Páginas

sábado, 21 de março de 2015

SANTA ROSA VENERINI, Virgem e Fundadora (das Mestras Pias Venerini).



Santa Rosa Venerini
Nascida em Viterbo, Itália, no dia 09 de fevereiro de 1656. Dotada de inteligência e sensibilidade não comuns, Rosa tinha diante de si as escolhas possíveis à mulher do seu tempo: o matrimônio ou a clausura. Contudo, ela privilegiava as escolhas corajosas, para além dos modelos tradicionais, e na sua interioridade sentia a necessidade de uma alternativa que fosse vantajosa para a sociedade e para a Igreja, mas não conseguia identificá-la
Porém, Deus permitiu que Rosa Venerini vivesse um conflito, bem humano: um jovem apaixonado queria desposá-la, mas o seu desejo era consagrar-se a Deus. 
No Outono de 1676 entrou como externa no Mosteiro Dominicano de Santa Catarina, para conhecer a vida claustral. Em virtude de tristes acontecimentos na família (morte do rapaz pretendente a desposá-la e de seus pais) ocorridos entre 1677 e 1680, teve que regressar a casa.
Tendo ficado sozinha em casa com o irmão Horácio, começou a convidar as jovens e as senhoras da vizinhança para a recitação do Rosário; deu-se conta da pobreza espiritual e cultural difundida na população e compreendeu a necessidade de uma missão mais elevada, ou seja, a urgência de dedicar-se à instrução e à formação cristã das jovens, com uma verdadeira escola. 
Um padre jesuíta, Ventuar Bandinelli, percebendo a sua vocação natural para a religiosidade e para o ensino, abre-lhe as portas da vida religiosa. Rosa não perdeu a oportunidade e deu o primeiro passo, indo viver em comunidade. A 30 de Agosto de 1685, com a aprovação do Bispo de Viterbo, Card. Urbano Sacchetti, junto de mais duas amigas mestras (professoras), cria a primeira escola pública primária para crianças na Itália em 1685. Estava iniciada a sua grande obra.

Porém, as oposições não tardaram a aparecer. Alguns padre acharam que a obra de Rosa agredia a sua autoridade no ensino religioso. Os nobres se posicionavam contra o ensino gratuito dos pobres. Rosa enfrentava uma batalha em nome de Deus e de um ideal. Felizmente, o bispode Montefiascone intervém e a convida para fundar em sua diocese uma nova escola. Para lá Rosa Venerini se dirige, junto de uma colaboradora muito especial: a futura Santa Lúcia Filippini. 
As escolas, então, se expandem e chegam a muitas cidade, inclusive a Roma. Mas os problemas apareceriam novamente. Rosa tem de enfrentar discussões dolorosas, ambições e divisões dentro de sua própria instituição, problemas provocados pela inveja e ganância as pessoas. 
Em 1714 escreveu e publicou um livro intitulado Relazione degli Esercizi que si pratticano in Viterbo nelle Scuole destinate per istruire le Fanciulle nella Dottrina Cristiana, com a finalidade de obter das Autoridades Eclesiásticas a aprovação do seu método educativo.
Em 1716, uma visita do Papa Clemente XI foi o reconhecimento do valor de sua obra. O apoio do Papa foi um fator importante para o desenvolvimento de sua instituição, que na época não era uma congregação, e, agora, é chamada: "Mestras Pias Venerini". 
O fim de sua vida foi marcado por uma doença que a consumiu por quatro anos. Rosa veio a falecer no dia 07 de maio de 1728, com grande fama de santidade, depois de ter fundado cinquenta escolas.  Em 1909, é fundada a primeira Casa nos Estados Unidos. O reconhecimento canônico para essas professoras chegou apenas em 1941, quando, finalmente, se tornam uma Congregação. 
O Papa Pio XII, de venerável memória, bem-aventurada Rosa Venerini em 1952, quando a congregação já operava em muitos países do mundo todo. Suas relíquias estão guardadas na capela da Casa Mãe da Congregação em Roma. 
Em 15 de outubro de 2006, o Papa Bento XVI, na Praça de São Pedro, canoniza Rosa Venerini. 

Beato Mariano de Roccacasale, irmão franciscano.


Nasce no 14 de julho de 1778 em Roccacasale, Áquila, Itália. Batizado com o nome de Domingos, filho de Gabriel De Nicolantonio e Santa De Arcângelo, agricultores e pastores profundamente de fé. Depois de se casaram seus irmãos, permaneceu com seus pais, cuidando do rebanho. A solidão dos campos e montanhas formaram o temperamento do jovem Domingos para a reflexão e o silêncio, fazendo ressonar nele a voz do Senhor: compreendeu que o mundo não era para ele. Tinha então 23 anos. Não podia resistir a esta força interior e decidiu dedicar-se com mais radicalidade ao seguimento de Cristo.
Tomou o hábito franciscano a 02 de setembro de 1802 no convento de Arisquia, com o nome de Frei Mariano de Roccacasale. Feita a profissão religiosa permaneceu aí doze anos. Sua vida se pode resumir em duas palavras: oração e trabalho; eram como duas cordas que vibravam sua existência. Cumpria escrupulosamente os múltiplos encargos que se lhe cofiavam: carpinteiro hábil e valioso, hortelão, cozinheiro, porteiro. Mas sua aspiração à santidade não encontrava em Arisquia o ambiente favorável, não por culpa dos companheiros, ou dos superiores, mas porque aquela época não era propícia para a vida religiosa e os conventos. Com o regresso do Papa a Roma em 1814, a vida conventual pôde renovar-se lentamente em meio de dificuldades sem número. Foram precisos vários anos para que todos os religiosos regressassem aos conventos e a vida de oração e de apostolado voltasse a florescer com regularidade nos claustros.
Nesse momento chegou aos ouvidos de Frei Mariano o nome do Retiro de São Francisco em Bellegra, onde santos religiosos pretendiam instaurar uma vida regular e austera. Pediu aos superiores para ser enviado para lá. Tinha a idade de 37 anos. Pouco depois foi encarregado da portaria, que desempenhou por mais de quarenta anos e que se converteu em seu meio de santidade.
Abre a porta a muitos pobres, peregrinos e viandantes, e converte muitos corações, fechados até então à graça divina. Para todos tinha um sorriso, que acompanhava sempre com a saudação franciscana: “Paz e Bem”; beijava-lhes os pés, os instruía nas verdades da fé e rezava com eles três ave-marias. Depois se ocupava dos corpos: lhes lavava os pés; se fazia frio acendia o fogo e lhes distribuía a sopa, enquanto lhes dava conselhos. Nunca se lamentava do trabalho nem dava sinais de cansaço; sempre afável, sorridente. A fonte de tanta virtude era, sem dúvida, a oração. Todo o tempo livre que lhe sobrava de suas ocupações o dedicava a adoração Eucarística e a participação na Missa. Era também muito devoto da paixão do Senhor. Falece a 31 de maio de 1866, festa de Corpus Christi.






Na sua beatificação, São João Paulo II assim definiu o beato:
“No que se refere à vida e à espiritualidade do Beato Mariano de Roccacasale, religioso franciscano, pode-se dizer que elas se resumem emblematicamente nos votos do Apóstolo Paulo à comunidade cristã dos Filipenses: “O Deus da paz estará convosco!” (4, 9). A sua vida pobre e humilde, vivida nas pegadas de Francisco e de Clara de Assis, foi constantemente dedicada ao próximo, com o desejo de ouvir e partilhar os sofrimentos de todos, para depois os apresentar ao Senhor nas longas horas transcorridas em adoração diante da Eucaristia.
O Beato Mariano levou a toda a parte a paz, que é dom de Deus. O seu exemplo e a sua intercessão nos ajudem a redescobrir o valor fundamental do amor de Deus e o dever de o testemunhar na solidariedade para com os pobres. Ele é para nós exemplo, sobretudo no exercício da hospitalidade, tão importante no atual contexto histórico e social e principalmente significativo na perspectiva do Grande Jubileu do Ano 2000.
A mesma espiritualidade franciscana, centrada numa vida evangelicamente pobre e simples, distingue Frei Diego Oddi, que hoje contemplamos no coro dos Beatos. Na escola de São Francisco, ele aprendeu que nada pertence ao homem a não ser os vícios e os pecados e que tudo o que a pessoa humana possui, na realidade é dom de Deus (cf. Regra não selada XVII, em Fontes Franciscanas, 48). Desta forma aprendeu a não se angustiar inutilmente, mas a expor a Deus “orações, súplicas e agradecimentos” por todas as necessidades, como escutámos do apóstolo Paulo na segunda Leitura (cf. Fl 4, 6).
Durante o seu longo serviço de esmoleiro, foi autêntico anjo de paz e bem para todas as pessoas que o encontravam, sobretudo porque sabia ir ao encontro das necessidades dos mais pobres e provados. Com o seu testemunho jubiloso e sereno, com a sua fé genuína e convicta, com a sua oração e o seu incansável trabalho o Beato Diego indica as virtudes evangélicas, que são a via-mestra para alcançar a paz”.



sexta-feira, 20 de março de 2015

Beata Marta Amada Le Bouteiller, Virgem da Congregação das Irmãs das Escolas Cristãs da Misericórdia.


Amada Adélia Le Bouteiller nasceu ano dia 02 de dezembro de 1816 em Percy (França), terceira de quatro filhos de André e Maria Francisca Le Bouteiller Morel, pequenos proprietários e tecelões.
Na escola teve como educadora a terciária carmelitana Irmã Maria Farcy, professora há 48 anos, que muito influenciava na formação das jovens da paróquia e certamente inspirou a vocação religiosa de Amada Adélia.
Em 1º de setembro de 1827 o pai morreu com apenas 39 anos de idade. Infelizmente, na época, uma ocorrência comum. A mãe ficou sozinha com quatro filhos, teve de criá-los e apoiá-los ajudada pelos filhos mais velhos; Amada, que tinha quase onze anos, continuou seus estudos e ao mesmo tempo tinha que cuidar da casa.
Em 1837, seus dois irmãos se casaram e Amada, com 20 anos, começou a trabalhar como empregada doméstica para ganhar a vida.
Com a Irmã Farcy, organizadora da paróquia, ela ia todos os anos em peregrinação a Chapelle-sur-Vire, a cerca de 15 km de Percy, e nesta localidade entrou em contato com a Congregação das Irmãs das Escolas Cristãs da Misericórdia, fundado em 1804 por Santa Maria Madalena Postel (1756-1846), para a educação da juventude.
Atraída pela sua espiritualidade, aos 25 anos, em 19 de marco de 1841, ela decidiu dar-se totalmente a Deus e entrou na Abadia de Saint Sauveur-le-Vicomte, aceita pela fundadora de oitenta e quatro anos, que apesar de sua idade era de grande vitalidade e com dons carismáticos.
Amada teve como mestra de noviças a Beata Plácida Viel (1815-1877), que após a morte da Fundadora, levou a Congregação a um desenvolvimento incrível.
Quando Amada ingressou, as cinquenta freiras estavam envolvidas na construção da igreja da abadia e dos prédios antigos, que foram encontrados em ruínas quando elas entraram. A vida era austera, levando em conta os anos de fome que se vivia, mas isto não assustou Amada, acostumada com as dificuldades que sua família sofreu após a morte prematura de seu pai.
A 14 de setembro de 1842, ela recebeu o hábito religioso com o nome de Irmã Marta. No inverno seguinte, sendo ainda noviça, Madre Postel mandou-a para a Casa de La Chapelle-sur-Vire, que Irmã Marta conhecia bem, para ajudar nos serviços materiais da comunidade.
Um dia, ao lavar a roupa nas águas geladas do Rio Marquerand, escorregou de sua mão um lençol puxado pela correnteza; em uma tentativa de pegá-lo ela deslizou na água gelada o que causou um início da paralisia das pernas, por isso foi mandada de volta para a Abadia.
Ali ela teve um colóquio com Madre Madalena Postel que assegurou que ela não seria enviada para casa, apoiando as mãos sobre seus joelhos, ela prometeu rezar por ela; curada pouco depois, Irmã Marta atribuiu sua recuperação à Madre.
Em 07 de setembro de 1843 ela fez sua primeira profissão na Abadia Casa Mãe da Congregação. Irmã Marta foi designada para a cozinha, para trabalhar nos campos e, em seguida, tornou-se a economa de confiança da Madre Fundadora, uma tarefa que ocupou por quase 40 anos até sua morte; fez tudo em espírito de obediência, ela fez de maneira grande as coisas pequenas.
Sua vida religiosa transcorreu no serviço de Deus e das irmãs, sempre simples e jovial na execução dos serviços mais humildes; dedicada à oração e à meditação, alimentou a sua espiritualidade lendo autores da chamada "Escola Francesa de Espiritualidade".
Cuidava dos domésticos e dos trabalhadores que prestavam serviço à Abadia, também dos hospedes de passagem; distribuiu o vinho para 250 pessoas por dia e durante a guerra chegou a 500 pessoas.
Diz-se que, durante a guerra entre a França e a Alemanha, quando os estoques da abadia exauriram pavorosamente, Irmã Marta pendurando na parede uma imagem de Madre Madalena, morta há algum tempo, rezou intensamente e a partir desse momento os estoques de 'cidra’ (vinho) e outros alimentos não acabaram.
No inverno de 1875-1876, Irmã Marta, agora em seus sessenta anos, caiu e fraturou a perna; a longa convalescença, somando-se a morte de sua mãe e da amada Irmã Plácida, sua confidente, foram suas grandes provações. Ela suportou-as sem deixar de atender os interesses da despensa, apoiando-se a um bastão, mas o seu declínio era evidente.
Em 18 de março de 1883, Domingo de Ramos, enquanto ela pretendia levar as garrafas para a cozinha depois do jantar, caiu uma vez e, em seguida, uma segunda vez, tarde da noite, atingida por um acidente vascular cerebral; morreu depois de receber os Sacramentos aos 67 anos.
Ela foi enterrada no cemitério da Abadia de St. Sauveur-le-Vicomte; a causa de beatificação começou em 1933, e em 4 de novembro de 1990 o Papa João Paulo II a beatificou.
Fonte: blog Heroínas da Cristandade e site www.santiebeati.it


SANTO ALESSANDRO SAULI, Bispo Barnabita.


No século XVI surgiram grandes santos, como Santo Alexandre Sauli, Superior Geral dos Barnabitas, Bispo de Aléria, na Córsega, e de Pavia, na Itália, que levaram avante a Contra Reforma. Eles não só combateram os erros de Lutero e seus sequazes, mas empreenderam uma autêntica reforma na vida da Igreja.

Alexandre nasceu em 1530, em Milão, oriundo de uma das mais ilustres famílias genovesas que enriqueceram a Igreja com Cardeais e Bispos notáveis por seus talentos e piedade. O brasão de sua família existia até há pouco em fachadas de hospitais e igrejas que a ela deviam sua existência.

 Para cultivar sua inteligência e piedade precoces, seus pais deram-lhe hábeis preceptores e depois o enviaram a Pavia, para os estudos humanísticos (línguas e outros).

Voltando a Milão aos 17 anos, Alexandre foi nomeado pajem do Imperador Carlos V, o que lhe abria as portas de um futuro brilhante na Corte Imperial.

Mas as cogitações de Alexandre eram outras, e pediu para ser admitido na Congregação dos Barnabitas, fundada pouco antes, por Santo Antônio Maria Zaccaria, na igreja de São Barnabé, em Milão. Ora, um jovem nobre, pajem do Imperador, brilhante nos estudos, tinha que comprovar sua vocação religiosa antes de ser aceito. E a prova que deram foi muito dura para o descendente de ilustre família: na festa de Pentecostes de 1551, quando a cidade estava cheia de gente, deveria ele, com as ricas vestes de pajem imperial, percorrer suas principais ruas com uma enorme cruz às costas. A isso se prestou Alexandre. Chegando à famosa Piazza dei Mercanti, vizinha à catedral de Milão, havia um palco improvisado no qual um grupo de comediantes apresentava uma peça teatral. O jovem Alexandre interrompeu a representação e fez sair do palco os atores. Pronunciou, então, comovente sermão sobre o serviço que o homem deve prestar a Deus.

Aceito então pelos Barnabitas, foi enviado para terminar seus estudos em seu colégio em Pavia.

Ardoroso apóstolo no púlpito e no confessionário

Apenas ordenado, entregou-se à pregação e ao ministério da confissão, com um dom especial para tocar as almas e converter os pecadores.

Seus talentos levaram seus superiores a nomeá-lo, apesar de muito jovem, professor de Filosofia e de Teologia na Universidade de Pavia. Fundou aí, antecipando-se aos tempos, uma Academia congregando os universitários católicos.

Mesmo com os encargos do magistério, Alexandre continuou seu apostolado no púlpito e no confessionário. O jovem professor adquiriu tanta fama por seu dom de conduzir almas, que várias comunidades de religiosos puseram-se sob sua direção.

São Carlos Borromeu convidou-o a pregar em Milão e o escolheu para confessor e conselheiro.

Uma luz tão brilhante não podia deixar de atrair a atenção daqueles que lhe eram mais próximos. Por isso, foi ele eleito Superior Geral de sua congregação antes de completar 33 anos de idade.

Como Superior, Alexandre Sauli “não só vigiou para manter intacta a observância da regra, mas tinha um cuidado todo especial na formação dos jovens recrutas para que fossem dignamente formados na doutrina e na santidade do ministério ao qual foram chamados” (1).

Sua capacidade como administrador e como diretor de almas deu novo brilho à sua jovem congregação e o tornou ainda mais conhecido no mundo católico. O que levou o Papa São Pio V, tendo em conta seu zelo missionário e espírito apostólico, a escolhê-lo para Bispo da quase extinta diocese de Aleria, na ilha de Córsega.

De Superior Geral a Bispo da Córsega

Essa ilha fora evangelizada no tempo de São Gregório Magno, mas havia mais de 70 anos que estava sem Bispo, e reduzida ao estado mais deplorável. Seu parco clero era ignorante - não conhecia bem nem sequer o rito da Missa - e sem zelo. Seus habitantes - que viviam dispersos nas florestas e montanhas - quase selvagens, não sabiam nem mesmo os primeiros rudimentos de Religião. Havia poucas povoações e quase nenhuma igreja.

 Santo Alexandre, sendo bispo na Córsega, promulgou os decretos do Concílio de Trento O novo Prelado partiu para sua diocese levando três membros escolhidos de sua congregação como auxiliares e entregou-se ao labor apostólico. Era preciso fundar igrejas, reedificar as que estavam em ruínas, restabelecer de modo decente o culto divino. De sua catedral, em Aleria, só restavam escombros. Sem igreja e mesmo sem casa, Santo Alexandre fixou-se primeiro em Corte. Lá convocou um Sínodo nos moldes dos que São Carlos Borromeu realizava em Milão, para fazer um balanço da situação da ilha, corrigir os abusos mais salientes e elaborar um plano de ação a seguir. No dito Sínodo, promulgou os decretos do Concílio de Trento, e fundou, segundo suas diretrizes, um seminário para a formação do clero. Estabeleceu também escolas para a instrução das crianças, a fim de que estas pudessem aprender o catecismo e preparar-se para receber mais condignamente os Sacramentos. Ensinava seu clero, pregava o catecismo ao povo, visitava os doentes, pacificava os ódios e as lutas entre as famílias, tão comuns naquela ilha.

Começou a visitar cidades e vilarejos, localizados mesmo nos lugares mais inacessíveis, pregando a palavra divina. E o fazia com tanta unção e eloquência, que as populações vinham cair a seus pés, ávidas de maior aprofundamento na Religião.

O zeloso Pastor e seus auxiliares entregaram-se ao labor com grande empenho. Em pouco tempo, os três missionários que o Santo trouxera consigo morreram de fadiga. Santo Alexandre continuou sozinho as pregações, acrescentando a elas esmolas, jejuns e rigorosa abstinência para obter maior fruto.

Sua oração obtém o afogamento dos corsários. Vigoroso polemista: conversão de hereges e judeus

Tendo que se mudar continuamente por causa dos ataques dos corsários, Alexandre Sauli acabou por fixar-se no centro da ilha, em Cervione, para onde transportou também seu seminário e construiu sua catedral. A esta dotou de um capítulo de cônegos. Nessa época ocorreu um estrondoso milagre operado pelo Santo. Vinte galeras de piratas aproximaram-se da Córsega a fim de pilhá-la. O povo foi tomado de pânico e muitos fugiram para o centro da ilha. Pediram ao Bispo que também fugisse, fornecendo-lhe um cavalo. Mas ele respondeu que deviam antes ter confiança em Deus. Retirou-se então para uma capela onde se pôs em oração. Depois saiu e dirigiu-se com os fiéis para a praia, e rezou. Nesse instante levantou-se uma tormenta que levou todos os agressores ao fundo do mar.

Para uso de seu clero, Santo Alexandre compôs as Advertências, onde mostrava como os sacerdotes deviam portar-se e como dirigir as almas a eles confiadas. Compôs também os Entretenimentos, obra na qual explicava a doutrina da Igreja para uso do clero, com tanta clareza e ortodoxia, que São Francisco de Sales dizia que, com essa obra, Santo Alexandre esgotava a matéria tratada.

Grande controversista, Alexandre Sauli converteu um discípulo de Calvino que fora de Genebra à Córsega tentar infectar a ilha com os erros de sua seita.

 Por amor à Cátedra de Pedro e à Sé Apostólica, de tempos em tempos Santo Alexandre dirigia-se a Roma, onde frequentemente era convidado a pregar. O Papa Gregório XIII ficava encantado com suas palavras, e São Felipe de Neri venerava-o por causa de seus talentos e piedade. Num sermão, em Roma, converteu à verdadeira Fé quatro judeus dos mais radicais. Pregou também com grande fruto em Gênova e Milão, onde foram dados vários testemunhos de sua santidade.

Gênova e Tortone quiseram-no como Pastor, mas Gregório XIV nomeou-o Bispo de Pavia, em 1591. Tinha ele aplicado mais de vinte anos de energia, zelo e saúde entre os corsos.

Em sua nova diocese, o Apóstolo da Córsega empreendeu logo no início a visita pastoral com o mesmo zelo e abnegação que empregara em sua primeira diocese, voltando a Pavia para as festas solenes.

Estando em Calozzo, no condado de Asti, o santo Prelado foi atacado pela doença que o levaria à morte, a 11 de outubro de 1592. Como muitos milagres foram obtidos por sua intercessão, Bento XIV beatificou-o em 1741. Foi o grande São Pio X quem o canonizou em 1904. Seu corpo é venerado na catedral de Pavia (2).




___________
Notas
1 - Celestino Testore, Enciclopedia Cattolica, Città del Vaticano, Casa Editrice G. C. Sansoni, Firenze, vol. I, p. 809, verbete Alessandro Sauli.
2 - Outras obras consultadas:
Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d’après le Père Giry, Bloud et Barral, Librairies-Éditeurs, Paris, 1882, tomo IV, pp. 640 e ss.

Pe. José Leite, SJ, Santos de Cada Dia, 3a. edição corrigida e aumentada, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 1987, vol. III, pp. 160 e ss.

quarta-feira, 18 de março de 2015

SANTO AGOSTINHO ROSCELLI, Presbítero (dois textos biográficos).

             
                                                                  Primeiro texto biográfico 
Nasceu na pequena cidade de Bergone di Casarza Ligure, Itália, no dia 27 de julho de 1818. Durante sua infância, foi pastor de ovelhas. A sua família, de poucos recursos, constituiu para ele um exemplo de fé e de virtudes cristãs.

Aos dezessete anos, decidiu ser padre, entusiasmado por Antônio Maria Gianelli, arcebispo de Chiavari, que se dedicava exclusivamente à pregação aos camponeses, e hoje está inscrito no livro dos santos. Em 1835, Agostinho foi para Gênova, onde estudou enfrentando sérias dificuldades financeiras, mas sempre ajudado pela sua força de vontade, oração intensa e o auxílio de pessoas de boa vontade.

É ordenado sacerdote em 1846, e enviado para a cidade de São Martino d´Alboro como padre auxiliar. Inicia o seu humilde apostolado a serviço de Deus, dedicando-se com zelo, caridade e exemplo ao crescimento espiritual e ao ministério da confissão.

Agostinho é homem de diálogo no confessionário da igreja genovesa da Consolação, sendo muito procurado, ouvido e solicitado pela população. Sua fama de bom conselheiro corre entre os fiéis, o que faz chegar gente de todas as condições sociais em busca de sua ajuda. Ele passa a conhecer a verdadeira realidade do submundo.

Desde o início, identifica-se nele um exemplo de sacerdote santo, que encarna a figura do "pastor", do educador na fé, do ministro da Palavra e do orientador espiritual, sempre pronto a doar-se na obediência, humildade, silêncio, sacrifício e seguimento dócil e abnegado de Jesus Cristo. Nele, a ação divina, a obra humana e a contemplação fundem-se numa admirável unidade de vida de apostolado e oração.
Em 1872, alarga o campo do seu apostolado, interessando-se não só pelas misérias e pobrezas morais da cidade, e pelos jovens, mas também pelos prisioneiros dos cárceres, a quem leva, com afeto, o conforto e a misericórdia do Senhor. Dois anos mais tarde, passa a dedicar-se também aos recém-nascidos, em favor das mães solteiras, vítimas de relações enganosas, dando-lhes assistência moral e material, inserindo-as no mundo do trabalho honesto.

Com a ajuda de algumas catequistas, padre Agostinho passa à ação. Nasce um grupo de voluntárias, e acolhem os primeiros jovens em dificuldades, para libertá-los do analfabetismo, dando-lhes orientação moral, religiosa e, também, uma profissão. E a obra cresce, exatamente porque responde bem à forte demanda social e religiosa do povo.

Em 1876, dessa obra funda a congregação das Irmãs da Imaculada, indicando-lhes o caminho da santidade em Maria, modelo da vida consagrada. Após o início difícil e incerto, a congregação se consolida e se difunde em toda a Itália e em quase todos os continentes.

A vida terrena do "sacerdote pobre", como lhe costumam chamar, chega ao fim no dia 7 de maio de 1902. O papa João Paulo II proclama santo Agostinho Roscelli em 2001.


 

-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-


Segundo texto biográfico 

Nasce na localidade de Bargone di Casarza Ligure (Itália), no dia 27 de Julho de 1818. A sua família, pobre do ponto de vista material, constitui para ele um exemplo de fé e de virtudes cristãs.
Em 1835, Agostinho sente-se chamado ao sacerdócio e transfere-se para Gênova, onde empreende os estudos com graves dificuldades financeiras, mas sustentado sempre por uma vontade tenaz, a oração intensa e o auxílio de pessoas de boa vontade. Recebe a Ordenação sacerdotal a 19 de Setembro de 1846.

Inicia o seu humilde serviço na obra de santificação do povo de Deus, dedicando-se com zelo, caridade e exemplo ao crescimento espiritual do Corpo de Cristo e ao ministério da Confissão.
Desde o início, identifica-se nele um exemplo de sacerdote santo, que encarna a figura do "pastor", do educador na fé, do ministro da Palavra e do orientador espiritual, sempre pronto a dar-se na obediência, humildade, silêncio, sacrifício e seguimento dócil e abnegado de Jesus Cristo. Nele, a ação divina, a obra humana e a contemplação fundem-se numa admirável unidade de vida de apostolado e oração.

Em 1872, alarga o campo do seu apostolado, interessando-se não só pelas misérias e pobrezas morais da cidade, e pelos jovens, mas também pelos prisioneiros dos cárceres, a quem leva com afeto o conforto e a misericórdia do Senhor.

Dois anos mais tarde, passa a dedicar-se inclusivamente aos recém-nascidos, e durante 22 anos confere o Batismo a mais de oito mil crianças. Ao mesmo tempo, trabalha em favor das mães solteiras, vítimas de relações enganosas, dando-lhes assistência moral e material, inserindo-as no mundo do trabalho honesto.

Convicto de que a santificação na vida comunitária é a força do apostolado, no dia 15 de Outubro de 1876 realiza o seu sonho de fundar a Congregação das Irmãs da Imaculada, indicando-lhes o caminho da santidade em Maria, modelo da vida consagrada. Após o início difícil e incerto, a Congregação consolida-se a difunde-se em toda a Itália e além-fronteiras.

A vida terrena do "sacerdote pobre", como lhe costumam chamar, chega ao seu termo no dia 7 de Maio de 1902.


A oração ajuda-nos a fazer bem a ação; e a ação, quando é realizada como se deve, contribui para fazermos bem a oração", repetia continuamente o “pobre sacerdote” Agostinho Roscelli que nasceu em 27 de julho de 1818 na cidade de Bergone di Casarza Ligure, na província de Gênova na Itália. Filho de uma família pobre, desde pequeno dedicou-se ao pastoreio de ovelhas. Apesar da condição social e dificuldades, sua família sempre foi muito convicta da fé e dos princípios cristãos.


Agostinho tinha dezessete anos quando sentiu em seu coração o desejo de seguir a vocação sacerdotal. Foi impulsionado pelo belíssimo testemunho de evangelização de Dom Luigi Gianelli Lambruschini, reitor da paróquia de São João Batista de Chiavari que dedicava seu tempo à evangelização das comunidades rurais e aos camponeses. No ano de 1835, Agostinho parte para Gênova onde iniciou seus estudos teológicos. Enfrentou muitas dificuldades financeiras, mas não definhou seu desejo de seguir o chamado de Deus. Onze anos de dedicação e estudos, conferiram ao jovem a graça de ordenar-se sacerdote em 19 de setembro de 1846.

Dedicou-se de forma exemplar ao atendimento de confissões e com fervor a evangelização, pregando, orientando e sempre fiel às aspirações do sacerdócio. No ano de 1872, decide não só atender as necessidades locais, mas também a visitar, confortar e orientar os encarcerados. Dois anos depois, Agostinho concentrou seus esforços em favor dos recém-nascidos, prestando auxílio material e espiritual às famílias e crianças. Nesta empreitada Agostinho batizou cerca de oito mil crianças.

Seu impulso e atuação missionários, o conduziu a fundar no ano de 1876 a Congregação das Irmãs da Imaculada ampliando por toda a Itália o seu trabalho de evangelização. Agostinho faleceu no dia 07 de maio de 1902 e foi proclamado santo em 2011, pelo Papa João Paulo II.


terça-feira, 17 de março de 2015

Beato Francisco Palau y Quer, Presbítero Carmelita Descalço e Fundador. Grande exorcista e profeta do século XIX.


O Beato Francisco Palau y Quer, Fundador das Carmelitas Missionárias e Carmelitas Missionárias Teresianas, nasceu em Aytona, Barcelona a 29 de Dezembro de 1811. Depois de uma infância perpassada pelos acontecimentos inerentes a ocupação francesa, o menino tornou-se num jovem na procura de um ideal que albergasse o seu sonho de entregar-se ao Amor. Procurou no Seminário em Lérida (Barcelona)… foi ao Convento dos Frades Carmelitas Descalços onde professou… mas Deus tinha outros planos para ele e servindo-se da revolução anticlerical que levou à exclaustração e expropriação das ordens religiosas lançou-o numa procura incansável da Sua Amada (= Igreja)! Esse fogo fê-lo ordenar sacerdote em Barbastro.

Passou as fronteiras… Servindo a Igreja, descobriu que os homens eram explorados e não conheciam o Evangelho. Criou a Escola da Virtude onde se reuniam para a evangelização. Também se serviu das missões populares e da imprensa com o jornal ”Ermitaño”. Tornou-se incomodo e confinaram-no à Ilha de Ibiza. Aí dedicou-se à oração; a pregação pela ilha, tendo como singular companheira de caminho a Virgem do Carmo; atender por via epistolar aqueles que com ele se dirigiam. E eram muitos… núcleos de mulheres que procuravam viver segundo a sua orientação e de homens que viviam como eremitas.

A sua alma buscadora encontrou finalmente o que há tanto tempo ansiava: o Deus dos homens e os homens de Deus numa totalidade. Assim o mistério da Igreja (Deus e o próximo) centrou o seu coração e contagiou aqueles que com ele tratavam. O seu tesouro não podia ficar escondido! Surgiram as primeiras comunidades que se identificaram com este seu sonho! Este sonho chegou até hoje e estende-se pelos cinco continentes, prolongando-se em cada carmelita missionária e carmelita missionária teresiana. A sua vida entregue à Igreja transfigura-se no dia 20 de Março de 1872.
Francisco Palau, Homem, de rasgos fortes e bem marcados; de mediana estatura e de constituição forte se descobre uma figura austera e severa. Enamorado do silêncio, do retiro e da solidão, é e se sente apóstolo de atividades múltiplas e transbordantes. Pregador incansável: vê a recristianização do ambiente espanhol e europeu como uma autêntica obra de evangelização. A Direção Espiritual foi um dos meios pelos que transmitiu com maior eficácia e autenticidade o seu espírito aos membros da família religiosa que criou. Fica também expresso nas suas cartas. A sua faceta de catequista e renovador fez patente na grande obra da Escola da Virtude de Barcelona. Foi escritor, mais por exigências pastorais que por vocação. Conseguiu, no entanto, compor páginas originais que ocupam lugar privilegiado na literatura religiosa e espiritual do século XIX espanhol.
Algumas das suas obras são: a Luta da alma com Deus; A vida solitária; o Catecismo das Virtudes; Mês de Maria; A escola da Virtude Vindicada; A Igreja de Deus Figurada pelo Espírito Santo; entre outras. Menção especial merecem as páginas de índole autobiográfica como são as cartas e As minhas Relações com a Igreja. As 169 cartas reunidas no epistolário são uma fonte insubstituível para conhecer e compreender o Padre Francisco Palau. Foi considerado exorcista pela sua missão a favor dos marginalizados que o procuravam na sua residência de Santa Cruz de Vallcarca (Barcelona).

Foi beatificado a 24 de Abril de 1988 e a sua festa litúrgica celebra-se a 07 de Novembro.


Pensamentos do Beato Francisco Palau y Quer

“Que bem cuidado está aquele que se fia de Deus!”
“Irei aonde a glória de Deus me chame.”
“A voz de Deus não deixa vazia a alma, enche-a e dá-lhe firmeza.”
“A obra grande de Deus no homem lavra-se no interior.”
“Amar a Deus e ao próximo é a finalidade da minha missão.”
“Confiemos em Deus e na Sua Mãe, e não seremos enganados nem confundidos nas nossas esperanças.”

“Amo-te Igreja! O mínimo que te posso oferecer é a minha vida!”
“Na oração tudo encontrarás!”


AS PROFECIAS DO BEATO FRANCISCO PALAU:

Em seu jornal “El Ermitaño”, o Beato Palau tratou especialmente dos eventos de sua época.
     Ele via os problemas religiosos, políticos, sociais, econômicos – e até tecnológicos – como fazendo parte de um só e imenso movimento que, animado por Lúcifer e seus sequazes, procurava derrubar a Igreja Católica e a ordem social cristã.
     Arguto e intenso analista das informações que chegavam a Barcelona através dos jornais e telégrafos, ele teceu visualizações inspiradas pela Fé e pelos seus estudos teológicos às quais é difícil recusar uma inspiração profética.
     Sua linguagem, como era usual em seu tempo, utiliza muitas figuras e símbolos. Por exemplo, no artigo seguinte, intitulado “Um Cometa”, publicado em 25 de Agosto de 1870. O cometa simboliza e sinaliza aqui a libertação de Satanás, para fazer os danos ao mundo previsto no Apocalipse:
     Exilado em Ibiza, ia ao rochedo Vedrá fazer retiro espiritual: “Eu vi um cometa, o mesmo cometa, aquele sinal misterioso, sobre o qual fiz tantas reflexões. Sua cauda tinha forma de espada, de uma espada de fogo que lançava bolas de fogo em direção à terra. Eu fiquei atento olhando para a espada. Horrivelmente fiquei tomado de espanto, porque apareceu uma mão misteriosa que empunhou a espada, e na hora pelo orbe inteiro se ouviram hinos de guerra: guerra no mundo oficial político, guerra entre os reis, guerra por razões de interesse puramente material”.
     “Enquanto eu olhava a mão que empunhava a espada de aço voltada contra a cabeça dos reis, saiu do cometa outra cauda, e apareceu na hora uma outra mão que pegou a cauda do cometa que era toda de fogo e em forma de espada, e entre trovões e relâmpagos a espada jogava raios e faíscas contra o globo terrestre, e as duas espadas, batendo entre elas, acendiam sobre a terra a mais encarniçada guerra que os séculos já viram: na política e na religião: uma guerra universal. (…)”
     “O cometa era um sinal colocado no firmamento do mundo espiritual. Ele joga uma luz que ilumina a história presente e vindoura deste mundo material visível onde acontece a atividade humana. (…)”
     “A luz desse cometa ilustra o cumprimento desta profecia: ‘Satanás será solto da prisão. Sairá dela para seduzir as nações dos quatro cantos da terra. ’” (Ap. 20, 7-8)
     “À luz deste cometa se vê a obra de Satanás, aquele mistério de iniquidade que começou a se tramar contra a Igreja, quando Ela estava ainda em seus primórdios. Satanás desencadeado seduziu todos os reis e todos os príncipes da terra; ele voltou suas espadas e cetros contra a Igreja: esta é a sua obra.”
     “O cometa mostra duas mãos e as duas empunham uma espada, e as duas vão contra Cristo e sua Igreja, e anunciam uma guerra igual à dos primeiros séculos, porém mais horrorosa, sem comparação. (…)”
     “Satanás desencadeado consumou sua maldade, porque obteve nesta ordem material política a apostasia de todos os reis e governos.”
     “Eu, o Ermitão, percebendo este fato, peguei dois pedaços de madeira, fiz uma Cruz e escrevi nela Quis ut Deus? (…)”
     “O cometa significa e desvenda o desencadeamento e a libertação do diabo e, em consequência, a apostasia predita pelo apóstolo: um reino de trevas e de maldade, uma época de incredulidade e de erros.”
     “O cometa sinalizará o anátema, a maldição, a morte, a guerra e a anarquia social; dias de luto e pranto. E quando o Ermitão viu este sinal, quer dizer, o diabo desencadeado, vos disse, e vos repete sempre a mesma coisa, certo de que o tempo confirmará a verdade destes fatos.”
     Lúcifer, autor da revolta no Céu, instiga uma revolução análoga na Terra. As antevisões do Beato Francisco Palau y Quer, OCD, (1811-1872) impressionam pela penetração e riqueza de panoramas.
     As suas previsões referentes aos dias de hoje são surpreendentemente detalhadas, abrangentes, fruto de longos estudos dos autores sagrados, Doutores e grandes teólogos da Igreja.
     O Beato via os eventos históricos futuros imediatos se desenvolvendo segundo uma sequência fundamental:

     1°. A marcha do mundo em direção à dissolução social e ao estabelecimento de uma anti-ordem caótica como fruto de uma Revolução anticristã;
     2°. A denúncia dessa Revolução por um enviado de Deus e seus discípulos, seguida da justa punição divina da iniquidade;
     3°. A restauração da Igreja e das nações por obra do Espírito Santo e o advento de um período em que as pessoas imbuídas do espírito do Evangelho dariam uma glória a Deus historicamente inigualável. Esse período histórico duraria até o fim do mundo.

     O bem-aventurado frade deplorava as sucessivas quebras das instituições fundamentais da ordem cristã como a família e a propriedade.
     Lamentava a demolição da moralidade e dos estilos de vida tradicionais, minados pela revolução industrial. Condenava a derrubada das formas tradicionais de governo por constantes golpes políticos.
     Não aceitava que todas essas demolições convergentes fossem resultado do acaso. Pelo contrário, a variedade imensa das crises era para ele resultante de uma causa única.
     Ele se perguntava se por detrás delas, no comando, não havia alguma inteligência forçosamente diabólica.
     “Sim – respondia ele –, o próprio Lúcifer, que seduziu um terço dos anjos no céu, apoderou-se do coração de uma série de homens-chave na Terra e mais uma vez ergueu a bandeira da revolta. Esse novo non serviam (‘Eu não servirei’) é a grande causa das crises no mundo, concluía”. E essa para ele tinha um nome: “Revolução”.
     “O que é a Revolução? – explicou – É hoje na Terra aquilo mesmo que aconteceu no Céu quando Deus criou os anjos: Satanás (…) seduziu todos os reis e governos da terra e com a bandeira ao vento dirige seus exércitos na guerra contra Deus, (…) isto é revolução, isto é anarquia entre os homens e guerra contra Deus” (“Triunfo de la Cruz”, El Ermitaño, Nº 125, 30-3-1871.).
     “Satanás é o pai da Revolução – ensinava, parafraseando um célebre escrito de Mons. de Ségur –, essa é a obra dele, iniciada no Céu e que vem se perpetuando entre os homens de geração em geração. Por primeira vez após seis mil anos ele teve a ousadia de proclamar diante do Céu e da Terra o seu verdadeiro e satânico nome: Revolução”!
     “A Revolução tem como lema, a exemplo do demônio, a famosa frase: não obedecerei! Satânica em sua essência, ela aspira a derrubar todas as autoridades e seu objetivo derradeiro é a destruição total do reino de Jesus Cristo sobre a terra” (“Adentros del catolicismo – abominaciones predichas por Daniel profeta en el lugar santo: Apostasía”, El Ermitaño, Nº 21, 25-3-1869.).

     Segundo o bem-aventurado, essa Revolução realiza os anúncios das Sagradas Escrituras relativos à apostasia dos últimos tempos. A análise racional, tranquila e vigorosa dos acontecimentos sociopolíticos contemporâneos o confirmava nesta sua convicção.
     A Revolução leva a uma catástrofe que o Beato Palau queria evitar; No século XIX a humanidade imergia de modo displicente e veloz na anarquia, impelida pelas tendências desordenadas que alimentam a Revolução, especialmente o orgulho e a sensualidade. Por isso, o Beato Palau concluiu que a dinâmica revolucionaria impulsiona o mundo de modo implacável ao caos e ao desaparecimento da ordem social.
     O beato usava como exemplo um acidente ferroviário que abalou seus contemporâneos. Um temporal derribara uma ponte na Catalunha, e um trem expresso – naquela época símbolo embriagador do progresso industrial – sem saber do acontecido, precipitou-se no abismo durante a noite.
     Ele viu no acidente uma parábola do mundo superficial e despreocupado, portador de restos de cultura e religião, sendo conduzido pela Revolução rumo a uma catástrofe que o bem-aventurado desejava evitar, mas que ninguém queria ouvir falar:
     Guerra Civil Espanhola: um passo na marcha da Revolução: “Uma horrorosa catástrofe anunciada pelos profetas, por Cristo, pelos Apóstolos e por todos os porta-vozes mais autorizados do catolicismo. A sociedade atual, conduzida em massa pelo poder das trevas e pelo poder político, subiu num trem. Mas os maquinistas a levam para os infernos. A estação de onde saiu chama-se Revolução, a próxima estação chama-se Catástrofe Social.”
     “Agora o trem circula entre uma estação e outra. Os passageiros não pensam, o Ermitão dá berros fortíssimos: ‘Parem, voltem atrás!’.”
     “Mas essa voz, que é a própria voz do catolicismo, é sufocada pelo ruído do trem. (…) A tempestade levou a ponte. Era noite e o trem que partiu de Gerona ia em frente. Os viajantes não sabiam do perigo, mas a ponte não estava ali. As trevas escondiam o risco, até chegar ao abismo. A locomotora deu um pulo e não tinha asas, faltavam os trilhos, só havia o precipício. Ela caiu, arrastando consigo os carros e os passageiros. E as águas os engoliram.”
     “Eles não acreditaram no perigo, mas ele existia, era verdadeiro, e a incredulidade não os salvou, mas os perdeu.”
     “Os maquinistas e condutores do trem para onde vai à sociedade atual estão ébrios, perderam o juízo. Não vedes que não acertam uma?”
     “Descei enquanto puderdes, e jogai-vos nos braços da Igreja (a autêntica, Aquela que não apostatará) vossa Mãe, e assim vos salvareis.” (“Catástrofe social”, El Ermitaño, Nº 40, 5-8-1869)


Como a Revolução satânica se infiltrou na Igreja?
O Bem-aventurado Francisco Palau e Quer, OCD, tomava como ponto de partida em seus escritos proféticos os fatos políticos, sociais e religiosos que lhe tocava assistir no dia-a-dia. E os analisava conscienciosamente à luz da Fé e dos dados dos doutores da Igreja.
     Ele expunha suas conclusões através de uma linguagem rica em imagens, visando torná-las acessíveis aos leitores de seu jornal “El Ermitaño”.
     Assim, ele apresentou uma conversação figurada do personagem principal de sua revista – “o ermitão” – com o próprio Deus, sobre o Concílio Vaticano I, que tantos benefícios trouxe para a Igreja.
     Nela, o Beato põe nos lábios de Deus a seguinte explicação: “Por causa da corrupção dos costumes [Satanás] se introduziu no Sancta Sanctorum e, enquanto comanda todos os reis e poderes políticos da terra em batalha contra Mim, desde o exterior da Cidade Santa, paralisa de dentro a Minha ação, entorpece Meus empreendimentos e frustra Meus projetos” (“Roma vista desde la cima del monte”, El Ermitaño, Nº 58, 9-12-1869).
     Entre os instrumentos desta ofensiva interna contra a Igreja ele apontava uns estranhos “sacerdotes” do demônio: “Alguns destes homens e mulheres exibem uma virtude religiosa aparente, vão se confessar, ouvem a missa, comungam com frequência, mas o que há com eles? Horror!
     “Recolhem as formas eucarísticas, levam-nas para casa e as apresentam em sessões satânicas para serem espezinhadas. Esses são os Judas dentro do próprio santuário, que introduziram os demônios no local onde não tem direito, e encheram o templo de Deus de abominações” (“El maleficio”, El Ermitaño, Nº 103, 27-10-1870).
     “Satanás entrou no santuário – acrescentava o religioso carmelitano – e o encheu de abominações, sustentado por poderes que se intitulam católicos, e que de dentro do próprio santuário fazem guerra contra nós, uma guerra atroz, a mais perigosa que a Igreja já teve que enfrentar. (…)
     “(…) porque ao inimigo convém nos combater a partir de dentro da fortaleza, e por isso ele usa a roupagem e o nome de católico, e com essa fachada se apresenta em certos atos religiosos para fascinar as turbas e criar confusão até no céu” (“Campamento de epidemia en Vallcarca”, El Ermitaño, Nº 99, 29-9-1870).
     Em 1968, S.S. Paulo VI afirmou que “a fumaça de Satanás entrou no lugar sagrado” (Discurso ao Pontifício Seminário Lombardo, 7-12-68, Insegnamenti di Paolo VI, Tipografia Poliglotta Vaticana, 1968, vol. VI, p. 1188; e Homilia “Resistite Fortes in fide”, 29-6-1972, ibid., 1972, vol. X, p. 707).
     Cem anos antes, o bem-aventurado carmelita já denunciava com horror esta infiltração na Igreja.
     Misteriosa estirpe espiritual de Judas agindo na Igreja. Em numerosas ocasiões, o bem-aventurado alude à existência de um “Judas” enquistado na Igreja.
     Com esta expressão ele não se referia a um indivíduo em particular, mas a uma espécie de estirpe espiritual que ao longo dos séculos trabalha dentro da Igreja contra Ela.
     Segundo ele, essa linhagem do mal se manifestou de modo patente em certos heresiarcas, mas na maior parte do tempo agiu em segredo, escondida da massa do clero e dos fiéis.
     No quê consiste essa estirpe? Como entrou na Igreja sacrossanta? Como pôde manter-se n’Ela? Como age? Qual é o seu sinal distintivo?
     O santo religioso não se estendeu muito em pormenores históricos. Ele via, porém, que ao longo dos séculos sempre houve manobras diabólicas para infiltrar agentes e organizá-los dentro da Igreja.
     O primeiro instrumento foi o próprio Judas Iscariotes, que dá o nome a esta estirpe do mal. Mas o Iscariotes acabou se autodenunciando quando vendeu o Cordeiro Imaculado ao Sinédrio. Porém, poucos anos depois, nos tempos apostólicos, este filão da perdição já estava agindo.
     É o que diz São João em sua primeira epístola: “18. Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora. “19. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos.” (I Jo. II, 18-19)
     O Apóstolo amado acrescenta que “o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, já está agora no mundo”. (I Jo. IV, 3)
     Os Atos dos Apóstolos (cfr. Act, VIII, 9-24) narram a história de Simão o Mago, que Santo Irineu qualifica de pai de todas as heresias (“Adversus Hereses”, livro I, cap. 23).
     O bem-aventurado carmelita atribui à gestação dos erros e desordens na Igreja a esta estirpe de Judas:
     “Judas e o diabo se combinaram contra Cristo, mas os dois foram expulsos do colégio apostólico. (…) o diabo buscou então portas para entrar no seio do catolicismo, e as encontrou nos heresiarcas. As portas lhe foram abertas pelos próprios cristãos que lhe entregaram as chaves da incredulidade e da corrupção das doutrinas”.
     “Agora ele está dentro. Desejais vê-lo? Entrai, e o que vereis? Vereis homens que se intitulam católicos, mas blasfemam como demônios e perseguem com furor o catolicismo”. (…)
     “Vereis o diabo dentro do próprio santuário, desafiando a onipotência de Deus com blasfêmias proferidas diante de seus altares. Vereis no povo católico as abominações prenunciadas por Daniel profeta. Vereis o anticristianismo instalado no poder. Vereis que o diabo se introduziu no lugar sagrado, e corrompe, perverte, tenta, prova” (“El suicidio”, El Ermitaño, Nº 87, 7-7-1870).
     O Beato punha na boca de um demônio as seguintes palavras, falando desta linhagem de heréticos:
     Nossa obra que com tanta cautela urdimos desde Judas traidor até esta data, encobrindo o plano com que foi concebida e que com sumo prazer vemos consumada na apostasia de todas as nações” (“Un misterio de iniquidad”, El Ermitaño, Nº 111, 22-12-1870).
     Esse plano – segundo a profética previsão do frade carmelitano – iria atingir sua plenitude por uma misteriosa permissão divina:
     “Ermitão, (…) escuta: deixa que o diabo e o ímpio completem o mistério de iniquidade que ele iniciou dentro do próprio santuário com Judas traidor” (“Adentros del catolicismo”, El Ermitaño, Nº 21, 25-3-1869).
     Contra essa pérfida linhagem lutaram os grandes santos da Igreja, sem nunca terem conseguido extirpá-la completamente.
     São Pio X, na célebre encíclica Pascendi Dominici Gregis, de 08 de setembro de 1907, condenou com luxo de detalhes a conspiração dos heréticos modernistas, antecessores diretos dos atuais progressistas.
     A descrição feita pelo Santo Pontífice da conjuração modernista concorda admiravelmente com a ideia que o Beato Palau havia formado dessa sibilina estirpe de Iscariotes:
     “Os fautores do erro – ensina São Pio X – já não devem ser procurados entre os inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos”.
     São Pio X denunciou a conspiração modernista, mas não teve tempo para extingui-la: “Aludimos, Veneráveis Irmãos, a muitos membros do laicato católico e também, coisa ainda mais para lastimar, a não poucos do clero que, fingindo amor à Igreja e sem nenhum sólido conhecimento de filosofia e teologia, mas, embebidos antes das teorias envenenadas dos inimigos da Igreja, blasonam, postergando todo o comedimento, de reformadores da mesma Igreja; e cerrando ousadamente fileiras se atiram sobre tudo o que há de mais santo na obra de Cristo, sem pouparem sequer a mesma pessoa do divino Redentor que, com audácia sacrílega, rebaixam à craveira de um puro e simples homem”. (…)
     “Não se afastará, portanto, da verdade quem os tiver como os mais perigosos inimigos da Igreja. Estes, em verdade, como dissemos, não já fora, mas dentro da Igreja, tramam seus perniciosos conselhos; e por isto, é por assim dizer nas próprias veias e entranhas dela que se acha o perigo, tanto mais ruinoso quanto mais intimamente eles a conhecem. Além de que, não sobre as ramagens e os brotos, mas sobre as mesmas raízes que são a Fé e suas fibras mais vitais, é que meneiam eles o machado”. (…)
     “(…) continuam a derramar o vírus por toda a árvore, de sorte que coisa alguma poupam da verdade católica, nenhuma verdade há que não intentem contaminar (…) com tal dissimulação que arrastam sem dificuldade ao erro qualquer incauto; e sendo ousados como os que mais o são, não há consequências de que se amedrontem e que não aceitem com obstinação e sem escrúpulos (…)
     “Acrescente-se-lhes ainda, coisa aptíssima para enganar o ânimo alheio, uma operosidade incansável, uma assídua e vigorosa aplicação a todo o ramo de estudos e, o mais das vezes, a fama de uma vida austera.
     “Finalmente, e é isto o que faz desvanecer toda esperança de cura, pelas suas mesmas doutrinas são formados numa escola de desprezo a toda autoridade e a todo freio; e, confiados em uma consciência falsa, persuadem-se de que é amor de verdade o que não passa de soberba e obstinação.” (São Pio X, Encíclica Pascendi Dominici Gregis).
  

 Fonte: Blog Aparição de La Salette