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sábado, 26 de dezembro de 2015

SANTO ESTEVÃO, Diácono e Protomártir da Fé Cristã.


Sem a menor sombra de dúvida, um dos maiores santos da Igreja. Tanto que mereceu a honra e glória de ser o primeiro mártir de Cristo e da fé católica. Sua vida e morte foram gloriosas. O próprio São Lucas reserva um bom trecho de seus Atos dos Apóstolos para narrar-lhe a história. Quem dera fosse também ele menos "esquecido" pelo grande público católico e fosse mais venerado em nossas igrejas e paróquias... 

Eleição do diácono Estevão
Naqueles dias, como crescesse o número dos discípulos, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas teriam sido negligenciadas na distribuição diária. Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: “Não é razoável que abandonemos a palavra de Deus, para administrar. Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício. Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra. Este parecer agradou a toda a reunião. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos apóstolos, e estes, orando, impuseram-lhes as mãos. Divulgou-se sempre mais a palavra de Deus. Multiplicava-se consideravelmente o número dos discípulos em Jerusalém. Também grande número de sacerdotes aderia à fé”. (Atos 6, 1-7)


Prisão do diácono Estevão
Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo. Mas alguns da sinagoga, chamada dos Libertos, dos cirenenses, dos alexandrinos e dos que eram da Cilícia e da Ásia, levantaram-se para disputar com ele. Não podiam, porém, resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava. Então subornaram alguns indivíduos para que dissessem que o tinham ouvido proferir palavras de blasfêmia contra Moisés e contra Deus. Amotinaram assim o povo, os anciãos e os escribas e, investindo contra ele, agarraram-no e o levaram ao Grande Conselho. Apresentaram falsas testemunhas que diziam: Esse homem não cessa de proferir palavras contra o lugar santo e contra a lei. Nós o ouvimos dizer que Jesus de Nazaré há de destruir este lugar e há de mudar as tradições que Moisés nos legou. Fixando nele os olhos, todos os membros do Grande Conselho viram o seu rosto semelhante ao de um anjo. (Atos 6, 8-15)


Discurso de Estevão
Perguntou-lhe então o sumo sacerdote: É realmente assim? 2.Respondeu ele: Irmãos e pais, escutai. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, quando estava na Mesopotâmia, antes de ir morar em Harã. E disse-lhe: Sai de teu país e de tua parentela, e vai para a terra que eu te mostrar (Gn 12,1). Ele saiu da terra dos caldeus, e foi habitar em Harã. Dali, depois que lhe faleceu o pai, Deus o fez passar para esta terra, em que vós agora habitais. Não lhe deu nela propriedade alguma, nem sequer um palmo de terra, mas prometeu dar-lha em posse, e depois dele à sua posteridade, quando ainda não tinha filho algum. Eis como falou Deus: Tua descendência habitará em terra estranha e será reduzida à escravidão e maltratada pelo espaço de quatrocentos anos. Mas eu julgarei a nação que os dominar – diz o Senhor -, e eles sairão e me prestarão culto neste lugar (Gn 15,13s.; Ex 3,12). E deu-lhe a aliança da circuncisão. Assim, Abraão teve um filho, Isaac, e, passados oito dias, o circuncidou; e Isaac, a Jacó; e Jacó, os doze patriarcas. Os patriarcas, invejosos de José, venderam-no para o Egito. Mas Deus estava com ele. Livrou-o de todas as suas tribulações e deu-lhe graça e sabedoria diante do faraó, rei do Egito, que o fez governador do Egito e chefe de sua casa.
Sobreveio depois uma fome a todo o Egito e Canaã. Grande era a tribulação, e os nossos pais não achavam o que comer. Mas quando Jacó soube que havia trigo no Egito, enviou pela primeira vez os nossos pais para lá. Na segunda, foi José reconhecido por seus irmãos, e foi descoberta ao faraó a sua origem. Enviando mensageiros, José mandou vir seu pai Jacó com toda a sua família, que constava de setenta e cinco pessoas. Jacó desceu ao Egito e morreu ali, como também nossos pais.  Seus corpos foram trasladados para Siquém, e foram postos no sepulcro que Abraão tinha comprado, a peso de dinheiro, dos filhos de Hemor, de Siquém. Aproximava-se o tempo em que devia realizar-se a promessa que Deus havia jurado a Abraão. O povo cresceu e se multiplicou no Egito até que se levantou outro rei no Egito, o qual nada sabia de José. Este rei, usando de astúcia contra a nossa raça, maltratou nossos pais e obrigou-os a enjeitar seus filhos para privá-los da vida.
Por este mesmo tempo, nasceu Moisés. Era belo aos olhos de Deus e por três meses foi criado na casa paterna. Depois, quando foi exposto, a filha do faraó o recolheu e o criou como seu próprio filho. Moisés foi instruído em todas as ciências dos egípcios e tornou-se forte em palavras e obras. Quando completou 40 anos, veio-lhe à mente visitar seus irmãos, os filhos de Israel. Viu que um deles era maltratado; tomou-lhe a defesa e vingou o que padecia a injúria, matando o egípcio. Ele esperava que os seus irmãos compreendessem que Deus se servia de sua mão para livrá-los. Mas não o entenderam.  No dia seguinte, dois dentre eles brigavam, e ele procurou reconciliá-los: Amigos, disse ele, sois irmãos, por que vos maltratais um ao outro? Mas o que maltratava seu compatriota o repeliu: Quem te constituiu chefe ou juiz sobre nós? Porventura queres tu matar-me, como ontem mataste o egípcio?  A estas palavras, Moisés fugiu. E esteve como estrangeiro na terra de Madiã, onde teve dois filhos.
Passados quarenta anos, apareceu-lhe no deserto do monte Sinai um anjo, na chama duma sarça ardente. Moisés, admirado de uma tal visão, aproximou-se para a examinar. E a voz do Senhor lhe falou: Eu sou o Deus de teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó. Moisés, atemorizado, não ousava levantar os olhos.  O Senhor lhe disse: Tira o teu calçado, porque o lugar onde estás é uma terra santa. Considerei a aflição do meu povo no Egito, ouvi os seus gemidos e desci para livrá-los. Vem, pois, agora e eu te enviarei ao Egito. Este Moisés que desprezaram, dizendo: Quem te constituiu chefe ou juiz?, a este Deus enviou como chefe e libertador pela mão do anjo que lhe apareceu na sarça. Ele os fez sair do Egito, operando prodígios e milagres na terra do Egito, no mar Vermelho e no deserto, por espaço de quarenta anos.  Foi este Moisés que disse aos filhos de Israel: Deus vos suscitará dentre os vossos irmãos um profeta como eu.  Este é o que esteve entre o povo congregado no deserto, e com o anjo que lhe falara no monte Sinai, e com os nossos pais; que recebeu palavras de vida para no-las transmitir. Nossos pais não lhe quiseram obedecer, mas o repeliram. Em seus corações voltaram-se para o Egito, dizendo a Aarão: Faze-nos deuses, que vão diante de nós, porque quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que foi feito dele.
Fizeram, naqueles dias, um bezerro de ouro e ofereceram um sacrifício ao ídolo, e se alegravam diante da obra das suas mãos.  Mas Deus afastou-se e os abandonou ao culto dos astros do céu, como está escrito no livro dos profetas: Porventura, casa de Israel, vós me oferecestes vítimas e sacrifícios por quarenta anos no deserto?  Aceitastes a tenda de Moloc e a estrela do vosso deus Renfão, figuras que vós fizestes para adorá-las! Assim eu vos deportarei para além da Babilônia (Am 5,25ss.).  A Arca da Aliança esteve com os nossos pais no deserto, como Deus ordenou a Moisés que a fizesse conforme o modelo que tinha visto.  Recebendo-a nossos pais, levaram-na sob a direção de Josué às terras dos pagãos, que Deus expulsou da presença de nossos pais. E ali ficou até o tempo de Davi.  Este encontrou graça diante de Deus e pediu que pudesse achar uma morada para o Deus de Jacó. Salomão foi quem lhe edificou a casa.  O Altíssimo, porém, não habita em casas construídas por mãos humanas. Como diz o profeta:  O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis vós?, diz o Senhor. Qual é o lugar do meu repouso?  Acaso não foi minha mão que fez tudo isto (Is 66,1s.)? Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam os vossos pais, assim procedeis vós também!  A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram os que prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora tendes sido traidores e homicidas.  Vós que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes… (Atos 7, 1-53)

Morte de Estevão
Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele. Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus: Eis que vejo, disse ele, os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus. Levantaram então um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra ele. Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado… A estas palavras, expirou. (Atos 7, 54-60; Atos 8, 1)






FESTA DE SANTO ESTÊVÃO, PROTOMÁRTIR
PAPA BENTO XVI
ANGELUS Praça de São Pedro, 26 de Dezembro de 2009


Queridos irmãos e irmãs!
Com o coração ainda cheio de admiração e inundado pela luz que promana da gruta de Belém, onde com Maria, José e os pastores adorámos o nosso Salvador, hoje recordamos o diácono Santo Estêvão, o primeiro mártir cristão. O seu exemplo ajuda-nos a compreender em maior medida o mistério do Natal e testemunha-nos a maravilhosa grandeza do nascimento daquele Menino no qual se manifesta a graça de Deus, portadora de salvação para os homens (cf. Tt 2, 11). De facto, aquele que geme na manjedoura é o Filho de Deus feito homem, que nos pede para testemunhar com coragem o seu Evangelho, como fez Santo Estêvão o qual, cheio do Espírito Santo, não hesitou em dar a vida por amor do seu Senhor. Ele, como o seu Mestre, morre perdoando os próprios perseguidores e faz-nos compreender como a entrada do Filho de Deus no mundo dê origem a uma nova civilização, a civilização do amor, que não cede perante o mal e a violência e abate as barreiras entre os homens, tornando-os irmãos na grande família dos filhos de Deus.
Estêvão é também o primeiro diácono da Igreja, que fazendo-se servo dos pobres por amor de Cristo, entra progressivamente em plena sintonia com Ele e segue-o até ao dom supremo de si. O testemunho de Estêvão, como o dos mártires cristãos, indica aos nossos contemporâneos muitas vezes distraídos e desorientados, em quem devam depor a sua confiança para dar sentido à vida. De facto, o mártir é aquele que morre com a certeza de saber que Deus o ama e, nada antepondo ao amor de Cristo, sabe que escolheu a melhor parte. Configurando-se plenamente com a morte de Cristo, está consciente de ser germe fecundo de vida e de abrir no mundo veredas de paz e de esperança. Hoje, apresentando-nos o diácono Santo Estêvão como modelo, a Igreja indica-nos, de igual modo, no acolhimento e no amor aos pobres, um dos caminhos privilegiados para viver o Evangelho e testemunhar de modo credível aos homens o Reino de Deus que há-de vir.
A festa de Santo Estêvão recorda-nos também os numerosos crentes, que em várias partes do mundo, são submetidos a provas e sofrimentos por causa da sua fé. Confiando-os à sua celeste protecção, empenhemo-nos em apoiá-los com a oração e a nunca faltar à nossa vocação cristã, pondo sempre no centro da nossa vida Jesus Cristo, que nestes dias contemplamos na simplicidade e na humildade do presépio. Invoquemos para esta finalidade a intercessão de Maria, Mãe do Redentor e Rainha dos Mártires, com a oração do Angelus.


Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/angelus/2009/documents/hf_ben-xvi_ang_20091226_st-stephen_po.html

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

SANTA GEMMA GALGANI: enfrentava o demônio sem medo. Seu único medo era magoar Jesus.





A vida dos santos impressiona, sobretudo, pelas intervenções extraordinárias de Deus em sua rotina ordinária. Capítulos particularmente incríveis de suas biografias são as lutas físicas que alguns deles, como o Padre Pio de Pietrelcina e o Cura de Ars, travavam com o demônio. Muitos desses combates foram descritos com ricos detalhes por pessoas que conviveram todos os dias com estes santos.

Trata-se de casos especialíssimos de "obsessão demoníaca". Importa saber que o demônio "anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar" (1 Pd 5, 8). Ele não poupa esforços para fazer perder as almas que Cristo conquistou com o Seu sangue. Por isso, as lutas com o mal não são exclusividade dos grandes santos, mas uma realidade vivenciada todos os dias pelo cristão comum. O católico deve acordar todos os dias tomando consciência de que, para além dos trabalhos e penas do dia a dia, há um combate espiritual sendo travado diante de si, o qual só pode ser vencido com o auxílio de Deus e de Seus santos anjos.
Certas almas, porém, recebem do Senhor uma missão ainda mais nobre que a dos demais batizados. Elas são chamadas a unir-se mais perfeitamente a Cristo sofredor e a oferecerem-se de modo total como vítimas pelos pecados da humanidade. As suas vidas de santidade e de oração perturbam profundamente Satanás, que quer fazer de tudo para precipitar o ser humano ao inferno.




A jovem Gemma Galgani, nascida no povoado próximo à cidade de Lucca, na Itália, era uma dessas almas que deixavam inquieto o inimigo de Deus. Contemporânea de Santa Teresinha do Menino Jesus, Gemma cresceu habituada à experiência da morte. Sua mãe, Aurélia, faleceu cedo, vítima de tuberculose. Seu irmão, Eugênio, que decidira entrar no seminário, também foi acometido pela doença, tendo morrido antes de ser ordenado sacerdote. Experiências tão próximas fizeram com que Gemma se desapegasse desde cedo deste mundo. Questionada, certa vez, se tinha medo da morte, ela respondeu: "Claro que não... já estou desapegada de tudo".

Órfã de pai e de mãe aos 19 anos, Gemma vai morar com uma piedosa senhora: Cecília Giannini. Ela acolhe a pequena gema de Deus como uma filha e é em sua casa que vão acontecer experiências extraordinárias: às quintas e sextas-feiras, recolhida em seu quarto, em oração, Gemma recebe os estigmas de nosso Senhor. A jovem amante de Cristo, com o olhar detido em um ponto fixo do alto, sangra abundantemente em várias partes do corpo. No momento da oração, está totalmente alheia às coisas terrenas. Em êxtase, ela perde todos os seus sentidos, permanece imóvel, totalmente absorta nas coisas celestes.

Mas, ao mesmo tempo em que é constantemente agraciada com as consolações de Deus, a santa recebe com frequência a visita indesejada do diabo.
Conta-se que, certa vez, o seu diretor espiritual, padre Germano, encontrou-a acamada, por conta dos incessantes ataques do demônio, que a debilitavam. Durante a noite, o sacerdote permaneceu com ela, rezando o breviário no canto do quarto. De repente, um enorme gato preto, de aspecto horrível, se joga aos pés do sacerdote. Ele dá uma volta pelo quarto, dando miados infernais.

Subitamente, o gato salta sobre o leito de Gemma, ficando muito próximo de seu rosto e fixando nela um olhar feroz. Padre Germano fica visivelmente assustado, mas sua filha espiritual permanece calma: está acostumada às artimanhas do maligno. "Não tenha medo, padre! É o velhaco do demônio que me quer molestar. Não tema. Ao senhor não fará mal algum", diz a jovem, tentando tranquilizar o sacerdote.

Ele, então, levanta-se, ainda com a mão trêmula, e borrifa água benta sobre o gatão, que desaparece, como que por encanto. "Como é possível permanecer tão tranquila?", pergunta o padre a Gemma, ao que ela responde: "Só tenho medo... de magoar Jesus!"

Estes episódios arrepiantes da vida dos santos servem para todos os cristãos de lição: neste mundo, o seu único medo deve ser o de ofender a Cristo e, assim, perder a amizade d'Aquele que não poupou Seu próprio Sangue para a remissão dos nossos pecados. Que Santa Gemma Galgani rogue por nós junto a Deus.


Fonte: Site Christo Nihil Praeponere

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Beata Elena Guerra, Virgem,Fundadora e Mística. Apóstola do Espírito Santo.




Elena Guerra nasceu em Lucca (Itália), no dia 23 de Junho de 1835. Viveu e cresceu em um clima familiar profundamente religioso. Durante uma longa enfermidade, se dedica à meditação da Palavra de Deus e ao estudo dos Padres da Igreja, o que determina a orientação de sua vida interior e de seu apostolado; primeiro na Associação das Amigas Espirituais, idealizada por ela mesma para promover entre as jovens a amizade em seu sentido cristão, e depois nas Filhas de Maria.

Em Abril de 1870, Elena participa de uma peregrinação pascal em Roma juntamente com seu pai, Antônio. Entre outros momentos marcantes, a visita às Catacumbas dos Mártires confirma nela o desejo pela vida consagrada. Em 24 de Abril, assiste na Basílica de São Pedro a terceira sessão conciliar do Vaticano I, na qual vinha aprovada a Constituição “Dei Filius” sobre a Fé. A visita ao Papa Pio IX a comove de tal maneira que depois de algumas semanas, já em Lucca, no dia 23 de Junho, faz a oferta de toda a sua vida pelo Papa.

No ano de 1871, depois de uma grande noite escura, seguida de graças místicas particulares, Elena com um grupo de Amigas Espirituais e Filhas de Maria, dá início a uma nova experiência de vida religiosa comunitária, que em 1882 culminará na fundação da Congregação das Irmãs de Santa Zita, dedicada a educação cultural e religiosa da juventude. É neste período que Santa Gemma Galgani se tornará “sua aluna predileta”.

Em 1886, Elena sente o primeiro apelo interior a trabalhar de alguma forma para divulgar a Devoção ao Espírito Santo na Igreja. Para isto, escreve secretamente muitas vezes ao Papa Leão XIII, exortando-o a convidar “os cristãos modernos” a redescobrirem a vida segundo o Espírito; e o Papa, amavelmente solicitado pela mística de Lucca, dirige à toda Igreja alguns documentos, que são como uma introdução à vida segundo o Espírito e que podem ser considerados também como o início do “retorno ao Espírito Santo” dos tempos atuais: A breve “Provida Matris Charitate” de 1895; a Encíclica “Divinum Illud Munus” em 1897 e a carta aos bispos “Ad fovendum in christiano populo”, de 1902.

Em Outubro de 1897, Elena é recebida em audiência por Leão XIII, que a encoraja a prosseguir o apostolado pela causa do Espírito Santo e autoriza também a sua Congregação a mudar de nome, para melhor qualificar o carisma próprio na Igreja: Oblatas do Espírito Santo.

Para Elena, a exortação do Papa é uma ordem, e se dedica ainda com maior empenho à causa do Espírito Santo, aprofundando assim, para si e para os outros, o verdadeiro sentido do “retorno ao Espírito Santo”: Será este o mandato da sua Congregação ao mundo.

Elena, em suas meditações com a Palavra de Deus, é profundamente impressionada e comovida por tudo o que acontece no Cenáculo histórico da Igreja Nascente: Ali, Jesus se oferece como vítima a Deus para a salvação dos homens; ali institui o Sacramento de Amor, a Eucaristia; ali, aparece aos seus discípulos depois da ressurreição e ali, enfim, manda de junto do Pai o Espírito Santo sobre a Igreja Nascente.

A Igreja é chamada a realizar os Mistérios do Cenáculo, Mistérios permanentes, e, portanto, o Mistério Pascal: A Igreja é, por isto, prolongamento do Cenáculo, e, analogamente, é ela mesma como um Cenáculo Espiritual Permanente.

É neste Cenáculo do Mistério Pascal, no qual o Senhor Ressuscitado reúne a comunidade sacerdotal real e profética, que também nós, e cada fiel em particular, fomos inseridos pelo Espírito mediante o Batismo e a Crisma, e capacitados a participar da Eucaristia, que é uma assembleia de confirmados, e, portanto, semelhante a primeira comunidade do Cenáculo depois da descida do Espírito Santo. É nesta prospectiva que Elena Guerra concebe e inicia o “Cenáculo Universal” como movimento de oração ao Espírito Santo.

Elena morreu no dia 11 de Abril de 1914, sábado santo, com o grande desejo no coração de ver “os cristãos modernos” tomando consciência da presença e da ação do Espírito Santo em suas vidas, condição indispensável para um verdadeiro “renovamento da face da terra”.

Elevada à honra dos altares em 26 de Abril de 1959, justamente o Papa a definiu “Apóstola do Espírito Santo dos tempos modernos”, assim como Santa Maria Madalena foi a apóstola da Ressurreição e Santa Maria Margarida Alacoque a apóstola do Sagrado Coração.

O carisma profético de Elena é ainda atual, visto que a única necessidade da Igreja e do Mundo é a renovação contínua de um perene e “Novo Pentecostes” que por fim “renove a face da terra”.

 “A vinda do Espírito Santo no Cenáculo foi como o beijo da reconciliação dado por Deus à humanidade redimida no sangue de Jesus”
(Elena Guerra)


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Segundo texto biográfico

Com alegria, hoje celebramos o dia da Beata Elena Guerra, a apóstola do Espírito Santo. Ela e Papa Leão XIII, que escreveu a primeira Encíclica ao Espírito Santo na história da Igreja, são duas figuras proféticas do pentecostalismo Católico. Hoje também beato, Papa João XIII abriu o Concílio Vaticano II pedindo para a Igreja a graça de um Novo Pentecostes. Leia abaixo um artigo sobre as cartas escritas pela beata chamadas de “Escritos de Fogo”:

Elena Guerra viveu nutrindo um único sonho nascido de seu chamado profético na Igreja: Fazer o Espírito Santo mais conhecido, amado e invocado. Vendo o mundo de sua época pervertido por Satanás e uma multidão de almas se distanciando do Coração de Deus, Elena é convencida pelo Senhor a iniciar um grande epistolário com o Papa Leão XIII. Em suas cartas, ela pede ao Papa que chame novamente os cristãos para um retorno ao Cenáculo. Pela Novena de Pentecostes, desejava que fosse pregada a Palavra, a fim de que, os ensinamentos divinos iluminassem as mentes para o conhecimento do Espírito Santo e movesse a vontade dos cristãos para corresponderem às suas santas inspirações.

Elena escreve com amor e respeito de filha, mas com coragem e ousadia de profeta. A sua insistência, unida à sua vida profunda de oração e invocação ao Espírito Santo, juntamente com suas audaciosas iniciativas, alcança de Leão XIII, três documentos importantes: O Breve “Provida Matris Charitate” de 5 de Maio de 1895, quando o Papa promulga a obrigação da Novena de Pentecostes para a Igreja inteira; A Encíclica “Divinum Illud Munus” de 9 de Maio de 1897 e a Carta aos Bispos “Ad fovendum in Christiano Populo” de 18 de abril, como um pedido reforçado para celebrar a Novena todos os anos e maior diligência da parte dos pregadores para que transmitissem ao povo a doutrina sobre o Espírito Santo.

A figura desconhecida, mas grandiosa de Elena Guerra, que se ergue na Igreja como aquela que mais escreveu sobre o Divino Espírito, levará o Papa a consagrar o difícil Século XX ao Espírito Santo. Estava aberta a porta do Cenáculo e o mundo Católico, Ortodoxo e Protestante veria o grande derramamento do Espírito ao longo do século, impulsionado, sobretudo, pelos grandes avivamentos carismáticos que perduram até hoje.

Os Católicos Brasileiros, sobretudo, os que se encontram na Igreja através da Renovação Carismática, precisam conhecer estes documentos. Eles são a nossa raiz! Estão neles a segurança da nossa ortodoxia! A vida eclesial e profundamente carismática da Beata precisa ser conhecida pelos brasileiros que amam o Espírito Santo. Eis o objetivo destes Escritos de Fogo!

A vitalidade espiritual e a teologia especulativa e orante da Beata em seus escritos pneumatológicos levam o leitor a uma verdadeira paixão pelo Divino Paráclito e a um desejo profundo pela vida no Espírito. Eu posso testemunhar isso!

Não é exagero aproximar Elena Guerra das grandes doutoras da Igreja, não por milagrosas manifestações carismáticas, mas por sua elevação teológica e seu fecundo apostolado pela renovação da Igreja através do retorno dos fiéis ao Espírito Santo.

As cartas de espiritualidade cristã sempre tiveram um lugar privilegiado. Como não recordar das Cartas de São Paulo? As 270 cartas de Agostinho? As 6795 cartas de Santo Inácio de Loyola? As 266 de Santa Teresinha? As 633 do Pe. Pio?

Elena escreveu muitas obras dedicadas ao Espírito Santo e também muitas cartas. Muitas delas se perderam. Hoje temos 740 de sua autoria. Dom Bosco a chamou de “caneta de ouro”, e as irmãs costumavam dizer que a escrita era para Elena “o oitavo dom do Espírito Santo”. Ao Papa Leão XIII, Elena escreve 14 cartas. Nem todas foram entregues e uma delas se perdeu. Elena foi uma voz isolada, uma navegadora solitária quando começou a escrever sobre o Espírito Santo, denominado, até então, “divino desconhecido”. Ela é precursora de uma literatura carismática!

Creio que não haja hora melhor para viver as intuições proféticas dos “Escritos de Fogo”, momento em que a Igreja na América Latina se convence de que “Necessitamos de um Novo Pentecostes!” (Aparecida 548). Elena Guerra pode ser apresentada como um modelo de discípulo missionário para que todos os batizados se tornem apóstolos do Espírito Santo e da efusão de Pentecostes. Só assim, começaremos a ver a renovação da face da Terra, só assim nossos povos receberão a vida Daquele que “É Senhor e dá a Vida”!

Oremos como Elena: “Veni Sancte Spiritus!”

Pe. Eduardo Braga (Dudu)

Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2009

(Nossa Senhora de Lourdes)

Este texto foi retirado do livro “Escritos de Fogo”, de Pe. Eduardo Braga, e está disponível no site da Editora RCCBRASIL.

Conheça outros livros, acessórios e artigos religiosos da Beata Elena Guerra, aqui.



Oração pela canonização da Beata Elena Guerra

Ó Deus, que suscitastes na tua Igreja a Beata Elena Guerra, para que sua vida fosse para todos nós um constante convite a entrarmos no Cenáculo para vivermos um perene Pentecostes.

Concede que, com o reconhecimento da sua santidade, a sua mensagem possa chegar a Igreja inteira. Infunde em nós o Teu Espírito, com a riqueza dos seus dons, e por intercessão da Beata Elena, dai-nos as graças de que temos necessidade, especialmente... (pedir as graças).


Beata Elena Guerra, rogai por nós e por um novo Pentecostes!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Beata Elena Aiello, Virgem, Fundadora e Mística.


Beata Elena Aiello (1895-1961) – Mística, estigmatizada, alma vítima, vidente e fundadora das Mínimas Terciárias da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi consultada com frequência pelo Papa Pio XII; foi tida em grande estima pelo Sumo Pontífice que reconheceu nela dons de abnegação, caridade e profecia.

Elena Aiello nasceu em Montalto Uffugo (Cosenza) em 1895, quarta de oito filhos. Educada na fé por pais profundamente religiosos, revelou muito cedo uma particular inclinação à oração e à penitência. Aos 11 anos perdeu a mãe e teve de se ocupar dos trabalhos domésticos. Dois anos mais tarde, após problemas na traqueia, fez votos a Nossa Senhora de Pompéia de abraçar a vida religiosa. Todavia, teve que adiar o seu propósito por alguns anos por causa das dúvidas paternas e do início da Grande Guerra.

Em agosto de 1920 entrou para as Irmãs da Caridade do Preciosíssimo Sangue em Nocera dei Pagani (Salerno), mas permaneceu poucos meses por causa de um grave acidente enquanto transportava uma caixa. Uma operação de emergência causou-lhe lesões nos nervos, complicadas por uma febre persistente.



A Beata Elena em uma de suas visões místicas nas quais vertia sangue
pelos estigmas. Frequentemente a Beata participava misticamente
dos sofrimentos de Cristo no calvário. 

Voltando a casa em graves condições, pediu a intercessão de Santa Rita de Cássia, que lhe desse indicações para promover a sua devoção: nos dias em que a imagem da Santa se encontrava em Montalto, Elena recebeu o dom da cura. Nos anos seguintes tiveram início fenômenos místicos, em particular visões de Cristo e de Nossa Senhora, que lhe pediam para participar do mistério da Paixão para o bem da humanidade. Escolhida pela Providência como alma vítima, pela conversão dos pecadores e para a aplacar a Justiça divina, foi agraciada por Nosso Senhor com o dom da estigmatização e com grandes sofrimentos no corpo e na alma.  Em 1928, em Cosenza, ajudada por uma amiga Luigina Mazza, fundou a sua obra para a acolhida de meninas órfãs.



A Beata Elena Aiello fundou, com algumas
companheiras, uma congregação religiosa para 
cuidar de crianças órfãs, abundantes na Segunda
Grande Guerra. 

Após a Segunda Guerra Mundial, deu-se início à prática para a criação canônica da Congregação das Mínimas da Paixão de Nosso Senhor Jesus. Após a aprovação da Congregação em 1949, Elena e as primeiras companheiras emitiram os votos perpétuos.

O corpo da Beata Elena no solene repouso da morte.
Sua belíssima alma na eterna contemplação
do Senhor e da Virgem Maria. 


Morreu com fama de santidade em Roma em 1961. João Paulo II a declarou venerável em 22 de janeiro de 1991. A Congregação das Irmãs Mínimas da Paixão de Nosso Senhor Jesus, que se inspira no carisma de São Francisco de Paula, se dedica à acolhida da infância pobre e marginalizada; conta atualmente com mais de 100 religiosas e está presente na Itália, com numerosas casas, na Suíça, Canadá, Colômbia e Brasil. (SP)


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Algumas mensagens proféticas de Jesus e Maria feitas à Beata Elena Aiello, confidente e alma vítima: 

Sexta-feira Santa, 16 de Abril de 1954

«Depois de começar os habituais sofrimentos, cerca da uma da tarde, Jesus apareceu-me coberto de chagas e de sangue e disse-me:
Olha, minha filha, como os pecados do mundo me feriram. O mundo mergulhou completamente na sujidade, e a corrupção abunda. Os governos dos povos levantaram-se como demónios encarnados e, enquanto falam de paz, estão a preparar-se para uma guerra com armas devastadoras para a destruição de povos e nações.
Os homens são ingratos para com o meu Sagrado Coração e ao abusarem da minha misericórdia, transformaram a Terra num palco de crimes.
Muitos escândalos levam as almas à perdição… especialmente à corrupção da juventude. Violentados até ao limite, excitados, desenfreados para os gozos e prazeres do mundo, o seu espírito está degenerado na corrupção do pecado. O mau exemplo dos pais educa os filhos no escândalo e na infidelidade, em vez de na virtude e na oração, que está quase morta nos lábios de muitos. Manchada e degradada está a fonte de fé e de santidade nas famílias. As vontades dos homens já não mudam. Vivem na obstinação do pecado. Mais severos serão os castigos e pragas para levá-los para o caminho de Deus; mas os homens ficam mais furiosos, como bestas feridas, e os seus corações endurecem perante a graça de Deus. O mundo já não é digno de perdão, mas unicamente de fogo, destruição e morte.
É necessário oração e penitência das minhas almas fiéis para acalmar a Justiça Divina, para aplacar a justa sentença do castigo, que foi suspensa na Terra com a intercessão da Minha Amada Mãe, que é também Mãe de toda a humanidade.
Oh, como está triste o meu Coração por ver que os homens não respondem aos muitos apelos de amor e dor, dirigidos pela Minha Amada Mãe à humanidade extraviada. Errantes na escuridão continuam a viver nos seus pecados e se afastam mais de Deus! Mas o castigo de fogo aproxima-se para purificar a Terra das grandes injustiças dos perversos. A justiça de Deus, que não pode continuar a ser menosprezada, exige reparação pelas muitas ofensas e crimes que envolvem a terra.
Os homens estão obcecados nas suas ofensas e não se voltam para Deus. Opõem-se à Igreja, e os sacerdotes são desprezados por causa dos escândalos dos maus sacerdotes. Ajuda-me com o teu sofrimento a reparar por tantas ofensas e a salvar, deste modo, pelo menos uma parte da humanidade precipitada numa corrente de corrupção e morte.
Anuncia à humanidade que se devem voltar para Deus, fazendo penitência; e fazendo-o assim, há esperança de que sejam perdoados e salvos da justa vingança de um Deus desprezado.
Nosso Senhor, ao terminar estas palavras, desapareceu. Depois Nossa Senhora apareceu-me. Estava vestida com um vestido negro e sete espadas atravessavam o Seu Imaculado Coração. Aproximando-se, com uma expressão de profunda tristeza, e com o seu rosto banhado em lágrimas, disse-me:
Ouve-me com atenção e revela a todo o mundo: o Meu Coração está muito triste pelos sofrimentos que virão sobre o mundo numa catástrofe iminente. A Justiça de Deus é ofendida até ao extremo. Os homens vivem obcecados nos seus pecados. A ira de Deus está próxima. O mundo será afrontado por grandes calamidades, por revoluções sangrentas, furacões assustadores e pelas inundações dos rios e dos mares.
Anuncia, grita em voz alta, até que os Sacerdotes de Deus ouçam a Minha voz para que avisem a humanidade de que o castigo está muito próximo e, se os homens não se voltarem para Deus com a oração e a penitência, o mundo será lançado para uma nova e mais terrível guerra. Os ditadores da terra, espécies infernais, demolirão as igrejas e violarão a Sagrada Eucaristia, e destruirão as coisas mais queridas. Nesta guerra ímpia, muitos serão destruídos por aquilo que foi construído pelas mãos do homem.
Uma tempestade de fogo cairá sobre a Terra. Este castigo terrível que nunca se viu na história da humanidade durará 70 horas. Os ateus serão esmagados e aniquilados e muitos se perderão, porque permanecerão na teimosia dos seus pecados. Nesses dias, ver-se-á o poder da luz sobre o poder das trevas.
Não guardes silêncio, minha filha, porque as horas das trevas e o abandono aproximam-se. Inclino-me sobre o mundo mantendo suspensa a Justiça de Deus. De outra forma, estas coisas já teriam vindo sobre a Terra. As orações e penitências são necessárias porque os homens devem voltar para Deus e para o Meu Coração Imaculado – a Mediadora entre os homens e Deus – e desta maneira o mundo, pelo menos em parte, será salvo.
Anuncia, gritando estas coisas a todos, como se fosses o mesmo eco da minha voz. Anuncia isto a todos, porque ajudará a salvar muitas almas e a impedir muitas destruições na Igreja e no mundo.»


Sexta-feira Santa, 8 de Abril de 1955:

«A Bendita Mãe, adorável e majestosa, mas com o rosto em lágrimas, disse:
Minha filha, é a tua Mãe que te fala. Escuta atentamente e faz saber tudo o que te digo, porque os homens, apesar de sucessivos avisos, não voltam para Deus. Eles recusam a graça, e não escutam a minha voz. Não deves duvidar do que te estou a dizer, porque as minhas palavras são muito claras, e deves transmitir-lhes tudo.
Os dias tenebrosos e assustadores estão-se a aproximar. A humanidade está coberta por uma densa nuvem, como resultado dos seus pecados muito graves que cobrem o mundo inteiro. Hoje, mais do que nunca, os homens estão resistindo aos apelos do Céu e blasfemando contra Deus, enquanto se afundam cada vez mais no lodo do pecado.
Minha filha, olha para o Meu Coração cravado pelos espinhos de tantos pecados; o Meu rosto, desfigurado pela dor; os Meus olhos cobertos de lágrimas. A causa de tão grande tristeza é ver como tantas almas vão para o inferno, e ver como a Igreja está ferida por fora e por dentro.
Os governantes das nações fazem esforços e falam de paz. Mas o mundo estará em guerra rapidamente, e toda a humanidade será afundada na dor, porque a Justiça de Deus não tardará a cumprir os seus desígnios, e estes acontecimentos estão próximos. Tremenda será a mudança de todo o mundo, porque os homens – como no tempo do Dilúvio – perderam o caminho de Deus e são governados pelo Espírito de Satanás.
Os sacerdotes devem unir-se em oração e penitência. Devem apressar-se a divulgar a devoção dos Dois Corações. A hora do Meu triunfo está eminente. A vitória irá cumprir-se através do amor e misericórdia do Coração do Meu Filho, e do Meu Imaculado Coração, a Mediadora entre os homens e Deus. Ao aceitarem este convite e unirem as suas lágrimas às do Meu Doloroso Coração, os sacerdotes e religiosos obterão grandes graças para a salvação dos pobres pecadores.
Levai a todo o mundo a notícia que mostra a todos que o castigo está eminente. A Justiça de Deus pesa sobre o mundo. A humanidade, imersa na sujidade, depressa será lavada no seu próprio sangue, pela enfermidade, a fome, os terramotos, as tempestades, os tornados, as inundações e terríveis tormentas; e pela guerra. Mas os homens ignoram todos estes avisos, e ignoram as Minhas lágrimas que são um claro sinal de que estes trágicos acontecimentos esperam o mundo, que as horas das grandes provações estão eminentes.
Se os homens não corrigirem os seus caminhos, um terrível castigo de fogo descerá do Céu sobre todas as nações do mundo, e os homens serão castigados de acordo com as dívidas contraídas com a Justiça Divina. Haverá momentos assustadores para todos, porque o Céu se juntará com a terra, e todas as pessoas que não queiram a Deus serão destruídas. Algumas nações serão purificadas, outras desaparecerão completamente.
Deves transmitir estes avisos a todos para que a nova geração saiba que o homem foi avisado a tempo de voltar para Deus por meio da penitência, tendo podido evitar estes castigos.
Perguntei a Nossa Senhora quando aconteceria tudo isto. Minha filha – respondeu a Mãe Bendita – o tempo não está longe. Quando o homem menos esperar, o desígnio da Justiça Divina se cumprirá.
O Meu Coração é muito grande para com os pobres pecadores e procuro todas as maneiras para que eles possam ser salvos. Olha para este manto, que grande que é. Se não estivesse inclinada sobre a Terra para cobri-la toda com o Meu amor maternal, a tempestade de fogo já teria caído sobre todas as nações do mundo.
Depois exclamei: Minha querida Mãe, jamais te tinha visto com um manto tão grande. A Virgem Bendita, sustendo os seus braços abertos disse:
Este é o manto da Misericórdia para todos aqueles que, ao arrependerem-se, se voltam para o Meu Imaculado Coração. Estás a vê-lo? A mão direita segura o manto para cobrir e salvar os pobres pecadores, enquanto com a mão esquerda, seguro a Justiça Divina, para que o tempo da Misericórdia seja prolongado.
Para me ajudares, peço que a oração “Refúgio Maternal” seja divulgada como um dos meios mais poderosos para obter as graças da salvação para os pobres pecadores. Dizei-a muitas vezes com os braços em cruz: “Rainha do Universo, Mediadora entre os homens e Deus, refúgio de todas as nossas esperanças, tem misericórdia de nós”»


Sexta-feira Santa, 7 de Abril de 1950

A irmã Elena Aiello perguntou à Nossa Bendita Mãe: Que será de Itália? Roma será salva?
Nossa Senhora respondeu: Em parte, pelo Papa. A Igreja passará por trabalhos dolorosos, mas as forças do Inferno não prevalecerão! Deves sofrer pelo Papa e por Cristo, e por isso o Papa estará seguro na Terra; e Cristo, com a sua palavra redentora, salvará parte do mundo.
Depois Nossa Senhora aproximou-se, e com uma expressão triste, mostrou-me as chamas do Inferno. Ela disse: Satanás reina e triunfa na Terra! Vê como as almas caem no Inferno. Olha como estão fortes as chamas, e as almas que caem nelas como flocos de neve, parecendo brasas transparentes! Olha quantas faíscas! Quantos choram de ódio e de desespero! Quanta dor! Olha quantas almas de sacerdotes! Olha o sinal da sua consagração em suas mãos transparentes! (Nas palmas das suas mãos, o sinal da cruz podia ser claramente visto num fogo mais vivo). Que tortura, minha filha, no meu Coração maternal! A minha pena de ver que os homens não mudam é grande! A justiça do Pai pede reparação; de outro modo muitos se irão perder!
Olha como a Rússia arderá! Em frente dos meus olhos se estendia um imenso campo coberto de chamas e fumo, no qual as almas eram submersas como num mar de fogo.
E todo este fogo – concluiu Nossa Senhora – não será aquele que cairá da mão dos homens, mas será precipitado diretamente pelos Anjos (no tempo do grande castigo da purificação que virá sobre a Terra). Por isso peço oração, penitência e sacrifício, para que possa agir como Mediadora do meu Filho para poder salvar almas.


Sexta-feira, 23 de Março de 1961.

«Nossa Senhora disse: Minha filha, o castigo está próximo”. ¡Fala-se muito de paz, mas o mundo inteiro caminha para a guerra, e as ruas ficarão cobertas de sangue! Não se vê um raio de luz no mundo, porque os homens vivem nas trevas do pecado, e o enorme peso desses pecados clama pela Justiça de Deus.
Todas as nações serão castigadas, porque o pecado espalhou-se por todo o mundo!
Os castigos serão tremendos, porque o homem tornou-se numa afronta insuportável contra o seu Deus e Pai, e já exasperou a Sua Infinita Bondade!
O Meu Coração também sangra por Itália, que será salva, só em parte, por causa do Papa! Oh, que pena ver o representante de Cristo na Terra odiado, perseguido, injustiçado! Ele, que é o Pai Espiritual do povo, o defensor da Fé e da Verdade, cujo rosto, radiante de luz, brilha sobre o mundo, é fortemente odiado. Ele, que representa Cristo na Terra, fazendo o bem a todos, torna-se por isso, odiado pela sua impunidade.
Muitos líderes dos povos, iníquos e maus, que vivem fora das Leis de Deus, arrastando com eles o povo, mostram-se com pele de ovelha, mas são lobos ferozes, arruinaram a sociedade, voltando-a contra Deus e contra a sua Igreja.
Como pode o mundo ser salvo do desastre que está prestes a chegar sobre as nações mal governadas, se o homem não se arrepende dos seus erros e dos seus pecados? A única salvação é o arrependimento completo e o regresso a Deus, uma verdadeira devoção ao Meu Imaculado Coração, particularmente com a oração diária do Terço.
Uma vez veio o castigo pela água: mas se o homem não se voltar para Deus, virá o castigo pelo fogo, que cobrirá as ruas do mundo com sangue.
Minha filha, grita com força, e faz com que todos saibam que se não voltarem para Deus, Itália também será só em parte salva pelo Papa.
O Meu Coração de Mãe e Mediadora dos homens, próxima da Misericórdia de Deus, convida, com muitas manifestações e muitos sinais, os homens à penitência e ao perdão. Mas eles respondem com uma tormenta de ódio, blasfémias e profanações sacrílegas, cegos pela ira infernal. “Peço oração e penitência, para que possa obter de nova a misericórdia e a salvação para muitas almas; de outro modo irão se perder.»


Festa da Imaculada Conceição, 8 de Dezembro de 1956

«A Nossa Bendita Mãe disse: Hoje o mundo está-me a venerar, mas o meu Coração Maternal está sangrando porque o inimigo está às nossas portas! Os homens estão ofendendo muito a Deus! Se te mostrasse os pecados cometidos num só dia, morrerias de horror e de dor. Os pecados que ofendem mais a Deus são os das almas que, deveriam encher o ar com a boa fragrância das suas virtudes; mas, em lugar disso, contaminam pelas suas vidas de pecado aqueles que se aproximam deles.
Os tempos são graves. O mundo está numa grande desordem, porque piorou mais do que nos tempos do dilúvio. Tudo está suspenso por um fio; e quando este se romper, a justiça de Deus cairá como um raio e completará o seu terrível desígnio de purificação.
Pergunta a Irmã Helena: Que será de Itália?
A Virgem Maria responde: Itália, minha filha, será humilhada, purificada pelo sangue, e deverá sofrer muito, porque muitos são os pecados desta amada nação, trono do Vigário de Cristo. Não podereis imaginar o que sucederá! Nestes tristes dias haverá muita angústia e lágrimas. Haverá uma revolução grande, e as ruas ficarão vermelhas de sangue. O Papa sofrerá muito, e todo esse sofrimento será como uma agonia que abreviará a sua peregrinação na terra. O seu sucessor guiará o barco na tormenta.
Mas o castigo dos ímpios não demorará. Esse dia será o mais temido no mundo! A Terra começará a tremer, toda a humanidade será sacudida! Os maus e os teimosos morrerão com a tremenda severidade da Justiça do Senhor.
Enviai de uma vez uma mensagem ao mundo para avisar o homem que tem de voltar para Deus com orações e penitências, e para que se aproximem com confiança ao Meu Imaculado Coração. A Minha intercessão deve ser mostrada, porque sou a Mãe de Deus, dos justos e dos pecadores. Através da oração e da penitência, a Minha misericórdia poderá segurar a mão da Justiça de Deus.»


Profecias de 1959

Jesus, jorrando sangue, com um olhar de dor e sofrimento disse: ¿Desejas unir-te a mim na minha agonia? ¡Olha como sofro! Os pecados do homem são os que Me têm feito isto. Quanta amargura sente o Meu Coração cravado por tantas almas que, em vez de Me amarem com sacrifícios e fugir das vaidades pecaminosas do mundo, cometem grandes injustiças.
Ajuda-Me a sofrer consolando o Meu Coração desolado, e faz reparação pelos muitos pecados que se cometem. ¡Oh Minha amada esposa, se tu soubesses a dor que sofre o Meu Coração por tantas almas que se perdem! Satanás passeia-se vitorioso por toda a Terra cheia de pecado. Preciso de almas generosas que acalmem a grande ira da Justiça do Pai, porque o mundo está a caminho de uma eminente ruína. As horas das trevas aproximam-se!
Depois Nossa Senhora apareceu-me, triste e cheia de lágrimas. Disse: Este manto grande que vês é uma expressão da Minha misericórdia para cobrir os pecadores e para salvá-los. Os homens, ao contrário, cobrem-se a eles próprios com mais sujidade e não querem confessar as suas verdadeiras faltas. Assim, a Justiça de Deus, passará sobre o mundo pecador para purificar a humanidade dos seus muitos pecados, abertamente cometidos e escondidos, especialmente aqueles que corrompem a juventude.
Para salvar as almas, desejo que se propague no mundo a consagração ao Imaculado Coração de Maria, Medianeira dos homens, agradecidos à Misericórdia de Deus e à Rainha do Universo.
O mundo será uma vez mais abatido por uma grande calamidade, com grandes revoluções, com grandes terramotos, com fomes, com epidemias, com furacões terríveis e com inundações dos rios e dos mares. E se os homens não se voltarem para Deus, um fogo purificador cairá dos Céus, como uma tempestade de neve, sobre todas as pessoas e uma grande parte da humanidade será destruída!
Os homens já não falam de acordo com o verdadeiro espírito do Evangelho. A imoralidade destes tempos chegou ao cimo. Mas os homens não escutam os Meus avisos maternais, e por isso o mundo será purificado em breve.
A Rússia avançará sobre todas as nações da Europa, particularmente sobre Itália, e levantará a sua bandeira sobre a cúpula de São Pedro. Itália será afetada severamente por uma grande revolução, e Roma será purificada dos seus muitos pecados com o seu próprio sangue, especialmente os da impureza! O rebanho está prestes a ser disperso e o Papa sofrerá muitíssimo.
Os únicos meios válidos para travar a Divina Justiça são a oração e a penitência, voltando para Deus com verdadeiro arrependimento pelos pecados cometidos; assim o castigo de Deus será serenado pela Misericórdia. A humanidade jamais encontrará paz se não voltar ao Meu Imaculado Coração como Mãe de Misericórdia e Mediadora dos homens, e ao Coração do Meu Filho Jesus.


Sexta-feira Santa, 1960

«Nossa Senhora disse: ¡Como vive a juventude na perdição! Quantas almas inocentes se encontram numa rede de escândalos. O mundo converteu-se num vale inundado, cheio de impureza e corrupção. Algumas das maiores tribulações da Divina Justiça estão todavia para chegar, antes do dilúvio de fogo.
Durante muito tempo adverti os homens de muitas maneiras, mas eles não ouvem os Meus avisos maternais, e continuam pelos caminhos da perdição. Mas em breve manifestações terríveis serão vistas, que farão abanar até os pecadores mais empedernidos.
Grandes calamidades cairão sobre o mundo e trarão confusão, lágrimas, lutas e dor. Grandes terramotos destruirão cidades e países inteiros, e virão epidemias, fome, e uma terrível destruição, especialmente nos lugares onde estão os filhos das trevas, nações pagãs e anticristãs.
Nestas horas trágicas o mundo precisa de oração e penitência, porque o Papa, os sacerdotes e a Igreja estão em perigo. Se não rezarmos, a Rússia avançará sobre a Europa, e particularmente sobre Itália, trazendo muita ruína e grande destruição. Por isso os sacerdotes têm que estar na primeira linha defendendo a Igreja, com o seu exemplo e santidade de vida; o materialismo está a entrar com muita força em todas as nações, e o mal prevalece sobre o bem.
Os governantes do mundo não entendem isto, porque eles não têm o espírito de Cristo; e com a sua cegueira não veem a verdade. Em Itália, alguns líderes intitulando-se de cristãos são lobos ferozes vestidos com pele de cordeiro, abrem as portas ao materialismo, e promovem ações desonestas; irão trazer a ruína sobre Itália. Mas muitos deles cairão também numa grande confusão.
Divulgai as devoções ao Meu Imaculado Coração, de Mãe de Misericórdia, Mediadora dos homens. Manifestarei a Minha parcialidade por Itália, que será preservado do fogo, mas os céus ficarão cobertos com densas trevas, e a terra será agitada por implacáveis terramotos que abrirão profundos abismos. Províncias e cidades serão destruídas, e todos irão chorar que o fim do mundo chegou! Incluindo Roma que será castigada com justiça pelos muitos e graves pecados, porque aqui o pecado chegou ao seu limite.
Rezai e não perdeis tempo; de outra forma será muito tarde. Densas trevas envolvem a terra e o inimigo está à porta.»


Sexta-feira Santa, 1961

«Nossa Senhora, desolada, disse: As pessoas não prestam atenção aos Meus avisos maternais, e por isso o mundo vai caindo de cabeça cada vez mais no abismo da injustiça. As nações serão assoladas por grandes desastres, causando destruição e morte.
A Rússia, instigada por Satanás, tentará dominar o mundo inteiro e, por meio de revoluções sangrentas, transmitirá falsos ensinamentos por todo o mundo, especialmente em Itália. A Igreja será perseguida e o Papa e os sacerdotes sofrerão muito.
A Irmã Aiello disse: Oh, vejo uma visão horrível! Uma grande revolução começa em Roma! Entram no Vaticano. O Papa está sozinho; está a rezar. Estão a segurar o Papa. Agarram-no com força. Atiram-no ao chão. Atam-no. Meu Deus! Meu Deus! Dão-lhe pontapés. Que cena horrível! Quanto sofrimento! A Nossa Bendita Mãe aproxima-se. Aqueles homens maus caem no chão como cadáveres. Nossa Senhora agarra o Papa pelo braço, ajuda-o a levantar-se, e cobrindo-o com o seu manto diz-lhe: “Não temas!”
As hastes das bandeiras (voa a bandeira vermelha sobre São Pedro e em todos os outros lugares) caem e é derrubado o poder das organizações desses inimigos. Estes ateus estão sempre a gritar: “Não queremos que Deus governe sobre nós; queremos que Satanás seja o nosso mestre”.


A Nossa Bendita Mãe diz novamente: Minha filha, Roma não será salva, porque os governantes italianos abandonaram a Luz Divina e porque apenas alguns amam realmente a Igreja. Mas o dia está próximo em que morrerão todos os perversos, debaixo da tremenda explosão da Justiça Divina.»

domingo, 20 de dezembro de 2015

SÃO JOÃO NEPOMUCENO NEUMANN, Bispo e Missionário Redentorista. Primeiro santo dos EUA. Dois textos biográficos.





"John Neumann tinha a imagem de Cristo. Ele experimentou, em seu íntimo, a necessidade de proclamar a palavra e o exemplo da sabedoria e do poder de Deus, e para pregar o Cristo crucificado” dizia o Papa Paulo VI na canonização do santo.


PRIMEIRO TEXTO BIOGRÁFICO. 
Bispo de Filadélfia, Pensilvânia, EUA, nascido em Prachatitz na Boêmia a 28 de março de 1811, João Nepomuceno Neumann é filho de Felipe Neumann e Agnes Lebis, pais católicos fervorosos, que deram excelente educação aos cinco filhos, dos quais, três tornaram-se religiosos. 
Fez os primeiros estudos na escola de Budweis e entrou no seminário desta cidade em 1831.

Dois anos depois, ingressou na Universidade Charles Ferdinand em Praga, onde estudou teologia.

Esperava ser ordenado em 1835, quando o bispo decidiu que não haveria mais ordenações. É difícil para nós imaginá-lo agora, mas a Boêmia de então tinha padres demais. João escreveu para bispos de toda a Europa, mas a resposta era a mesma em toda parte: ninguém queria mais padres. João estava certo do seu chamado ao sacerdócio, mas todas as portas para seguir esta vocação pareciam fechar-se à sua frente.

Mas ele não desanimou. Aprendeu inglês trabalhando numa fábrica junto com operários de língua inglesa, depois escreveu a bispos da América do Norte. Finalmente, o bispo de Nova York consentiu em ordená-lo. Para seguir a vocação divina ao sacerdócio, João teria de deixar sua terra para sempre e viajar através do oceano para um país novo e primitivo.

Em Nova York, João era um dos 36 padres para 200.000 católicos. A sua paróquia no oeste de Nova York ia do Lago Ontário até Pensilvânia. Sua igreja não tinha torre nem piso, mas isto não importava, porque João passava a maior parte do tempo viajando de cidade em cidade, subindo montanhas para visitar os doentes, detendo-se em mansardas ou tavernas para ensinar e celebrando Missas sobre mesas de cozinha.

Por causa do isolamento da sua paróquia, João desejava uma comunidade e assim entrou para os Redentoristas, Congregação de padres e irmãos dedicados a ajudar os pobres e os mais abandonados.

Primeiro padre a entrar para a Congregação na América do Norte, fez os votos em Baltimore no dia 16 de Janeiro de 1842.

O seu conhecimento de seis línguas modernas tornou-o particularmente capacitado para trabalhar na sociedade cosmopolita americana do século XIX. Depois de trabalhar em Baltimore e em Pittsburgh, em 1847 foi nomeado Visitador ou Superior maior dos Redentoristas nos Estados Unidos. O Pe. Frederick von Held, Superior da Província belga, à qual pertenciam as casas americanas, disse dele: "É um grande homem, que combina a piedade com uma personalidade forte e prudente". Ele precisou dessas qualidades durante os dois anos que exerceu o cargo, pois a fundação americana estava passando por um penoso período de adaptação.

Quando ele passou o cargo para o Pe. Bernard Hafkenscheid, os Redentoristas dos Estados Unidos se preparavam para se tornar uma província autônoma, o que ocorreu em 1850.

Pe. Neumann foi nomeado bispo de Filadélfia e foi ordenado em Baltimore a 28 de março de 1852. A sua diocese era muita grande e passava por um período de desenvolvimento considerável.

Como bispo, foi o primeiro a organizar um sistema diocesano de escolas católicas. Fundador da educação católica na sua região, aumentou o número das escolas católicas na sua diocese de 2 para 100.

Fundou as irmãs da Ordem Terceira de São Francisco para ensinar nas escolas.

Entre as mais de oitenta igrejas construídas durante o seu episcopado, deve ser mencionada a catedral de São Pedro e São Paulo, que ele começou. São João Neumann era de pequena estatura, de saúde sempre fraca, mas no curto espaço da sua vida realizou muita coisa. Encontrou tempo até para uma considerável atividade literária, além dos seus deveres pastorais.

Escreveu numerosos artigos em revistas e jornais católicos e também publicou dois catecismos e em 1849 uma história bíblica para as escolas.

Continuou sua atividade até o fim. No dia 5 de Janeiro de 1860 (aos 48 anos) sofreu um colapso numa rua da sua cidade episcopal e morreu sem poder receber os últimos sacramentos.

Foi beatificado pelo Papa Paulo VI dia 13 de outubro de 1963 e canonizado pelo mesmo Papa dia 19 de junho de 1977.



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SEGUNDO TEXTO BIOGRÁFICO
Sexta-feira santa de março de 1811 nasce em Prachatice, Boêmia (atual República Tcheca) João Nepomuceno Neumann, sendo o terceiro filho dos seis do casal Felipe Neumann e Agnes Lebis. Seu batizado foi no mesmo dia, 28 de março, na Igreja de São James recebeu o nomeado protetor da Boêmia, São João Nepomuceno.

Fez os primeiros estudos na escola em Budweis e entrou no seminário da diocese de Budweis em 1831, após ter estudado Filosofia. Dois anos depois, ingressou na Universidade Charles Ferdinand em Praga, onde estudou teologia. Queria ser padre missionário e após ser ordenado iria para América. Esperava ser ordenado em 1835, quando o bispo decidiu que não haveria mais ordenações, por haver padres demais, e ordenações por um bom tempo não iria ter na diocese. João não desanima, escreve para bispos de toda a Europa, mas a resposta era a mesma em toda parte: ninguém queria mais padres. Motivo: havia muitos padres. João estava certo do seu chamado ao sacerdócio, mas todas as portas para seguir esta vocação pareciam fechar. Para seguir a vocação divina ao sacerdócio, João teria de deixar sua terra para sempre e viajar através do oceano para um país novo.

Durante os estudos em Praga aprendeu inglês com trabalhadores ingleses de uma fábrica. Escreve a bispos da América do Norte, sem antes receber uma confirmação por parte dos bispos parte para os EUA, rumo à cidade de Nova Iorque. Após quarenta dias chega à América, o bispo de Nova York tinha enviado uma carta do qual concederia seu pedido, mais Neumann não chegou a receber, pois havia partido para as Américas. Sendo ordenado em 25 de junho de 1836 na antiga Igreja de São Patrício, Nova York.

Em Nova York, João era um dos 36 padres para 200.000 católicos. A sua paróquia no oeste de Nova York ia do Lago Ontário até Pensilvânia. Sua igreja não tinha torre nem piso, mas isto não importava, porque João passava a maior parte do tempo viajando de cidade em cidade, subindo montanhas para visitar os doentes, detendo-se em mansardas ou tavernas para ensinar e celebrando Missas sobre mesas de cozinha. Por causa do isolamento da sua paróquia, João desejava uma comunidade e assim entrou para os Redentoristas, Congregação de padres e irmãos dedicados a ajudar os pobres e os mais abandonados.

Primeiro padre a entrar para a Congregação na América do Norte, fez os votos em Baltimore no dia 16 de Janeiro de 1842. O seu conhecimento de seis línguas modernas tornou-o particularmente capacitado para trabalhar na sociedade cosmopolita americana do século XIX.   Depois de trabalhar em Baltimore e em Pittsburgh, em 1847 foi nomeado Visitador ou Superior maior dos Redentoristas nos Estados Unidos.

Quando ele passou o cargo para o Pe. Bernard Hafkenscheid, os Redentoristas dos Estados Unidos se preparavam para se tornar uma província autônoma, o que ocorreu em 1850. Pe. Neumann foi nomeado bispo de Filadélfia e foi ordenado em Baltimore a 28 de março de 1852. A sua diocese era muita grande e passava por um período de desenvolvimento considerável Como bispo, foi o primeiro a organizar um sistema diocesano de escolas católicas. Fundador da educação católica na sua região, aumentou o número das escolas católicas na sua diocese de 2 para 100. Entre as mais de oitenta igrejas construídas durante o seu episcopado, deve ser mencionada a catedral de São Pedro e São Paulo, que ele começou.

A convite do Santo Padre Pio IX, embarcou em outubro para Europa. Era isso o ano de 1854. Queria ele assistir á solene declaração do dogma da Imaculada Conceição, ato que teve lugar a oito de dezembro do mesmo ano. Em Roma hospedou-se o Prelado na casa dos seus confrades, em Monterone. Todos edificaram-se com seu espírito de pobreza e humildade. Saía quase sempre sem as insígnias de sua dignidade, a pé sem fazer caso do tempo que reinava.


Sua extrema modéstia não impediu que sobre ele caíssem as vistas dos cardeais e do Papa. Pio IX convidou-o diversas vezes para audiências privadas e distinguiu-o ainda com mais outras atenções. A primeira vez que foi falar ao Papa este recebeu-o cheio de amabilidade e disse-lhe: “Monsenhor Neumann, bispo de Filadélfia! Então a obediência não vale mais que sacrifícios?” Escutou em seguida a relação que Neumann lhe fez sobre a diocese, decidiu diversos casos difíceis e por fim conferiu-lhe a dignidade de prelado domestico de Sua Santidade e diversas faculdades e privilégios.

Aos 17 de dezembro escrevia monsenhor Neumann a um de seus padres: “É impossível descrever-lhe a solenidade do dia oito deste mês. Não tenho nem tempo nem talento para tanto. Agradeço a Deus haver-me concedido, após tantas graças, esta de poder ser testemunha da festividade em Roma.”.

Nesta viagem, aproveita para convidar as Irmãs Dominicanas a irem ajudar em sua diocese para ministrar. Dom Neumann pediu aconselhamento ao Papa Pio IX, que o aconselhou que seria melhor fundar uma congregação na linha da regra franciscana. No ano seguinte, Do, Neumann investiu três jovens mulheres com o hábito franciscano e deu-lhes a Regra franciscana, e nova ordem se chama Irmãs Franciscanas de Filadélfia.

De volta á sede episcopal continuou os trabalhos com redobrado zelo. O peso da diocese já se lhe ia tornando cada vez mais sensível. Neumann queixa-se disso numa carta pelos fins de 1856: “Os trabalhos vão crescendo... Tudo isso me traz numa dobadoura desde sete da manhã até nove horas da noite. À noite estou cansadíssimo, mas, graças a Deus, a saúde é boa e resistente. Penso também não andar muito longe o dia de me ver livre deste desterro.” De fato ofereceu-se na reunião provincial dos Bispos em Baltimore para aceitar uma das novas dioceses então planejadas. A Santa Sé não aceitou a oferta de Neumann e deu-lhe um Bispo coadjutor na pessoa de D. Frederico Jayme Wood. Dois anos mais tarde já sucedia ao servo de Deus na sede do bispado.


Entretanto chegava também o fim da vida para o servo de Deus. Alguns dias antes de sua morte foi, como de costume, confessar-se no convento de seus confrades. Enquanto esperava pelo padre Reitor iniciou uma prosa com o irmão porteiro de qual a morte que o preferiria ter, o Irmão diz que preferia morrer depois de uma doença suportada com paciência; morte repentina é coisa arriscada, retorquiu o irmão. Dom Neumann retruca que um cristão deve, no entanto estar pronto para morrer a qualquer hora e muito mais ainda um religioso. Estando preparado, ganha mais com a morte rápida e poupa aos outros muito trabalho e a si mesmo muita ocasião de impaciência. Em todo caso é sempre melhor o gênero de morte que Deus enviar.

As previsões do santo Bispo deviam se cumprir. Aos 5 de janeiro, véspera dos Santos Reis, sentiu-se indisposto. De tarde saiu de casa para assinar um documento de certa propriedade da diocese. Ao voltar para casa caiu por terra numa das ruas da cidade, vitimado por um ataque de apoplexia. Levaram-no para a casa mais próxima estenderam-no sobre um tapete e tentaram reanimá-lo. Em vão. Quando chegou o secretario do bispado com os Santos Óleos, quase ao mesmo momento, já era tarde. João Nepomuceno Neumann, Bispo de Filadélfia estava morto. Foi sepultado na cripta da Igreja de São Pedro.

A 15 de dezembro de 1895 o Papa Leão XIII assinou o decreto pelo qual ordenava a introdução do processo de beatificação do Venerável Neumann. Um novo decreto de Santa Sé a 11 de dezembro de 1921 declara como heroicas as virtudes do Venerável. Foi beatificado pelo Papa Paulo VI em 13 de outubro de 1963 e canonizado pelo mesmo Papa em 19 de junho de 1977.

Vida mais detalhada do santo, vide em:  
https://biografiadossantos2.wordpress.com/2010/08/22/sao-joao-nepomuceno-neumann/