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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Servo de Deus Ângelo Angioni, Presbítero e Missionário do PIME no Brasil.



Em 14 de janeiro de 1915, nasce Angelo Angioni, em Bortigali, quinta-feira, às 20 horas. Era o quinto filho da família, e a mãe anotara todos os nascimentos no apêndice de uma antiga edição das "máximas eternas" de Santo Afonso.


A GUERRA
Aos 24 de maio de 1915, a Itália declarava guerra à Áustria. O pai Antônio Angioni precisou apresentar-se ao posto de alistamento e foi mandado para longe da família por dois longos anos (1915 – 1917). Em 1916, um decreto dava aos soldados com esposa e quatro filhos o direito de sair da frente da batalha. Imediatamente a mãe providenciou tudo para o retorno do esposo.
Em 1917, Antônio Angioni foi transferido para o norte da Sardenha, para servir a uma autoridade local, em uma cidade chamada Ozieri. Maria Grazia toma os quatro filhos: Maria, Sebastião, Antônio e Angelo e se muda para Ozieri para ficar com o marido.
Foram morar em uma casa ao lado da Igreja Santa Lúcia, o Pároco era o Padre Gavino Dettori, jovem, zeloso e amigo das crianças e o vice-pároco Padre Gerolamo Contini, Teólogo, Professor, escritor, que trabalhou durante 28 anos como vice-pároco de Santa Lúcia. Neste ambiente, cresceram e desenvolveram várias vocações sacerdotais, entre elas, a vocação de Antônio José Angioni, futuro Bispo e Angelo Angioni, missionário no Brasil.


A VOCAÇÃO MISSIONÁRIA
Em dezembro de 1921, Antônio José Angioni ingressa no seminário de Ozieri; em 1926, apenas cinco anos mais tarde, o irmão Angelo Angioni segue os passos do irmão e ingressa no seminário de Ozieri, próximo de casa.
Os pais não se opuseram, apesar da grande preocupação como manter os filhos nos estudos. O pai, homem de oração e confiante no Espírito Santo, sujeitava-se aos trabalhos mais humildes em Ozieri para manter os filhos no seminário. Foi administrador, vendeu carvão vegetal e domou cavalos. Tanta era sua honestidade e respeito que foi contratado para serviços oficiais no Instituto de incrementos hípicos dos militares.
Durante os seis primeiros anos, Antônio José Angioni permaneceu em Ozieri. O segundo ano de Filosofia e os quatro de Teologia fez em Cuglieri no Pontifício Seminário Regional Sardo, onde nasceu a sua grande devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
Antônio José Angioni foi ordenado sacerdote na Catedral de Ozieri em 13 de agosto de 1933. No mesmo ano, foi nomeado Vice-Reitor do Seminário Vescovile e Vice-Pároco da Paróquia de Tula, cidadezinha a dezoito quilômetros de Ozieri.
Angelo Angioni que havia seguido o irmão no Seminário de Ozieri, assim que termina o ginásio, percebe que sua vocação não era ser padre diocesano, mas queria ser um padre missionário. Ainda quando seminarista, dizia brincando aos sobrinhos: "Quando for para África, o primeiro leão que eu matar, mando o rabo para vocês".
Assim nasceu a vocação missionária. Terminado o ginásio, Angelo Angioni, em 1932, ingressa no PIME (Pontifício Instituto Missionário para o Exterior de Milão) recomendado pelo superior do Seminário. Foi acolhido pelo Superior Geral, Padre Paolo Manna.
No PIME, Angelo Angioni fez o noviciado, filosofia e o primeiro ano de teologia; em 1935, surge um sério problema de saúde e o futuro missionário é obrigado a voltar para casa, para um tratamento em clima natal. Assim Angelo Angioni continua os três últimos anos de teologia no Pontifício Seminário Sardo, na Diocese de Ozieri.


A ORDENAÇÃO SACERDOTAL
Em 31 de Julho de 1938, festa de Santo Inácio, Angelo Angioni é ordenado sacerdote na capela do Seminário Regional do Sagrado Coração, em Cuglieri, pelo Bispo Dom Lorenzo Basoli, Bispo de Ogliastra. Neste mesmo ano, Padre Angelo Angioni fica residindo junto à família em Ozieri e serve como Vice-Pároco na Paróquia Santa Lúcia, onde nasceu sua vocação.

MISSÃO EM TERRAS BRASILEIRAS
Em 1951 foi designado como missionário para a Diocese de São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil. Chegou ao Brasil em novembro de 1951, foi enviado por Dom Lafayete Libanio para a Paroquia São João Batista - José Bonifácio - São Paulo, onde permaneceu exercendo santamente seu ministério sacerdotal. Escritor sacro brilhante, foi autor de várias obras. Em uma delas, intitulada “O Missionário”, escreveu: "A Igreja nos convence que ao receber o batismo não fomos jogados numa religião ou numa igreja com o objetivo de curtir a tranqüilidade de nossa salvação. Nosso batismo nos põe em movimento na sede de conquistar almas ao Cristo. A missão da Igreja e a nossa, não vem de nós mesmos, mas é uma resposta à Santíssima Trindade que tem como sua natureza íntima a Missão segundo o Plano do Pai, na missão do Filho e do Espírito Santo. Dessa espiritualidade é constituída também a missão a participação de todos os membros da Igreja, especialmente dos leigos missionários. A Igreja não pode ficar satisfeita e parar de evangelizar até que não tiver levado a Boa Nova a todos os não cristãos sempre em aumento. O Espírito Santo continua chamando as pessoas para esta missão bem específica, por toda a vida”.


O Apóstolo de Maria
Mons. Ângelo foi um grande apóstolo da devoção e consagração ao Coração Imaculado de Maria nas terras brasileiras. O “carro chefe” de sua devoção a Maria era exatamente o “Oferecimento de Amor” ao Coração de Maria, isto é, oferecer TODA a nossa vida, nossas preces, sofrimentos e méritos ao Coração de Maria. O padre divulgava, assim, mensagens da Santíssima Virgem a uma vidente da Hungria na qual a Santa Mãe de Deus deu grandes promessas de salvação a quem praticasse devotamente esse Oferecimento de Amor.
Foi também grande divulgador do Movimento pelo Advento do Reino de Jesus Cristo (que teve como grande apóstolo seu irmão que era bispo) que pregava a dupla consagração ao Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria.
Mons. Ângelo vivia uma relação muito íntima com Nossa Senhora. Sentia sua presença junto a ele praticamente de forma constante e, algumas vezes, “ouvia” a voz da Santíssima Virgem por locução interior.
Um dia, a Virgem Maria teria confidenciado a ele que após sua morte um de seus órgãos não sofreria a corrupção natural. Essa promessa cumpriu-se como mais adiante relataremos...

O Escritor
Durante todos os anos que esteve à frente da Paróquia de José Bonifácio não descuidou dos conhecimentos culturais, políticos, sociais, morais, éticos e religiosos. Grande estudioso, conhecedor da história e geografia mundial, poliglota, músico, teólogo, amante da ecologia e da medicina natural, não deixou de prestar a sua contribuição à formação cultural, moral, social e religiosa ao seu rebanho. Passava as noites debruçado sobre as traduções, escritos e reflexões que editava com simplicidade e sabedoria. Hoje temos uma infinidade de opúsculos e livros escritos ou traduzidos por Monsenhor Angelo, todos editados na gráfica do Instituto Missionário Coração Imaculado de Maria, que foram difundidos dentro e fora do Brasil.




Santa morte
Após uma vida cheia de méritos, tendo sido fiel ao seu ministério sacerdotal, sendo um sacerdote conforme o Coração de Jesus e digno filho da Virgem Maria, Mons. Ângelo é chamado para receber a recompensa eterna em 15 de setembro de 2008, festa litúrgica de Nossa Senhora das Dores.
Sete anos após sua morte, começou o processo diocesano para sua beatificação/canonização. No dia 08 de junho de 2015, foram exumados seus restos mortais. Para a surpresa de todos, no meio dos ossos da caixa torácica, foi encontrado, incorrupto, seu coração. A Igreja, sábia e prudente, evita chamar tal fenômeno de “milagre”, limitando-se apenas a declarar “inexplicável”. O fato teve ampla repercussão na mídia televisionada, sendo matéria de destaque em vários telejornais.

Como citado anteriormente, parece que a Virgem Maria, a quem Padre Ângelo tão bem serviu neste mundo, dignou-se dar o sinal de sua predileção a seu filho amado e servo fiel.  

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Beata Margarida Ebner, Virgem Dominicana e Mística.



Margarida pertencia à família Ebner, da aristocracia alemã, muito rica e respeitada. Quando fez quinze anos de idade vestiu o hábito dominicano no Mosteiro de Maria Santíssima em Medingen, na diocese de Augusta.
De 1314 até 1326, sofreu diversas e graves enfermidades, permanecendo a maior parte do tempo confinada em seu leito. Era consolada por Deus e chamada a cumprir em tudo a sua divina vontade. Devido às enfermidades não podia realizar as grandes penitências exteriores. Margarida então se mortificava no alimento, no porte, no sono, dedicando-se a uma vida de orações inspirada nos ciclos do ano litúrgico e caracterizada pela meditação dos mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Destacou-se pelo silêncio e pela paciência com que suportou suas constantes enfermidades.
A política influenciou muito a vida da Beata Margarida. Foi uma contemplativa comprometida com a trama da História. Durante oito anos a Alemanha esteve em guerra de disputa da coroa. Para as monjas de Medingen, e especialmente para Margarida, a pátria e o imperador tinham muito espaço em suas orações. Rogavam com fervor pela volta da paz.
Durante o período do Grande Cisma na Igreja Católica, quando havia três diferentes aspirantes ao trono papal, as monjas do Mosteiro de Medingen ficaram leais ao Papa de Roma. Como resultado, a comunidade foi forçada a se dispersar durante a campanha militar do imperador Luís IV contra as forças papais.
Em 1324, as monjas saíram do mosteiro devido aquele conflito. Margarida passou dois anos com sua família acompanhada de uma conversa, dentro da segurança dos muros da cidade de Donauworth, antes de poder voltar para o Mosteiro de Maria Medingen. Quando tudo retornou ao normal ela voltou para a clausura daquele mosteiro.
Margarida era devotíssima da Eucaristia e do Santo Nome e do Coração de Jesus. E ao constatar que os homens morriam aos milhares por causa da guerra, se dedicou particularmente a realizar sufrágios pelos defuntos.
Em 28 de outubro de 1332, Henrique de Nördlingen visitou o Mosteiro de Maria Medingen. Ali conheceu Margarida e assumiu sua direção espiritual.
Margarida Ebner foi, sem dúvida, a figura central do movimento espiritual alemão dos "amigos de Deus", e uma das grandes místicas da região do Reno no século XIV, nos mais de setenta mosteiros alemães da Ordem Dominicana. O seu diário espiritual, escrito de 1312 até 1348, que chegou até os nossos dias, revela a vida humilde, devotada, caritativa e confiante em Deus de uma religiosa provada por muitas penas e doenças. Ela viveu e morreu no amor de Deus, fiel na certeza de encontrar-se em plena comunhão com seu Filho Jesus, como sempre dizia: "Eu não posso separar-me de ti em coisa alguma".
A santíssima humanidade de Jesus foi o divino objeto da sua constante e amorosa contemplação e nela reviveu os vários mistérios no exercício da virtude, no holocausto ininterrupto dela mesma, no sofrimento interno e externo, todo aceito e ofertado com Jesus, para Jesus e em Jesus.
Na noite de Pentecostes de 1348, quando entrava no coro para o Ofício solene de Matinas, a Beata teve a impressão de receber uma graça que declarava incapaz de descrever, similar a recebida pelos Apóstolos quando sobre eles pousou o Espírito Santo. O Senhor prometeu assisti-la em seu trânsito com a presença da Virgem Maria e o Apóstolo São João, e fez uma revelação particular a respeito de sua morte.
Margarida Ebner morreu aos 60 anos no dia 20 de junho de 1351, no Mosteiro de Medingen, onde foi sepultada. Suas últimas palavras foram: “Demos graças a Deus. Virgem Maria, Mãe de Deus, tem misericórdia de mim”. Seu corpo se venera na igreja de seu convento, que hoje é habitado pelas franciscanas de Medingen. Seu culto imemorial foi confirmado e ratificado por João Paulo II em 24 de fevereiro de 1979.
Entre os grandes místicos dominicanos do século XIV, brilha a suave figura desta religiosa de clausura que conquistou o apelido de "Imitadora Fiel da Humanidade de Jesus".