegria espiritual jamais experimentada. Sentiu também um incontrolável desejo de levar aquelas Sagradas Relíquias para sua igreja em Mugnano.

Terminada essa visita, dirigiu-se ao Sr. Bispo de Potenza e ficou sabendo então que precisaria de uma graça muito especial, ou talvez um milagre. Não havia precedentes de a Santa Sé haver confiado tão preciosos tesouros à guarda de um simples sacerdote. E nesse caso seria praticamente impossível, por se tratar das relíquias de uma virgem mártir cujo nome era conhecido.

Tendo caído gravemente enfermo, padre Francisco recorreu ao auxílio de Santa Filomena, prometendo tomá-la como especial padroeira e levar suas relíquias para Mugnano, caso obtivesse autorização para tanto. Curado milagrosamente, retornou então à Santa Sé narrando a graça alcançada e obteve o pedido, levando triunfalmente as relíquias para sua paróquia. Assim que lá chegou começaram a acontecer tantos milagres que ia gente de toda a Itália e Europa a pedir e agradecer graças alcançadas.

Santos e santas que foram devotos (as)
de Santa Filomena
A popularidade da Santa logo se espalhou, sendo seus mais memoráveis devotos São João Vianney (o Cura D’Ars), Santa Madalena Sofia Barat, São Pedro Julião Eymard, e São Pedro Chanel.

Muitos Papas foram devotos de Santa Filomena. Entre eles, Pio IX, que no dia 07 de novembro de 1849 celebrou a Santa Missa no altar onde estão as Santas Relíquias e, no dia 15 de janeiro de 1857, concedeu ofício próprio com Missa. São Pio X, que em peregrinação a Mugnano doou à imagem da Virgem Mártir um riquíssimo anel. Leão XIII, que peregrinou ao Santuário de Mugnano duas vezes, e em 1884 aprovou, consagrou e indulgenciou o cordão de Santa Filomena.

Depois de ser curada milagrosamente, a Venerável Pauline Jaricot insistiu para que o Papa Gregório XVI iniciasse o exame para a canonização de Santa Filomena, que já estava sendo conhecida como grande taumaturga.

Gregório XVI, tendo recebido o parecer favorável da Sagrada Congregação dos Ritos à canonização de Santa Filomena, elevou-a à honra dos altares, instituindo ofício próprio para o culto e a festa, proclamando-a a grande taumaturga do Século XIX, padroeira do Rosário Vivo e padroeira dos Filhos de Maria.
As relíquias de Santa Filomena ainda são preservadas em Mugnano, na Itália.


A vida de Santa Filomena Santa Filomena

O que sabemos historicamente sobre Santa Filomena, resume-se ao que foi descoberto nas catacumbas de Roma: uma jovem entre 13 e 15 anos, que morreu mártir pela fé.

A revelação de sua vida foi feita de maneira extraordinária, tendo a Santa aparecido de maneira particular a três pessoas. Essa narrativa recebeu o “imprimatur” (autorização) da Congregação do Santo Ofício para divulgação. O relato mais detalhado, aqui reproduzido, foi concedido à Irmã Maria Luísa de Jesus:

“Santa Filomena era filha de um rei da Grécia, e sua mãe era também de sangue real; como não lhes vinham filhos, ofereciam sacrifícios e preces constantemente a seus falsos deuses para consegui-los. Providencialmente, o médico do palácio, de nome Públio, era cristão.
Penalizado pela cegueira espiritual de seus soberanos e inspirado pelo Divino Espírito Santo, falou-lhes da nossa Fé, garantindo-lhes que suas orações seriam ouvidas se abandonassem os falsos deuses e abraçassem a Religião Cristã.
Impressionados com o que ouviram, e tocados pela Graça, resolveram receber o Batismo, após o qual lhes nasceu uma linda filhinha no dia 10 de janeiro do ano seguinte. Imediatamente, chamaram-na de Lumena ou luz, por ter nascido à luz da fé. Na pia batismal deram-lhe o nome de Filomena, isto é, Filha da Luz, da Luz Divina que lhe iluminou a alma por meio desse Augusto Sacramento.
Aos cinco anos de idade recebeu pela primeira vez a Sagrada Comunhão e desde então lhe aumentavam os desejos de íntima união com o Divino Redentor, até que, na idade de 11 anos, a Ele se consagrou por voto de virgindade perpétua.
Contava 13 anos quando seu pai foi ameaçado de uma injusta guerra pelo Imperador Diocleciano, obrigando-o a ir a Roma numa tentativa de paz. Acompanharam-no na viagem a esposa e a filha, que era, de ambos, inseparável. O Imperador os admitiu imediatamente à sua presença, para impor, sem dúvida, seus cruéis objetivos em relação à soberania da pequena Grécia. Mas ao ver a Princesa, tudo se mudou em sua mente doentia. A beleza da menina-moça o encantou e de pronto concordou, não só com uma paz duradoura, mas com uma sincera amizade complementada com privilégios políticos e econômicos, desde que lhe fosse dada a mão da linda princesinha por esposa. Seus pais sentiram-se aliviados e de imediato concordaram com a interessante proposta imperial.
De regresso à Grécia, em lágrimas, declarou Santa Filomena, que tudo fizera para convencer seus pais a retirarem a aprovação dada a Diocleciano, que seu coração já pertencia a outro Senhor, o único Soberano, o Rei dos Reis, Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem se consagrara por voto de virgindade quando completara 11 anos de idade. E que nada deste mundo, nem mesmo a morte, a impediria de cumprir sua promessa.
Seus pais ficaram arrasados. Amavam-na demasiadamente e sabiam que tal recusa ao Imperador trar-lhes-ia, no mínimo, a morte da sua única e adorada filhinha, dor que certamente não teriam forças para suportar. Então, seu pai, com doçura, procurou convencê-la que seu voto, aos 11 anos, não tinha nenhum valor, porque nessa idade não podia dispor de si. Era um voto nulo.
Fora esta, talvez, a parte mais difícil do seu martírio. Enquanto seu pai esforçava-se por dissuadi-la, sua mãe com o rosto encostado ao seu, banhava-o com abundantes lágrimas… Mas que fazer? Seu coração ansiava por encontrar-se com seu Celeste Esposo e, depois, era também por amor a eles – seus pais – que fazia aquele sacrifício, pois queria recebê-los, um dia, no Céu.
Entretanto, seu pai, vendo esgotados todos os seus argumentos, aplicou o último recurso. Valeu-se de sua autoridade moral e legal. Disse que a forçaria a obedecer-lhe. Mas o bom Jesus não abandona quem a Ele se consagra de verdade. Dera-lhe forças para, sem ferir a susceptibilidade dos pais, permanecer irredutível.
O Imperador considerou a recusa da jovem princesa como um pretexto de deslealdade ao Império e ordenou que a trouxessem a sua presença. Seus pais, antes de levá-la, atiraram-se aos seus pés e suplicaram-lhe que se apiedasse deles e do seu reino. Respondeu-lhes que o único reino pelo qual deveriam lutar era o Reino dos Céus, e que lá os esperaria. Encerrara aqui a primeira batalha do seu martírio.
Chegada à presença do Imperador, este usou a mesma tática do seu pai. Primeiramente, empregou todos os recursos possíveis para convencê-la a ser Imperatriz de Roma. Fez-lhe mil lisonjas e promessas, mas como seu esforço foi inútil, enfureceu-se, e ordenou que a encarcerassem nos subterrâneos do palácio. Todavia, ia visitá-la diariamente na prisão, na esperança de, galanteando-a, conseguir quebrar sua resistência. Durante tais visitas, permitia que a aliviassem das correntes e lhe dessem um pouco de água e pão, Mas sem nada conseguir, retirava-se, cada vez mais enfurecido e ordenando que se lhe aumentassem as torturas.
Impossível era que, uma frágil menina de apenas 13 anos, que vivera sempre cercada do máximo conforto e desvelo no Palácio de seus pais, resistir a tantas torturas, não fora a proteção especial que lhe dispensavam seu Divino Esposo e a Virgem Santíssima, os quais visivelmente encorajavam-na com frequentes aparições.
Decorridos 37 dias em que se encontrava em tão lastimável estado, a Rainha do Céu lhe apareceu aureolada por uma deslumbrante luz, trazendo desta vez, em seus braços, o Deus-Menino, e disse-lhe que, depois de mais três dias, iria ser retirada daquele cárcere, quando então teria que sofrer cruéis tormentos por amor ao seu Divino Filho. Tal aviso deixou a “Princesinha do Paraíso” apavorada. Mas a Celeste Rainha encorajou-a com as seguintes palavras:
‘Minha filha, tu me és mais querida acima de todas, porque trazes o meu nome e o do meu Filho. Tu te chamas Lumena. Meu Filho, teu Esposo, chama-se Luz, Estrela, Sol. E eu me chamo Aurora, Estrela, Luz, Sol. Serei o teu amparo. Agora é o momento transitório da fraqueza e da humilhação humanas; quando chegar, porém, a hora extrema do teu julgamento, da tua decisão ante os horríveis tormentos que te serão impostos, receberás a graça da divina força. Além do teu Anjo da Guarda, terás a teu lado o Arcanjo São Gabriel, cujo nome significa ‘a Força do Senho’. Quando eu estava na terra era ele o meu protetor. Mandá-lo-ei agora àquela que é a minha mais querida filha’.
Após tão maravilhosa visita, a Rainha dos Céus desapareceu deixando a jovem prisioneira reanimada, disposta mesmo a sofrer os maiores tormentos por amor ao Divino Filho de Maria que por ela dera a vida no madeiro da Cruz.
Ao enlevo em que ficara pela presença da Mãe de Deus, juntara-se um celeste perfume com o qual a Excelsa Senhora a inebriara e que permaneceu no cárcere enquanto lá esteve prisioneira.

Anjos aparecem à Santa no cárcere e curam-lhe as feridas... 


Passados os três dias, cumpriu-se o que a Celeste Rainha anunciara. O Imperador vendo-se irremediavelmente derrotado pela firmeza da princesa, resolveu mandá-la torturar publicamente. O primeiro dos suplícios foi o dos açoites, acompanhado por horrorosas blasfêmias. O corpo da menina ficou reduzido a uma única chaga e, já agonizante, foi a mesma atirada na escura prisão onde deveria exalar os últimos suspiros. Mas quando julgava haver chegado o momento de se apresentar ante seu Celeste Esposo, dois formosos Anjos lhe apareceram, ungiram seu dilacerado corpo com um bálsamo celeste e deixaram-na completamente curada.
Na manhã seguinte, o Imperador, ao tomar conhecimento da assombrosa notícia, ordenou que a levassem à sua presença. Ao vê-la mais encantadora que nunca, desmanchou-se em lisonjas procurando convencê-la de que fora o deus Júpiter que a havia curado por destiná-la a ser Imperatriz de Roma.
Iluminada pelo Divino Espírito Santo, a Princesa Mártir repeliu firmemente o sofisma e respondeu ao tirano que seus deuses coisa alguma poderiam fazer. Eram simples estátuas de matéria inerte, cujos ilusórios trunfos não passavam de frutos da imaginação doentia dos homens que os criaram. Advertiu-o que se despertasse e procurasse ver o único Deus existente, Criador do Universo, dos Anjos e dos homens, o Deus que os cristãos adoram e diante do qual também ele, Imperador, teria de comparecer um dia para prestar contas dos seus atos.
Diocleciano, vendo-se mais uma vez derrotado, louco de raiva por não poder responder aos argumentos sensatos da princesinha cristã face à impotência dos deuses do Império, ordenou que lhe amarrassem uma âncora no pescoço e a lançassem no rio Tibre. Entretanto, o Divino Redentor veio em socorro da sua consagrada, confundindo seus inimigos e convertendo a muitos: no exato momento em que a mesma estava sendo atirada no rio Tibre, dois Anjos apareceram, cortaram a corda que prendia a âncora, e a transportaram para a outra margem, sem que as águas lhe tocassem sequer as vestes.
Esse grandioso milagre foi presenciado por centenas de pessoas, das quais muitas se converteram, inclusive os soldados que a lançaram no Tibre. O Imperador, porém, mais obstinado que Faraó, atribuiu o maravilhoso prodígio a algum poder mágico da menina, declarou-a feiticeira e ordenou que fosse arrastada pelas principais ruas da cidade e depois transpassada por setas. Mortalmente ferida, foi abandonada no cárcere como se já estivesse morta. Mas seu Celeste Esposo fê-la cair num sono reparador, despertando-a mais tarde completamente curada e mais formosa que nunca.
O Imperador, no entanto, ao invés de se curvar ante a evidência do indiscutível poder do Deus único e verdadeiro, enfureceu-se ainda mais e ordenou que a flechassem ininterruptamente até ficar comprovadamente morta. Mas, que maravilha! Por mais que se esforçassem os arqueiros, nenhuma seta saiu dos respectivos arcos. Julgou ainda o Imperador, que tal fato se verificara em razão do forte poder mágico de que era possuidora a princesa, o qual só poderia ser vencido pelo fogo. Determinou então que todas as setas fossem colocadas numa fornalha até ficarem totalmente rubras. Mas o Divino Esposo da sua eleita fez com que as setas em brasa se voltassem contra os que as haviam lançado, seis dos quais tiveram morte instantânea.
Esse extraordinário prodígio foi causa de numerosas conversões, passando o povo a reverenciar a fé e a reconhecer o ilimitado poder do Deus dos cristãos que tão bem protegia a sua mártir.
Temendo o Imperador maiores consequências, e já bastante confuso, ordenou que a Princesa fosse imediatamente decapitada. Mas ainda desta vez nenhum poder teria o tirano, não fora a vontade do Altíssimo permitir a consumação do martírio, a fim de que a ‘Princesinha do Céu’ – conforme a chamara a Virgem Santíssima – pudesse receber na Glória o prêmio eterno da sua incondicional fidelidade a Cristo Jesus.
Assim, a Virgem Mártir doou sua vida por amor ao divino Filho da Virgem Santíssima, transformando seu precioso sangue virginal em semente fecunda que haveria de gerar milhões de almas para o eterno serviço de Deus. Colheu a palma do martírio numa sexta-feira, às três horas da tarde, sendo 10 de agosto o dia”.


A poderosa intercessão de Santa Filomena

Irmã Maria Luísa teve a ventura de receber várias vezes a visita de Santa Filomena. Contemplou certa vez, em belíssima visão, um trono de nuvens muito alvas no Céu, no qual estava sentada a Santíssima Virgem Maria, com vestes de ouro que resplandeciam como os raios do Sol, e com um celeste manto recamado de vivas estrelas que giravam por si mesmas. Ornava-lhe a fronte uma coroa de ouro cravejada de pedras preciosas. Do semblante irradiava tal beleza, que de pronto se podia identificá-la como sendo a Mãe de Deus. Viu, a seguir, aproximar-se da Excelsa Rainha do Céu, como dama de honra, Santa Filomena, que, retirando da sua cabeça uma coroa de ouro, ajoelhou-se e suplicou: “Senhora do Céu e da terra, venho pedir-Vos graças”. E apresentou-lhe algumas dezenas para diversas pessoas.

Estendendo-lhe as mãos, sorrindo, a Rainha dos Anjos e dos Santos lhe respondeu:

“A Filomena, nada se nega; sejam-lhe concedidas todas as graças.”


A Irmã viu, também, ao lado da Celeste Rainha, o Arcanjo São Gabriel, que com uma pena de ouro e em letras igualmente de ouro, escreveu: “Sejam concedidas as súplicas apresentadas por Filomena”.

A seguir, Santa Filomena, sob o encanto do sorriso maternal da Rainha do Céu, ergueu-se com reverência e, dirigindo-se à Irmã, disse-lhe: “Vês, peço as graças a Maria e por Ela me são concedidas”.


Padre Vianney, o Santo Cura d’Ars, dizia de Santa Filomena: “É ela a ‘Princesa do Paraíso’, a quem nada é negado. É grande seu poder junto dos Tronos de Jesus e Maria. Tenham confiança nela”. O próprio santo foi contemplado algumas vezes com aparições da gloriosa santa.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Venerável Carla Ronci, Jovem Leiga e Catequista (modelo de santidade para a juventude feminina).



Somente os santos deixam rastros, os outros fazem barulho”. 

         (Torre Pedrera - Rimini, 11 de abril de 1936 - Rimini, 2 de abril de 1970)

        Após mais de quarenta e quatro anos de sua morte, a frase anotada por Carla Ronci em seu diário soa quase como uma profecia.
Proclamada Venerável pelo Papa São João Paulo II, em 1997, a sua causa de beatificação corre rapidamente, no rastro de uma devoção popular iniciada logo após a sua morte - tanta era a fama de santidade - e com um rico corolário de testemunhos e publicações a ela dedicadas, sinal de que a jovem apóstola de Rimini de rastros deixou muitos.
Carla Ronci nasceu em Torre Pedrera, perto de Rimini (Itália), no dia 11 de abril de 1936, primeira de três filhos. Os pais tinham um negócio de frutas e verduras. Depois das escolas elementares (ensino básico), foi trabalhar com os pais na loja deles e aprendeu o ofício de corte e costura. Até os catorze anos era uma garota como tantas outras, uma adolescente que gostava da companhia dos amigos e de seu ofício de costureira. Um disco de música, um bailinho, um filme eram a sua alegria. Lia gibis, fotonovelas, romances policiais. Tinha uma vivacidade interior explosiva, sempre pronta a correr para onde havia diversão.
Mas um dia... era o ano de 1950, proclamado Ano Santo por Papa Pio XII, fazia frio lá fora. Carla observava as irmãs de sua cidadezinha, saindo, como todos os dias, faça chuva ou faça sol, para ir à Missa, recolhidas, doces, serenas. Carla começou a se questionar: "Mas, por quê? Por causa de quem? Porque são tão felizes?" Naquela noite, debruçada na janela de seu quarto, olhando para fora, ela ficou impressionada com um acontecimento: "Enxerguei um vulto e o sorriso de um olhar nunca visto". É ela mesma quem conta: "No coração senti um convite: tive horror de mim mesma. Olhando para trás, vi meus catorze anos vividos sem verdadeira alegria...".
No dia seguinte, foi à igreja, enquanto o padre celebrava a Santa Missa. Carla revê o "vulto" da noite anterior: Jesus! 
Tentou rezar como sabia e, voltando para casa, traçou os primeiros planos para uma "vida nova", diferente. Jesus lhe pareceu como Aquele que, Único, merecia o dom de sua juventude e de sua vida.
Então, ela livrou-se de tudo aquilo que havia procurado até então: nada mais de bailes frívolos, basta de filmes tolos, chega de gastar dinheiro apenas para se divertir. A mãe notou que Carla mudava, era mais atenciosa em casa, mais disponível ao trabalho e ao sacrifício. Sempre alegre, mas de uma alegria nova, mais profunda, mais verdadeira.
Foi se confessar. Escolheu um sacerdote que guiasse a sua alma. Abriu seu coração a Deus: sentia que Ele era a Luz, a alegria, a vida. Iniciava nela uma divina inundação de amor.
Continuou a trabalhar em casa e na loja, mas pediu permissão para dar uma pequena contribuição à paróquia, e se colocou à disposição das atividades pastorais. A Ação Católica pôs à sua disposição seu campo de serviço. Lia os livros de formação à fé; e antes de tudo lia os Evangelhos. Após algum tempo, tornar-se assistente das meninas, depois das aspirantes e, em fim, delegada paroquial. Havia descoberto Jesus como a única alegria da vida. Havia sido assaltada por uma sede de fazer o bem a todos.
Encaminhava-se para os vinte anos e era muito bonita. Muitos jovens lhe faziam a corte, e ela era sensível ao amor. Mas, cada dia mais, Jesus ganhava espaço nela. Por isso, Carla rejeitou vários pedidos de namoro e desejou viver um "amor esponsal" com Jesus, tornando-se uma pessoa consagrada a Ele. O coração reclamava seus direitos, mas ela não se importava com isso: dois mil anos antes, Jesus havia dado a si mesmo por ela na Cruz. E, assim, com firme decisão, rejeitou todo amor humano, porque Um só para ela era o amor: Jesus Cristo, profundamente amado. Por isso, começou a buscar qual fosse para ela a vontade de Deus. O confessor lhe permitiu de fazer os votos privados, aos quais acrescentou um detalhado programa de vida. Mas Carla ainda não estava satisfeita. Em outubro de 1958, abre um laboratório de corte e costura para moças.
Aos 24 anos, atravessa o portal do convento das Ursulinas de Gaudino, perto de Bergamo (Itália), mas a vida no claustro dura pouco: no dia 09 de março de 1958, o pai, um sanguíneo comunista da Romagna, a leva de volta para casa à força. Carla se rebela, retoma o caminho do convento, mas o enésimo tumulto da família convence os seus superiores a mandá-la definitivamente para casa.
O convento, para quem o deseja, é um pequeno canto do paraíso, anota a moça em seu diário,  (junho de 1958).
"Eu não tive essa graça porque não a merecia. Porém, recebi, igualmente, um grande dom: ter vivido entre tantas almas belas por cerca de quatro meses... Me ajudarás, não é Mãezinha, a ser sempre e somente de Jesus?
A jovem tem grande confiança em Maria, a qual, ela tem certeza, não deixará cair no vazio o seu desejo de consagrar-se a Deus. Logo, Carla compreende que o seu convento será o pequeno mundo de Torre Pedrera, sua cidadela natal, onde ela se fará límpida testemunha do Evangelho, em sua nova condição de leiga consagrada, dentro do Instituto Ancelle Mater Misericordiae de Macerata. Sim, naqueles dias tomara conhecimento da existência do Instituto: podia ser uma consagrada em um instituto reconhecido pela Igreja, mesmo estando em família, trabalhando e continuando a empenhar-se na paróquia. Finalmente, encontrara o seu caminho!
No dia 6 de janeiro de 1961, faz o pedido para entrar no Instituto, e no dia 6 de janeiro do ano seguinte, faz os primeiros votos, seguidos, em 1963, dos votos perpétuos, quando ela se oferece a Deus em favor da santidade dos sacerdotes, e o Senhor pareceu aceitar a sua oferta. Agora, Carla pertencia apenas a Jesus.
Junto com os votos, ela confiava à Virgem a sua vida, o seu apostolado, tudo, no espírito de São Luís Maria de Montfort, como está na regra do Instituto secular que ela escolheu. Desde então, nada mais quis do que ser santa, de prolongar Jesus em si mesma, de levar Jesus ao mundo, de expender-se toda pela santificação dos sacerdotes. 
Carla Ronci e sua "famosa" lambreta, que usava
em suas iniciativas de apostolado. 
Desapegando-se de todas as coisas materiais, sente-se mais livre para viver a vontade de Deis, “no meio das comodidades de vida, como se fosse na mais esquálida miséria”, de perder a própria vida para reencontrá-la na doação de si mesma aos outros. 
As suas atividades não mudaram exteriormente, mas Carla tornava-se cada vez mais abrasada de amor. Escrevia: "Eu devo ser santa, senão fracassarei na minha vocação de alma consagrada. Minha tarefa é levar Jesus ao mundo. Eu devo ser um lembrete para o mundo. O mundo quer ver Jesus em nós".  
Havia decidido rezar e oferecer muito, toda si mesma, pelos sacerdotes, aos quais, com coragem e humildade, fazia chegar convites fortíssimos à santidade. E Deus aceitava a oferta generosa. A ajuda para tantas almas chegava, mas Carla sofria tentações, aridez, buio dello espírito - escuridão do espírito.
Por algum tempo, utilizou-se da Vespa (celebre motocicleta italiana, que ela alegremente cavalgava), depois conseguiu ter um carro (uma Cinquecento). Ninguém podia mais detê-la em suas ações de apostolado, especialmente entre os jovens. A "santa da Vespa" é uma jovem moderna, cheia de vida e sempre com o sorriso nos lábios, que mostra até uma peculiar e curiosa atenção para com a própria feminilidade. A quem a critica um pouco pelos cuidados que reserva ao seu aspecto físico (e Carla é mesmo uma moça belíssima), ela responde: "A esposa de Jesus deve ser sempre elegante e bela".
Carla foi uma excelente e exemplar catequista.
Evangelizava não somente por palavras, mas, 

por gestos concretos. 
Moderna figura de contemplativa na ação, Carla era uma moça profundamente enamorada de Cristo e era apoiada, em seu caminho de perfeição espiritual, por uma grande devoção pela Virgem Maria, tanto que havia se consagrado ao seu Coração Imaculado, no espírito da Milícia da Imaculada, tomando incansável zelo por ela.
Sempre bela, elegante e dulcíssima: tudo nela inspirava alegria e plenitude de vida: irradiava Cristo! Por Ele, estava sempre pronta a trabalhar sem querer nunca sentir o cansaço. Aqueles foram anos em que ela multiplicava energias e talentos pelo Esposo que amava e de cujo amor nunca duvidava.
No começo de 1970, Carla parecia exausta. Seguiram-se as primeiras internações no Hospital Sant’Orsola de Bolonha. Os médicos diagnosticaram um carcinoma pulmonar. Tinha poucos meses de vida.  
Apesar disso, para qualquer um que lhe perguntasse sobre a sua saúde, Carla respondia: "estou bem! Com Jesus, estamos sempre bem!"
Submetida a muitos, difíceis e dolorosos exames, ela confidencia a seu diário: “Sou feliz por lutar, sofrer, viver. Quando o sofrer se torna alegria, não podemos pedir mais nada. Por este e por tantos outros dons, damos graças ao Senhor”.
Um dia, naquela primavera, foi à paróquia portando no pescoço uma vistosa echarpe vermelha. A quem lhe perguntava o porquê da escolha, ela respondia: "Estou feliz e não quero dar aos outros pensamentos tristes. Quero levar alegria e contentamento".

Do hospital de Bolonha, já no fim, sentindo a morte se aproximando, escreve a seu diretor espiritual: "Me ajude o senhor, padre, a fazer chegar meu grito ao Senhor, para que Lhe agrade e aceite esta oferta: Eis-me aqui, Senhor, tenho apenas este meu coração, que está cheio de Ti que És o infinito. Isto te ofereço por Teus sacerdotes. Tome toda a minha vida. Se procuras uma vítima de reparação pelas caídas deles, por suas infidelidades, por aquilo que não fazem e deveriam fazer, Senhor, por eles me ofereço vítima, disposta a tudo, a tudo, mas que não nos falte o Teu Sacramento, porque o sacerdote é um Sacramento de Ti, um portador de Ti, Senhor; que seja puro e ilibado o Sacramento que é o padre, assim como Tu o quiseste".
A um jovem seminarista que ia se tornar padre, Carla diz: "Ou padre, como te quer Jesus, ou nada!". Para Carla não podiam haver meias medidas ou compromissos: quem se torna padre deve ser santo.
Domingo, dia 2 de abril de 1970, depois de ter passado pelo hospital de Bolonha, é transferida para uma clínica de Rimini, a casa de saúde “Villa Maria”. Tinha apenas trinta e quatro anos. Recebeu a Extrema Unção e disse aos presentes: "Não sofro mais. Estou muito bem... Ai está, é o Senhor que vem e me sorri. Nos vemos no Céu!" Seu rosto se compôs na paz, sorridente. Já contemplava Deus.

Quero levar alegria e contentamento.
Agora, Carla repousa em sua igreja paroquial, e a causa de sua beatificação avança. Com sua vida consagrada no mundo, Carla havia realizado o seu sonho: irradiar Jesus nas almas, tornar-se "mãe" de sacerdotes santos, oferecer-se pelo mundo, promover e apoias as vocações.
Carla é uma luminosa apóstola de nosso tempo, testemunha feliz de um Sim dito a Deus pelo mundo!
"O mundo que ver Jesus em nós".



A mentalidade moderna vê a beleza não mais como um
 "dom de Deus", mas, como se fosse um "mérito próprio" 
ou um "objeto de uso fruto". Por isso que quem a possui
 geralmente se envaidece e ensoberbece, julgando-se superior 
a quem não a tem. Carla Ronci, moça muito bela,
 não tinha essa mentalidade mundana. Sua beleza era oferecida 
humildemente a Jesus e não lhe servia de vaidade ou
razão para orgulho... Numa época na qual as
 modas escandalosas
 começavam a surgir, vestia-se decentemente, com grande modéstia e
pudor... 



ORAÇÃO PARA PEDIR A INTERCESSÃO DE CARLA
Ó Deus, Vos agradeço por haver suscitado no meio de nós a Vossa serva Carla Ronci, e bendizemos a ação poderosa do Vosso Santo Espírito, que operou com abundância de frutos na sua pessoa.
Vos louvamos por sua total consagração ao Senhor Jesus na castidade, na pobreza e na obediência; por sua generosa e sábia dedicação à tarefa educativa na normalidade dos empenhos eclesiásticos; pelo oferecimento de seus tribulações e obras em favor das vocações sacerdotais e pela santificação dos padres; pelo ardor na oração, que a tornou forte e serena no sofrimento; pela simplicidade de vida e pela constância no serviço aos irmãos.
Concedei-nos, ó Pai, pela intercessão da Venerável Carla, de podermos ser fieis, cotidianamente, à Vossa vontade. Infundi em cada cristão o amor pela Vossa Igreja e o esforço para a santidade, no estado de vida próprio de cada um.
Pedimos para nós toda graça espiritual e material, em particular __________.
Se for Vosso desenho de amor, fazei com que Carla seja proclamada beata e conhecida em toda a Igreja, pelo nosso bem e a glória de Vosso nome. Amém.

"Arrivederci in Cielo!" - "Nos vemos no Céu!"

SANTA CATARINA VOLPICELLI, Virgem e Fundadora (do Instituto das Servas do Sagrado Coração de Jesus, primeira zeladora do Apostolado a Oração na Itália).


Santa Catarina Volpicelli
“Senhor, o que queres que eu faça?”, era a pergunta constante que a jovem Catarina Volpicelli, ao regressar de espetáculos como o teatro, ou a dança, de que tanto gostava, fazia à imagem do Ecce Homo, que se encontrava em sua casa e que está hoje na casa central da comunidade das Escravas do Sagrado Coração, fundada por ela.


Catarina Volpicelli nasceu em Nápoles no dia 21 de janeiro de 1839, no seio de uma família da alta burguesia, da qual recebeu sólida formação humana e religiosa. Foi uma menina vivaz, inteligente e ao mesmo tempo muito dócil. Estudou letras, línguas e música, coisa não frequente para as mulheres do seu tempo.
“Viveu uma adolescência muito difícil. Pensava em casar-se, formar uma família. Com suas irmãs frequentava os teatros e as diversões de seu tempo. Conseguiu estudar muitos idiomas”, explica Carmela Vergara, postuladora da causa de canonização de Caterina e religiosa da comunidade Escravas do Sagrado Coração.
Guiada pelo Espírito Santo e através dos diretores espirituais, Catarina renunciou à vida social que apreciava para atender uma voz interior, o chamado de Deus à vida religiosa.
     Foi em 1854 que ocorreu o seu encontro casual com o futuro Beato Ludovico de Casoria na sua cidade. Encontro depois considerado por ela uma graça providencial de Deus, porque por suas mãos se associou à Ordem Franciscana Secular. Pe. Ludovico foi enfático quando lhe indicou como único objetivo de sua vida o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Certo dia lhe disse: “Catarina, o mundo a atrai, mas Deus vence. Chegará um dia no qual fechará todos os livros e Jesus lhe abrirá seu coração, onde a primeira página, a segunda e as demais não dirão outra coisa que Amor... Amor... Amor”.
Foto da santa aos 25 anos. 
Assim, cinco anos depois, em 1859, orientada por seu confessor, Caterina entrou para fazer parte da comunidade das Adoradoras Perpétuas de Jesus Sacramentado, mas em pouco tempo se retirou, por graves motivos de saúde.
Eram anos difíceis para a Igreja em Nápoles: a invasão garibaldina, a perseguição por parte dos maçons e a dispersão dos jesuítas eram alguns desafios para o apostolado neste tempo.
Também se desenvolvia em Roma o Concílio Vaticano I (1869-1870), convocado pelo Papa Pio IX. Paralelamente, um grupo de anticlericais realizava o “anti-concílio de livre pensadores”. Foi neste contexto no qual Catarina decidiu começar sua obra, com o acompanhamento espiritual do Pe. Ludovico.
O plano de Deus sobre Catarina era outro, havia bem entendido o Pe. Ludovico, que muitas vezes dizia: "O Coração de Jesus é a tua obra, Catarina!" Novamente, com a indicação do seu confessor, tornou-se a primeira a receber na Itália o diploma de zeladora da Associação do Apostolado da Oração da França. Em 1867, estabeleceu a sua Sede em Nápoles mesmo, onde se dedicou às atividades apostólicas. No edifício de Largo Petrone, na Saúde, localizado em Nápoles, Catarina reuniu 12 mulheres com suas mesmas inquietudes, a quem chamou de “zeladoras do apostolado e da oração”.
Esta comunidade, em seus inícios, teve de passar por diferentes provas: “era perseguida pelos maçons, porque viam esta mulher que estava rodeada de outras mulheres e pensavam que se reuniam para fazer discursos políticos contra os maçons, mas isto não lhe preocupava, não lhe dava importância, seguia adiante porque cria na obra de Deus”, assegura Carmela.
“Ela dizia que deveríamos levar o Coração de Cristo aos corações dos pequenos, dos adultos, dos jovens e a todas as famílias da sociedade e do mundo inteiro”, disse.
Foram grandes os frutos de seu apostolado. Graças à amizade e aos conselhos de Catarina, o hoje Beato Bartolo Longo, fundador do santuário de nossa Senhora do Rosário em Pompéia, teve uma conversão radical, após ter-se dedicado durante anos à superstição e ao espiritismo.
"Ele se havia afastado da Igreja, mas com ela conseguiu converter-se, fez a primeira comunhão e da casa de Volpicelli foi para Pompéia, para fundar o santuário", diz Carmela.
O apostolado da oração passou a ser o ponto central da espiritualidade de Catarina. Na sua vida, totalmente consagrada ao Coração de Jesus, distinguem-se três aspectos: a profunda espiritualidade eucarística, a integral fidelidade à Igreja e a imensa generosidade apostólica.
     Em 1874, com as suas primeiras zeladoras, Catarina fundou o novo Instituto das Servas do Sagrado Coração de Jesus, aprovado inicialmente pelo seu arcebispo, e, em 1890, pelo Vaticano. Preocupada com o futuro da juventude, abriu o orfanato, fundou uma biblioteca circulante e instituiu a Associação das Filhas de Maria. Em pouco tempo abriu outras Casas na Itália. E as servas muito se distinguiram na assistência às vítimas da cólera, em 1884, em várias localidades italianas.
     Em 14 de maio de 1884 o novo arcebispo de Nápoles, Guilherme Sanfelice, consagrou o Santuário dedicado ao Sagrado Coração edificado adjacente a Casa Mãe.
     A Santa viajou várias vezes a Roma para encontrar-se com o Papa Leão XIII, que a alentou a que seguisse adiante com este instituto, o qual recebeu sua aprovação pontifícia em 1911, com o Papa São Pio X.
"... uma santa, uma santa, uma
santa"  (Papa Leão XIII).
     A participação de Catarina no primeiro Congresso Eucarístico Nacional, celebrado em Nápoles em 1891, foi um ato culminante do apostolado da fundadora e das Servas do Sagrado Coração de Jesus.
     Catarina morreu no dia 28 de dezembro de 1894, em Nápoles, aos 55 anos de idade. “Morreu uma santa, uma santa, uma santa”, disse o Papa Leão XIII quando ficou sabendo de sua morte.
Antes de falecer, ela deixou uma carta a seus familiares, na qual dizia: "Iluminada por Deus bendito, em sua infinita misericórdia, acima da vaidade do mundo e do dever de gastar-me total e unicamente no servir a Deus, meu Criador, Redentor e Benfeitor, segundo seu beneplácito, a Ele consagrei e paguei o ser e o que Ele me deu".
     O papa João Paulo II beatificou-a em 29 de abril de 2001. Catarina Volpicelli foi canonizada pelo Papa Bento XVI no dia 26 de abril de 2009. A data de sua festa ocorre no dia de sua morte.


Painel da sua beatificação

Estrutura do carisma fundado por Santa Catarina Volpicelli:
“Nosso carisma é o de encarnar Cristo amor, este amor misericordioso de Deus na dimensão, seja contemplativa ou pastoral, para levá-lo através da imolação, a reparação e o sacrifício”, assegura Concetta Liguori, madre geral das Escravas do Sagrado Coração.
Caterina não quis que as irmãs de sua comunidade usassem hábito: “porque nos disse: vosso sinal visível deve ser o testemunho de vida. Deveis adaptar o hábito aos tempos e os lugares”, assegura a madre Concetta.
Assim, esta comunidade tem agora três ramos: em primeiro lugar, as Escravas, que são mulheres consagradas que vivem em comunidade a obediência, a castidade e a pobreza.
O segundo ramo são as Pequenas Escravas, consagradas que vivem em meio à sua família. Por último, estão as Agregadas, que vivem a espiritualidade de Volpicelli em meio à vocação ao matrimônio.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

SANTO ALEIXO, Peregrino e Esmoler.


Aleixo, filho único do senador Eufemiano, italiano, nasceu em Roma, no ano de 350. Herdeiro de uma considerável fortuna, cresceu dentro da religião cristã. Desde a infância, ficou famoso por sua natural caridade, possuindo todas as graças e virtudes. Os pais, como era costume na época, cuidaram do seu enlace com uma jovem de excelente família cristã e ele acabou se casando.
Porém, na noite de núpcias, sem consumar a união, e após conversar com a esposa, abandonou tudo para aproximar-se de Deus. Como peregrino, vagou de cidade em cidade até chegar em Edessa, na Síria, onde ficou por algum tempo.
Vivia como um piedoso mendigo ao lado da basílica do Apóstolo Tomé, repartindo com os pobres as esmolas que recebia. Seu amor e caridade aos pobres eram notáveis. Diz à tradição que ele curava várias doenças apenas com sua benção e oração. Diversos prodígios aconteciam com a sua presença, por isso passou a ser chamado de "o homem de Deus" e venerado por sua santidade. Mas teve de abandonar a cidade, porque desejava continuar no anonimato.
Retornou para a vida de peregrino. Sofreu tanto que ficou com outra aparência, irreconhecível. Quando em Roma, foi para a casa do pai e disse: "Tende compaixão deste pobre de Jesus Cristo e permita-me ficar em algum canto do palácio". Não tendo reconhecido o próprio filho, ele o acolheu e mandou que o levasse para cuidar da cocheira dos animais. Viveu assim durante dezessete anos, na cocheira do seu próprio palácio, sendo maltratado pelos seus próprios criados e sem ser identificado pelos pais.
Morreu em 17 de julho e foi enterrado num cemitério comum para criados. Porém, antes de morrer, entregou um pergaminho ao criado que o socorreu, na qual revelava sua identidade. Os pais, quando souberam, levaram o caso ao conhecimento do bispo, que autorizou sua exumação. Aleixo foi levado, então, para um túmulo construído na propriedade do senador.
Outra tradição conta que certo dia o Papa Inocêncio I estava celebrando uma missa para o imperador, e ouviu uma voz dizer: “Procure o homem de Deus”. Guiado pela voz ele e o imperador foram à casa de Eufemiano e, quando lá chegaram, encontraram Santo Aleixo morto e envolto em roupas rasgadas e debaixo de uma escada e na mão segurava um pergaminho com o seu nome e sua história.
A fama de sua história e de "homem de Deus" espalhou-se entre os cristãos romanos e orientais, difundindo rapidamente o seu culto. De uma forma inexplicável, talvez milagrosa, seu nome foi encontrado na Inglaterra, no século XII nos “Salmos de Santa Christina de Markyate”.
Segundo uma antiga tradição romana, a casa do senador ficava no monte Aventino. Em 1217, durante a construção da igreja dedicada a são Bonifácio, neste local as relíquias de santo Aleixo foram encontradas. Por tal motivo o papa Honório III decidiu que ela seria dedicada a santo Aleixo.
Outro grande devoto deste santo foi o bispo Sérgio de Damasco, que viveu em Roma no final do século X. Ele acabou fundando o Mosteiro de Santo Aleixo, destinado aos monges gregos.
No século XV, os Irmãos de Santo Aleixo elegeram-no como patrono. Em 1817, a Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria nomeou-o seu segundo patrono, como exemplo de paciência, humildade e de caridade a ser seguido. A Igreja manteve o dia de sua festa no dia 17 de julho, como sempre foi celebrada pela antiga tradição cristã.

Na arte litúrgica da Igreja ele é mostrado
1.    Segurando uma escada, ou
2.    Em farrapos, dormindo debaixo de  uma escada ; ou
3.    Como um pedinte, ajoelhado  ante o Papa; ou
4.    Dando ao Papa uma carta.


Ele é o padroeiro dos pedintes e peregrinos.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Beato Giácomo (Tiago) Cusmano, Presbítero e Fundador (Congregação dos Missionários Servos dos Pobres).



Beato Giácomo Cusmano
INFÂNCIA

Nasceu em Palermo no dia 15 de março de 1834. Foi o quarto filho do casal Giácomo Cusmano e Madalena Patti, que tiveram outros quatro filhos além de Giácomo: Vicenzina, Giusepina, Pedro e o caçula Giusepe. No dia seguinte ao nascimento, foi batizado na Igreja de São Nicolau pelo seu tio materno, Pe. Vicenzo Patti.
Aos 03 anos de idade perdeu sua mãe, vítima do cólera, passando a ser cuidado pela irmã mais velha, Vicenzina, juntamente com a tia Catarina. Desde pequeno Giácomo tinha um grande amor pelos pobres.
Fez sua primeira comunhão sob a orientação de Vicenzina e, como era costume na família, Giácomo fez seus primeiros estudos em casa, orientado pelo Pe. Francisco Libani, tendo frequentado posteriormente o colégio Máximo dos jesuítas a fim de completar o curso de humanidade e retórica.


    FORMAÇÃO ACADÊMICA

    Aos 15 anos, sua ânsia em ser missionário o levou a quase façanha de fugir junto com o superior dos jesuítas de navio para terras distantes. Na continuidade dos estudos, praticava um útil e benéfico apostolado entre seus companheiros, sendo seus melhores amigos Enrico Albanese e Michele de Franchis. Tendo concluído seus estudos de Medicina, se formou ao 21 anos de idade, no dia 11 de julho de 1855. Três anos antes, a 20/07/1852, perdeu o pai. Como médico, era muito bom e atencioso, sendo que, quando era chamado, deixava tudo para acorrer ao leito de qualquer enfermo, a qualquer hora.
     A Itália daquele tempo estava agitada pela revolução, a qual pretendia sua unificação. Giácomo era, inclusive, cotado para ser o chefe de um grupo revolucionário. Entretanto, no ano de 1859 o jovem Cusmano foi invadido por dúvidas vindo a perceber que não era aquele caminho que deveria seguir, pois Deus o chamava para algo mais. Foi então que ele procurou Monsenhor Domenico Turano, aconselhado por Vincenzina. Giácomo contou-lhe sua situação. Mons. Turano o aconselhou a mais intensa vida de oração.


O SACERDÓCIO

Com o passar do tempo, Giácomo foi pedir a bênção a Mons. Turano para fazer parte dos Capuchinhos, como um frade mendicante, mas o guia espiritual lhe mostrou outro caminho: o sacerdócio.
O jovem sentia-se indigno do sacerdócio e recusava aquele apelo de Deus. Entretanto, o confessor dizia-lhe o contrário e o chamado de Deus acabou vencendo a recusa do jovem Cusmano, que em 08/12/1859 vestiu o hábito talar na Paróquia São Tiago, inscrevendo-se na Congregação Clerical de Maria Santíssima do Fervor.
Sob guia do Pe. Pietro Boccone completou em um ano os estudos de teologia. Então, recebeu a tonsura e as ordens menores em 18/03/1860, sendo ordenado subdiácono aos 24/03, diácono aos 22/09 e, finalmente, sacerdote aos 22/12/1860.
Em poucas palavras traçou o programa de sua vida, ao qual se mostrou sempre fiel: “Encarnar Cristo em mim mesmo, dar e dar-me, como Ele, para o alívio dos corpos e para a redenção das almas”.
Assim, Pe. Giácomo uniu-se aos Recordantes, cuja missão era assistência aos moribundos, e rejeitou o ofício de Pároco em São Giuseppe Jato, aceitando ser o capelão da Igreja dos Santos Quarenta Mártires, no bairro Casaletto. Entretanto, ele pensava na fundação de uma obra que pudesse irmanar ricos e pobres. Certo dia, na hora do almoço na casa do amigo de Franchis, viu que a família dele tirava um pouco de comida do prato de cada um para pôr em outro prato que depois seria dado a um pobre. Daí surgiu a ideia do "Boccone del Povero".


A OBRA

Em 1866 a situação na Sicília voltou a complicar-se. Houve uma intensa rebelião popular, a supressão das comunidades religiosas e a cólera devastou a cidade de Palermo. A situação era alarmante: fome, doenças etc. Nesse período uma cena chocou Pe. Giácomo: ao entrar numa casa viu uma família se alimentando de um cão cru para matar a fome.
A alma da nascente e tão sonhada obra do "Boccone del Povero" foram a irmã Vicenzina, a tia Catarina, a sobrinha Madalena e as três irmãs Delise, responsáveis pela divisão daquilo que provinha das coletas e na determinação de recursos. O berço da obra foi a Igreja dos Santos Quarenta Mártires, mas foi necessário alugar um lugar a ela anexo. Todas as tardes cerca de duzentas pessoas ali se alimentavam, sem contar os atendimentos nas casas.

O Beato Giacomo Cusmano fazendo a coleta do Bocado do Pobre em Palermo Pe. Giácomo começou a contar com a ajuda de leigos e mais de vinte padres. Em 1868, Pe. Giácomo, aproveitando a viagem de Dom Ercole Tedeschi, enviou uma carta para o Papa Pio IX pedindo a autorização para apresentar ao governo um projeto para um asilo de pobres e aceitar a reabertura de casas religiosas fechadas. Pio IX em 05/08/1865 louvava e bendizia a obra, autorizando-o a pedir para o governo abrigo aos pobres e reabertura de casas religiosas fechadas. Em 08/12/1868 o Arcebispo Naselli instituiu canonicamente a obra sob o titulo de "Boccone del Povero", sendo que a solene inauguração deu-se em 10/01/1869. Proposta pelo Arcebispo Naselli, se fez depois inserir no livro de associação do Bocado uma estampa de Jesus em atitude amorosamente suave, de um lado acolhendo os pobres e, de outro, as ofertas dos ricos, feliz como se a ele mesmo fossem dadas.
Pe. Giácomo, por sua vez, se fez pobre entre os pobres, cedendo o seu próprio apartamento e indo morar em um cubículo; frequentemente ele também se improvisava como marceneiro, alfaiate, sapateiro, fazendo os mais humildes serviços. Em 1870 começou a decadência da obra: alguns padres se afastaram para assumir encargos eclesiásticos, o Arcebispo Naselli faleceu, muitos cooperadores abandonaram-no e até Vicenzina pensou em deixá-lo para ir viver num claustro. Dessa forma, por onze anos Pe. Giácomo ficou com apenas um leigo e com os padres Mammana e Datino. Tudo isso aconteceu para a ascese mística de sua alma. Em 03/04/1871, Pe. Giácomo foi nomeado membro do Conselho de Administração do Depósito de Mendicância de Palermo, mas, no ano seguinte, em 1872, Monsenhor Turano tornou-se Bispo de Agrigento e levou o Cusmano consigo.
Pe. Mammana logo escreveu ao Bispo pedindo a volta do Pe. Giácomo para que ele cuidasse das obras. Depois de dois meses ele retornou com um vasto programa em mente: pensava abrir escolas infantis, de instrução profissional de jovens e adultos, inclusive para surdos-mudos e cegos, colônias agrícolas, além de enfermarias para doentes e hospitais.
Em 1874 obteve o Convento e a Igreja de São Marcos, transferindo para lá os órfãos. Com as dificuldades Pe. Giácomo pensava em entregar a sua obra para que alguma Congregação a mantivesse; no entanto, por esse período, Pe. Giácomo teve um sonho misterioso no qual apareceu Nossa Senhora abençoando a obra e dando forças para ele prosseguir seu caminhar: sua obra era uma obra de Deus!
Assim, em 23/05/1880, Festa da Santíssima Trindade, receberam o hábito seis noviças, às quais Pe. Giácomo chamou de "Servas dos Pobres": Irmã Madalena Vicenzina Cusmano, Irmã Maria Madalena Cusmano, Irmã Maria Rosaria Caravello, Irmã Maria Naimo, Irmã Maria Poietra Naimo e Irmã Maria Sofia Winter.
Pe. Giácomo aceitou então a proposta do Senhor Barão de Niccolò Turrisi de obter a Quinta Casa no Melo que era antiga casa de retiros dos jesuítas. Em 1881, chegaram as Irmãs sob a direção do Pe. Salvatore Gambino; havia ali 52 pessoas.
Em 05/01/1882, acompanhado pela irmã e outras cinco religiosas, Pe. Giácomo chegou a Agrigento para cuidar de um orfanato, o qual se encontrava em uma situação horrível. Em 01/05/1882 as 30 órfãs da Quinta Casa ocuparam um novo edifício localizado em Terre Rosse, o qual seria um orfanato feminino. A 05/04/1883 ele partiu com mais oito irmãs para Valguarnera Caropepe, para uma nova fundação. No dia 06/04 celebrou na Igreja Matriz deste lugar a Missa e depois seguiu em procissão com Cristo Eucarístico até a nova casa. No Natal de 1883, cinco irmãs com a Madre Vicenzina tomaram a direção da casa de Monreale. Aos 10/07/1884 chegaram as irmãs em São Cataldo, acompanhadas pelo Pe. Gambino, onde passaram a cuidar do orfanato e do hospital.
Aos 04/10/1884, Pe. Giácomo entregou o hábito aos primeiros Irmãos Servos dos Pobres, para cuidarem dos órfãos e auxiliarem a obra. Em 1885, a cidade de Palermo foi vítima novamente do cólera e Pe. Giácomo não dormia bem, sempre preocupado com as casas da obra. Em 24/11, as carroças carregadas de madeiras e outros materiais de construção começaram a chegar a São Giuseppe Jato, na colônia agrícola da família do Pe. Giácomo. Tendo sido terminada a construção, em 1886 recebeu ali os primeiros pobres. Em janeiro de 1886, foi inaugurada a casa de Canicatti, onde as irmãs, entre elas Madre Vicenzina, foram recebidas acompanhadas pelo Pe. Boscarini.



Instituição dos Padres Missionários Servos dos Pobres 

Aos 21/11/1887, Festa da Apresentação de Nossa Senhora no Templo, na Igreja de São Marcos, a comunidade tão sonhada e desejada recebeu oficialmente a sanção canônica. Ali, Pe. Giácomo, com a presença do Exmo. Cardeal Arcebispo de Palermo Dom Miguel Ângelo Celesia, entregou aos primeiros Padres Missionários Servos dos Pobres o crucifixo.
Depois de ver que toda a sua obra alcançara êxito e que tudo provinha de Deus, Pe. Giácomo exclamou a 09/02/1888 que a sua missão estava terminada. Aos 17/02 começou a enfraquecer-se por febre e, a partir daí, foi só sofrimento e cada vez mais a sua doença ia aumentando. No dia 13/03, os médicos o examinaram e consideraram-no curado. Entretanto, às quatro horas da manhã do dia 14/03/1888 Pe. Giácomo veio a falecer santamente.
A piedade de Pe. Giácomo exprimiu-se na devoção à Santíssima Trindade, ao Sagrado Coração de Jesus, além da piedade  eucarística, da qual nasceu a ideia do Bocado do Pobre, e da piedade mariana, na qual chamava Maria Mãe da Misericórdia.
Entre suas virtudes poderíamos citar a caridade, a humildade e a mansidão. O Santo Padre Papa São João Paulo II beatificou, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Pe. Giácomo Cusmano, a 30/10/1983.
Os Servos dos Pobres encontram-se, atualmente, presentes na Itália, no Brasil, no México, na República Democrática do Congo, nas Filipinas e na Índia.