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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

SÃO HUMILDE (Úmile) DE BISIGNANO, Irmão Franciscano e místico.



Luca Antonio, seu nome de batismo, nasceu na cidade de Bisignano, província de Cosenza, Itália, em 26 de agosto de 1582. Pertencia a uma família muito pobre e muito cristã. Desde a mais tenra idade, o menino manifestou sua admirável piedade. Todos os dias ia à Missa, comungava, rezava e meditava a Paixão do Senhor, tornando-se modelo de virtude para todos os que o conheciam.
Aos dezoito anos, sentiu que sua real vocação estava na vida religiosa, mas por vários motivos teve de esperar nove anos para poder realizar os seus santos propósitos, levando, entretanto, uma vida ainda mais disciplinada a fim de conseguir seus objetivos. Finalmente, aos vinte e sete anos, entrou no noviciado dos Frades Menores de Mesuraca, tomando o nome de frei Humilde, emitindo a profissão em 1610.

Desde jovem, tinha o dom de contínuos êxtases contemplativos, motivo pelo qual era chamado de "o frade extático". A partir de 1613, esses dons se tornaram públicos e por isso seus superiores o submeteram a uma longa série de provas e humilhações para certificarem-se se eles provinham, realmente, de Deus. Mas essas provas, felizmente suportadas, só vieram aumentar sua fama de santidade junto aos irmãos e ao povo.

Outros dons particulares foram atribuídos a Humilde: a perscrutação dos corações, a profecia, as intercessões em milagres e, sobretudo, a ciência infusa. Apesar de ser analfabeto, dava respostas sobre as Sagradas Escrituras e sobre qualquer outro tema da doutrina católica que faziam admirar insignes teólogos. A esse propósito, Humilde foi experimentado por uma assembléia de sacerdotes seculares e regulares, com propostas de dúvidas e objeções, às quais respondeu de maneira muito satisfatória. Portanto, é fácil compreender a estima de que era universalmente rodeado.


Frei Humilde gozou da confiança dos sumos pontífices Gregório XV e Urbano VIII, que o chamaram ao Vaticano e se beneficiaram com suas orações e conselhos. Permaneceu em Roma por muitos anos, sendo hóspede no Convento de São Francisco, em Ripa, e, durante alguns meses, no de Santo Isidoro. Por volta de 1628, Humilde apresentou um pedido para poder ir como missionário aos países dos infiéis muçulmanos, porém obteve resposta negativa dos superiores, tendo de continuar na Itália.
As orações de Humilde eram simples, porém suas preces eram sempre dedicadas ao bem da humanidade e à paz universal. Apesar de ser muito estimado por todos, ele se humilhava, continuamente, perante Deus, por considerar-se um grande pecador. Disse, certa vez, ao papa Gregório XV: "Enquanto todas as criaturas louvam e bendizem ao Senhor, eu sou o único que o ofende". Ele faleceu no dia 26 de novembro de 1637, na sua cidade natal, onde passou os seus últimos anos de vida. Beatificado em 1882, foi somente em 2002 que o papa São João Paulo II declarou santo Humilde de Bisignano, cuja festa litúrgica ocorre no dia de sua morte.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Madame Elisabeth, o "Anjo da Corte", a "Princesa Esquecida".


   
                                 
A Revolução Francesa foi uma terrível cicatriz na face da Cristandade. Numerosos relatos contam com brilho a vida das pessoas envolvidas: o Rei e a Rainha da França, os revolucionários, os pobres e o grande corpo da nobreza que sucumbiu na guilhotina. Deixando-os por um momento à parte, vamos descobrir no ponto bem central da tragédia caótica a existência de um anjo – um anjo humano criado do mais nobre sangue na França: Madame Elisabeth, a Princesa real.


Elisabeth Filipina Maria Helena de França, nascida a 3 de maio de 1764, era a filha mais nova do Delfim de França, e neta de Luis XV. Seu pai, o Delfim Luis Ferdinando morreu inesperadamente antes que ela fizesse um ano de vida, e sua mãe, Maria Josefa de Saxe, faleceu um ano depois. Ela, sua irmã mais velha, Clotilde, e seus três irmãos – o novo Delfim (futuro Luís XVI), o Conde de Provença, e o Conde de Artois – ficaram órfãos.
As irmãs reais foram entregues aos cuidados da Condessa de Marsan, e esta boa dama dedicou longos anos à sua formação. A Princesa Elisabeth, diferentemente de sua dócil irmã, precisava de uma influência forte sobre ela, e por isso em 1770 uma nova governanta, a Baronesa de Mackau, foi nomeada para ajudar a excelente, mas idosa Madame de Marsan.
A Baronesa era uma mulher de alta virtude e grande bondade, e Elisabeth logo ficou encantada com ela. A nova governanta educou as princesas como se elas fossem suas filhas. Ela focalizou especialmente a pequena Elisabeth, que era conhecida por tremer de raiva diante da menor provocação.
Mas, a maior influência na vida de Elisabeth foi a religião. Foi a sua Primeira Comunhão que a modificou completamente.



O Anjo

Conforme os anos iam passando, a princesa crescia em piedade e charme. Ela não era exatamente bonita, mas sua frescura e alegria emprestavam a ela um tipo de beleza vibrante que falta a muitas beldades. Seu charme principal, entretanto, era seu devotamento infatigável e caloroso a todos aqueles que a rodeavam na vida diária. Para seu irmão, o Rei, ela professava uma afeição ilimitada, embora sua fraqueza a angustiasse. Ela o envolvia com seu devotamento, pairando sobre ele como um anjo guardião. Quando príncipes reais de paises estrangeiros pediram-na em casamento, ela recusou, preferindo ficar a seu lado.
 Quando ela atingiu uma certa idade, o protocolo da corte exigiu mais dela. No silêncio de sua alma, um protocolo diferente e mais forte a chamava, um chamado misterioso para a solidão e a oração. Ela passou a freqüentar mais o Convento de São Dionísio, onde sua tia era abadessa.
 Seu irmão, cada vez mais preocupado com o aumento da freqüência dessas visitas, afetuosamente disse a ela: "Nada me agrada mais do que vê-la visitando sua tia, mas não a imite. Elisabeth, eu preciso de você comigo". Ela já havia pressentido a sombra agourenta ameaçando a corte de seu irmão e sem dúvida isto fê-la apoiar o Rei mais do que inclinações pessoais.
Numa carta de uma pessoa amiga, seu sacrifício foi definido sucintamente: "Há vidas de abnegação tão valiosas quanto vocações monásticas; ações que superam o silêncio prescrito; obras de serviços aos outros que excedem as austeridades conventuais".
Seu devotamento à família real nunca vacilou: até sua morte a energia no serviço de todos provaria isto incessantemente. Quantos relatos foram deixados para a História que nos falam de seu desprendimento, suas boas obras, seus conselhos sábios, sua assistência bondosa onde quer que ela notasse sofrimento e angústia.
O Rei deu a ela uma propriedade, Montreuil, onde ela passava muitas horas, recebia algumas amigas e se dedicava às obras de caridade. Ela mantinha ali um estábulo com vacas que forneciam leite para os órfãos da vizinhança.
Contudo, suas boas obras somente refletiam sua espiritualidade profunda. Elisabeth atingia realidades sublimes com a facilidade da alma plena de amor. Em uma carta a uma amiga muito querida cuja mãe estava morrendo, sua pena ecoa o cântico de seu próprio coração: "Eu tenho vivido totalmente para Deus; eu me apresentei a Ele com muitas infidelidades, mas com muito amor e com um grande desejo de possuir a alegria reservada para aqueles que O serviram".
A Providência a preparou continuamente para a tragédia que viria.


A Revolução
A tempestade caiu sobre a França. As negras maquinações da Revolução atingiram não apenas as pessoas da realeza, mas todas as formas de nobreza. Em meados de agosto de 1792, a família real foi aprisionada na Torre do Templo, onde ficou até sua morte. O que foi relatado sobre a infeliz família real durante aquele período deveria ter causado indignação em todas as cortes da Europa. Enquanto eles esperavam sentados, uma das piores conspirações da História ameaçava a França e seu trono.
Madame Elisabeth recusou todas as propostas para fugir apresentadas por outros membros de sua família, a fim de ficar com seu irmão, e foi aprisionada com o Rei e sua família. Os poucos serviçais que puderam acompanhá-los foram diminuindo gradualmente. Com calculada intenção, algumas das criaturas mais vis da França foram designadas para vigiar os prisioneiros reais, causando-lhes humilhações e tormentos indizíveis.
A 21 de janeiro de 1793, o Rei foi guilhotinado, seguido pela Rainha Maria Antonieta em 2 de agosto. O Delfim, uma criança de oito anos, foi separado do resto da família, provavelmente morrendo de maus tratos e abuso.
Após a morte da Rainha, somente Madame Elisabeth e sua sobrinha de quinze anos, filha da Rainha, sobreviveram. Elas passaram o inverno e os vinte e dois meses seguintes num isolamento terrível, sendo seu único conforto a amorosa companhia que uma dava a outra. Madame Elisabeth com toda bondade distraia a jovem princesa no seu infortúnio e sofrimento. As memórias da princesa fornecem muito do que é conhecido da tragédia da família real, além de preciosas informações sobre o caráter e a piedade de Madame Elisabeth durante sua prisão.

Seu calvário
No meio da noite do dia 9 de maio de 1794, as princesas foram súbita e rudemente acordadas por seus carcereiros. Disseram para Madame Elisabeth se vestir rapidamente e para acompanhar os guardas. Sendo avisada de que não retornaria mais para a prisão da torre, Elisabeth abraçou e beijou a sobrinha, dizendo para ela ficar calma. "Os guardas acumularam-na de insultos e palavras vulgares", narra a princesa. "Ela suportou tudo isto com paciência, pegou sua touca, beijou-me novamente, e disse-me para ter coragem e firmeza, para confiar sempre em Deus. Ela então foi embora".
A Princesa não tinha dúvidas para onde a levavam. Naquela hora tardia, ela foi levada para a Conciergerie, o antigo palácio real transformado em lutuosa prisão. Ela então compareceu diante do tribunal revolucionário e foi "julgada" com outros vinte e três membros da nobreza. Os vinte e quatro prisioneiros foram condenados. Isto significava morte em 24 horas, após um período de torturas psicológicas. Eles foram deixados sozinhos no corredor onde os prisioneiros passavam sua última noite.
     Elisabeth foi então chamada a praticar um último ato de amor. Com inexprimível ternura e calma ela começou a dirigir-se aos seus companheiros diminuindo seus medos, consolando sua agonia pela transparência de sua serenidade. A branca silhueta da Princesa foi vista assim, passar a última noite de sua vida indo de um em um secando lágrimas, encorajando os medrosos, lançando sementes de esperança nos desesperados, elevando todos os corações para uma realidade superior: o Paraíso!
     Nos primeiros raios da aurora, as mulheres foram preparadas para terem seus cabelos cortados. As portas da prisão se abriram e as vítimas foram colocadas nas carroças. Os condenados partiram da Conciergerie às 16 horas. Eles se dirigiram para a Praça Luis XV.
     Todos estavam de pé, somente Madame Elisabeth estava sentada. Mas, na altura da Rua du Coq, apressaram os cavalos e ela então se levantou. Subitamente as carroças penetram na praça e os prisioneiros se viram diante do infame instrumento de morte, a guilhotina. A Princesa foi a primeira a descer. O carrasco ofereceu sua mão, mas ela olha para outro lado, não precisando de ajuda.
     Uma após a outra as vítimas sobem o cadafalso, e cada qual, antes de ir, faz um último ato de respeito à irmã de seu Rei morto. De acordo com as ordens, Madame Elisabeth deveria ser a última executada, numa cruel esperança de que o horrível ritual que acontecia diante de seus olhos quebrasse sua coragem. Mas, eles foram desapontados até o fim! Ela ficou de pé no meio dos guardas, enquanto seus companheiros eram supliciados.
     Madame Elisabeth recitou o De Profundis. Ela rezava, o rosto voltado para a guilhotina, mas nenhum barulho a fazia erguer os olhos. Quando chegou a vez de Madame Elisabeth, ela subiu os degraus com passos lentos; ela tremia ligeiramente, sua cabeça estava inclinada sobre o peito.
     No momento em que ela chegou diante do cadafalso, um dos ajudantes tirou o xale que cobria seus ombros, deixando à mostra uma medalha de prata da Imaculada Conceição. Ela fez um movimento e gritou pudicamente: "Senhor, em nome de vossa mãe, cobri meus ombros!" Tocado por seu apelo, o homem silenciosamente a atendeu. Quase em seguida ela foi fechada sobre a prancha, a lâmina caiu e sua cabeça tombou.




     Os tambores tocavam num ensurdecedor crescendo, saudando a morte de cada condenado e incitando o povo presente a gritar o costumeiro "longa vida à República". Mas, desta vez o silêncio era profundo. Nenhuma palavra foi ouvida em toda a praça quando a lâmina caiu.
     O capitão, que deveria dar o sinal, tombou desmaiado (ele vira e admirara Madame Elisabeth na Torre do Templo). Levaram-no paralisado, moribundo. Um silêncio impressionante pairou sobre a multidão estupefata. E todos os primeiros biógrafos da Princesa repetiam que um penetrante perfume de rosa se espalhou por toda praça.
     O corpo ensangüentado de Madame Elisabeth, confundido com os das outras vítimas, foi levado para um terreno reservado aos supliciados da Revolução, chamado "o recinto de Cristo", e espalharam cal viva sobre seu corpo, como haviam feito com o Rei e a Rainha. Apesar de todas as buscas, jamais se pode identificá-lo.
     O "anjo da corte" abandonou esta Terra para voar para a corte celeste. "Sua glória tão pura, disseram, está por toda parte e seu túmulo em nenhum lugar". Mas, seu nome certamente está gravado no livro eterno dos grandes vencedores.

Trad. e adap. de art. de Virginia Carmeli, publ. em CRUSADE de maio-junho 1996.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Beata Maria Luisa Merkert, Virgem e Co-Fundadora.



Nasceu em 21 de setembro de 1817, no seio de uma família católica da burguesia, em Nysa, na Silésia de Opole (então diocese de Breslavia), cidadezinha chamada de ‘Roma silesiana’ por causa de seus numerosos monumentos, que hoje pertence à Polônia, mas naquele tempo era alemã.
Era a segunda filha de Carlos Antonio Merkert e Maria Bárbara Pfitzner. No batismo lhe puseram o nome de Maria Luisa. Seus pais e sua irmã pertenciam à Confraria do Santo Sepulcro. Seu pai morreu quando ela tinha um ano. Sua mãe influenciou muito na inclinação de suas duas filhas, Maria Luisa e Matilde, para o serviço caritativo aos necessitados e à vida religiosa.
Por ocasião da morte da mãe, em 1842, Maria Luisa decidiu se dedicar totalmente aos pobres, aos doentes e aos abandonados. Aconselhada pelo confessor, junto com sua irmã Matilde e com Francisca Werner, uniu-se a Clara Wolff, jovem virtuosa terciária franciscana que havia decidido servir os doentes e aos pobres a domicílio.
As quatro formaram uma espécie de associação. Clara, a mais velha, de índole vivaz, sensível, já havia assistido doentes durante uma epidemia de cólera. Francisca tinha uma personalidade forte embora fosse humilde e modesta; sobreviveu a beata, sucedendo-a como Superiora Geral da Congregação. Matilde Merkert era de índole dócil e muito religiosa.




Elas iniciaram suas atividades em Nysa no dia 27 de setembro de 1842; prepararam-se para este passo com a confissão, a comunhão e um ato de consagração ao Sacratíssimo Coração de Jesus. O presbítero Francisco Xavier Fischer lhes deu a bênção. Mas não fizeram votos e não tinham aprovação oficial, mas conquistaram em poucos meses a atenção e a estima das autoridades eclesiásticas. Dois anos depois, o pároco apresentou uma primeira Regra.
A partir de então Maria cumpria diariamente os compromissos assumidos, assistindo os doentes e os pobres em suas casas, e recolhendo esmolas para os mais necessitados.
Em 8 de maio de 1846, Matilde faleceu em Prudnik, contagiada enquanto cuidava de enfermos de tifo. Foi um golpe duro, mas elas continuaram os trabalhos.
Por vontade do confessor, Maria Merkert e Clara Wolff entraram no noviciado das Irmãs de São Carlos Borromeu de Praga, um Instituto de origem francesa, onde elas deviam formar-se para dar vida à obra de assistência que sentiam o dever de realizar. Elas trabalharam como enfermeiras nos hospitais de Podole, Litomierzyce e Nysa.

Notando que estas religiosas consideravam secundária a assistência dos doentes a domicílio, Maria deixou seu noviciado em 30 de junho de 1850, se bem que a formação recebida nesse período lhe serviu muito. Não faltaram incompreensões, porém Maria pode dedicar-se totalmente ao projeto original de assistência a domicílio dos enfermos, dos pobres e dos mais necessitados.
Foi naquele momento que Maria e Clara seguiram caminhos diversos: a última, em 1852, indo cuidar de um enfermo se envolveu em um acidente e morreu devido às feridas, no dia 4 de janeiro de 1853.
Em 19 de novembro de 1850, festa de Santa Isabel da Hungria, Maria Merkert e Francisca Werner, cheias de confiança em Deus recomeçaram em Nysa a atividade caritativa apostólica, escolhendo Santa Isabel por patrona da comunidade nascente e, inspirando-se no exemplo desta Santa, dedicaram-se totalmente aos pobres e aos necessitados, contemplando em seu rosto o do Redentor
Em Nysa, devido à revolução liberal na Silésia e ao seu envolvimento nas guerras prussianas e austríacas, a pobreza estava muito difusa com feridos e consequentes epidemias. 
Muitos recorriam às Irmãs, certos de serem acolhidos e ajudados. Maria, incansável, estava sempre pronta para todos atender. Uma companheira testemunhou: “Madre Maria comprava carne, café e pão para as pobres viúvas e ela mesma levava estas coisas aos pobres e lhes dava com tanta afabilidade de coração que aqueles velhinhos choravam de alegria e todos a chamavam ‘a querida mãe de todos’”.
     Nove anos mais tarde, em 4 de setembro de 1859, a Congregação das Irmãs de Santa Isabel recebeu a aprovação por parte do bispo de Breslavia; a associação já contava com sessenta religiosas em onze casas, também em regiões prevalentemente protestante. Em 15 de dezembro foi celebrado o primeiro capítulo geral, que elegeu Maria Merkert como Superiora Geral.
Em 5 de maio de 1860, Maria, junto com outras vinte cinco religiosas, fez os votos de castidade, pobreza e obediência, aos quais foi acrescentado um quarto voto: servir aos enfermos e aos necessitados.
Nos anos 1863- 1865, a Beata construiu em Nysa a casa mãe da Congregação; ela se preocupou logo em dotá-la de uma igreja bela e funcional.
O Instituto obteve o reconhecimento jurídico estatal em 1864. Dois anos depois, as primeiras Irmãs missionárias foram enviadas à Suécia. Em 7 de junho de 1871, o Papa Pio IX lhe concedeu o "Decretum laudis".
A Beata, além de doar todas as suas energias em favor do próximo enfermo e abandonado em seus domicílios, se preocupava muito com suas religiosas, que instruía intelectual e espiritualmente num espírito de humildade profunda. Nos seus vinte e dois anos de governo formou quase quinhentas Irmãs e fundou noventa casas, distribuídas em nove dioceses e em dois vicariatos apostólicos. No fim de cada ano, recolhia as notícias das várias casas. Madre Maria foi mulher de grande oração, tomando como modelo Nossa Senhora, a quem recorria em todas as necessidades. Chamavam-na “a samaritana dos pobres”.
A missão de Madre Maria estava cumprida, tinha oferecido toda sua vida pelos outros. Em fins de 1872 pressentiu que sua caminhada nesta terra chegava ao término. No dia 14 de novembro o seu coração generoso parou de bater, tranquilamente, sem nenhuma agonia: tinha 55 anos. Morreu com fama de santidade, que foi aumentando depois de sua morte.
Quinze anos depois Leão XIII outorgou a aprovação definitiva ao seu Instituto. Em 1964, seus despojos foram levados para a cripta da sua igreja paroquial; desde 1998 estão numa capela lateral.

Na sua cidade de Nysa, hoje na Diocese de Opole, foi beatificada em 30 de setembro de 2007. Sua Congregação hoje está presente em diversos lugares do mundo.

domingo, 11 de outubro de 2015

SANTA JUSTINA DE PÁDUA, Mártir.


Martirológio Romano: Em Pádua, nos confins de Veneza, Santa Justina, virgem e mártir (s. III/IV).

São Venâncio Fortunato, bispo de Poitiers, em princípios do século VII, considera Santa Justina como uma das virgens mais ilustres, cuja santidade e triunfo foram consagrados pela Igreja, e afirma que seu nome torna Pádua tão famosa como o de Santa Eufêmia a Calcedônia e o de Santa Eulália a Mérida. O mesmo autor, no poema que dedicou à vida de São Martinho, exorta os peregrinos que vão a Pádua a beijar o sepulcro da Bem-aventurada Justina.
O culto a Santa Justina é atestado em Rimini em uma inscrição do século VI-VII, e em Como, o Bispo Agripino lhe dedicou um oratório em 617, como recorda a inscrição dedicatória.
Segundo as fontes literárias conservadas em numerosos códices a partir do século XII, espalhadas em muitas bibliotecas italianas, Justina pertencia a uma distinta família de Pádua durante a perseguição de Diocleciano. Presa por causa de sua fé, Justina foi conduzida ao tribunal de Maximiano; não conseguindo as ameaças fazê-la apostatar de sua fé, o juiz condenou-a a pena capital. Foi martirizada em 7 de outubro de 304. Seu corpo foi sepultado próximo do teatro romano.

A basílica construída por Opilião sobre o túmulo de Justina se conservou até 1117, quando um terremoto a destruiu completamente. Os monges beneditinos, que já oficiavam na igreja desde o final do século VIII, reconstruíram-na, embora menos esplêndida do que a primeira. Mas a Congregação Beneditina de Santa Justina, fundada na Igreja de Santa Ludovica Barbo em 1418, tendo se propagado rapidamente, os monges construíram um templo mais digno em honra da mártir. Iniciado em 1521, foi completado em 1587. O corpo de Santa Justina foi colocado sob o altar mor da igreja em um relicário duplo de jumbo e madeira, coberto por um véu de ouro.
A difusão da Congregação Beneditina de Santa Justina, que elegeu a mártir como sua patrona especial, junto com São Bento, contribuiu para propagar o seu culto na Itália e na Europa. Após a vitória de Lepanto, Veneza a elegeu como patrona especial de todos os seus domínios.
Atualmente, após um período de esquecimento causado especialmente pela supressão do mosteiro em 1810, e pelo subsequente fechamento da igreja pelas leis napoleônicas, o culto de Santa Justina lentamente recobra novo vigor favorecido pela reabertura do mosteiro ocorrida em 1919.

Fontes: blog Heroínas da Cristandade (com permissão) e santiebeati.it

Beata Lúcia de Caltagirone, Virgem e Terciária Franciscana.



As informações sobre a Beata Lúcia seguem um costume comum dos Franciscanos dos primeiros séculos: as vidas de figuras veneráveis desta Ordem eram pouco documentadas.
Um autor dos mais autorizados é o célebre irlandês Luca Wadding, frade recoleto (1588-1657) que redigiu os Annales Minorum, onde incluiu uma Vita de Lúcia de Caltagirone.
Lúcia nasceu em Caltagirone, Sicília, no ano 1360. Seus pais a educaram na piedade e ela soube corresponder maravilhosamente às suas expectativas. Eles eram devotos de São Nicolau de Bari e experimentaram sua proteção várias vezes.
Um dia em que Lúcia subiu em uma figueira para recolher frutos foi surpreendida por um furioso temporal com granizo e raios. Um raio caiu sobre a árvore onde Lúcia estava, e ela caiu por terra meio morta. Em sua mente viu perfilar-se a figura de um santo ancião, São Nicolau de Bari, que a tomava por uma das mãos e a entregava de novo a sua família.
Aos 13 anos abandonou seu povoado natal na Sicília para seguir uma piedosa terciária franciscana de Salerno. Pouco tempo depois esta guia espiritual faleceu e Lúcia entrou em um convento salernitano de Irmãs que seguiam a Regra franciscana.
O convento franciscano que acolheu Lúcia muito provavelmente foi o de São Francisco próximo da igreja de São Nicolau, erigido em 1238 e supresso em 1809, após as leis napoleônicas.
Ali se distinguiu pela fiel prática de seus deveres e em especial pelo amor à penitência, com a qual se havia comprometido para expiar os pecados da humanidade, e sobretudo para uma participação mais íntima com as dores de Cristo.

Por algum tempo exerceu o ofício de mestra de noviças. A fama de sua virtude se difundiu. Muitos recorriam a ela para pedir-lhe orações e conselhos. Dedicava muito tempo à oração, à meditação e à contemplação das coisas celestes. Flagelava seu corpo virginal com frequência; a terra lhe servia de leito; um pouco de pão e água eram seu sustento diário. Tinha especial devoção pelas Cinco Chagas de Nosso Senhor.
Os nobres acudiam a ela, e ela consolava os aflitos, chamava à penitência os pecadores, edificava os piedosos. Deus confirmou sua santidade com prodígios. Havia chegado aos quarenta anos e já estava pronta para o céu. Sua vida austera, os prolongados e dolorosos sofrimentos minaram sua saúde.

Lúcia, terciária regular, morreu em Salerno no ano 1400. Depois de sua morte realizou diversos prodígios. O culto e a veneração por ela foi se estendendo sempre em Salerno e nas regiões vizinhas, até que em 4 de junho de 1514 o Sumo Pontífice Leão X concedeu o ofício e a Missa em sua honra, compostos tomando como exemplo os de Santa Clara.
Lúcia precedeu de alguns séculos outras terciárias franciscanas célebres, como Santa Maria Francisca das Cinco Chagas (1715-1791) e a venerável Maria Crucifixa das Cinco Chagas (1782-1826) que como ela foram, em Nápoles, ponto de referência espiritual para gerações de fieis.


http://es.catholic.net/op/articulos/36282/luca-de-caltagirone-beata.html