Páginas

Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

SÃO JUNÍPERO SERRA, Presbítero Franciscano e Missionário. Conhecido como o Apóstolo da Califórnia.



Sacerdote da Primeira Ordem, apóstolo da Califórnia (1713-1784). Beatificado por São João Paulo II em setembro de 1988. Canonizado pelo Papa Francisco, em sua visita aos EUA em setembro de 2015.

Este santo, conhecido como o Apóstolo da Califórnia, nasceu em Petra na ilha de Maiorca, a 24 de novembro de 1713, de Antônio Serra e Margarida Ferrer, pais exemplares pelos costumes e piedade, embora pessoas de pouca instrução. A criança foi batizada com o nome de Miguel José e foi crismado com a idade de apenas dois anos, por ocasião da visita do bispo de Maiorca, Atanásio Esterripa.
 Criança ainda, ajudava os pais nos trabalhos do campo e frequentou a escola anexa ao convento franciscano de São Bernardino, dando provas de inteligência viva e aberta e desta forma pôde ser encaminhado para fazer estudos superiores.
Depois de um ano de estudos filosóficos no convento de São Francisco de Palma, com 17 anos, vestiu o hábito franciscano no convento Santa Maria de Jesus. A 15 de setembro de 1731 emitiu os votos religiosos mudando o nome de batismo para o de Junípero, devido à grande admiração que tinha para com Frei Junípero, um dos primeiros companheiros de São Francisco. Concluídos com brilhantismo os estudos teológicos, foi ordenado diácono em 1736 e, posteriormente, sacerdote. Em 1743, já tinha sido designado para o ensino de filosofia no convento de São Francisco de Palma. Nesse período manifestou dotes de fino orador. Foi chamado a ocupar a cátedra de teologia escotista na Universidade Lulliana de Palma de Maiorca. Nunca haveria de deixar o ministério da pregação.
Aos 35 anos de idade, não obstante a fecundidade de seu apostolado na ilha, Frei Junípero, obedecendo a uma vocação interior, partiu rumo às Missões da América junto com um seu discípulo, Frei Francisco Palòu. Os dois permanecerão juntos por toda a vida. Partiram no dia 13 de abril de 1749, de Málaga. Depois de dramática travessia, chegaram a São João de Porto Rico no dia 18 de outubro e a 7 de dezembro alcançaram Vera Cruz, na costa sul do México. A pé, prosseguiram até a cidade do México.
Passou a exercer apostolado junto aos indígenas falando em sua língua. Fez um catecismo na língua do povo e ensinava rudimentos de ciência e técnicas a respeito do trabalho da terra. Graças à ajuda dos que eram missionados, Junípero e seu colega puderam construir em Santiago de Jalpán uma igreja de pedra, de estilo barroco ainda hoje tido como monumento de interesse histórico e tomado, posteriormente, como modelo para a realização de quatro outras igrejas na missão.
Em seu trabalho pastoral insistia nas graças dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação. Costumava confessar-se a seu confrade Frei Francisco diante de todos, antes da celebração da Missa. Levou os indígenas a uma qualidade de vida respeitável e digna.
O colégio de São Ferdinando (Fernando), ao qual padre Serra pertencia, em 1751 contava com cinco missões das quais ele tinha sido nomeado presidente e primeiro responsável até que foi enviado por seus superiores ao Texas para restaurar a missão de São Sabas, destruída, um pouco antes, pelos índios Apaches; tarefa pouco depois revogada, devido ao perigo que comportava para o missionário. De 1758 até 1767 permaneceu no colégio apostólico de São Ferdinando como mestre de noviços e pregador de missões em várias dioceses mexicanas.
Nunca deixou de frisar a importância das celebrações litúrgicas, mas, sobretudo, implantará modelo de vida comunitária e de organização econômica, ensinando como trabalhar o campo, criar o gado e exercitar-se na arte da cerâmica.
Em junho de 1767, depois da expulsão dos jesuítas das possessões do vice-reino de Espanha por decisão de Carlos III, as missões da Baixa Califórnia foram confiadas aos Franciscanos e Frei Junípero foi nomeado seu superior. Em 1º de abril de 1768, junto com 14 companheiros, empreendeu a corajosa e extenuante viagem rumo à península da Baixa Califórnia, cujo clima é caracterizado por longos períodos de seca e de temperaturas muito elevadas. Estabeleceu o quartel general da missão em Loreto. Fez o que pode sempre sob a vigilância do governo civil sobre as missões. Incansável foi seu trabalho também porque a população local vivia somente de caça e da pesca desconhecendo as técnicas do cultivo da terra.
Depois de dois anos, devido também às condições econômicas favoráveis, pôde fundar a primeira missão californiana de San Diego de Alcalà. Deslocou-se na direção da Alta Califórnia e fundou as Missões de São Carlos Borromeu, de Santo Antônio de Pádua, São Gabriel e de São Luis Bispo e muitas outras.
Segue-se um período de incompreensão com um comandante militar da Nova Espanha, José de Galvez. Por este motivo, o santo retirou-se a pé para o México permanecendo no Colégio de São Ferdinando até 13 de março de 1774. Volta aos antigos campos de atividade.
A missão prosseguia lenta, mas perseverantemente. Foram refundadas as missões destruídas pelos índios e abertas outras novas. No final de tudo, retirou-se com seu confrade fiel para Monterey, na Califórnia, que escreveu a biografia do santo como testemunha ocular.
Merecidamente, Junípero Serra foi definido como um colosso de evangelizador. Durante dezessete anos, precisamente de 1767 a 1784 percorreu, apenas na Califórnia, perto de 9.900km a pé, 5.400 em embarcação, não obstante a idade e as enfermidades. Fundou nove missões, das quais derivam os nomes franciscanos de cidades californianas muito importantes, como São Francisco, São Diego, Los Angeles, etc.
Frei Junípero, fortemente debilitado em sua saúde, pela asma e gangrena numa perna, morreu a 28 de agosto de 1784 no retiro do Carmelo de Monterrey na Califórnia com 71 anos de idade, sendo que 36 deles foram dedicados à missão.

São Junípero Serra batizando uma bebê indígena. 

Considerado o pai dos índios, foi honrado como herói nacional. Desde 1º de março de 1931, a sua estátua representando o Estado da Califórnia, está entre as outras dos Pais fundadores dos Estados Unidos na Sala do Congresso de Washington, estátua única de um religioso no Santuário dos americanos ilustres. O ponto mais alto da cordilheira de montanhas de Santa Lucia na Califórnia tem o seu nome.
 (Tradução e adaptação da obra Frati Minori Santi e Beati, publicada pela Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores, Roma 2009, p. 334-337).

- See more at: http://www.franciscanos.org.br/?p=59488#sthash.yNUCj4vN.dpuf

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

SANTO AGOSTINHO DE HIPONA, Bispo e Doutor da Igreja, Farol de Sabedoria e de Amor a Deus.



De pecador a modelo de perfeição espiritual, Santo Agostinho abraçou a Fé católica com fervor e zelo invulgares, defendendo-a e a enriquecendo com a extraordinária inteligência que lhe foi concedida por Deus.


Considerado um dos mais luminosos teólogos da Igreja em todos os tempos, Santo Agostinho legou à História não apenas seus tratados espirituais, como também a narrativa da própria conversão, a descrição de suas lutas interiores e de seu triunfo sobre o pecado. "Confissões", a célebre obra do Bispo de Hipona, tem produzido inúmeros frutos de emenda de vida, de retomada do caminho da virtude, por parte dos que se deixaram tocar pelo exemplo desse herói da Fé.

Antes de comentarmos uma eloquente passagem dessa autobiografia, convém tomarmos conhecimento de alguns breves contornos do perfil de Santo Agostinho.


Retórico e filósofo ilustre

Pai por excelência de todos os Padres da Igreja, Doutor da graça, monge, pastor, teólogo, autor de uma obra monumental e escritor de gênio, Agostinho permanece o símbolo vivo do convertido, não cessando de influenciar o espírito e o imaginário da Europa.

Esse romano da África, de origem berbere, nascido no ano de 354, em Tagaste, na atual Argélia, alcançou grande renome por seu extraordinário domínio das artes liberais, e foi considerado por seus contemporâneos como o mais ilustre dos retóricos e o mais autorizado dos filósofos. Adepto de Cícero, o jovem Agostinho vai para Cartago, e depois para Roma e Milão, que era então a capital do Império. As suas peregrinações espirituais o levaram a aderir ao maniqueísmo, mas é o encontro com o cristianismo que vai revolucionar a sua existência. Aos trinta e dois anos, por insistência de sua mãe, Santa Mônica, e de Santo Ambrósio, e após uma revelação sobrenatural nos jardins da sua casa, Agostinho pede que seja batizado.

"Diz uma tradição que, terminada a cerimônia do Batismo, Santo Ambrósio exclamou: ‘Te Deum laudamus!', e que Santo Agostinho acrescentou: ‘Te Dominum confittemur!'; e assim, alternando suas frases um e outro, entre os dois improvisaram naquela ocasião os conceitos e palavras que compõem o cântico litúrgico do ‘Te Deum'.



Incansável adversário da heresia

Depois de um breve retiro em Cassiciaco, Agostinho volta à sua terra natal, torna-se monge e consagra três anos à oração e ao estudo.

Em 391, o Bispo Valério de Hipona (atual Annaba) chama-o para junto de si. Agostinho suceder-lhe-á em 395 nessa importante sede episcopal. Começa então para esse pregador e catequista infatigável uma era de grandes controvérsias - contra os donatistas, em primeiro lugar, que negam aos ‘lapsi' (apóstatas) o perdão da Igreja; em seguida contra os pelagianos, que atribuem exclusivamente ao homem o mérito da salvação.

O Bispo de Hipona descobre em si uma vocação de lutador contra as heresias, capaz não só de inscrever a sua reflexão nas problemáticas do seu tempo, como também de edificar uma autêntica Teologia perene. No fim da sua vida, já em plena invasão dos Vândalos, enfrentou um último desvio à Fé: o dos homeanos, que negam o dogma cristológico.



A tristeza, companheira no fim da vida

Por volta do ano 430, os bárbaros devastam totalmente o norte da África. Ao atingirem Hipona, os invasores a cercaram e lhe impuseram um rigoroso assédio. Este acontecimento agravou a já amarga e triste ancianidade de Santo Agostinho, que sofreu mais do que todos, e se alimentou de dia e de noite com a torrente de lágrimas que brotavam de seus olhos ao ver como uns caíam mortos e outros fugiam, e ao considerar que as igrejas ficavam viúvas de seus sacerdotes, e as populações arrasadas se transformavam em desertos.

Como os horrores continuassem, reuniu seus monges e lhes disse: “Pedi ao Senhor que nos tire desta angustiosa situação, ou nos dê forças para suportá-la, ou me leve desta vida e me livre de presenciar tantas calamidades”.

O Senhor o ouviu e lhe concedeu a terceira dessas petições. Meses após o início do cerco da cidade, Santo Agostinho caiu enfermo. Compreendendo que o dia de sua morte se aproximava, mandou que escrevessem os Sete Salmos Penitenciais em grandes cartazes e os pregassem a uma das paredes de sua cela, de maneira a poder lê-los e rezá-los a partir do leito em que se achava prostrado. Assim foi feito, e o Santo, sempre com imensa emoção de alma, recitava constantemente ditas orações.

Pouco antes de sua morte, Santo Agostinho teve essas interessantes palavras: “Ninguém, por muito virtuosamente que tenha vivido, deve sair deste mundo sem fazer previamente confissão de seus pecados e sem receber a Eucaristia”.

Até o último momento de sua vida conservou perfeito estado de suas faculdades, seus membros e sua vista, de maneira que, com completa lucidez mental, no instante supremo, rodeado de seus monges que o assistiam com suas preces, aos 77 anos de idade e 40 de episcopado entregou seu espírito a Deus.

Apaixonado investigador da verdade

Luminosíssimo farol de sabedoria, baluarte da ortodoxia, fortaleza inexpugnável da Fé, sobressaindo em talento e ciência entre os demais doutores da Igreja, Agostinho foi homem eminente, tanto pelos exemplos de suas virtudes, quanto pela riqueza de sua doutrina.

A obra que deixou é imensa. Cento e treze Tratados, entre os quais se destacam o ‘De Trinitate' e ‘A Cidade de Deus' que inaugura a teologia da História; 218 epístolas, mais de 500 ‘Sermões', ‘Diálogos' e ‘Comentários' bíblicos, e, por fim, essa obra singular que são as ‘Confissões', a primeira autobiografia de todos os tempos. “A sua teologia, feita de experiência e permanentemente existencial, eleva-se até a contemplação pura, sem ignorar a psicologia, a historicidade, a realidade humana. Da iluminação fulgurante da sua juventude ao final da sua velhice, Santo Agostinho nunca deixou de meditar sobre o dom feito por Deus ao homem, e que faz dele um investigador apaixonado da verdade”

"Dai-me o que me ordenais; ordenai-me o que quiserdes!"

Vemos, portanto, como Santo Agostinho se destacou não apenas por suas insignes virtudes, mas também pela luminosa sabedoria que Deus lhe concedeu, a fim de utilizá-la para o bem das almas e da doutrina católica.

Em seu famoso livro autobiográfico - "Confissões" - tem ele esta linda passagem sobre a qual gostaria de tecer alguns breves comentários: "Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e sempre nova. Tarde Vos amei! Eis que habitáveis dentro de mim, e eu lá fora a procurar-Vos! Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes. Estáveis comigo, e eu não estava convosco! Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria se não existisse em Vós. Porém, chamaste-me com uma voz tão forte que rompestes a minha surdez. Brilhastes, cintilastes e logo afugentastes a minha cegueira! Exalastes perfume: respirei-o suspirando por Vós. Saboreei-Vos, e agora tenho sede e fome de Vós. Tocastes-me e ardi no desejo da vossa paz. Só na grandeza da vossa misericórdia coloca toda a minha esperança. Dai-me o que me ordenais, e ordenai-me o que quiserdes. "Ora, afirmou um sábio: ‘É já um efeito da inteligência saber que ninguém pode ser casto sem o dom de Deus'. Pela continência, reunimo-nos e nos reduzimos à unidade, da qual nos afastamos ao nos derramarmos por inumeráveis criaturas. Pouco Vos ama aquele que ama, ao mesmo tempo, outra criatura sem ser por vossa causa. Ó amor que sempre ardeis e nunca Vos extinguis! Ó caridade, ó meu Deus, inflamai-me! Ordenais-me a continência. Dai-me o que me ordenais e ordenai-me o que quiserdes”! Trata-se de um texto tão elevado e nobre que sua intelecção pode parecer, à primeira vista, um pouco árdua.

Belos jogos de palavras

Santo Agostinho faz alguns jogos de palavras, muito apreciados pelos antigos. Não sei como soam e que sabor tem na audição e no paladar espiritual das gerações posteriores à minha, mas a meu ver são lindíssimos.  Como se sabe, Santo Agostinho se converteu na idade madura, após ter levado uma vida de pecados. Por isso, se dirige a Deus dizendo:

"Tarde Vos amei", e utiliza o primeiro jogo de palavras: "Ó Beleza tão antiga e sempre nova". O Criador é antigo, pois, sendo eterno, existiu antes de todos os séculos. Mas é uma Beleza sempre renovada, porque é infinito, manifestando continuamente algo de inédito à nossa consideração. E o homem, adorando-O por tais predicados, encontra em Deus a plenitude, a perfeição expressa pelo aludido jogo de palavras. Este como que vincula dons antitéticos que o espírito humano não saberia unir. Exclama o Santo: "Eis que habitáveis dentro de mim e eu lá fora a procurar-Vos!"

Em todos os homens, sobretudo nos batizados, Deus age de modo permanente através da ação da graça. Portanto, o Altíssimo permanecia no interior de Santo Agostinho. Porém, como um louco, ele O procurava fora, almejando um contentamento que as criaturas não dão, pois a verdadeira felicidade está dentro de nós.

Vemos, então, outro jogo de palavras: dentro e fora. Ele possuía, no mais fundo da alma, aquilo que tinha o desatino de procurar fora. Continua o Bispo de Hipona: "Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes. Estáveis comigo, e eu não estava convosco!"

Quer dizer, Deus habitava em seu interior, mas ele não permanecia com o Senhor. É uma antítese, sem ser uma contradição.

Recebemos graças para obedecer às ordens divinas

Em certo trecho, Santo Agostinho tem esta linda afirmação: Deus nos proporciona aquilo que nos ordena. O que significa isso?

Quando o Criador nos prescreve um mandamento, nos concede anteriormente a possibilidade de observá-lo. Assim, antes de nos preceituar a castidade, Ele nos dá a graça para praticá-la. Pois Deus, ao contrário de certos dirigentes humanos, é um bom Pai e nos governa pelas regras da sua inesgotável misericórdia.
Com base nessa concepção, Santo Agostinho apresenta uma interessante justificativa para a castidade. Segundo ele, o bem de cada ser e o da ordem do universo é a unidade. O homem puro é aquele que ama a Deus acima de tudo, e as outras coisas por amor ao Criador. Pelo contrário, o impuro corre atrás de mil criaturas, e nessa espécie de pluralidade se afasta da unidade originária, primitiva, para a qual deve tender. Ao agir assim, ofende a ordem do universo.

Tal visualização encerra uma maravilhosa repulsa da poligamia e do divórcio, e é mais valiosa, penso eu, do que qualquer refutação sociológica contra esses desvios morais. Pois a metafísica é muito mais apropriada para convencer o espírito humano do que os dados técnicos, mesmo quando acompanhados de argumentos de índole psicossocial. Creio que em qualquer época de minha vida, esse raciocínio a favor da castidade, baseado no conceito da unidade, convenceria mais do que todos os outros.

Com esses breves comentários é-nos dado recordar, então, a memória deste extraordinário varão de Fé e de sabedoria, exemplo fulgurante de amor a Deus, que foi o grande Santo Agostinho de Hipona.


(Mons. João Clá Dias, EP - Santos comentados)














segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Oração ao Anjo da Guarda do Brasil






Santo Anjo do Brasil, vós fostes encarregado pelo Pai Eterno de guardar esta Terra de Santa Cruz e ajudá-la a crescer e desenvolver-se conforme Seus desígnios benevolentes.
Nós cremos no vosso poder junto de Deus e confiamos na vossa prontidão em socorrer-nos. Sede, pois, nosso guia para que cumpramos convosco a nossa missão no mundo. Ajudai a Igreja no Brasil a anunciar Cristo com franqueza e alegria e penetrar toda sociedade com o fermento do Evangelho. Afastai, com a força da Santa Cruz, todos os poderes dos inimigos que ameaçam o povo brasileiro. Unimos as nossas preces às vossas.



Apresentai-as diante do Trono de Deus, para que, unidas ao Sacrifício de Jesus, oferecido diariamente em nossos altares, alcancem aquelas graças que mais precisamos nesta hora de combate espiritual. E guardai-nos sempre debaixo do manto protetor de Nossa Senhora Aparecida, nossa Mãe e Rainha, para que permaneçamos fiéis no caminho de Jesus, o único que nos conduz da terra ao Céu.
Lá, na assembleia de todos os povos, unidos como uma só família de Deus, louvaremos e agradeceremos convosco ao Pai Eterno, com Seu Filho e o Espírito de Amor, por toda a eternidade. Amém

(Aprovada por Dom Raymundo Cardeal Damasceno de Assis, em Aparecida no dia 28 de maio de 2012)






domingo, 20 de setembro de 2015

Serva de Deus Maria Margarida Bogner, Virgem da Ordem da Visitação.


Irmã Maria Margarida Bogner nasceu na província de Torontál, município de Melence (Hungria), aos 15 de dezembro de 1905, de uma família nobre e religiosa. Em 17 de dezembro foi batizada em Német-Élemér, porque em Torontál não existiam Igrejas para o culto católico; recebeu o nome de Adelaide Maria Ana. Aos 11 de abril de 1915 recebeu a primeira comunhão.
Era uma criança muito extrovertida e excepcionalmente afetuosa, vivaz e alegre; muito amada pelas companheiras, tinha um coração grande e bom. Desde pequena tomava sob a sua proteção as crianças mais necessitadas. Com a idade de nove anos adoeceu com escarlatina, o que lhe provocou uma periostite, em consequência da qual um pé ficou para sempre rígido.
A debilidade física foi a fiel companheira de toda a sua vida. Por dez meses precisou ficar no leito e durante este tempo demonstrou ser uma criança admiravelmente paciente. Ainda adolescente revelou uma devoção especial para com Jesus Sofredor. Suscitou nela compaixão o ver e saber que... “foi deitado em um travesseiro tão duro (a cruz)”. Um dia na escola se levantou e disse para sua professora: “eu gostaria tanto de ser uma santa. Como devo ser para me tornar santa?”.
Por um certo período viveu com prazer o que o mundo e as amizades – mesmo boas – lhe ofereciam. Com os exercícios espirituais que fez em 1923 teve início a sua grande ascese espiritual. Daquele momento em diante, depois de grandes lutas, viveu somente para Deus, sem mudar o seu estilo externo de vida. Sua conversão, como a chama, a partir daquele momento leva-a para uma vida evangélica mais perfeita, à procura do seu caminho interior. Ela mesma o descreve no seu diário que com fidelidade reflete plenamente a sua alma.
Em 7 de julho de 1925, ainda em família, fez o voto de castidade e de cumprir sempre aquilo que entendesse ser mais agradável a Deus; aos 15 de agosto do mesmo ano ofereceu toda a sua vida como um lento martírio, escrevendo com o seu sangue, em um diário, aquilo que tinha decidido.
Depois de ter pedido repetidamente, e a vários Institutos, para ser admitida à vida religiosa, e ter sido rejeitada por motivo da sua saúde frágil, aos 10 de agosto de 1927 foi acolhida – por manifestação e particular intervenção da Providência – no Mosteiro da Visitação de Thurnfeld, no Tirol.
Aos 10 de abril de 1928 vestiu o hábito religioso da Visitação, mudando o nome de Etelka (Adelaide) para Irmã Maria Margarida. O hábito santo das esposas de Cristo a fez totalmente feliz. Aos 5 de agosto de 1928 chegou a Erd, no primeiro Mosteiro da Visitação fundado na Hungria, onde permaneceu até a sua morte.
Como noviça, também em Erd, desejava ardentemente conhecer do modo mais perfeito possível a sua Ordem e a espiritualidade que nela se vive para poder plenamente aderir e contagiar com o seu entusiasmo as companheiras de noviciado. Por ocasião da sua Profissão Temporária pediu ao Sagrado Coração permanecer fiel aos seus votos até o último respiro e jamais ofendê-Lo, nem mesmo com as menores e premeditadas imperfeições. Testemunhou até a morte, o quanto foi sincero esse seu pedido.
Teve uma notável devoção a Jesus na Eucaristia, ao seu Sagrado Coração e a sua Mãe Imaculada. Fez a Profissão Perpétua aos 16 de maio de 1932. Naquele dia já estava febril, mas radiante com uma felicidade que contagiava a todos. Estava com tuberculose, e em meados de julho o médico a declarou seu estado muito grave.
Morreu no Mosteiro da Visitação de Erd, aos 13 de maio de 1933, depois de um longo sofrimento em silêncio e na prática constante e exata das virtudes evangélicas, especialmente aquelas desejadas por São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca de Chantal para as suas filhas: a doçura e a humildade. DOS SEUS ESCRITOS:
 “... Jesus, sinto que é no Mistério da Eucaristia que eu devo te amar de modo particular. A lâmpada do tabernáculo deve consumir-se diante do altar. Jesus, eu desejo ardentemente prostrar-me o mais frequentemente possível diante do Sagrado Cibório para amar-te, para te falar da minha ternura, como se fosse no Paraíso, onde abraçarei os seus pés. Lá em cima, Tu és incessantemente amado e adorado, mas aqui Tu és deixado sozinho, és ofendido...”
“...Ó Trindade, ó Deus, eu devo ser santa para a tua maior glória, para o triunfo da Igreja e para o triunfo das almas. Tu mesmo, ó Jesus, disseste: Nada é impossível para aqueles que confiam em mim...”
“...Sejamos alegres, Jesus ama as almas radiantes. Sirvamo-lo sorrindo, os nossos olhos devem irradiar a nossa felicidade. A alma alegre é atenta, fecunda, e vence facilmente as dificuldades. Uma tal alma não conhece obstáculos, porque a alegria é a companheira da generosidade...”
“...As colônias missionárias de uma visitandina não tem fronteiras, hoje batizo na China, amanhã na América, e semeio em qualquer lugar a semente da fé; mas ajudo também as Missões na Europa: hoje aqui, amanhã em outro lugar. Onde passa uma visitandina os corações se acendem como as lâmpadas na noite. Ela deve percorrer o mundo procurando almas com os seus pequenos sacrifícios para conduzi-las a Jesus. Ele conta conosco, não o desiludamos. A nossa vocação é a redenção das almas...
...Oh, não rejeitemos nada às almas. É preciso levá-las a cada momento a Jesus! A nossa vida parece muito simples, mas sob esta simplicidade se esconde a sublimidade...”
“...Não me consolo pela perspectiva do céu, porque não fiz nada para merecê-lo, porém sempre agi por Ele, para consolá-lo, para lhe dar prazer; por isso, mesmo conhecendo minha fragilidade não tenho medo da morte...”
“...É preciso ver Jesus e amá-lo em cada alma. Amemos também as almas frias, que não querem abrir a porta do seu tabernáculo à luz. Amemos aqueles cujo tabernáculo é feio e descuidado. Adoremos Deus neles e os estimulemos dia após dia a amar de um modo sempre mais puro...”

“... peço a Jesus que cada respiro meu seja uma comunhão espiritual e cada batida do coração o renascer de uma alma, assim cada comunhão espiritual devolve a vida a uma alma. Creio que no céu não teremos felicidade maior, do que, ao contemplar Deus, admirando a sua Majestade, a sua glória, a sua alegria, à vista das almas salvas por nós... Ah! quantas almas esperam ainda de nós a sua felicidade! Oração Ó Senhor, que te comprazes nas almas pequenas e humildes e te serves delas para cumprir grandes obras, glorifica a tua pequena flor, Irmã Maria Margarida. faz com que a auréola da Beatificação resplandeça logo sobre a sua fronte para a Tua glória e o bem das nossas almas, e pela sua intercessão nos conceda a graça que te pedimos”.