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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Beato João Antônio Farina, Bispo e Fundador (será canonizado em novembro de 2014)


Sacerdote de extraordinária espiritualidade e de grande generosidade apostólica, João Antônio Farina pode ser considerado um dos mais insignes Bispos dos anos Oitocentos. Foi o Fundador das Irmãs Mestras de Santa Dorotéia Filhas dos Sagrados Corações, que trabalham atualmente em várias partes do mundo com atividades educacionais, assistenciais e pastorais.

Nascido em Gambellara (Província de Vicenza) em 11 de maio de 1803, filho de Pedro e de Francisca Bellame, João Antônio Farina recebeu a primeira formação das mãos de seu tio paterno, um santo sacerdote que foi para ele verdadeiro mestre de espírito e também seu preceptor, uma vez que, naquela época, não havia escolas públicas nas pequenas localidades. Aos quinze anos, entrou para o Seminário Diocesano de Vicenza, onde frequentou todos os cursos, distinguindo-se pela bondade de alma e por uma particular aptidão para os estudos. Aos 21 anos, enquanto ainda frequentava a Teologia, foi designado professor no Seminário, revelando excepcionais dotes de educador.

Em 14 de janeiro de 1827, foi ordenado sacerdote e, logo em seguida, conseguiu o diploma de habilitação para o ensino nas escolas elementares. Nos primeiros anos, de ministério, exerceu várias funções: o magistério no Seminário por dezoito anos, a capelania de São Pedro em Vicenza por dez anos e a participação em várias instituições culturais, espirituais e caritativas da cidade, entre as quais a direção da escola pública elementar e do liceu.

Em 1831, deu início, em Vicenza, a primeira escola popular feminina e, em 1836, fundou as Irmãs Mestras de Santa Dorotéia Filhas dos Sagrados Corações, um instituto das «mestras de comprovada vocação, consagradas ao Senhor e dedicadas inteiramente a educação das meninas pobres». Logo ele quis que as suas religiosas se dedicassem também às meninas de famílias abastadas, às surdas-mudas e às cegas. Enviou-as em seguida para a assistência aos doentes e aos idosos nos hospitais, asilos e nos domicílios Em 1° de março de 1839, conseguiu do Papa Gregório XVI o Decreto de Louvor. As Regras que elaborou permaneceram em vigor até 1905, quando o Instituto foi aprovado pelo Papa Pio X, que fora ordenado Sacerdote pelo próprio Bispo Dom Farina.

Foto rara do beato (futuro santo)
Em 1850, foi eleito Bispo de Treviso, tendo recebido a consagração episcopal em 19 de janeiro de 185l. Nesta Diocese, desenvolveu uma multiforme atividade apostólica: iniciou imediatamente a visita pastoral e organizou em todas as paróquias, associações para a ajuda material e espiritual aos indigentes, o que lhe mereceu ser chamado de «o Bispo dos pobres». Incrementou a prática dos exercícios espirituais e a assistência aos sacerdotes pobres e enfermos. Cuidou da formação doutrinal e cultural do clero e dos fieis, da instrução e da catequese da juventude. Todo o decênio de seu episcopado em Treviso foi perturbado por questões jurídicas com o Cabido da Catedral, questões que lhe causaram profundo sofrimento e interferiram na concretização do seu programa pastoral, ficando muitas iniciativas, a ponto de impedir a celebração do Sínodo diocesano.

Em 18 de junho de 1860, foi transferido para a sede episcopal de Vicenza, onde pôs em marcha um vasto programa de renovação e desenvolveu uma impressionante obra pastoral, orientada para a formação cultural e espiritual do clero e dos fiéis, para a catequese das crianças, para a reforma dos estudos e da disciplina no Seminário. Convocou o Sínodo diocesano, que não se celebrava desde 1689. Na visita pastoral, percorreu algumas vezes vários, quilômetros a pé ou em lombo de mula, para alcançar até mesmo lugarejos de montanha que jamais tinham visto um Bispo. Instituiu numerosas irmandades para a assistência aos pobres e aos sacerdotes idosos e para a pregação de exercícios espirituais ao povo. Incrementou uma profunda devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a Nossa Senhora e à Eucaristia. Entre dezembro de 1869 e junho de 1870, participou do Concilio Vaticano I, onde esteve entre os que apoiavam a definição dogmática da Infalibilidade Pontifícia.


Os últimos anos de sua vida foram assinalados por abertos reconhecimentos de sua atividade apostólica e de sua caridade, mas também por agudos sofrimentos e por injustas acusações diante das quais reagiu com o silêncio, com a tranquilidade interior e o perdão, com a fidelidade à própria consciência e à regra suprema da «salvação das almas”. Depois de uma primeira grave enfermidade em 1886, suas forças físicas se debilitaram gradativamente, até ao ataque de apoplexia que o levou à morte, em 4 de março de 1888.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Venerável Servo de Deus John Fulton Sheen, Bispo (Apóstolo da Televisão)



Um pouco de sua vida

O bispo americano John Fulton Sheen nasceu em oito de maio de 1895 e foi muito conhecido por suas pregações e principalmente pelo trabalho na televisão e no rádio, onde sua maneira de pregar a Palavra de Deus lhe permitiu converter milhares de pessoas, incluindo muitas pessoas famosas.

Além disso, ele é autor de 73 livros e vários trabalhos acadêmicos. Ele é considerado o maior comunicador do século XX. Nasceu em El Paso, Illionis, sendo o mais velho dos quatro filhos de um fazendeiro. Ele ficou conhecido como Fulton (nome de solteira de sua mãe), mas foi batizado como Peter John Sheen.

Quando criança, contraiu tuberculose. Então, a família mudou-se para próximo de Peoria, Illinois, onde Sheen foi coroinha. Ele foi ordenado sacerdote em 1919, no Saint Paul's Seminary em Minnesota.

Estudou na Universidade Católica da América e depois fez doutorado em Filosofia pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, em 1923. No mesmo ano ele ganhou o prêmio “Cardeal Mercier”, um prêmio internacional de Filosofia, sendo o primeiro americano a ganhar essa distinção. Em 1930 começou um programa de rádio semanal no domingo à noite, às 20h00min, chamado “A Hora Católica”.

Grande pregador católico
Por duas décadas (o programa durou até 1957) ele teve uma grande audiência, de mais de quatro milhões de ouvintes semanalmente, competindo com grandes artistas como Frank Sinatra e Milton Berle. Em 1952 ganhou o prêmio “Emmy” de Personalidade mais Vista na Televisão. Mas o Bispo Sheen dizia que eram Mateus, Marcos, Lucas e João os grandes responsáveis pelo seu sucesso.
O bispo Sheen é conhecido como um dos primeiros “televangelistas”. Ele ensinou teologia e filosofia, executando também a função de pároco, antes de ser nomeado Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Nova York em 1951, função que executou até o ano de 1965.
Em 1966 foi nomeado Bispo de Rochester, onde ficou por três anos, antes de renunciar e ser nomeado Arcebispo Titular da Sé de Newport, no País de Gales pelo papa Paulo VI. Esta função lhe permitiu continuar com sua obra de pregação.


Fulton Sheen em seu famoso programa
"Vale a Pena Viver", que gozava de grande
audiência em todo o país (EUA)
O dom de comunicar a Palavra
O Bispo Sheen tinha o dom de comunicar a palavra de Deus na forma mais pura e simples. A Revista Time se referiu a ele em 1946 como “Voz de ouro”. “O Mons. Fulton Sheen é o mais famoso pregador do catolicismo nos EUA”. Em 1951, iniciou um programa semanal na televisão “Vale a Pena Viver”. O programa consistia simplesmente no fato do bispo Sheen falar na frente de uma plateia ao vivo. Ele falava sobre temas atuais, como os males do comunismo e o uso da psicologia, muitas vezes usando um quadro-negro.

Além disso, também dedicou sua energia em atividades políticas, denunciando a Guerra do Vietnã. Uma de suas melhores apresentações aconteceu em fevereiro de 1953, quando ele denunciou o regime soviético de Joseph Stalin. Ele fez uma leitura dramática da cena do enterro de Júlio César, substituindo os nomes de César, Cassio, Marco Antônio e Brutus pelos nomes de importantes líderes soviéticos: Stalin, Lvreenty Beria, Georgy Malenkov e Andrey Vishinski, concluindo: “Stalin, um dia você terá de cumprir o seu julgamento”.

Encontro com São João Paulo II em 1979. 
O maior elogio de todos!
O Bispo Sheen ganhou o seu maior elogio em outubro e 1979, quando o Papa João Paulo II abraçou-o na Catedral de São Patrício em Nova York.

O Papa lhe disse: “Você tem escrito e falado muito bem do Senhor Jesus. Você é um filho fiel da Igreja”. Com esse lindo aviso o Bispo Sheen foi para a vida eterna em 09 de dezembro de 1979, falecendo de doença cardíaca. Em 14 de Setembro de 2002 a Congregação para as Causas dos Santos abriu oficialmente a causa do Arcebispo Sheen e lhe concedeu o título de “Servo de Deus”.

E atualmente está em curso o processo para sua canonização.

Alguns livros de sua autoria:
* Deus e Inteligência em Filosofia Moderna (1925); * As sete últimas palavras (1933); * Filosofia da Ciência (1934); * O Eterno Galileu (1934); * Calvário e a Missa (1936); * A Cruz e as bem-aventuranças (1937); * Sete Palavras de Jesus e Maria (1945); * O comunismo e a consciência do Ocidente (1948); * Caminho para a Felicidade (1953); * Caminho para a Paz Interior (1955); * Vida de Cristo (1958); * Missões e a crise mundial (1963); O Terço Missionário: O terço missionário foi uma ideia do bispo americano Fulton Sheen.

Ele percebeu que temos cinco mistérios e cinco continentes, então escolheu para cada continente uma cor que, de certa forma, lembrasse alguma característica do mesmo. Desse moto, ao rezar o mistério estamos pedindo por todas as pessoas que vivem nesse continente.



Algumas frases do Bispo Fulton Sheen:

"Não existem mais de 100 pessoas neste mundo que realmente odeiem a Igreja Católica, mas há milhões que odeiam o que eles pensam ser a Igreja Católica."


Um indivíduo importuno fez uma pergunta ao Bispo Sheen sobre alguém que havia morrido. O Bispo respondeu: "Vou perguntar a ele quando eu chegar ao céu". O chato replicou: "E se ele não estiver no Céu?". O Bispo respondeu: "Bom, então você pergunta a ele".

Um homem disse ao Bispo Sheen que não acreditava no inferno. O Bispo respondeu: “Você vai acreditar quando chegar lá”.

Há três doces monotonias em Sua vida (a vida de Cristo): Trinta Anos obedecendo, Três Anos ensinando, Três Horas redimindo.

"Se alguém entre nós pudesse ter feito sua própria mãe, nós a teríamos feito a mulher mais bonita do mundo. Cada mãe, quando pega a jovem vida que nasceu dela, ergue os olhos para o Céu a fim de agradecer a DEUS pelo dom que fez o mundo rejuvenescer novamente. Mas existe uma Mãe, Maria, que não ergueu os olhos. Ela baixou os olhos para o Céu, pois era o Céu que estava em seus braços."

"Nossos cérebros são suficientemente grandes hoje em dia. Poderia ser verdade que nossos corações estão pequenos demais?"

"Não podemos gostar de todo mundo, mas podemos amar todo mundo."


 




Por amor a Jesus Sacramentado

Uma história sobre o verdadeiro valor e zelo que devemos ter pela Eucaristia Alguns meses antes de sua morte, o Bispo Fulton J. Sheen foi entrevistado pela rede nacional de televisão: "Bispo Sheen, milhares de pessoas em todo o mundo procuram imitar o exemplo de vossa eminência. Em quem o senhor se inspirou? Foi por acaso em algum Papa?".

O Bispo Sheen respondeu que sua maior inspiração não foi um Papa, um Cardeal, ou outro Bispo, sequer um sacerdote ou freira. Foi uma menina chinesa de onze anos de idade. Explicou que quando os comunistas apoderaram-se da China, prenderam um sacerdote em sua própria reitoria, próximo à Igreja. O sacerdote observou assustado, de sua janela, como os comunistas invadiram o templo e dirigiram-se ao santuário. Cheios de ódio profanaram o tabernáculo, pegaram o cálice e, atirando-o ao chão, espalharam-se as hóstias consagradas. Eram tempos de perseguição e o sacerdote sabia exatamente quantas hóstias havia no cálice: trinta e duas. Quando os comunistas retiraram-se, talvez não tivessem percebido, ou não prestaram atenção, a uma menininha, que rezando na parte detrás da igreja, viu tudo o que ocorreu.

À noite, a pequena regressou e, escapando da guarda posta na reitoria, entrou no templo. Ali, fez uma hora santa de oração, um ato de amor para reparar o ato de ódio. Depois de sua hora santa, entrou no santuário, ajoelhou-se, e inclinando-se para frente, com sua língua recebeu Jesus na Sagrada Comunhão. (Naquele tempo não era permitido aos leigos tocar a Eucaristia com suas mãos). A pequena continuou regressando a cada noite, fazendo sua hora santa e recebendo Jesus Eucarístico na língua. Na trigésima noite, depois de haver consumido a última hóstia, acidentalmente fez um barulho que despertou o guarda. Este correu atrás dela, agarrou-a, e golpeou-a até mata-la com a parte posterior de sua arma. Este ato de martírio heroico foi presenciado pelo sacerdote enquanto, profundamente abatido, olhava da janela de seu quarto convertido em cela.

Quando o Bispo Sheen escutou o relato, inspirou-se de tal maneira que prometeu a Deus que faria uma hora santa de oração diante de Jesus Sacramentado todos os dias, pelo resto de sua vida. Se aquela pequena pôde dar testemunho com sua vida da real e bela Presença do seu Salvador no Santíssimo Sacramento então, o bispo via-se obrigado ao mesmo. Seu único desejo desde então seria atrair o mundo ao Coração ardente de Jesus no Santíssimo Sacramento. A pequena ensinou ao Bispo o verdadeiro valor e zelo que se deve ter pela Eucaristia; como a fé pode sobrepor-se a todo medo e como o verdadeiro amor a Jesus na Eucaristia deve transcender a própria vida.

O que se esconde na Hóstia Sagrada é a glória de Seu amor. Todo o mundo criado é um reflexo da realidade suprema que é Jesus Cristo. O sol no céu é apenas um símbolo do filho de Deus no Santíssimo Sacramento. É por isso que muitos sacrários imitam os raios de sol. Como o sol é a fonte natural de toda energia, o Santíssimo Sacramento é a fonte sobrenatural de toda graça e amor.




Resumo de um artigo "Let the Son Shine" pelo Rvd. Martin Lucia



Fulton Sheen tinha um extraordinário dom para a comunicação. Explicava de forma simples, clara e transparente, sem deixar de ser profundo, as verdades da fé, moral e doutrina católicas. 




Venerável Fulton Sheen, Bispo, o pioneiro da "tele-evangelização"

terça-feira, 17 de junho de 2014

Serva de Deus Aléxia González-Barros, Virgem (faleceu em odor de santidade aos 14 anos, vitimada por um câncer ósseo na coluna vertebral).




Alexia González-Barros, uma menina espanhola que viveu sua enfermidade -um tumor na coluna vertebral- com uma grande alegria, fé e força. Alexia faleceu em 1985 quando tão somente contava com 14 anos e em 1993 se abriu seu processo de beatificação.

Alexia Gonzalez-Barros e Gonzalez nasceu em Madri no dia 7 de março de 1971. Era a filha caçula de sete irmãos. Seus pais, Francisco e Moncha, a educaram desde pequena em um clima de liberdade, carinho e alegria.

Foi uma menina normal e divertida. Fez sua Primeira Comunhão em 08 de maio de 1979 em Roma, junto ao lugar onde repousam os restos mortais de São Josemaría Escrivá (fundador do Opus Dei), a quem tinha muito carinho e devoção.

No dia seguinte de sua Primeira Comunhão, em 09 de maio de 1979, se acercou de São João Paulo II durante uma audiência pública no Vaticano. O Papa a abençoou e lhe deu um beijo na fronte.

 Levou uma vida normal, estudava, fazia planos com suas amigas, veraneava com sua família e seus avós. Teve a oportunidade de peregrinar com seus pais e seus irmãos à Terra Santa.

Esteve em Belém, onde cumpriu um de seus grandes desejos: beijar o lugar onde nasceu Jesus.
Em fevereiro de 1985, descobriu um tumor maligno que a deixou paralítica em muito pouco tempo. Tinha só 13 anos de idade. Foi submetida a dolorosos tratamentos e quatro intervenções cirúrgicas em somente dez meses.

Tudo enfrentou com paz e alegria. Aceitou sua enfermidade desde o início e ofereceu seu sofrimento pela Igreja, pelo Papa e por todas as almas. Faleceu em Pamplona, rodeada por sua família, em 05 de dezembro de 1985.

Foto de Aléxia com sua mãe após a quarta cirurgia. 
Seus vários biógrafos narram que sua força, paz e alegria foram constantes ao longo da doença, como resultado de sua fé e educação religiosa.

Segundo contam alguns, ela aceitou a sua doença, e decidiu, já, oferecer seu sofrimento e limitações físicas para a Igreja, para o Papa e para os outros:


 “Jesus, eu quero ficar boa, quero me curar, mas se você não quiser, eu quero o que você quiser”, diz Alexia.


Corpo de Aléxia após sua santa morte

Local onde repousam os restos mortais de Aléxia

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Venerável Serva de Deus Maria Felícia de Jesus Sacramentado ("Chiquitunga"), carmelita descalça.


Dois fatores foram determinantes para Maria Felícia: a família com os seus valores humanos [1] e o Colégio Católico das Filhas de Maria Auxiliadora, com a sua formação solidamente religiosa. No contato com a exposição elementar do mistério Cristão juntamente com os relatos dos santos jovens Laura Vicuña e Domingos Sávio, despertaram em Felícia o «amor cristão» a Jesus e fizeram dela uma pequena heroína da caridade. Podemos narrar apenas um caso: «Certa vez, o pai ofereceu a Felícia e à sua irmãzinha mais pequena umas capinhas muito bonitas que estriaram num dia frio. Mª Felícia regressou do Colégio regelada...que tinha acontecido? Naquele dia Felícia viu que uma das suas coleguitas tremia de frio pelo pouco agasalho que tinha...não pensou duas vezes e desprendeu-se da capa e cobriu a outra criança. Depois em casa diante da advertência paterna, Felícia respondeu ao pai: «Já vês paizinho, que não sinto frio... – repetis ela (ante a advertência do pai), passando as mãozinhas pelos braços descobertos...Numa outra ocasião aconteceu algo semelhante com os seus sapatos: «Certo dia ela chegou a casa muito feliz com as sandálias de uma criança a quem havia oferecido os seus sapatos. Então já teria os seus 6 anos» – recorda pensativa a sua mãe...

Contudo, não se pense que era um anjinho... Não! Era muito viva e brincalhona...um diabinho. Certo dia – já tinha 8 anos, estando na escola e desde o seu lugar que ficava junto à janela que dava para a rua, para tentar a Religiosa, pôs-se a fazer gestos como quem estava a falar com alguém escondido na parte de fora. A Irmã saiu intrigada e... Não havia ninguém!»

1ª Comunhão: 8 de Dezembro de 1933. Escreve ela alguns anos mais tarde: «Nunca se apagará do meu pensamento a recordação do dia mais feliz da minha vida, o dia da minha primeira União com o meu Deus e este dia é o ponto de partida da minha resolução de ser cada dia melhor ». Sabemos que a Serva de Deus desde esse dia começou a aproximar-se muito frequentemente da Eucaristia, incluso diariamente e isto apesar da resistência do pai que não lhe agradava que ela fosse à Missa todos os dias.

Aos 16 anos ingressa na Ação Católica. A Ação Católica foi a grande escola de santidade e apostolado de Felícia, conhecida pelo nome familiar de «Chiquitunga». Nela se formou como cristã e nela aprendeu a ser apóstolo. Os 9 anos de Ação Católica em Villarrica, foram os de maior atividade na sua formação pessoal espiritual, teológica e apostólica. Alguns temas desenvolvidos nessas reuniões (vida interior, apostolado, sacerdócio) tiveram grande influência poderosa no crescimento espiritual da Serva de Deus como leiga. Foi formada na Ação Católica; e foi formadora na mesma.

IDEAL: O ideal que polarizava o ser inteiro da Serva de Deus aos seus 16 anos não era uma ideia, nem um programa, mas uma Pessoa: JESUS CRISTO. Isto é já bem evidente. A sua relação com ELE, desde a 1ª Comunhão era alimentada pela oração e especialmente junto do Sacrário. O «exercício» desse Amor era o que constituía a sua Vida espiritual. O seu centro vital era a Eucaristia diária. Diariamente rezava os 15 Mistérios do Rosário...

ANOS DÍFÍCEIS: (1947-1949) – a cruenta guerra civil teve como epílogo a repressão e o exílio da oposição. Um dos exilados foi o Pai de Felícia. Maria Felícia, durante o exílio do pai «fez o papel de pai para nós – recordam os seus irmãos – suprindo – o e comunicando-se com ele através de cartas...» Aos seus 22 anos Mª Felícia já tinha assumido todos os assuntos da casa, como uma mulher madura. Hipotecaram a casa familiar e tanto ela como sua mãe trabalharam no duro para conseguirem arranjar o dinheiro necessário para levantar a hipoteca. E conseguiram-no!

Felícia, para com esses contrários políticos que tanto perseguiam o seu apelido (Guggiari) “liberal” só tinha palavras de perdão. E para inculcá-lo aos demais compõe umas poesias que diziam claramente:
]
«Estendei a mão ao vosso adversário

O vosso adversário tradicional»


Maria Felícia (Chiquitunga): uma jovem cheia
de alegria, pois, também cheia do amor de Deus
Jesus é o centro do seu amor. Todavia não havia experimentado o atrativo poderoso de um “enamoramento humano”. Na verdade ela dizia muitas vezes: «Que bom seria ter um amor humano, renunciar a ele e, juntos imolá-lo ao Senhor pelo IDEAL!» Um dia isto foi realidade...

O Pai de Maria Felícia seguia opondo-se às lides apostólicas da filha... e isto chegou a manifestações de atitudes violentas por parte do mesmo, assim como de outras pouco compreensivas por parte dos restantes familiares. Isto só não quebrou a boa harmonia familiar pela bondade, humildade e paciência infinita da Serva de Deus.

Dizem testemunhas de Maria Felícia nesta época: Chiquitunga era a amiga e companheira ideal... Expansiva, generosa e sabia divertir-se e divertir os outros, sem perder de vista a sua renuncia às vaidades nem a sua entrega radical a Jesus e ao apostolado.».

AMOR HUMANO: Numa assembleia de estudantes da Ação Católica, teve o encontro ocasional com um jovem estudante de medicina. Este jovem deu uma conferência, e num intervalo, a jovem Felícia, famosa em toda a Ação Católica do Paraguai, foi-lhe apresentada. Felícia sentiu uma viva sintonia com ele. Esta comunhão profunda de ideais produziu uma profunda empatia entre os dois e um grande afeto e amizade. Os dois começaram a sair juntos para as lides apostólicas e isto alegrou o pai dela. Os dois estavam enamorados.

Ante este fenômeno inesperado, ela perguntava-se: «que significará este amor humano?» e recordando o compromisso com Jesus um dia disse ao jovem: «olha... vamos ser dois grandes amigos...mais do que isso não!»»... pois era necessário discernir a vontade de Deus e em consequência havia que esperar...

Eis que em Maio de 1951, o jovem – Ângelo – confiou-lhe o segredo do seu desejo em tornar-se Sacerdote...

A amizade entre ambos orientou-se decididamente para Cristo. Um dia em que os dois doaram sangue a um doente terminal, Maria Felícia diz a Ângelo: «O nosso sangue que deveria misturar-se nas veias de um filho, misturou-se no coração de um pobre!...». Um dia Felícia escreveu: «Foi o dia da nossa feliz decisão – o dia da partida de Ângelo para o estrangeiro com vistas ao Sacerdócio - aceitando o chamamento de Deus. Deus elegeu-me a mim, o mais insignificante membro do Seu Corpo Místico para esta obra maravilhosa: ter um irmão, sacerdote do Senhor e oferecido, por mim, com todas as potencias do meu ser...».

O desejo que ela tinha manifestado tantas vezes: «Que bom seria ter um amor humano, renunciar a ele e, juntos, imolá-lo ao Senhor pelo IDEAL!»»... E isto se cumpriu à letra...

Depois deste profundo golpe afetivo, Maria Felícia volta-se com todas as forças para o ideal de se entregar completamente ao Senhor. Cada vez mais deseja Deus e chega a dizer-lhe: «Senhor, acalma a minha ânsia de amar-Te, amar-Te até ao delírio, amar-te até morrer...!»

Só depois de fazer os Exercícios espirituais de Santo Inácio de Loiola é que Maria Felícia sabe que a Vontade de Deus é que ingresse no Carmelo. A decisão estava tomada!

Podemos referir aqui um facto que mostra a fortaleza e coragem de Maria Felícia em todas as circunstâncias: Conta uma das suas amigas: «Um dia, passando eu pela Praça Uruguaia da nossa capital, de regresso ao local da Ação Católica, encontrei-me com Felícia, que trazia, debaixo do braço vários rolos de cartolina. Quando lhe perguntei o que era aquilo, ela respondeu-me como quem traz um troféu depois do triunfo, que eram os calendários pornográficos que tinha conseguido arrancar das paredes, e posto outros de paisagens e flores, de oficinas de carros, ferragens, arranjo de sapatos e outras coisas semelhantes... Tais calendários pornográficos estavam a cargo de homens rudes e até violentos às vezes. Quando escutei semelhante coisa, perguntei-lhe como é que ela se animava a tal coisa e como é que não tinha medo daqueles homens...em seguida acrescentei: «eu não me animava a fazê-lo!» ao que ela respondeu: Se eu me animo, porque é que não te ias animar tu?»

Maria Felícia no dia que entrou para o Carmelo
Descalço. 
ENTRADA NO CARMELO: O seu pai permanece inflexível, só em Dezembro de 1954 é que cedeu... Ao receber o «sim» tão desejado de seu pai, Maria Felícia «expressou o seu contentamento com delirante alegria» conta o seu irmão - e correu a anunciar às Madres Carmelitas a boa notícia. Felícia cumpria 30 anos no dia 12 de Janeiro de 1955, dia em que fez a despedida da sua família já que a sua entrada no Carmelo havia ficado marcada para o dia 2 de Fevereiro.

A sua felicidade era imensa ao sentir-se mergulhada no silencio contemplativo do Amor. Ao aproximar-se a Tomada de Hábito, Felícia entra numa noite escura espessa que a crucifica sem piedade... E perguntava-se: «será que Deus me quer no Carmelo quando há tanto, tanto que evangelizar no mundo?» Sentia a angústia de se estar a atraiçoar a si mesma, convencida de que não tinha vocação. Deveria sair, mas se não sai é por cobardia - pensava ela.

Diante desta insegurança prolongada o confessor exigiu-lhe uma decisão final. Ela então sugeriu «deitar à sorte» e o confessor aceitou. A Prioresa submeteu-se ao procedimento. Escreveram 2 papeis. Oraram as duas: Prioresa e Postulante, diante do Sacrário e logo Maria Felícia, aos pés da imagem de Maria tirou um dos papeis e levou-o ao confessor. Dizia: «Quero morrer no Carmelo» ... Assim triunfou e sossegou Felícia confiando-se à Vontade de Deus. No dia 13 de Agosto, sem sair da noite escura, mas já fortalecida e pacificada manifesta «desejos grandíssimos de fazer a Vontade de Deus e nada mais!» . Comenta uma das Irmãs: «O 1º milagre de Maria Felícia foi o seu pai confessar-se e comungar quando ela entrou no Carmelo!» Sabemos bem as ideias políticas que ele tinha...e a indiferença e frialdade em relação a tudo quanto se referia a Religião.

Irmã Maria Felícia no dia que foi revestida
de seu hábito religioso. 
Maria Felícia sempre tão alegre e pacificada, assumiu a sua vida como uma missa oferecida pelo seu amigo sacerdote e por todos os sacerdotes do mundo inteiro. Era uma verdadeira enamorada de Jesus Eucaristia!

Em Janeiro de 1959 foi atacada pela hepatite. A sua doença foi ocasião propícia para mostrar a sua íntima adesão à Vontade do pai, a sua alegria em configurar-se com Jesus. Uma das suas companheiras recorda o momento da sua partida para o Hospital: A serva de Deus, sorridente - como sempre - e serena «parecia estar consciente de que estava nos seus últimos momentos; via-se que estava em posse da paz, tranquila e feliz.»

Ao ver-se desterrada do seu querido Carmelo, escreveu 8 cartas à sua Prioresa. Preciosas pelo seu conteúdo!

Dia 4 visita-a o Padre Provincial...e ao sair este declara: «É outra Teresinha».

A reação de Maria Felícia ante as notícias do seu estado cada vez mais grave eram sempre: « Obrigada Jesus...tudo isto pelos Teus Sacerdotes!»

Desabafava ela: «Tenho sede do Seu Amor! Possuo um desejo estranho de entrega total, de imolação silenciosa e escondida: Sofro - como não sei dar a entender - este desterro. Cada dia me parece mais verdadeira a minha vocação e amo-a como só Deus pode saber!»

Na noite da sua partida entrou em coma várias vezes... E numa das vezes Felícia, ao vir a si, exclamou sorridente: «Jesus está a jogar comigo!»

Finalmente chegou o momento... Seu irmão médico afirma que já morreu. Começam a desligá-la dos aparelhos quando sucedeu o imprevisto: Conta a própria Prioresa: « De repente iluminou-se o rosto de Maria Felícia com um sorriso inexprimível; levantou as mãos que tinha unidas apertando o Crucifixo da Profissão e com voz clara e forte disse: Paizinho querido, sou a pessoa mais feliz do mundo... Se soubesses o que é na verdade a Religião Católica! E terminou dizendo estas palavras: «Jesus! Eu Te amo! Que doce encontro! Virgem Maria!» e placidamente partiu, ficando estampado no seu rosto o seu sorriso característico.

Chiquitunga: a "Teresinha" do Paraguai. 



Felícia tinha um temperamento expansivo, cheio de ardor apostólico, tinha humor e ocorrências graciosas mas o que atraía o olhar dos que a rodeavam era um grande Amor a Jesus. Uma verdadeira enamorada que transbordava alegria a tempo inteiro...


Até chegar a pacificação...travou lutas titânicas contra si mesma, contra a sua sensibilidade e vontade própria...afinal é igual a nós, com um percurso necessário, porque ninguém nasce santo...

Cérebro da Venerável Maria Felícia (Chiquitunga) que permaneceu
inexplicavelmente intacto mesmo muitos anos após sua morte. Todo seu
corpo se consumiu naturalmente, porém, seu cérebro conservou-se
incorrupto dentro da calota craniana. 

Beato José Maria Cassant, Presbítero Trapista


Beato José Maria Cassant, presbítero trapista
José Maria Cassant nasceu no dia 6 de Março de 1878 na localidade de Casseneuil (França), no seio de uma família de arboricultores. Estudou no colégio dos Irmãos de São João Batista de la Salle, com dificuldades crescentes em virtude da falta de memória.

Tendo recebido uma sólida educação cristã, aumentava nele um profundo desejo de se tornar sacerdote. Assim, no dia 5 de Dezembro de 1894 entrou na abadia cisterciense de Santa Maria do Deserto, na Diocese de Tolosa.

Contemplando Jesus na sua Paixão, o jovem monge deixava-se impregnar pelo amor de Cristo. Consciente das suas lacunas e debilidades, confiava única e totalmente em Jesus, que era a sua força.

Pronunciou os votos perpétuos na solenidade da Ascensão e começou a preparação definitiva para o sacerdócio, que considerava em função da Eucaristia, em que Cristo Salvador se entrega inteiramente aos homens, e em cujo Coração traspassado na cruz, recebe todos os que a Ele recorrem com confiança. José Maria recebeu a Ordenação sacerdotal no dia 12 de Outubro de 1902.

Atingido pela tuberculose, o jovem presbítero só revelou os seus sofrimentos quando já não os podia esconder, oferecendo-os sempre por Cristo e pela Igreja e meditando assiduamente sobre a Via-Sacra do Salvador. Seus sofrimentos eram ainda mais agravados pela negligência do “irmão enfermeiro” que deveria cuidar dele. Tudo suportava na mais profunda paz e conformidade com a vontade de Deus.

No leito de morte, afirmou: "Quando não poderei mais celebrar a Santa Missa, Jesus poderá levar-me deste mundo". O Padre José Maria faleceu na madrugada do dia 17 de Junho de 1903, com apenas 25 anos de idade, dos quais 16 transcorridos na discrição em Casseneuil e 09 no claustro de um mosteiro, dedicando-se às coisas mais simples: oração, estudo e trabalho.

Coisas ordinárias, porém, que ele soube viver de maneira extraordinária, com uma generosidade incondicional. Por isso, a mensagem do Padre José Maria é muito atual: num mundo em que reina a desconfiança, que muitas vezes é vítima do desespero, mas que é sequioso de amor e de ternura, a sua vida pode ser uma resposta para quem, sobretudo entre os jovens, se põe em busca de um sentido para a sua vida.

Foi beatificado pelo Papa São João Paulo II no dia 03 de outubro de 2004.