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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 8 de agosto de 2015

SANTA MARIANA COPE (DE MOLOKAI), Virgem e Missionária entre os hansenianos.



Nasceu em Heppenheim, Hessen-Darmstadt (Alemannha), em 23 de janeiro de 1838. Seus pais foram Peter Kobb, agricultor, e Bárbara Witzenbacher. Batizaram-na com o nome de Bárbara. No ano seguinte a família emigrou para os Estados Unidos, indo residir em Útica, no Estado de Nova Iorque. 
    Bárbara fez sua Primeira Comunhão em 1848. Adolescente, aceitou o serviço em uma fábrica de roupa para ajudar economicamente a família. Aos 15 anos queria entrar no convento, porém, por ser a filha mais velha e ter que cuidar de sua mãe e de seus três irmãos menores, teve que esperar nove anos para que seu desejo se realizasse. Durante esses anos de espera pode demonstrar sua paciência e sua alegria.
     Com a morte do pai em 1862, considerando que os irmãos já podiam também trabalhar, sentiu-se livre para seguir a sua vocação religiosa. Entrou no noviciado das Irmãs da Ordem Terceira Franciscana, em Syracuse. Após completar a formação e receber o hábito, tomou o nome de Irmã Mariana, tornou-se professora em uma escola mantida pela Igreja para imigrantes alemães. Aprendeu o alemão, a língua de seus pais, e foi destinada a abrir e dirigir novas escolas.
     Dotada de qualidades naturais de governo, logo tomou parte da equipe diretiva de sua comunidade, que em 1870 estabeleceu dois dos primeiros cinquenta hospitais gerais dos Estados Unidos, que alcançaram grande renome: o de Santa Isabel de Útica (1866) e o de São José de Syracuse (1869).
     Como diretora do hospital em Syracuse, participou do acordo que transferiu a Escola de Medicina de Geneva para Syracuse. Algo inédito: no contrato entre as partes estipulava-se que os pacientes teriam direito a serem tratados por médicos formados, não por estudantes.
     Em meio às dificuldades mais sérias, Madre Mariana realizou um trabalho apostólico com os mais pobres dentre os pobres. Foi eleita provincial de sua Congregação em 1877 e por unanimidade em 1881.
     Em 1883, Madre Mariana, Superiora Geral da Congregação, recebeu um pedido de ajuda para a colônia de leprosos no Havaí, cujo diretor era São Damião de Molokai. Mais de 50 outros institutos já haviam recusado o convite, mas ela respondeu entusiasticamente:
     “Estou ansiosa por esta tarefa e desejo de todo coração ser uma das escolhidas. Que grande privilégio será sacrificar-se pela salvação destas almas. Não estou com medo da doença, pelo contrário, será um grande prazer servir aos abandonados leprosos”.
     Junto com outras seis Irmãs, viajou para Honolulu, aonde chegou em 8 de novembro de 1883. Os sinos da catedral tocaram para bem recebê-las. Era sua intenção voltar para Syracuse após estabelecer a missão no Havaí, mas as más condições higiênicas do hospital, a falta de alimentação adequada e a precária atenção médica, fizeram com que ela mudasse seus planos As autoridades eclesiásticas e o Governo do Havaí logo se convenceram da importância de sua presença para o êxito da missão.
     Tendo Madre Mariana como supervisora, as Irmãs foram encarregadas do Hospital na Ilha de Oahu, que recebia os pacientes de todas as ilhas e ministrava os primeiros tratamentos. Na medida em que o caso se agravava, os pacientes eram enviados para a colônia na Ilha de Molokai.
     Após dois anos de trabalho, seus serviços já eram reconhecidos, sendo que o próprio rei agradeceu-lhe pessoalmente. Em 1885, as Irmãs fundaram uma casa para receber as crianças órfãs de pais leprosos, que eram rejeitadas por todos. Mas um novo governo, em 1887, decidiu fechar o hospital de Oahu e transferir todos os doentes para Molokai. Mesmo sabendo que nunca mais poderiam retornar, as Irmãs aceitaram a missão e partiram para Molokai.
     Em 1888 a madre Mariana respondeu uma vez mais a um chamado de ajuda do Governo. O hospital de Oahu havia fechado e os pacientes leprosos eram enviados a exilada colônia de Kalaupapa, em Molokai. O padre Damião de Veuster havia contraído a lepra em 1884 e sua morte era iminente. Em 1889, depois da morte de padre Damião, aceitou a direção do abrigo para os meninos, e também do trabalho com as mulheres e meninas.


Santa Mariana Cope ao lado do corpo de São Damião de
Veuster, de quem cuidou até sua santa morte.  



     Madre Mariana voluntariamente viveu exilada por trinta anos com seus pacientes. Devido à sua insistência, o Governo criou leis para proteger as crianças. O ensino, tanto de religião como das outras matérias, estaria ao alcance de todos os residentes capazes de assistir às aulas. Dando exemplo, promoveu naquela terra árida a plantação e o cultivo de árvores, arbustos e flores. Conhecia por seu nome a cada um dos residentes da colônia e mudou a vida daqueles que se viam forçados a viver ali, introduzindo a limpeza, o sentido da dignidade e uma recreação sadia. Dava-lhes a conhecer que Deus amava e cuidava com carinho dos abandonados.
     Os historiadores de seu tempo se referiam a ela como “uma religiosa exemplar, de um coração extraordinário”. Seu lema, como testemunharam as Irmãs, era: “Só por Deus”.

     Foi beatificada em 14 de maio de 2005 pelo Papa Bento XVI; e canonizada em 21 de outubro de 2012 pelo mesmo Papa.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

SANTO ANTONINO PIEROZZI OU DE FLORENÇA, BISPO.



Antonino Pierozzi nasceu em Florença, na Itália, em 1389. Seu pai era tabelião e sua mãe dona de casa, ambos muito religiosos. Sendo filho único e obedecendo ao desejo dos pais, fez o curso de direito e se tornou um perito na matéria. Mas, seu sonho era entregar-se à vida religiosa e, para tanto, Antonino procurou ingressar na Ordem Dominicana.

Foi recusado, pois o superior não confiou em seu corpo pequeno e magro, aparentemente fraco. Disse a Antonino que só seria aceito se ele decorasse completamente todo o Código de Direito Canônico, coisa julgada impossível e que ninguém fizera até então. Mas Antonino não se deu por vencido e, poucos meses depois, procurou novamente o superior e provou que cumprira a tarefa.

Foi admitido de imediato e se fez um modelo de religioso, apesar de poucos acreditarem que ele pudesse resistir à disciplina e aos rígidos deveres físicos que a Ordem exigia. Ordenado sacerdote, ocupou cargos muito importantes. Foi superior em várias casas, provincial e vigário-geral da Ordem. Deixou escritos teológicos de grande valor. Entretanto, mais do que seus discursos, seu exemplo diário é que angariava o respeito de todos, que acabavam por naturalmente imitá-lo numa dedicada obediência às regras da Ordem.

Quando ficou vaga a Sé Episcopal de Florença, o papa Eugênio IV decidiu nomear Antonino para o cargo. Entretanto ele fugiu para não ter de assumir o posto, mas afinal foi encontrado pelo amigo beato Frà Angélico e teve, por força, de aceitá-lo. A Igreja, até hoje, comemora o quanto a fé ganhou com isso. Antonino de Florença, em todos os registros, é descrito como pastor sábio, prudente, enérgico e, sobretudo, santo.

Combateu o neopaganismo renascentista e defendeu o papado no Concílio de Basiléia. Conseguiu tanto apoio popular que acabou com o jogo de azar na diocese. No palácio episcopal, todos os que o procuravam encontravam as portas abertas, principalmente os pobres e necessitados. Havia ordem expressa sua para que nenhum mendigo fosse afastado dali antes de ser atendido.

A fama de sua santidade era tanta que, certa vez, o papa Nicolau V declarou em público que o julgava tão digno de ser canonizado ainda em vida quanto Bernardino de Sena, que acabava de ser inscrito no livro dos santos da Igreja. Antonino resistiu até os setenta anos (coisa rara na época), quando o trabalho ininterrupto o derrotou. Morreu no dia 2 de maio de 1459.


O papa Adriano VI canonizou santo Antonino de Florença em 1523 Seu corpo incorrupto é venerado na basílica dominicana de São Marco, em Florença. A Ordem Dominicana o celebra no dia 10 de maio.

Beato Edmundo Bojanowski, Leigo e Fundador das Servas da Imaculada.


Edmundo Bojanowski (1814-1871). Leigo, fundador da Congregação religiosa feminina: as Servas da Bem-Aventurada Virgem Imaculada ou somente “Servas da Imaculada”. Nasceu numa família de nobreza rural, na região de Poznań que naquele tempo pertencia ao Império Prussiano.
Apaixonado de história e filosofia, empreendeu os estudos na Universidade da Breslávia e de Berlim, mas, devido à morte dos pais e depois à própria doença (tuberculose), interrompeu-os e passou a dedicar-se ao trabalho social entre a população rural.
Para isto contou com o auxílio de algumas jovens, e daí surgiu a fundação das Servas da Imaculada, cuja aprovação ocorreu em 1858.
Depois da morte do fundador, esta Congregação dividiu-se em vários ramos, por razões políticas das regiões onde as Irmãs trabalhavam, mas permanecendo fiel ao carisma de espiritualidade e ao ideal de serviço ao próximo.




Homilia (trecho) do Santo Padre São João Paulo II por ocasião da beatificação de Edmundo Bojanowski

O apostolado da misericórdia colmou a vida também do Beato Edmundo Bojanowski. Este proprietário de terras de Wielkopolska, dotado por Deus de numerosos talentos e de uma particular profundidade de vida espiritual, não obstante tivesse uma saúde frágil, realizou e inspirou com perseverança, prudência e generosidade de coração uma vasta actividade em benefício da população rural.
Orientado por um discernimento repleto de sensibilidade às necessidades, deu início a numerosas obras educativas, caritativas, culturais e religiosas, de apoio material e moral à família rural.
Permanecendo leigo, fundou a Congregação das Servas da Bem-Aventurada Virgem Imaculada, muito conhecida na Polônia. A guiá-lo em cada uma das suas iniciativas era o desejo de que todos se tornassem partícipes da Redenção. Inscreveu-se na memória humana como «um homem cordialmente bom» que, por amor a Deus e aos homens, sabia unir com eficácia os vários ambientes à volta do bem.
Na sua rica atividade, precedeu de muito aquilo que o Concílio Vaticano II disse acerca do tema do apostolado dos leigos. Deu um excepcional exemplo de trabalho generoso e sapiente em prol do homem, da Pátria e da Igreja. A obra do Beato Edmundo Bojanowski foi continuada pelas Irmãs Servas, a quem saúdo de todo o coração e agradeço o serviço silencioso e repleto de espírito de sacrifício a favor do homem e da Igreja.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Beata Lúcia Bulafari, Virgem Agostiniana. Invocada contra casos de crianças "enfeitiçadas" ou sob influência de "maledicências".

A Beata Lúcia Bulafari notabilizou-se em
interceder pela libertação de crianças
"enfeitiçadas" ou influenciadas
pela ação demoníaca.

Martirológio Romano: Em Amélia, na Úmbria, Beata Lúcia Bufalari, virgem, irmã do Beato João de Rieti, das Oblatas da Ordem de Santo Agostinho, insigne por seu espírito de penitência e zelo pelas almas.

Uma tradição secular, embora não baseada em documentos, diz que a Beata nasceu em Porchiano del Monte, uma aldeia a poucos quilômetros de Amélia, na Úmbria, Itália, onde, em meados do século XIII, fora construído o convento dos Agostinianos, cuja espiritualidade certamente atraiu a jovem Lúcia e também seu irmão, João. Este ingressou no convento e logo se mudou para Rieti, onde morreu muito jovem, e é conhecido com o nome de Beato João de Rieti (festa em 1º de agosto).

As mais antigas fontes históricas à disposição para traçar um esboço biográfico da vida da Beata Lúcia são “Os Séculos Agostinianos” de Luís Torelli, usado mais tarde por Ludovico Jacobilli, mas ambos parecem se alimentar mais de estereótipos do que de eventos históricos.

Torelli fala do pedido feito pela jovem Lúcia à seus pais para poder entrar nas Terciárias Agostinianas "na clausura que em Amélia tinha nossas religiosas", mas nenhuma documentação relativa a algum convento feminino que seguisse a regra agostiniana no século XIV em Amélia chegou até nós.

A conclusão lógica é que Torelli para aprofundar a sua história da Ordem, procura tornar menos escassa as poucas informações que se tem sobre a Beata, que já há séculos gozava de um culto popular generalizado, isto também só certificado por documentos do século XVII e numerosos ex-votos conservados na Igreja de Santo Agostinho. É o que diz também o Pe. João Lupidi em um livro de memórias históricas que apareceu na transladação do corpo para a Igreja de Santa Monica.

Torelli descreve mortificações e penitências que a Beata se submetia, algo relativamente comum em muitas vidas de santos. O cronista agostiniano continua a falar da afabilidade da Beata, de suas virtudes que convenceram as coirmãs a elegê-la sua prioresa, apesar de ser uma das mais jovens. Entretanto, não temos nenhum documento contemporâneo atestando a presença de uma comunidade estruturada de religiosas Agostinianas. Mas podemos presumir que algum grupo de "terciárias" realmente viveu à sombra do mosteiro masculino, pois, bem no canto do agora antigo mosteiro de Santa Mônica, sempre foi indicada pela piedade popular a cela onde a Beata Lúcia teria vivido e morrido, e dentro da qual foi colocado um quadro de Jacinto Gimignani que a retrata.

Sua morte teria ocorrido em 27 de julho de 1350. A Beata foi enterrada na sacristia de Santo Agostinho, em um túmulo único e bem reconhecível, um sinal claro da devoção que cercava Lúcia. E diante do túmulo logo começaram a florescer milagres, especialmente em favor das crianças "enfeitiçadas”, isto é, vítimas da ação do demônio (Nota: seria o nosso "mal olhado" ou "olho gordo" de hoje em dia?). Sua iconografia mostra a Beata Lúcia expulsando demônios de uma criança enferma. 

Os registros históricos sobre a Beata aparecem somente em 1614, quando os Anciãos da Cidade de Amélia certificaram com um ato público que o corpo incorrupto da Beata "foi mantido na sacristia da igreja de Santo Agostinho e foi considerado e reverenciado por todos os habitantes da cidade como de uma santa".

Nos anos seguintes, seu corpo foi exumado da sepultura primitiva, posto em uma urna de madeira dourada e exposto sobre um altar da igreja, onde permaneceu até 24 de abril de 1925 quando, em uma cerimônia solene, foi colocado em uma urna nova e recolocado sob um altar da igreja do mosteiro de Santa Monica. Ali permaneceu até maio de 2011. Então, devido à saída das monjas e da recente indisponibilidade da igreja, foi recolocado sob o altar da Catedral de Amélia.

O culto da Beata Lucia foi confirmado pelo Papa Gregório XVI em 3 de agosto de 1832. A sua festa é celebrada em 27 de julho. Ela é invocada contra a possessão diabólica.


domingo, 2 de agosto de 2015

SANTO ANDRÉ BOBOLA, Presbítero Jesuíta e Mártir (vítima do ódio anticatólico).



Santo André Bobola, vítima do ódio à religião católica. Martirizado pelos cismáticos com crueldade inaudita, seu corpo permaneceu incorrupto por 45 anos, trazendo as marcas das sevícias sofridas.

André Bobola nasceu no ano de 1592 no Palatinado de Sandomir, na Polônia, de família ilustre e religiosa. Desde pequeno notaram-se no menino os dons extraordinários com que Deus tinha cumulado sua alma.

Fez seus estudos no colégio jesuíta de sua cidade natal, e já era apontado pelos mestres como modelo para os outros estudantes.

Com a idade de 21 anos, entrou para a Companhia de Jesus em Wilna. Fez profissão religiosa, sendo depois encarregado da educação da juventude em vários colégios jesuítas, conquistando os alunos por sua amabilidade e bondade.

Era corpulento, mas de baixa estatura. Seu ar nobre, afável e piedoso atraía as pessoas. Com longa barba, excelente espírito, memória feliz e expressão acolhedora, ia direto aos corações. Era, entretanto, sua profunda convicção o que mais atraía.


"Ai de mim se não evangelizar"
No dia 2 de junho de 1630, fez sua profissão solene e tornou-se superior da residência dos jesuítas em Bobruisk. Nesse tempo pôde revelar sua ardente caridade durante uma epidemia que dizimou a Lituânia. E só não foi vítima dela porque Deus Nosso Senhor o reservava para outro martírio mais heroico.

Demitiu-se em 1636 do cargo de superior, para dedicar-se exclusivamente às missões. Seu campo de ação foi, sobretudo, o reino da Lituânia, que ele percorreu por inteiro em suas caminhadas apostólicas.

Por esse tempo os cossacos da Ucrânia, os russos e os tártaros devastavam a Polônia, e a fé católica era objeto dos ataques simultâneos de protestantes e cismáticos. Os jesuítas, em particular, eram os mais odiados. Muitos foram expulsos de suas casas e levados em cativeiro. Era uma época muito difícil para o apostolado, entretanto o intrépido Pe. Bobola não se detinha diante dessas dificuldades. Ele podia dizer como São Paulo: "Ai de mim se não evangelizar".

Seu apostolado era fecundo. Janow, uma das cidades mais cultas da Lituânia, contava com apenas dois católicos quando ele começou a evangelizá-la. Seu trabalho foi tão abençoado que, à sua morte, praticamente toda a cidade tinha voltado à verdadeira fé. Mesmo os fiéis da Igreja Ortodoxa russa, cismática, não podiam resistir à sua pregação, e se convertiam em grande número à verdadeira Igreja.


"Cão jesuíta! Cão papista! Feiticeiro!"
Os sacerdotes cismáticos, não podendo segurar esses fiéis em suas fileiras, voltavam contra o missionário todo seu ódio. E davam dinheiro a desclassificados para atacarem-no com injúrias e maus tratos. Como isso não adiantasse, idealizaram outro método ainda mais grosseiro de prejudicar o Pe. Bobola: arrebanharam meninos de rua e os industriaram tão bem, que eles esperavam o missionário sair de sua residência e o acompanhavam depois, atirando-lhe os objetos mais vis, em meio a tremenda algazarra. Se o santo ia visitar um enfermo, esperavam-no do lado de fora, gritando contra ele os mais injuriosos epítetos. O mesmo faziam quando ele ia pregar. E assim procuravam tornar sua vida impossível.

Mas o Santo permanecia impassível diante de tanta injúria, mostrando mesmo para com esses moleques uma bondade, uma paz de coração, um desejo de fazer-lhes bem, que teria convertido pedras em filhos de Abraão. Mas os sacerdotes cismáticos o tinham previsto, e acautelavam os meninos contra esse "feitiço". Assim, quando o sacerdote procurava dirigir-lhes a palavra, afastavam-se gritando: "Cão jesuíta! Cão papista! Ladrão de almas! Feiticeiro! Feiticeiro!".

Entretanto, vendo que nada disso conseguia impedi-lo de continuar seu apostolado avassalador, determinaram tirar-lhe a vida. Para isso chamaram em seu auxílio os cossacos, que haviam invadido a Polônia.

Foi então que os jesuítas, e entre eles o Pe. Bobola, retiraram-se para Janow, onde poderiam ser mais úteis aos católicos perseguidos. Mas não tardou a aparecer nessa cidade um destacamento de cossacos, a quem os cismáticos tinham informado o paradeiro do missionário.

Martírio movido pelo ódio à Religião católica
No dia 16 de maio de 1657, véspera da Ascensão de Nosso Senhor, Santo André Bobola estava na pequena cidade de Perezdyle, onde fora pregar em preparação para a festa do dia seguinte. À notícia da aproximação dos cossacos, os fiéis pressionaram o santo para que fugisse. Dois dos cossacos alcançaram-no, despiram-no, amarraram-no a uma árvore e o moeram de golpes. Era o começo de uma série inaudita de tormentos, que só o ódio religioso pode suscitar. Sobre esse tremendo martírio, a Sagrada Congregação dos Ritos afirmou ser "talvez o martírio mais cruel que jamais se submeteu ao exame desta Sagrada Congregação".

Levado para os chefes, estes quiseram de todos os modos obter a apostasia do campeão de Jesus Cristo. Como nada conseguissem, ataram-no a um poste e o flagelaram impiedosamente durante largo tempo. Em seguida aplicaram-lhe em redor da cabeça dois galhos de um arbusto e os apertaram por meio de torções e contorções, provocando-lhe dores atrozes. Arrancaram-lhe então a pele das mãos, deixando-as em carne viva.

Mas não pararam aí. Ligaram-no às selas de dois cavaleiros e o obrigaram a segui-los até Janow. Como ele não andava com a velocidade desejada pelos cossacos, estes lhe deram vários golpes, recebendo ele nesta ocasião duas profundas feridas nos braços.


Vítima do ódio à Fé Católica, Santo André Bobola foi
submetido a crudelíssimas torturas. 


À entrada de Janow havia uma pequena casa destinada ao matadouro público. Ali levaram o santo, amarraram-no a um banco, e com tochas foram-lhe queimando a fogo lento os lados e o peito. Lembrando-se de que a vítima era sacerdote católico, cortaram-lhe a pele da cabeça no local da tonsura eclesiástica, deixando os ossos do crânio a descoberto. As mãos que tinham recebido a unção sagrada, e às quais já haviam arrancado a pele, foram ainda mais mutiladas. Cortaram-lhe as falanges de ambos os polegares, que serviam para a Consagração, e também o indicador da mão direita, desligando os músculos da mão esquerda para arrancarem os dedos juntamente com a pele. Virando-lhe o corpo, tiraram a pele das costas e de uma parte dos braços e lançaram palha de cevada moída sobre a carne viva. Afiaram depois estiletes de madeira e meteram-nos debaixo das unhas dos artelhos e dos dedos. A exemplo de Nosso Senhor em sua Paixão, tudo isso era entremeado com pancadas e bofetadas tão fortes, que fizeram saltar vários dentes, inchando-lhe enormemente a face.

Um requinte ainda era necessário: a língua, que tanto pregara, necessitava ser arrancada. Por isso, depois de lhe vazarem um olho, de cortar-lhe o nariz e de lhe rasgarem os lábios, abriram a garganta e arrancaram-lhe toda a língua. Depois tomaram um estilete e o espetaram no coração. Como o corpo martirizado ainda se contorcia, diziam rindo: "Como dança esse polaco!". Finalmente deram-lhe dois golpes de misericórdia.


Ódio anticatólico renovado pelos comunistas
Diz-se que nesse momento uma luz sobrenatural apareceu sobre Janow, e os cossacos fugiram a toda brida. Os católicos o enterraram no colégio dos jesuítas de Pinsk.

Anos mais tarde os cossacos da Ucrânia voltaram a invadir a Lituânia meridional. No colégio de Pinsk, os jesuítas temeram por sua sorte. O superior se perguntava a qual santo recorrer nessa emergência, e na noite de 19 de abril de 1702 apareceu-lhe um religioso com o hábito jesuíta, que lhe disse: "Tendes necessidade de um protetor junto a Deus. Por que não vos dirigis a mim? Sou André Bobola, morto em ódio à fé pelos cossacos. Procurai meu corpo, eu serei o defensor do colégio".

Encontraram então o túmulo do mártir num canto da igreja do colégio, onde permanecia no esquecimento. Após 45 anos da morte, seu corpo estava incorrupto, coberto com os mil ferimentos do martírio, nos quais se via ainda o sangue fresco. A carne permanecia branda e flexível. Foi assim, por esse milagre estupendo, que a Providência quis tornar conhecidos muitos dos detalhes do martírio desse grande defensor da fé. Em seu processo de beatificação, é dito que foi ele mesmo o verdadeiro postulador de sua causa.

Em 17 de junho de 1938 os restos mortais de Santo André foram levados solenemente pelas ruas de Cracóvia
Santo André Bobola foi beatificado pelo Bem-aventurado Pio IX. Mas seu "martírio" post-mortem não cessara ainda. Quando os bolchevistas dominaram a Polônia, arrebataram violentamente as suas relíquias e as levaram para Moscou. Foi só depois de muitas e demoradas negociações que a Santa Sé conseguiu-as de volta, em 02 de novembro de 1923. Pio XI o canonizou solenemente em 1938, e mais tarde ele se tornou protetor da nobre nação polonesa.


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Notas:

Obras consultadas:

F.M. Rudge, St. Andrew Bobola, in The Catholic Encyclopedia, Online Edition Copyright © 2003 by Kevin Knight, www.NewAdvent.org.

Les Petits Bollandistes, Saint André Bobola, Martyr, in Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo V, pp. 602 e ss.

Pe. José Leite, S.J., Santo André Bobola, Mártir, in Santos de Cada Dia, Editorial A.O., Braga, 1987, tomo II, pp. 82 e ss.


(Fonte: site catolicismo.com.br)