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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 18 de janeiro de 2014

Servos de Deus Ulisses Amendolagine, ocds (Itália *1893 - + 1969) e Lélia Cossidente Amendolagine, Confraria do Escapulário (Itália *1893 – 1951), Esposos.



O casal de servos de Deus Ulisses e Lélia.

Servos de Deus da Ordem Carmelita Descalça Secular, que se santificaram em um matrimônio cristão autêntico, testemunhando Jesus Cristo aos irmãos.

Em 18 de junho de 2004 iniciou-se o processo de beatificação desse casal: Lélia e Ulisses Amendolagine, que se santificaram através de uma vida matrimonial e familiar que serve de luz e exemplo a todo cristão.

Ela nasceu em Potenza, Itália em maio de 1893, ele em Salermo também na Itália em 14 de maio de 1893. Conheceram-se em 1929 e em 29 de setembro de 1930 uniram-se em matrimônio na paróquia de Santa Teresa, dos Carmelitas Descalços em Roma, onde atuaram a vida toda, ele na Ordem Terceira e ela na Confraria do Escapulário.


Ulisses, formado em Direito, trabalhou no Ministério do Interior Italiano, Lélia professora primária, renunciou a profissão para cuidar dos cinco filhos. Desses um faleceu precocemente, dois consagraram-se a Deus. Conhecemos suas vidas, através das inúmeras cartas dos pais, sobretudo a José, que aos quinze anos, com o nome de Rafael, abraça o rigor da ordem carmelita descalça.

Por suas cartas, entramos no clima de uma família transformada em um lugar de continuo encontro com Deus, pela oração e pela vida, nas pequenas e perseverantes atitudes de fé, leituras, meditações, bênçãos cotidianas nos “altarezinhos preparados por mamãe, nas diversas festas religiosas” – escreve Frei Rafael, e prossegue: - “Passar diante de uma igreja em nossos passeios e entrar para uma oração, era coisa natural em nossa família, parecia que Jesus estava sempre nos esperando, em qualquer Igreja, para a nossa saudação. Entendíamos que no sacrário circundado de luz e flores se escondia um Mistério que deveríamos adorar, Ele nos atraía, como deixá-lo só"?
 
Sr. Ulisses ao lado de seus filhos; entre eles Frei Rafael, ocd.

O caminho de santidade percorrido pelo casal conhece alegrias e dores, como a separação dos filhos, o câncer que atinge Lélia e a faz sofrer grandes dores por dois longos anos. Das cartas desse período ficaram o testemunho admirável da aceitação da vontade de Deus, o fiel ato de agradecimento por cada melhora, a permanente ação de graças.

Serva de Deus Lélia Amendolagine, Leiga e Mãe.
Lélia morre em 02 de julho de 1951, oferecendo sua vida pela santificação de seus filhos, Ulisses fiel companheiro na dor fica só, tomado pela dor da perda da esposa, mas vigorosamente forte na fé, vai se abandonando nos braços do Pai. Manda escrever na lápide do túmulo de Lélia, que também será o seu: “Ressuscitaremos”, e repete sempre: “Tudo é movimento, nada está estagnado, nada é definitivo nesse mundo... depois da morte nos será dado o paraíso onde a alegria será completa”.

Lélia e Ulisses representam um grande exemplo de santidade. Um casal que transformou a vida matrimonial em um lugar de presença do amor de Deus que se doa através do trabalho, dos pequenos gestos, plenamente possíveis de serem vivenciados através da atenção e do afeto vividos dentro de casa.

Eles viveram a experiência do abandono em Deus que leva a plena doação ao irmão, ao ir de encontro com as necessidades da comunidade. A glória da Igreja resplandece agora ainda mais admiravelmente na união de dois corações enamorados em Jesus Cristo.



ORAÇÃO: Senhor Nosso Deus que unis o homem e a mulher pelos Sagrados laços do Matrimônio, para que sejam continuadores de sua obra, dai-nos, Vos pedimos, por intercessão dos vossos servos Lélia e Ulisses, que se santificaram nessa vida em um matrimônio cristão, a graça de vivermos a fidelidade em nossas famílias através do respeito e o do amor mútuo e a Graça particular que necessito. Amém

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Santa MARIA JOSEFA ROSSELLO, Fundadora das Filhas de Nossa Senhora da Misericórdia.





Benedita Rossello era natural da belíssima cidade de Albissola Marina, em Savona, na Itália. Nasceu no dia 27 de maio de 1811, em uma humilde família de fabricantes de vasilhas; desde cedo teve literalmente que "colocar a mão na massa" para ajudar o pai com a modelação da argila.
Mas, trabalhar para a família não era o suficiente para Benedita. O que ela mais queria era trabalhar para o próximo. Desde cedo compreendeu que era preciso haver, ao lado de um apostolado religioso, uma assistência material para aqueles que se encontravam na ignorância e na pobreza.
Estudiosa, cheia de caridade para com os necessitados, devota do Crucificado e da Santíssima Virgem, inscreveu-se muito jovem na Ordem Terceira de São Francisco (provavelmente antes de 1830). E com ardor ela procurou cuidar e instruir os jovens dos bairros populares.
Tentou inscrever-se numa instituição de caridade, mas a falta do dote financeiro suficiente a impediu de concretizar o sonho. Nesse tempo, perdeu o pai e uma irmã, tendo de prover a família durante um período.
Aos dezenove anos, empregou-se por sete anos (1830-1837) na residência da família Monteone, casal sem filhos, para dar assistência ao chefe da família imobilizado na cama. Fez um trabalho tão dedicado e confortador, que ao morrer o doente a viúva quis adotar Benedita como filha, com a perspectiva desta herdar todo o patrimônio da família.

A oferta foi recusada, porque a condição para adoção era ela não se tornar religiosa. Sua recusa foi criticada por alguns, mas, como ela escreveria mais tarde: "Se não somos generosos com Deus, Ele não será conosco. Não se responde ao amor senão com o amor".
     Ela recebeu de fato o prêmio da sua generosidade e do seu amor quando, em 1837, o Bispo de Savona, Mons. Agostino De Mari (1835-1840), aceitou que a ex-doméstica se ocupasse da juventude feminina negligenciada materialmente e moralmente em perigo.
     Uma casa modesta e alugada serviu de semente para o que seria uma grande obra, desde logo dirigida por Benedita, com apenas três companheiras, Ângela e Domingas Pescio e Paulina Barla.
     No dia 22 de outubro de 1837, aconteceu a primeira vestição e o Bispo impôs-lhe o nome de Maria Josefa. Animadas por Maria Josefa, formou-se assim uma pequena Congregação colocada sob a proteção de Nossa Senhora da Misericórdia, de quem se disseram filhas e, como Ela, deveriam ser instrumentos de salvação.

     A missão da nova instituição: a instrução e educação das jovens pobres e a assistência aos doentes. Além disso, deveriam prestar serviço nas escolas e nas paróquias, nos hospitais e onde quer que fossem necessárias.
     Ângela Pescio, a mais velha, foi eleita superiora, Benedita era a mestra de noviças e ecônoma. A Congregação das Filhas de Nossa Senhora da Misericórdia começou "com quatro irmãs, um saco de batatas e quatro moedas de prata".
     Dois anos depois, em 2 de agosto de 1839, as Irmãs pronunciaram os votos perpétuos. Em 1840 eram já sete Irmãs professas e quatro noviças; durante o capítulo do mesmo ano, Irmã Maria Josefa foi eleita superiora por unanimidade, cargo que ocupou por cerca de quarenta anos.
     À Madre Maria Josefa era confiada grande parte dos trabalhos materiais. “A mão no trabalho, o coração em Deus”, ela recomendava às outras Irmãs. E quando a tarefa parecia muito espinhosa: “Faça o que puderes; Deus fará o resto”.

     A redação do regulamento definitivo foi confiada ao Padre Inocêncio Rosciano, carmelita, e solenemente entregue às Irmãs em 14 de fevereiro de 1846 pelo novo Bispo de Savona, Mons. Alessandro Ottaviano Riccardi (1841-1866).
     Sob a direção de Madre Maria Josefa o Instituto iniciou sua expansão na Ligúria, no período 1842-1855. Em 1856, começa a contribuir com a obra de resgate dos escravos africanos, a qual se dedicavam dois beneméritos sacerdotes, Nicolau Olivieri e Biagio Verri. O Instituto hospedava crianças negras libertadas de uma aviltante escravidão.

     O espírito missionário da Fundadora se manifestou ainda mais em 1876: conseguiu enviar o primeiro grupo de 15 Irmãs para Buenos Aires, Argentina. Em 1859, uma nova fundação, a “Casa da Providência” foi iniciada por Madre Maria Josefa, para a re-educação e inserção na vida de jovens das classes pobres.  Outros centros análogos foram abertos em Voltri, Sant’ Ilario, Porto Mauricio (1860) e em Albissola, onde surge a “Segunda Providência” (1866-1867).
     Dez anos depois, em 1869, Madre Maria Josefa empreendeu uma outra obra corajosa: o “Pequeno Seminário para os rapazes da classe operária”, permitindo-lhes a carreira eclesiástica gratuitamente. Esta obra lhe custou não poucas amarguras pelos obstáculos colocados contra esta instituição.
     A última iniciativa, sonhada e realizada postumamente, foi a constituição em Savona da “Casa das Arrependidas” (1880), um refúgio para as jovens arrependidas, e em vias de conversão, afastadas da prostituição.

“Se a obra que empreendemos é de Deus, chegaremos a cumpri-la”, dizia Madre Rossello, sem jamais esmorecer.
A fundadora morreu em 7 de dezembro de 1880, e foi sepultada no cemitério local. Em 1887, seu corpo foi transladado para a casa mãe em Savona.
Quando Madre Maria Josefa faleceu, o Instituto possuía já 68 casas (escolas, orfanatos, hospitais e refúgios para jovens arrependidas); e em 1949, quando foi canonizada, as Irmãs de Na. Sra. da Misericórdia eram mais de três mil, servindo em 260 casas de caridade na Itália e na América Latina.
     No dia 23 de janeiro de 1892, com um decreto episcopal, São José foi oficialmente reconhecido co-patrono do Instituto. Com o Decreto de 14 de setembro de 1900, Leão XIII reconheceu a missão que o Instituto desenvolvia na Igreja. Em 12 de janeiro de 1904, São Pio X aprovou definitivamente o Instituto e as Constituições. Em 12 de junho de 1949, Pio XII declarou-a Santa.


     José Mazzotti, conhecido como Bepi, foi o promotor do pedido de que Santa Maria Josefa Rossello se tornasse patrona dos ceramistas. O pedido foi aceito pela Congregação Pró Culto Divino com a bula de 27 de fevereiro de 1989.
     Ela, que dedicou toda sua vida aos doentes e às crianças, mesmo quando ainda não era religiosa, nasceu Benedita e bendita foi sua dedicação à caridade. É venerada com festa litúrgica no dia de sua morte. As suas relíquias são veneradas na capela da casa mãe das Filhas de Nossa Senhora da Misericórdia em Savona.
 
Foto de Santa Maria Josefa Rossello, Fundadora.






terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Servo de Deus Guido Vidal França Schäffer, Médico e Seminarista.



“A estas palavras, Jesus falou: Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me.” (Lc 18, 22).




Guido, ao meditar estas palavras, não tendo nada em seu nome a não ser seu diploma de médico, decidiu dedicar a medicina aos pobres. E, deixou casa, pai, mãe, família, amigos, para seguir Jesus.
Nasceu em 22 de maio de 1974, na cidade de Volta Redonda, RJ, Brasil, filho de Guido Manoel Vidal Schäffer e de Maria Nazareth França Schäffer. Desde o nascimento residiu com os pais na cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Copacabana.
Foi batizado na Matriz de Santa Cecília, em Volta Redonda (RJ), em 22 de dezembro de 1974. Recebeu a Primeira Eucaristia em 11 de dezembro de1983 e o Crisma em 02 de dezembro de 1990, ambos na Paróquia de Nossa Senhora de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro.
Cursou os ensinos fundamental e médio no Colégio Sagrado Coração de Mariano período de 1979 a 1991. Os traços que marcam a infância e adolescência do Guido são de uma criança e um jovem saudável, com gosto pela praia, pelo mar, pelos esportes. De comportamento dócil, fazia amigos com facilidade.
Seus pais católicos fervorosos levavam os filhos às missas dominicais e os ensinavam a rezar todas as noites. O pai de Guido é médico e sua mãe é membro da Comunidade Bom Pastor (RCC), tendo trabalhado voluntariamente pela evangelização nas escolas públicas.
Desde a juventude, Guido chamava seus amigos para Cristo, primeiro para fazerem o curso da Crisma e depois para participarem do Cenáculo (Movimento Sacerdotal Mariano) que Nazareth realizava uma vez por mês com os filhos e seus amigos.
Cursou Medicina na Faculdade Técnica Educacional Souza Marques (1993 a 1998), no Rio de Janeiro. No ano que se formava em medicina iniciou o Grupo Fogo do Espírito Santo com o padre “Jorjão”  (grupo de oração da RCC, na Paróquia de Nossa Senhora da Paz, Ipanema). Fez residência em Clínica médica, na Santa Casa de Misericórdia, sob a chefia
do Prof. Clementino Fraga Filho, no período de 1999 até março de 2001 (4ª e 20ª Enfermarias). Após a residência, trabalhou no corpo clínico de ambas as enfermarias, durante o ano de 2001.
Decidiu-se por exercer a medicina como clínico geral, especialidade que amava porque lhe permitia avaliar o paciente como um todo. Considerava a clínica geral um desafio, pela necessidade de manter um bom conhecimento sobre todas as áreas da medicina.
Durante sua formação acadêmica dedicou-se também ao atendimento aos pacientes com HIV, no Hospital Evandro Chagas (Fundação Osvaldo Cruz), pois considerava primordial que um clínico geral conhecesse bem os sintomas da doença, a fim de detectá-la com maior brevidade, possibilitando maior êxito ao tratamento.
Atuando como médico na Santa Casa, Guido testemunhava sua fé, como citou o Professor Clementino Fraga Filho, em homenagem realizada após a sua morte: “Em todo o tempo, dava testemunho de sua fé, no seu proceder irrepreensível com os outros. Vivia conforme os valores cristãos da cordialidade, temperança, caridade e justiça”.
Aproximou-se da pastoral da saúde quando trabalhava como médico na Santa Casa de Misericórdia. Duas integrantes da pastoral visitavam os enfermos e ficaram interessadas pela maneira carinhosa como aquele médico atendia os pacientes. Convidaram-no a participar da missa, ele aceitou e logo passou a ajudá-las.
Guido ainda namorava, pensava em se casar e seguir a carreira médica, que exercia na Santa Casa e em clínica particular. Um dia, em retiro na comunidade Canção Nova, ouviu um padre pregar a seguinte passagem bíblica: “Não desvieis o vosso olhar do pobre e Deus tampouco se desviará de ti.” (Tobias 4, 7). Nesse momento refletiu quantas vezes havia desviado o olhar dos pobres. Pediu perdão a Deus e lhe pediu: “Jesus, me ajuda a cuidar dos pobres”.
Uma semana depois conheceu as irmãs da ordem fundada por Madre Teresa de Calcutá (Missionárias da Caridade), cuja missão é cuidar dos pobres. Compreendeu que Deus ouvira seu pedido e estava lhe dando a direção da medicina que Ele queria. Ofereceu seu trabalho às irmãs da Madre Teresa e começou a atender os pobres de rua. Assim, ao trabalho da pregação da Palavra de Deus no grupo de oração, se somou o trabalho como médico junto aos irmãos de rua.
Chamou os outros jovens do Grupo Fogo do Espírito Santo a participarem do atendimento aos pobres de Madre Teresa e da pastoral da saúde da Santa Casa e muitos o ajudaram, com trabalho e donativos. Levou médicos da Santa Casa para ajudarem as Missionárias da Caridade.
Uma dessas médicas, vendo o trabalho que realizavam o incentivou a ler a vida de São Francisco de Assis (“O irmão de Assis”, de Inácio Larrañaga), livro que foi uma grande luz de Deus em sua vida. Da participação nestas obras de caridade temos relatos de curas inexplicáveis, de conversões, de moradores de rua que decidiram lutar contra os vícios etc.

A Irmã Caritas (MC) que acompanhou o trabalho do Guido junto à casa das Missionárias da Caridade na Lapa escreveu: “Sua única preocupação era salvar almas. Levar todos a um encontro pessoal com Cristo. Para isso não media esforços. De fato, toda a sua conversa era com Ele e a Ele direcionada. Não perdia uma oportunidade de proclamá-lo. Fosse com palavras ou com o próprio exemplo.
Quando atendia os irmãos de rua, não só zelava pela saúde do corpo, mas e sobretudo da alma. A nenhum deles deixou de falar de Cristo. Muitos deles saiam do consultório em lágrimas e profundamente tocados. Orava por e com cada um e os convidava a receber os sacramentos como fonte de graça e comunhão com Deus.
Muitas vezes usava dos carismas com que o Senhor o agraciava. Presenciei várias vezes, sobretudo o carisma da Palavra de Ciência. A todos tratava com delicadeza, paciência e compreensão. Nunca o vi irritado ou impaciente com ninguém. Mesmo quando alguém vinha embriagado ou sob efeito de drogas e procurava confusão. Sempre tinha tempo para cada um. O seu exemplo me edificava e ... corrigia!”
Às palavras da Irmã Caritas (MC) fazem eco as vozes dos que conheceram o Guido e com ele conviveram ou trabalharam, seja em família, nas enfermarias da Santa Casa, no grupo de oração, na pastoral da saúde, no lar das missionárias, no Mosteiro e no Seminário. Somam-se ainda, o testemunhos de muitas pessoas a quem ele levou uma palavra de consolo, estimulou na fé, incentivou a continuar um tratamento médico.


Chamado ao sacerdócio, foi acompanhado pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Karl Josef Romer. Cursou Filosofia (2002 a 2004) e Teologia (2006/2007), no Instituto de Filosofia e Teologia do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro.
Como aluno externo, Guido conseguiu conciliar os estudos preparatórios para o sacerdócio com o apostolado que exercia como leigo. Continuou prestando assistência à Pastoral da Saúde da Santa Casa da Misericórdia e fazia pregações onde o chamassem. Trabalhava voluntariamente como médico, atendendo na Santa Casa da Misericórdia e no lar das Missionárias da Caridade, na Lapa. Ajudava também aos seminaristas, que necessitavam de atendimento médico, levando-os à Santa Casa e prestava atendimento como médico em eventos da Igreja.
Em 2008, ingressou no Seminário São José (Rio de Janeiro), para cursar os dois últimos anos do curso de teologia, pois é necessário um período mínimo de vida no seminário para a ordenação sacerdotal. Segundo testemunho de seus colegas de filosofia e teologia na Faculdade de São Bento, Guido nunca falava mal de ninguém e quando os encontrava comentando episódios que haviam causado revolta, com habilidade desviava o assunto e os levava para uma oração. Assim, não permitia que se cultivassem inimizades e semeava a paz em seu ambiente de estudo.
Além disso, Guido possuía profundo conhecimento das escrituras sagradas e uma memória prodigiosa, citando de cor os textos e sabendo sua exata localização, auxiliando a diversos colegas em seus trabalhos e até aos professores durante as aulas.
Observaram também seu grande amor pela Eucaristia, que em monografia descreveu como remédio para a alma e para o corpo, utilizando na explicação seus conhecimentos médicos. Guido pregava o que vivia por isso sua pregação era convincente. Ele era autêntico.
No ano de 2005, residiu por alguns meses em Queluz (SP) por sugestão do padre Jonas Abib (Canção Nova), para melhor discernir sua vocação. Guido sentia vontade de realizar muitas coisas: queria ser sacerdote, queria formar uma comunidade de vida a exemplo da Canção Nova, pensava em estudar no seminário ligado a esta comunidade.

Monsenhor Verreschi, que à época foi pároco em Queluz e é o reitor do Seminário de Lorena (SP), observou no Guido duas características: uma “ansiedade” de realizar rápido diversos trabalhos para Deus; e, ao mesmo tempo, a obediência em aceitar os “nãos” a algumas de suas idéias.
Em Queluz, Guido atuou como médico voluntário da prefeitura e no ambulatório médico Padre Pio em Cachoeira Paulista. Realizou também neste período, um trabalho de evangelização pela rádio Caminho do Sol, em Queluz.
É lembrada por todos os que conviveram com o Guido em Queluz, a dedicação dele aos pobres e ao próximo. Seja atendendo gratuitamente no posto médico, seja orando por todos os que lhe pediam, escutando e aconselhando.
Recordam das vezes que foram levar comida aos pobres de rua à noite, da forma como o Guido falava com eles, olhando-os nos olhos, conversando com carinho, e da alegria que experimentaram neste serviço.
Numa dessas idas, fazia muito frio e um dos três moradores de rua não tinha agasalho, o Guido tirou seu casaco (um casaco de couro muito bonito) e o deu ao pobrezinho, que pulou de alegria.


Em 01 de maio de 2009, com apenas trinta e quatro anos de idade, Guido faleceu, vítima de uma contusão na nuca que gerou desmaio e afogamento, enquanto surfava (seu esporte predileto usando também como meio de evangelização dos jovens), na praia da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
A muitos amigos Guido havia externado um desejo: se Deus lhe permitisse, gostaria de morrer no mar, onde sentia a presença de Deus a lhe falar na natureza.

Servo de Deus Guido Schäffer, intercedei por nós e pelos jovens do Brasil! 



O "Nihil Obstat" da Congregação 
para a Causa dos Santos ao Processo
de Beatificação do Servo de Deus
Guido Vidal Schäffer, seminarista


Atualização
(notícia do jornal O Povo, de Fortaleza – CE)

O Brasil poderá ganhar mais um santo em sua história, pois o Vaticano concedeu o "Nihil Obstat" (nada consta) para iniciar o processo de beatificação do médico, seminarista e surfista carioca Guido Vidal França Schäffer.
A Arquidiocese do Rio deve instalar um tribunal que introduzirá o processo, solicitado em maio deste ano - cinco anos após a morte do surfista, conforme informações divulgadas no site oficial da instituição.
Além do pedido, foram enviadas histórias de vida de Guido, que reiteravam o estilo de vida do jovem, correspondente aos ensinamentos da Igreja. Quando Guido morreu, em 2009, ele estava prestes a se tornar padre. Por ser este o seu maior desejo, durante o enterro de Guido, dom Orani Tempesta pôs uma estola em seu caixão.
O jovem surfista sofreu uma contusão na nuca, que o fez desmaiar, enquanto surfava na Praia do Recreio. Ele morreu aos 34 anos, em plena comemoração de despedida de solteiro de um amigo. 
Dom Roberto, delegado episcopal para a Causa dos Santos da Arquidiocese do Rio, afirma que Guido, que vivia constantemente envolvido em causas sociais, é chamado de 'São Francisco de Assis Carioca' pela forma com que tratava o próximo, curando-lhe não só o corpo, mas também a alma por meio do evangelho.
Além de atender gratuitamente a moradores de rua, Guido atuou como médico no corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia do Rio.
De acordo com Dom Roberto, a primeira fase do processo de beatificação de Guido poderá ser iniciado até janeiro de 2015, considerando que o pedido leva de seis a oito meses para ser avaliado.

Frei Galvão foi o primeiro santo nascido no Brasil a ser canonizado, em 11 de maio de 2007.

São Bernardo de Claraval, Abade e Doutor da Igreja ("doutor melífluo")





Resumo de sua vida:
São Bernardo nasceu em 1090, na França, de uma família nobre. Bernardo, após a sua conversão, decidiu entrar para um mosteiro pobre. Mas não foi sozinho. Levou consigo mais trinta homens, entre irmãos, parentes e amigos. Entraram no mosteiro de Citeaux em 1112 (Bernardo tinha 22 anos). Em 1115, com 25 anos, Bernardo recebe a ordem de criar um novo mosteiro, o de Claraval.
Bernardo chegou a reunir em Claraval mais de 700 monges, agrupou 160 mosteiros em torno de sua reforma, aconselhou os reis da França, transformou-se em guardião da Igreja e do papa: teve que resolver cismas e heresias, interveio na eleição dos papas, participou de concílios e proclamou a segunda cruzada. Bernardo escreveu muitas obras espirituais. É conhecido como Doutor Melífluo devido a doçura e delicadeza de seus escritos.
Bernardo faleceu em 1153 com 63 anos, na sua própria cela.


Alguns ditos do santo:
        "Tu encontrarás mais coisas nas florestas do que nos livros; as árvores e as pedras te ensinarão mais do que qualquer mestre te poderá dizer".

"O que é Deus? Ele é ao mesmo tempo comprimento, largura, altura e profundidade... Esse comprimento, o que é ele? A eternidade, pois ela é tão longa que não tem limites seja quanto ao lugar, seja quanto ao tempo. É Deus também largura? E essa largura, que é ela senão a caridade que se estende até o infinito? Deus é altura e profundidade; e por essa altura deveis entender seu poder; e por profundeza, sua sabedoria. Ó sabedoria cheia de poder que chega a todos os recantos com força. Ó poder cheio de sabedoria que tudo dispõe com doçura”

 “Quereis um advogado junto a Jesus? Recorrei a Maria, pois nela não há senão pura compaixão pelos males alheios. Pura não só porque ela é imaculada, mas porque nela só existe compaixão pura e simples. Digo-o sem hesitar: Maria será ouvida devido à consideração que lhe é devida. O Filho ouvirá a Mãe, e o Pai, seu Filho. Eis, pois, a escada dos pecadores, minha absoluta confiança; eis todo o fundamento de minha esperança” 


  “Os clérigos que estudam por puro amor da ciência: é uma curiosidade ignominiosa; outros o fazem para alardear um renome de sábios: é uma vaidade vergonhosa...outros ainda estudam e vendem seu saber em troca de dinheiro e honras: é um tráfico vergonhoso. Mas há também os que estudam para edificar seu próximo: é uma obra de caridade; outros, finalmente, para edificar a si mesmos: é uma atitude de prudência...”


 “Subi à parte superior de mim mesmo, e ainda mais alto reina o Verbo. Explorador curioso que sou, desci ao fundo de mim mesmo e O encontrei ainda mais baixo. Olhei para fora, e O percebi além de tudo. Olhei para dentro, e pareceu-me muito mais íntimo do que eu mesmo. Quando ele entra em mim, o Verbo não trai sua presença por nenhum movimento, por nenhuma sensação. É somente o secreto estremecimento do meu coração que o patenteia. Meus vícios fogem, minhas a feições carnais são dominadas, minha alma se transforma, o homem interior se renova, e em mim está como que a sombra de seu Esplendor”
Êxtase do santo com Jesus Cristo. 

Os quatro graus de caridade
"Nós somos carnais, nascidos da concupiscência da carne, donde se segue necessariamente que nosso amor, bem como nosso desejo começa pela carne. Porém, se este amor é bem dirigido, desenvolvendo-se progressivamente segundo seus graus, sob a ação da graça, ele atingirá sua perfeição no espírito, 'pois não é o espiritual que precede, mas o animal: o espiritual vem em seguida' (1Cor 15,40).Portanto o homem começa amando a si mesmo por si mesmo; pois sendo ele carne, está fora de condição de degustar o que quer que seja fora de si mesmo. Refletindo, em seguida, que não pode subsistir por si só, ele começa a procurar a Deus na fé e a amá-lo. É o segundo grau: ama-se a Deus não por Ele mesmo, mas por causa de si. À medida que a própria necessidade leva a conviver com Deus, a familiarizar-se com Ele, pensando nele, lendo e pedindo-lhe e servindo-o, aos poucos a gente o descobre nessa familiaridade e começa-se a apreciá-lo. Quando se aprendeu, assim, a degustar como o Senhor é doce, passa-se ao terceiro grau, que consiste em amar a Deus por si mesmo, não mais por causa de si. E neste grau, permanece-se muito tempo: não sei se, nesta vida, alguém pode alcançar a perfeição do quarto grau, de modo que não se mais a si mesmo de forma alguma, senão em Deus. Que o afirmem os que o experimentaram; quanto a mim, confesso que acredito ser impossível. Sem dúvida alguma, isto se verificará quando o servo bom e fiel for introduzido na alegria do seu Mestre, inebriado com a plenitude da Casa de Deus. Então, esquecendo-se, ele próprio, de uma maneira admirável, voltar-se-á todo inteiro para Deus e, aderindo a ele para o futuro, não
formará senão um só espírito com Ele"



"E o nome da Virgem era Maria (Lc. 1, 27). Falemos um pouco deste nome que  significa, segundo se diz, Estrela do mar, e que convém maravilhosamente à Virgem Mãe. ... Ela é verdadeiramente esta esplêndida estrela que devia se levantar sobre a imensidade do mar, toda brilhante por seus méritos, radiante por seus exemplos.Ó tu, quem quer que sejas, que te sentes longe da terra firme, arrastado pelas ondas deste mundo, no meio das borrascas e tempestades, se não queres soçobrar, não tires os olhos da luz desta estrela.
Se o vento das tentações se levanta, se o escolho das tribulações se interpõe em teu caminho, olha a estrela, invoca Maria. Se és balouçado pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria.Se a cólera, a avareza, os desejos impuros sacodem a frágil embarcação de tua alma, levanta os olhos para Maria.
Se, perturbado pela lembrança da enormidade de teus crimes, confuso à vista das torpezas de tua consciência, aterrorizado pelo medo do juízo, começas a te deixar arrastar pelo turbilhão da tristeza, a despencar no abismo do desespero, pensa em Maria. Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida. Seguindo-A, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro.Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim.E assim verificarás, por tua própria experiência, com quanta razão foi dito:
'E o nome da Virgem, era Maria'"


Mostra Iconográfica de São Bernardo de Claraval:

Êxtase do santo com o Senhor Jesus Crucificado. 
  

Milagres do santo: o Duque de Aquitânia, inimigo da fé,
cai enlouquecido aos pés do santo que
apresenta-lhe o Santíssimo Sacramento. 


Mistérios da Virgem Maria meditados por
são Bernardo de Claraval.
  
Êxtase de São Bernardo de Claraval no qual ao santo
foi dada a  oportunidade de beber um pouco
do santíssimo Leite de Maria.



Belíssima estátua de São Bernardo existente
 na Igreja Matriz de Russas - Ceará - Brasil.