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sábado, 22 de março de 2014

Santa Rafqa (Rebeca) Ar-Rayès, Virgem e religiosa de rito Maronita.


Rafqa Pietra Choboq Ar-Rayès (Em árabe: رفقا بطرسيّة شبق ألريّس) nasceu aos 29 de junho de 1832 na cidade de Himlaya, distante uns 30 km de Beirute, capital do Líbano e faleceu aos 23 de março de 1914 no Mosteiro de São José em Jrabta (na região do Monte Líbano) e distante aproximadamente 54 km de Beirute. Também conhecida como Santa Rafka, é uma santa católica maronita libanesa canonizada pelo Papa João Paulo II em 10 de junho de 2001.

Infância e Juventude
Nascida no dia de São Pedro e São Paulo, foi batizada aos 07 de julho de 1832, tendo recebido o nome de "Boutroussieh", cuja tradução aproximada seria "Petra" ou "Petrina" (feminino de Pedro). Era filha única do casal Mourad Saber al-Choboq al-Rayès e de Rafqa Gemayel. Sua mãe, faleceu em 1839, quando ela tinha apenas 6 anos de idade. Seu pai, em situação de penúria, mandou-a para Damasco, na Síria, em 1843, para servir como empregada doméstica na casa de uma família amiga, os El Badawi, de origem libanesa. Quando voltou para ao Líbano, em 1847, Boutroussieh já tinha 14 anos de idade, e seu pai havia voltado a casar-se.
Considerada bonita, de boa índole, humilde e piedosa, sua família procurou arranjar-lhe um casamento, tendo recebido duas propostas: uma de sua tia materna, para que se casara com seu filho, primo de Boutroussieh; e outra de sua madrasta, para que se casara com seu irmão, cunhado de seu pai. O conflito entre as duas mulheres foi franco e aberto. No entanto, Boutroussieh já havia feito sua escolha: queria abraçar a vida religiosa.

Vida Religiosa
Ajudada pelo padre Joseph Gemayel, Rafqa entrou como aspirante na "Congregação das Filhas de Maria da Imaculada Conceição" (em francês Mariamettes) em 1º de janeiro de 1853, aos 21 anos, na cidade de Bikfaya. Em 09 de fevereiro de 1855, festa de São Marun, iniciou o seu noviciado na cidade de Ghazir, quando escolheu o nome religioso de Anissa (Inês em árabe). Fez seu primeiros votos no ano seguinte, em 1856, e aos 19 de junho de 1862 fez seus votos perpétuos. Como monja foi enviada para o recém fundado seminário jesuíta, também em Ghazir, onde serviu como cozinheira. Seguiu então para Deir el Qamar, onde os conflitos entre cristãos e druzos eram abertos e lá ficou por um ano. No ano seguinte ensinou em Jbeil (a antiga Byblos) e depois passou sente anos seguidos (1864-1871) no povoado de Ma'ad (também na região de Jbeil - Biblos) dando aulas de instrução cristã à população.
No entanto, a "Congregação das Filhas de Maria da Imaculada Conceição" dissolveu-se em 1871. Apesar da insistência do chefe local, Antoun Issa, que ela ficasse em Ma'ad, Rafqa decidiu ingressar na Ordem Baladita (que, junto à Ordem dos Alepianos e à Ordem dos Antoninos, forma a tríade das três mais importantes ordens monásticas do Líbano). Foi inicialmente para o mosteiro de São Simão de Al-Qarn; em 12 de julho de 1871 iniciou novamente o seu noviciado. Professou novamente seu votos perpétuos em 25 de agosto de 1873 mas, desta vez, escolheu para nome religioso o nome de sua mãe, Rafqa ("Rebeca" em árabe) e ficou no mosteiro até 1897.



Sofrimentos e Fé
Em 1885, Rafqa foi acometida de sérias dores de cabeça. Acompanhada por uma irmã a Trípoli, foi ao médico, onde constatou-se um grave dano ao nervo óptico. Depois de jorrar pus por mais de um mês, foi perdendo progressivamente a visão: primeiro o olho esquerdo, depois o direito, até que ambos começaram a sangrar.
Rafka começou a sentir dores terríveis na cabeça e nos olhos. Após os exames médicos foi submetida a várias cirurgias. Durante a última o médico errou e ela ficou sem chance de cura. Rafka aceitou toda aquela lenta agonia tendo a certeza que deste modo participava da Paixão de Jesus Cristo e no sofrimento da Virgem Maria.
Foram vinte e seis anos de sofrimento na cidade de Aitou. Depois, com outras cinco religiosas, Rafka foi transferida para o novo convento dedicado a São José, em Grabta. Neste período ficou completamente cega e paralítica. Mesmo assim se manteve feliz porque podia usar as mãos, fazendo meias e malhas de lã. Rafka ainda vivia e a população falava dela como santa


Momentos Finais
Completamente cega, com uma paralisação progressiva dos membros a partir de 1907, Rafqa esperou humildemente sua morte. Três dias antes de falecer, disse: "Eu não tenho medo da morte que tanto esperei. Deus me fará viver através de minha morte". Aos 23 de março de 1914, log após receber a Unção dos Enfermos e a Eucaristia, Rafqa entregou sua alma a Deus. Tinha então 82 anos.

       Beatificação e Canonização
Depois da sua morte em 23 de março de 1914 a sua fama se difundiu por todo o Líbano, Europa, e nas Américas.Os prodígios e milagres foram se acumulando.
Em 09 de junho de 1984, Vigília de Pentecostes, na presença de Sua Santidade, o Papa João Paulo II, foi aprovado oum decreto tendo em vista o milagre relativo a Elizabeth Ennakl, que foi completamente curada de um câncer uterino após visitar o túmulo de Rafqa, ainda no ano de 1938.
Em 16 de novembro de 1985 o mesmo Papa João Paulo II beatificou-a e em 10 de junho de 2001, canonizou-a na Praça de São Pedro, em Roma.

Oração da Santa Rafqa:
Ó Senhor Jesus Cristo, nosso Deus, Tu gravaste a imagem de Tua Paixão na vida Santa Rafqa (Rebeca) fazendo dela mestra e operária orando e compartilhando Contigo o Mistério da Redenção. Aqui estamos, humildemente diante de Ti, orando e pedindo a intercessão de Santa Rafqa (Rebeca) para que as crianças sejam abençoadas, os doentes recebam a graça da cura e os que sofrem, a alegria e a felicidade e para que aqueles que oram nas Igrejas e Mosteiros tenham seus pedidos atendidos. (pedir a graça)

E assim como Tu honraste Rafqa (Rebeca) com a visão da Tua Luz Celestial, permita-nos viver como Rafqa (Rebeca) viveu durante toda sua vida na Fé, na Esperança e na Caridade, a fim de que com ela, com a Virgem Maria e todos os Santos, Te glorifiquemos e agradeçamos até o fim dos tempos. Amém.


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Outra biografia de Santa Rafqa Ar-Rayès: 


      O Lírio de Himlaya

     Petra (seu nome de batismo) nasceu em Himlaya, vilarejo do Metn setentrional, no dia 29 de junho de 1832. Era filha única de Mourad Saber al-Choboq al-Rayès e de Rafqa (Rebeca) Gemayel; foi batizada em 7 de julho de 1832 e recebeu o nome de Boutroussyeh (Petra). Os seus pais a ensinaram a amar a Deus e a rezar todos os dias.
     Em 1839, quando tinha sete anos, perdeu sua mãe, à qual era muito apegada. Seu pai caiu então na pobreza, e em 1843 a enviou a Damasco, a serviço na casa de Asaad al-Badawi, de origem libanesa, onde permaneceu por quatro anos.
     Petra voltou para a casa paterna em 1847 e descobriu que na sua ausência seu pai havia se casado de novo com uma senhora chamada Kafa. Ela, então com quinze anos, era bonita, sociável e de bom caráter, dotada de uma voz melodiosa e de uma religiosidade profunda e humilde.
     Desde sua juventude, Petra sentiu um profundo amor por Cristo e à Eucaristia, por isso queria ingressar como noviça nas Irmãs de Maria, porém a forte influência daqueles que mais tarde seriam os Santos libaneses, os maronitas Charbel Makhlouf e Nimatullah Al-Hardini, levaram-na a entrar no mosteiro maronita de São José de Batroun, o que ocorreu em 1897, tomando o nome de Irmã Rafqa (Rebeca) em homenagem a sua mãe.
     Em 1860, Irmã Rafqa foi transferida para Deir al-Qamar, para ensinar Catecismo aos jovens. Naquele período tiveram lugar os dramáticos acontecimentos que ensangüentaram o Líbano. Irmã Rafqa viu com os próprios olhos o martírio de um grande número de pessoas. Também teve a coragem de esconder um menino sob sua capa, salvando-o da morte. Ela permaneceu em Deir al-Qamar cerca de um ano.
     No primeiro domingo de outubro de 1885, na igreja do mosteiro, durante a oração, ela suplicou a Deus que a fizesse participar de sua Paixão redentora. Seus rogos foram atendidos nessa mesma tarde: ela começou a sentir fortes dores de cabeça e pouco depois a dor se estendeu aos olhos. Todos os tratamentos foram inúteis e se decidiu mandá-la a Beirute para tentar outras opções.
     Durante a viagem se deteve em Biblos, onde foi confiada a um médico americano que, depois de analisar seu caso, decidiu operá-la. Porém, durante a operação extraiu-lhe por erro o olho direito. A doença logo afetou o olho esquerdo. Então os médicos julgaram que qualquer tratamento seria inútil e Irmã Rafqa voltou para o seu mosteiro, onde a dor ocular a acompanhou por 12 anos. Suportou sua dor com paciência, em silêncio, em oração e com alegria, repetindo continuamente: "Em união com a Paixão de Cristo”.
     Em 1897, um grupo de monjas do convento de São Simeão de Aitou se transferiu para o novo convento de São José de Ad-Daher. A Madre Úrsula, que ia ser a superiora da nova fundação, pediu que a Irmã Rafqa fosse incluída no grupo, para que seu exemplo junto as irmãs diminuísse as dificuldades que sempre existem em uma nova fundação.
     A Irmã Rafqa passou os últimos dezessete anos de sua vida neste convento, que ia ser o cenário de seus maiores sofrimentos, bem como de suas alegrias mais espirituais.
     Irmã Rafqa não decepcionou a Madre Úrsula. Seu exemplo e ajuda foram muito valiosos no estabelecimento do novo mosteiro. As noviças ficavam especialmente impressionadas com o espírito de oração da monja cega, além de sua humildade e caridade. Muitos anos depois de sua morte, várias das irmãs que, ou haviam chegado com ela na nova fundação, ou haviam sido noviças durante os dezessete anos que ela viveu em São José de Ad-Daher, não haviam esquecido o tempo vivido junto a ela e deram testemunho de sua santidade.
     Só Deus sabe o muito que a Irmã Rafqa teve que suportar. Sua dor era contínua noite e dia, entretanto as outras irmãs nunca a ouviram murmurar ou se queixar. Com frequência a ouviam dar graças a Deus por seus sofrimentos, "...porque sei que a enfermidade que tenho é para o bem de minha alma e para Sua glória" e que "a enfermidade aceita com paciência e ação de graças purifica a alma como o fogo purifica o ouro". Estava sempre tranquila, sorridente, confiando no Senhor, pois Ele prometeu aumentar o deleite de seus servos fieis no céu (cf. Lucas 21:19).
     A Irmã Rafqa se caracterizou também pelo amor que sentia pelos doentes e pelas crianças abandonadas, e orava por eles. Ela também ofereceu suas dores físicas em reparação pelos pecados de toda a humanidade, sobretudo de seu país.
     A Santa adormeceu no Senhor em odor de santidade no dia 23 de março de 1914, depois de uma vida passada na oração, no serviço e no sofrimento da Cruz, confiando na intercessão de Maria SSma. e de São José. Foi sepultada no cemitério do mosteiro.

     No dia 10 de julho de 1927, seus despojos mortais foram transferidos para um túmulo novo em um ângulo da igreja do mosteiro. A causa de sua beatificação foi introduzida em 23 de dezembro de 1925. Foi declarada venerável no dia 11 de fevereiro de 1982; beatificada em 17 de novembro de 1985 e canonizada em 10 de junho de 2001.

terça-feira, 18 de março de 2014

SÃO JOSÉ: O QUE OS SANTOS DIZEM DELE.







São Mateus afirma em seu Evangelho que São José “era um homem justo” (Mt 1,19). Isto, na linguagem bíblica, significa um homem repleto de todas as virtudes, de santidade completa, perfeito.
Jesus quis ter um pai na terra: O anjo do Senhor, aparecendo-lhe em sonho, diz-lhe: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo” (Mt. 1,20).

Coube a S. José dar o nome ao Filho de Deus humanado. O Anjo lhe disse: “Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta” (Mt 1, 21-22).

Em uma aparição a Santa Margarida de Cortona, disse Jesus: “Filha, se desejas fazer-me algo agradável, rogo-te não deixeis passar um dia sem render algum tributo de louvor e de bênção ao meu Pai adotivo São José, porque me é caríssimo”.

Santo Afonso de Ligório (†1787), doutor da Igreja, garantia que todo dom ou privilégio que Deus concedeu a outro Santo também o concedeu a São José.

São Francisco de Sales (†1655), doutor da Igreja, diz que "São José ultrapassou, na pureza, os Anjos da mais alta hierarquia".

São Jerônimo (†420), doutor da Igreja, diz que: “José mereceu o nome de “Justo”, porque possuía de modo perfeito todas as virtudes”.

São Bernardo (†1153), doutor da Igreja: “De sua vocação, considerai a multiplicidade, a excelência, a sublimidade dos dons sobrenaturais com que foi enriquecido por Deus”.

Se São José foi escolhido para Esposo de Maria, a mais santa de todas as mulheres, é porque ele era o mais santo de todos os homens. Se houvesse alguém mais santo que José, certamente seria este escolhido por Jesus para Esposo de Sua Mãe Maria. Nós não pudemos escolher nosso pai e nossa mãe, mas Jesus pôde, então, escolheu os melhores que existiam.

São Francisco de Sales:
“Oh! que divina união entre Nossa Senhora e o glorioso São José; união que tornava José participante de todos os bens de sua cara Esposa e o fazia crescer maravilhosamente na perfeição, pela contínua comunicação com Ela, que possuía todas as virtudes em grau tão alto, que nenhuma criatura o pode atingir”.

Testemunho de Santa Teresa de Ávila (†1582), doutora da Igreja, devotíssima de São José. No “Livro da Vida”, sua autobiografia, ela escreveu:

“Tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e muito me encomendei a ele. Claramente vi que dessa necessidade, como de outras maiores referentes à honra e à perda da alma, esse pai e senhor meu salvou-me com maior lucro do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo de lhe haver, até agora, suplicado graça que tenha deixado de obter. Coisa admirável são os grandes favores que Deus me tem feito por intermédio desse bem-aventurado santo, e os perigos de que me tem livrado, tanto do corpo como da alma. A outros santos parece o Senhor ter dado graça para socorrer numa determinada necessidade.”
“Ao glorioso São José tenho experiência de que socorre em todas. O Senhor quer dar a entender com isso como lhe foi submisso na terra, onde São José, como pai adotivo, o podia mandar, assim no céu atende a todos os seus pedidos. Por experiência, o mesmo viram outras pessoas a quem eu aconselhava encomendar-se a ele. A todos quisera persuadir que fossem devotos desse glorioso santo, pela experiência que tenho de quantos bens alcança de Deus...De alguns anos para cá, no dia de sua festa, sempre lhe peço algum favor especial. Nunca deixei de ser atendida".

Cultos prestados pela Igreja:
1.    Latria = adoração – à Santíssima Trindade.
2.    Dulia = veneração - aos Santos e Anjos.
3.    Hiper Dulia = super veneração – a Nossa Senhora Mãe de Deus
4.    Proto – Dulia = primeira veneração – a São José.

No Evangelho consta que São José era carpinteiro: “Não é este o filho do carpinteiro?” (Mt 13, 55). Mas a expressão é mais genérica, pois diz “filius fabri”, quer dizer, filho de artesão.
Todo o povo judeu sabia que o Messias viria da tribo de Judá, e seria descendente do grande rei Davi. “Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de entendimento, Espírito de prudência e de coragem, Espírito de ciência e de temor ao Senhor.” (Is 11, 1-2)
“Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. Portanto, as gerações, desde Abraão até Davi, são quatorze. Desde Davi até o cativeiro de Babilônia, quatorze gerações. E, depois do cativeiro até Cristo, quatorze gerações.” (Mt 1, 16-17).

A vocação de São José foi a de representante do Pai Eterno junto a seu Filho Unigênito na terra. Por isso os autores místicos o chamam de “Sombra do Pai Celeste”; um privilégio especial só a ele concedido. Isto nos faz lembrar a palavra que diz: “Eu sou o Senhor, esse é meu nome, a ninguém cederei minha glória, nem a ídolos minha honra.” (Is 42,8).

São Basílio Magno (330-369), doutor da Igreja, diz: "Ainda que José tratasse sua mulher com todo afeto e amor e com todo o cuidado próprio dos cônjuges, entretanto se abstiveram dos atos conjugais" (Tratado da Virgem Santíssima, BAC, Madri, 1952, p. 36).

O Papa Pio XI quando proclamou São José Patrono universal da Igreja, disse: “Entre São José e Deus não vemos e não devemos ver senão Maria, por sua divina Maternidade”. “São José, depois de Maria, é o maior de todos os Santos”.

Papa Leão XIII disse na Encíclica Quamquam pluries:
“Muitos Padres da Igreja, de acordo com a Sagrada Liturgia, acreditam que o antigo José, filho do Patriarca Jacó, tenha figurado a pessoa e o ministério do nosso São José, e simbolizado, com o seu esplendor, a grandeza e a glória do futuro Custódio da Sagrada Família.”

Eis o que diz a respeito São Bernardo, doutor a Igreja:
“Lembra-te do grande Patriarca vendido para o Egito, e sabe que ele não só lhe herdou o nome, mas imitou-lhe também a castidade, mereceu-lhe a inocência e a graça. E se aquele José, vendido por inveja dos irmãos e conduzido ao Egito, prefigurou a venda de Cristo, o nosso José, fugindo da inveja de Herodes, levou Cristo para o Egito”.

Beato João Paulo II: “Precisamente em vista da sua contribuição para o mistério da Encarnação do Verbo, José e Maria receberam a graça de viverem juntos o carisma da virgindade e o dom do matrimônio. A comunhão de amor virginal de Maria e José, embora constitua um caso muito especial, ligado à realização concreta do mistério da Encarnação, foi todavia um verdadeiro matrimônio” (cf Exort. Apost. Redemptoris custos, 7).

São José é o patrono da boa morte: Santa Teresa, narrando a morte de suas filhas, devotas do Santo, dizia: “Tenho observado que, no momento de exalar o último suspiro, gozavam inefável paz e tranqüilidade; sua morte assemelhava-se ao doce repouso da oração. Nada indicava que estivessem interiormente agitadas por tentações. Essas divinas luzes me libertaram o coração do temor da morte. Morrer parece-me agora o que há de mais fácil para uma alma fiel”.

 

Liturgia:
O Papa Pio IX, no dia 8 de dezembro de 1870, declarou o glorioso São José, Padroeiro da Igreja Católica. Este mesmo Papa, em 08/12/1854, já tinha proclamado solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

Em 1956, o papa Pio XII (1939-1958) instituiu a festa de São José Operário, a ser celebrada em rito duplo de primeira classe no dia 1º de maio, Dia Universal do Trabalho.

O Papa Leão XIII, no dia 15/8/1899, assinava a Encíclica “Quanquam Pluries” sobre São José, nos tempos difíceis da virada do século.
“Assim como Deus constituíra o antigo José filho do antigo patriarca Jacó, para presidir em toda a terra do Egito, a fim de conservar o trigo para os povos; assim, chegada à plenitude dos tempos, estando para enviar a terra o seu Unigênito Filho para redenção do mundo, escolheu outro José, de quem o primeiro era figura; constituiu-o Senhor e Príncipe de sua casa e de sua possessão, e elegeu-o custódio de seus principais tesouros.”


Orações a São José
COROA DAS SETE DORES E GOZOS DE SÃO JOSÉ
    Dor de pensar em deixar Maria, gozo em receber a mensagem do Anjo. Pai Nosso e Ave Maria.
    Dor de ver Jesus nascer na gruta de Belém, gozo ao vê-Lo adorado pelos Anjos, pastores e reis magos. Pai Nosso e Ave Maria.
    Dor de derramar o sangue do Menino Jesus na circuncisão; gozo ao dar-lhe o nome de Jesus. Pai Nosso e Ave Maria.
    Dor ao ver a espada de Simeão apresentada a Maria; gozo ao ver Ana e Simeão louvando o Menino. Pai Nosso e Ave Maria.
    Dor do desterro para o Egito; gozo ao ver os ídolos caírem dos pedestais. Pai Nosso e Ave Maria.
    Dor de não poder voltar para Jerusalém, gozo ao voltar para Nazaré. Pai Nosso e Ave Maria.
    Dor da perda de Jesus em Jerusalém aos 12 anos; gozo ao encontra-lo entre os doutores. Pai Nosso e Ave Maria.


Oração
Ó glorioso Patriarca São José, animado de uma fé viva, chego ao vosso trono de glória, em que firmíssimamente Deus vos colocou pelos méritos de Jesus e de Maria, por vossos especiais méritos e virtudes. Eu vos peço que me alcanceis a graça de livrar-me dos sete pecados capitais, e que fique firme e constante nas virtudes a eles contrárias, e adornado dos sete dons do Espírito Santo, e que ame com fervor a Jesus e a Maria. E para mais obrigar vosso compassivo coração, lembro-vos as sete maiores dores.

 

Consagração a SÃO JOSÉ

Glorioso São José, digno de ser entre os santos com especialidade venerado, amado e invocado, pelo primor de vossas virtudes, eminência de vossa glória e poder de vossa intercessão, perante a Santíssima Trindade, perante Jesus, vosso filho adotivo, e perante Maria, vossa castíssima Esposa, minha Mãe terníssima, tomo-vos hoje por meu advogado junto de ambos, por meu protetor e pai, proponho firmemente nunca esquecer-me de Vós, honrar-vos todos os dias que Deus me conceder, e fazer quanto em mim estiver, para inspirar vossa devoção aos que estão a meu encargo. Dignai-vos vo-lo peço ó pai do meu coração, conceder-me vossa especial proteção e admitir-me entre vossos mais fervorosos servos. Em todas as minhas ações assisti-me, junto de Jesus e Maria favorecei-me, e na hora da morte não me falteis, por piedade. Amém.

SÃO LUÍS ORIONE, Presbítero e Fundador



Simples sacerdote e de família humilde como Dom Bosco - do qual foi aluno - Dom Orione maravilhou a Igreja e o mundo inteiro com sua santidade, seu zelo apostólico, suas inumeráveis obras em benefício dos meninos pobres e de toda espécie de pessoas necessitadas.

O lema por ele adotado, "Renovar tudo em Cristo", se desdobra historicamente neste: "Renovar tudo na Igreja"; e, na via da ação, pode ser formulado também assim: "Renovar tudo na caridade".

Como o Divino Mestre, "passou pelo mundo fazendo o bem". E, chegada a hora de apresentar-se ao Supremo Juiz, entregou serenamente a alma a Deus, deixando escapar de seus lábios estas palavras carregadas de júbilo e de esperança: "Jesus! Jesus! Estou indo”.



"Faremos dele um general!"

Em Pontecurone, uma vila no Norte da Itália, nasceu Luís Orione no dia 23 de junho de 1872, numa dependência da  casa campestre do Ministro Urbano Rattazzi, da qual o casal Vittorio e Carolina Orione eram porteiros.

O Ministro gostava de entreter-se familiarmente com seus empregados. Tomando o pequeno Luís nos braços, disse ao seu pai: "Faremos dele um general!" Essa promessa - uma mera amabilidade do ilustre homem de Estado - realizou-se, entretanto, com toda exatidão, pois o próprio Senhor já havia decidido: "Farei deste menino um grande general”, como veremos mais adiante.

A infância de Luís Orione pode resumir-se em poucas palavras: pobreza, trabalho, piedade e, sobretudo, uma grande vocação.

De 1886 a 1889, ele estudou no Oratório Salesiano de Valdocco, de onde saiu para ingressar no Seminário Diocesano de Tortona. Ainda como seminarista, começou a dedicar-se às obras de ajuda aos mais necessitados, participando da Sociedade de Socorro Mútuo São Marciano e das Conferências Vicentinas. Em julho de 1892, seguindo a trilha de Dom Bosco, abriu seu primeiro Oratório, um local para a educação cristã e de recreação para meninos pobres.

 Fundação do primeiro colégio

Para o seu zelo ardente, isto parecia pouco. Assim, no ano seguinte, fundou um colégio, em regime de internato, para de famílias pobres. Não passava ele então de um seminarista de apenas 21 anos de idade, e sem quaisquer recursos em dinheiro!

Mas a Divina Providência não desampara as almas escolhidas por Ela. As inspira e fortalece para que levem adiante grandes obras. Ao contratar o aluguel do imóvel para o colégio, o proprietário exigiu pagamento adiantado do primeiro ano letivo: 400 liras. Orione não dispunha de um centavo sequer, mas garantiu ao homem: "A Providência resolverá". Saiu dali, dirigindo-se para a Catedral. No caminho, foi interrompido por uma velhinha:

- Onde vai, Orione?
- Estou abrindo um colégio - respondeu ele.
- Que bom! Posso pôr meu neto no seu colégio? Quanto o senhor me cobra?
- Pague o que a senhora puder. - Eu tenho 400 liras que economizei para a educação do meu neto... São suficientes para quanto tempo?
 - 400 liras! Seu neto poderá ficar no colégio durante todo o tempo de seus estudos! - exclamou Dom Orione.

Voltando imediatamente, fez ao proprietário o pagamento exigido para o primeiro ano de locação. Assim começou essa grandiosa obra que em menos de meio século difundiu seus benefícios por inúmeros países.


Ordenado sacerdote, começa a formar seu "exército".

Em 13 de abril de 1895, Dom Orione foi ordenado sacerdote. Neste mesmo dia, entregou a batina clerical a seis alunos de seu colégio que tinham vocação sacerdotal. E em pouco tempo abriu novos colégios em Mornico, em Noto, em Sanremo e em Roma.

Dom Orione tinha, de fato, valiosos dotes de general. Logo uniu a si os padres e seminaristas que, sob seu comando, constituíram o primeiro núcleo de uma pujante família religiosa: a Pequena Obra da Divina Providência.


São Luís Orione descendo o Monte Soratte (Viterbo)
após uma visita sua aos eremitas da Pequena Obra
da Divina Providência.

Em março de 1903, o Bispo Dom Igino Bandi deu aprovação canônica à nova Congregação, que se propunha "trabalhar para levar os pequenos, os pobres e o povo à Igreja e ao Papa, mediante obras de caridade". Além dos três votos habituais - pobreza, obediência e castidade - o amor dos Orionitas à Cátedra de Pedro levou-os a desejar um quarto voto: o de "especial fidelidade ao Papa".

A seu tempo, foram surgindo os novos ramos da Família Orionita: além dos padres, as religiosas, os eremitas da Divina Providência. Em seguida, as Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade, às quais se associaram as Irmãs Sacramentinas Adoradoras e, algum tempo depois, as Contemplativas de Jesus Crucificado.

O Pe. Orione organizou também diversos grupos de leigos, de ambos os sexos, os quais, mais tarde, constituíram o Instituto Secular Orionita (ISO) e o amplo leque de associações do Movimento Laical Orionita (MLO).



Um coração desejoso de abarcar o mundo inteiro

Relicário com o coração incorrupto de São Luís Orione

Depois da primeira Grande Guerra (1914-1918), multiplicaram-se as escolas, colégios, colônias agrícolas, obras e sociais. Entre as muitas obras, as mais características foram os "Pequenos Cotolengos", institutos localizados nas periferias das grandes cidades para acolher os mais necessitados e abandonados.

O zelo apostólico de Dom Orione cedo se manifestou com o envio de missionários ao Brasil, à Argentina, ao Uruguai, ao Chile, à Palestina, à Polônia, a Rodes, aos Estados Unidos, à Inglaterra e à Albânia. Tudo isso até o ano de 1936.

Além de grande pregador, Dom Orione foi exímio confessor, organizador de peregrinações e de missões populares. Grande devoto de Nossa Senhora, propagou de todos os modos a devoção mariana.


São Luís Orione, sempre sorridente.

Ao longo de sua vida, Dom Orione recebeu demonstrações de estima e confiança de Papas e de autoridades civis, que o incumbiram de missões importantes e delicadas, em difíceis situações de relacionamento entre a Igreja e a Sociedade civil.

Em 1940, com sua obra espalhada por vários continentes, o Pe. Orione foi atacado de grave enfermidade cardíaca, sendo obrigado a submeter-se a tratamentos médicos. Apenas três dias depois, faleceu serenamente, pronunciando estas curtas palavras: "Jesus! Jesus! Estou indo."



Seu corpo foi sepultado na cripta do Santuário da Guarda e encontrado incólume 25 anos depois, em 1965. João Paulo II declarou-o Bem-Aventurado em 1980.



Corpo incorrupto de São Luís Orione