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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Beato Modestino de Jesus e Maria (Domingos) Mazzarella, Presbítero Franciscano.





Em Nápoles, cidade da Campanha, o Beato Modestino de Jesus e de Maria (Domingo) Mazzarella, presbítero da Ordem dos Frades Menores que, aproximando-se sempre de toda classe de pobres e aflitos, ao assistir aos moribundos em tempo de cólera, morreu contagiado pela mesma enfermidade.

Domingos Mazzarella nasceu em Frattamaggiore, província de Nápoles, na diocese de Aversa, no seio de uma família de humildes artesãos. Aos 16 anos foi acolhido gratuitamente no seminário de Aversa. Atraído logo pela austera vida dos franciscanos do vizinho convento de Grumo Nevano, em 1822 vestiu o hábito de São Francisco no convento de Piedimonte Matese (Caserta) e fez o ano do noviciado no convento de Santa Lucia del Monte, Nápoles. Em 1824 emitiu a profissão religiosa e, depois de um regular curso de estudos filosóficos e teológicos feitos nos conventos de Grumo Nevano, Portici e Santa Lucia del Monte, foi ordenado sacerdote em 1827, na catedral de Aversa.
Estátua do Beato Modestino existente
na Basílica de Santa Clara, em Nápoles
Empenhado rapidamente no ministério da pregação e na celebração do sacramento da reconciliação, Frei Modestino de Jesus e Maria exerceu também, com dedicação exemplar, o ofício de guardião (superior) nos conventos de Mirabella Eclano (Avellino) e de Pignataro Maggiore (Caserta). Em 1839 foi transferido ao convento de Santa Maria de la Sanitá, Nápoles, situado em um dos bairros mais populosos da cidade, onde permaneceu até o dia de sua morte, exercendo um proveitoso e admirável ministério sacerdotal, sobre tudo, em favor dos mais pobre e enfermos. Destinguiu-se particularmente por seu zelo na defesa da vida nascente e na difusão da devoção à Santíssima Virgem sob a invocação de “Mãe do Bom Conselho”, que levava no coração desde os anos de sua juventude.

Em 1854, afetado pelo cólera que contraíra enquanto assistia às vítimas dessa epidemia, depois de haver pedido perdão aos irmãos e invocado com fervor a Mãe do Senhor, morreu, com grande pesar de seus numerosos beneficiados e de toda Nápoles.

O alcaide da cidade, o príncipe de San Agaito, ao saber a notícia da morte de Frei Modestino, exclamou comovido: “Perdemos o consolo de Nápoles”. Foi beatificado por São João Paulo II em janeiro de 1995. 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Beata Maria Inês Teresa Arias, Virgem e Fundadora das Missionárias Clarissas do Santíssimo Sacramento (a primeira beata mexicana do século XXI).



Nascida em Ixtlán do Río, Nayarit, no dia 7 de julho de 1904, recebeu o nome de Manuelita de Jesús. Com uma infância feliz, criada segundo os preceitos católicos, Manuelita, no íntimo de seu coração, na solidão do seu ser, onde só estava a presença silenciosa de Deus, foi se preparando para o encontro que seria identificar Deus por seu nome.
Tal momento veio em 1924, quando sofreu uma apendicite. Na cidade de Guadalajara se hospedou para ser atendida pelo médico na casa de sua prima, que lhe presenteou com o livro da vida de Santa Teresinha, cuja leitura despertou em Manuelita o vivo desejo de santidade.
Em outubro de 1924, durante o Congresso Eucarístico no México, finalmente no tempo estabelecido por Deus, a graça tocou o coração de Manuelita, sentindo-se totalmente atraída por ele. "Jesus Eucaristia, ao passar próximo de mim, deixou cair sobre mim um desses inefáveis olhares que tem o poder de comover; me deixou toda inflamada em seu amor; me atraiu com força irresistível", declarou a beata mexicana em certa ocasião.
Durante uma terrível perseguição religiosa no México, no dia da Festa de Cristo Rei, consagrou-se ao amor misericordioso de Deus, e finalmente tomou a decisão de ingressas à vida religiosa apesar das circunstâncias.
A beata no dia de seus votos
perpétuos na Ordem Clarissa.
Logrou, após uma série de provas e sofrimento o que tanto ansiava seu coração e no dia 07 de junho de 1929 ingressou no mosteiro das Clarissas. Manuelita recebeu então o nome de irmã Maria Inés Teresa do Santíssimo Sacramento.
Em 12 de dezembro fez sua primeira profissão temporária. Em 1933, consagrou-se ao Senhor emitindo os votos perpétuos. Sete anos depois, já como conselheira do mosteiro, expôs a Madre abadessa suas inquietudes e desejos de fundar uma congregação missionária. Seu pedido foi levado ao Vaticano pelo bispo de Curnavaca, Morelos (México), Dom Francisco Gonzáles.
No dia 12 de maio de 1945, foi aprovada em Roma a fundação, com sede em Cuernavaca, Morelos, México; no mesmo dia foi colocada a primeira pedra da Casa Mãe. Três meses depois, junto com mais cinco religiosas, Madre María Inés despediu-se do mosteiro da Ave Maria rumo a sede da nova congregação.
Sua obra seguiu crescendo em todos os sentidos e em 1950, Madre María Inés escreveu as Constituições da congregação, expressando assim a vontade do senhor para todas as suas filhas: "Filhas, o que aqui fica estabelecido é que nos identifica como Missionárias Clarissas do Santíssimo Sacramento".
Encontro da Beata com o Papa São João Paulo II
Em seis anos de fundação, a congregação já possuía 92 religiosas e duas casas: em Cuernavaca e em Puebla. No dia 31 de maio de 1951, Madre María Inés solicitou à Santa Sé a transformação destes dois mosteiros no instituto missionário de vida ativa e contemplativa.
No dia 22 de junho de 1951, os dois mosteiros foram transformados com aprovação pontifícia na Congregação de Missionárias Clarissas do Santíssimo Sacramento. Madre María Inés Teresa foi nomeada primeira superiora geral e o seria até o término de sua vida em 1981.
Toda a vida da Beata Maria Inês foi um "hino de louvor" a Jesus Eucarístico, ao qual amava terna e ardentemente. A Eucaristia e a Virgem Maria foram o centro de sua vida espiritual. Rezava diária e ardentemente pela salvação das almas. Possuía intensa vida de oração e ardente zelo missionário. Repetia frequentemente às suas filhas espirituais o lema paulino: "é preciso que Cristo reine"! 


A grande família inesiana se encontra espalhada pelo México, Japão, Estados Unidos, Costa Rica, Indonésia, Serra Leoa, Itália, Espanha, Nigéria, Irlanda, Coréia, Alemanha, Índia, Rússia e Argentina. Apenas no México, a congregação conta com 17 casas, incluindo a "Casa Madre". 
A congregação realiza trabalho na Pastoral Educativa, atendendo a oito colégios, na Pastoral Profética e Social e na Pastoral de Santidade. Também realiza trabalhos através dos meios de comunicação social, com um programa televisivo semanal pelo canal Maria Visión, que se intitula: "Vivir para Cristo" e com vários programas de rádio.

domingo, 26 de julho de 2015

Beata Maria Teresa Ledochowska, Virgem e Fundadora.



Fundadora das Missionárias de São Pedro Claver em 1894. Percorreu a Europa inteira e foi capaz de comprometer e sensibilizar para nesta obra a ricos e pobres, livre pensadores e fiéis, autoridades religiosas e civis. Sua palavra e sua pena não se detiveram nem diante dos fracassos nem dos triunfos.

Nasceu no dia 29 de abril de 1863 em Loosdorf, Áustria, filha primogênita do Conde polonês Antônio Ledóchowski e da Condessa suíça Josefina Salis-Zizers. Teve uma educação muito esmerada e aristocrática. Seu ambiente familiar foi piedoso. A irmã mais nova, Julia, conhecida com o nome de Úrsula († 1939) anos mais tarde, em 1921, fundou as Ursulinas do Sagrado Coração de Jesus Agonizante, e depois foi canonizada pela Igreja. Outro seu irmão, o Padre Vladimir († 1942) foi o vigésimo sexto Geral da Companhia de Jesus.
Maria Teresa se tornou uma requintada fidalga, muito culta e fluente em vários idiomas. Em 1882 se transladou com seus pais para Lipnica, próximo de Cracóvia (Polônia) onde continuou a cultivar as belas artes e a letras, tendo estudado com as Damas Inglesas.
A Beata aos 16 anos
Inscreveu-se na Congregação Mariana e por um certo tempo ajudou o pai doente na administração do patrimônio. Seu pai faleceu em 1885 vitimado pela varíola, que também a acometeu, causando-lhe muito sofrimento. Deus permitia tais sofrimentos para que ela pudesse refletir sobre a vida frívola que levava e a vaidade das coisas. Segundo a irmã, Júlia, naquele tempo se consagrou a Deus com o voto de virgindade.
Aos vinte e dois anos, em 1885, para não ser um peso para a família, que enfrentava dificuldades econômicas, com o consentimento do tio, o Cardeal Miecislao Ledóchowski († 1902), obteve ser nomeada dama de honra da Grã-Duquesa da Toscana, Alicia de Bourbon e Parma, que tinha residência na corte austríaca, no palácio imperial de Salzburg. A Grã-Duquesa não dispensava sua presença alegre e brilhante, e a estimava muito.
Todo o tempo que permaneceu na corte, embora tendo que tomar parte em festas, bailes e caçadas, manteve um comportamento sério, frequentava a Santa Missa diariamente e comungava com frequência. Sob a orientação do Padre Ralf, OFM, confessor da Grã-Duquesa e seu, se inscreveu na Ordem Terceira Franciscana e, dentro do espírito da Ordem, cultivou uma devoção especial pela Paixão do Senhor e lia livros devotos.
Certa ocasião, foi apresentada às Irmãs Missionárias Franciscanas de Maria, que tinham encontro com a Grã-Duquesa. Logo em seguida recebeu um impresso de uma conferência do Cardeal Lavigèrie, narrando seu árduo trabalho para libertar os escravos da África e pedindo missionárias para ajudá-lo na evangelização. Penalizada com a situação dos escravos, Maria Teresa sentiu o chamado de Deus e abraçou aquela causa.
Em 1888 conheceu o Cardeal Lavigèrie, Arcebispo de Argel, que fundara, em 1868, a Sociedade dos Padres Brancos, para a evangelização da África e, em 1890, a Sociedade Antiescravagista. Desde então, se dedicou à luta contra a escravidão na África.
Em 1889, influenciada por Lavigèrie, fundou a revista "O Eco da África" e organizou uma imprensa para editar publicações religiosas missionárias.
Em 1891, abandonou a corte, apesar da desaprovação de quase todos os amigos, e ingressou para a vida religiosa, sob a direção espiritual dos Jesuítas. Depois a ela se juntaram Melania von Ernest e outras religiosas corajosas.
Durante alguns anos sofreu dificuldades econômicas, mas as suportou pacientemente por amor de Deus. Para viver, se servia de uma exígua prebenda concedida pela imperatriz em 1890. Seu finíssimo enxoval doou-o para as missões; suas roupas de seda foram transformadas em paramentos sagrados; colocou no dedo um simples anel de ferro.
Em 29 de abril de 1894, Leão XIII a recebeu em audiência e abençoou sua ideia de fundar um Instituto missionário para lutar contra a escravidão na África. Entregou-se totalmente a esta obra. Assim, fundou o Instituto das Irmãs Missionárias de São Pedro Claver, ou melhor, das Irmãs Claverianas, para dar apoio e orientação às missões africanas. Concebeu um núcleo de Irmãs consagradas, outro de membros externos com promessa de serviço às missões de África e outro de zeladores dispostos a colaborar em tudo que a obra das missionárias precisasse.
Seu Instituto foi aprovado em 08 de abril de 1897 pelo bispo de Salzburg, o Cardeal João Haller.
Recrutou adeptas em Viena, Stalingrado e em diversos lugares. Realizou viagens promovendo a obra: Viena, Paris, Cracóvia, Breslava, Praga, Insbruck, Bolzano, Trieste... Sua mensagem entusiasmada cativava as pessoas que a escutavam.
 Ela estava tão convencida de cumprir a vontade de Deus, que um dia confidenciou a Mons. Ugo Mioni († 1935), seu colaborador por trinta anos em Trieste: “Se a Igreja julgasse oportuno dissolver o meu Instituto, eu me resignaria no mesmo instante, mas suplicaria ao Santo Padre que me permitisse começar de novo”.
 Em 1899, a Beata obteve o decreto da Sagrada Congregação de Propaganda da Fé; em 10 de junho de 1904, obteve de São Pio X que Nossa Senhora do Bom Conselho e São Pedro Claver, apóstolo dos negros, fossem proclamados patronos do Instituto. No dia 07 de março de 1910, obteve a aprovação definitiva do Instituto e das constituições elaboradas por ela com a ajuda de um jesuíta da Sagrada Congregação dos Religiosos.
Em 1901 adoeceu e teve que se transladar para Roma, na casa adquirida como sede central do Instituto. Sua vida ficou centralizada em dirigir as obras missionárias que iam surgindo.
Maria Teresa, sempre brilhante e ativa, sabia que precisava divulgar muito mais aquela obra. Rezou muito e, inspirada pela Mãe de Deus, fundou em 1908 uma tipografia e passou a publicar dois boletins missionários mensais: o "Eco da África", direcionado para os adultos, e o "Juventude Africana", especial para os jovens, ambos editados em nove idiomas europeus. Ela mesma escrevia os artigos e apelos para difundir a ideia missionária. Logo passou a participar conferências em diversas línguas e países. Foram centenas e centenas até sua morte.
Em 1909, iniciou o Almanaque Missionário, que praticamente circulava por toda a Europa. O Instituto se tornava cada vez mais internacional e a Fundadora animava as diversas atividades para promover o amor às missões e para recolher donativos.
Sua incansável dedicação frutificou e pode enviar aos missionários da África milhões em dinheiro, numerosos objetos sagrados, além de milhares de livros impressos em línguas indígenas africanas, utilizados para a catequização e alfabetização dos nativos.
De toda parte vinham elogios a sua obra, mas ela dizia a Mons. Mioni: “Sou um instrumento inútil nas mãos do Senhor; não admirem a granada que estoura bem”. A Beata confidenciava as suas colaboradoras: “Oh, como Deus me ajuda!”.
No processo canônico, Mons. Mioni atestou: "Embora tendo uma alma de artista, nas longas viagens não mais podia ela visitar um monumento, uma obra de arte, nem museus, nem artísticas igrejas. Nestas ela entrava somente para rezar”. Toda a vida de Madre Teresa não foi senão trabalho e oração. Antes mesmo do decreto de São Pio X sobre a comunhão diária (1905), ela comungava diariamente e exortava suas filhas a fazer o mesmo. Era fiel à confissão semanal.
Ao aceitar e admitir postulantes e noviças, a Beata reparava se elas demonstravam zelo pelas missões e tinham espírito de humildade. Nas suas casas o ócio era desconhecido, mas a nenhuma Irmã eram impostos trabalhos excessivos que fossem danosos à saúde. Ela dizia: “Preferiria que a casa queimasse a vê-la na discórdia”. Ao contrário das penitências corporais, recomendava o espírito de pobreza e outras mortificações da alma.
Por ocasião do 25º aniversário da fundação do Instituto, declarou a comunidade reunida: “Se por qualquer motivo o nosso Instituto tivesse que se dissolver, o que eu faria? Eu, com a graça de Deus, começaria de novo, porque não conheço nada de mais belo e que valha a pena de ser vivido quanto trabalhar com Deus pela salvação das almas”.
O Padre Eligio da Penne, capuchinho, confessor da comunidade afirmou: "Estou certo, pelo meu conhecimento, que ela rezava quase continuamente, apesar de suas múltiplas ocupações".
A Beata deixou 8.000 cartas em polonês, italiano, francês, inglês e alemão, as quais atestam sua solicitude viril pelo bem espiritual das suas filhas e pelo seu progresso principalmente na virtude da obediência.
Madre Teresa dirigiu o Instituto por vinte e oito anos, em meio às turbulências do tempo e do sacrifício pessoal, até morrer no dia 6 de julho de 1922 em Roma, na Itália. Poucos dias antes de morrer, disse a quem a assistia: “Não sei se isto é presunção, mas eu não temo a morte”. Na câmara ardente onde foi velada, o irmão, Padre Vladimir Ledóchowski, celebrou a primeira Missa em seu sufrágio. Desde então, Maria Teresa, passou a ser invocada para interceder por graças e milagres, principalmente nos países africanos, aos quais dedicou toda a sua vida de missionária.
O Beato Papa Paulo VI beatificou aquela que era conhecida em todo o mundo católico como a "Mãe dos Africanos" em 19 de outubro de 1975, e a declarou padroeira da Cooperação Missionária da Igreja na Polônia.

Além de seus artigos de revista e notas de conferências, deixou também alguns escritos: "Minha Polônia", "Zaida, Drama missionário". Desde 1934, as suas relíquias são veneradas em Roma, na capela da casa generalícia das Missionárias de São Pedro Claver.

(Fonte: Blog "Heroínas da Cristandade")