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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

SANTO ANTÔNIO MARIA CLARET, Missionário, Bispo e Fundador.


O santo Bispo Antônio Maria Claret foi, sem sombra de dúvida, um dos maiores santos da História da Igreja. Incansável e zeloso apóstolo de Jesus Cristo e defensor da Igreja, promoveu pela palavra escrita (livros, artigos e revistas) e pela pregação a pureza da Fé Católica. Foi um ardente defensor da Fé e da Igreja numa época na qual praticamente toda a Europa já começava mostrar sinais de seu afastamento de Deus, que hoje em dia é tão sentido. Como é um santo riquíssimo em boas obras e de uma história de vida simplesmente maravilhosa, não se espantem se mais de uma vez aparecer neste Blog. 


Tendo-me pedido o padre José Xifré, Superior dos Missionários Filhos do Coração de Maria, diversas vezes, verbalmente e por escrito, uma biografia de minha insignificante pessoa, sempre me escusei, e ainda agora não decidiria escrevê-la se ele não me tivesse mandado. Somente por obediência o faço e por obediência revelarei coisas que eu preferia manter ignoradas. Seja isto, contudo, para a maior glória de Deus e de Maria Santíssima, minha doce Mãe, e confusão deste miserável pecador".

Ao iniciar sua Autobiografia com estas palavras, deixou claro Santo Antônio Maria Claret que contaria a ação de Deus em sua vida apenas pela necessidade de obedecer à voz do superior geral da ordem... Por ele mesmo fundada! Tal é a força da santa obediência, até para um fundador! No entanto, afirma seu confessor: "Quem conhecesse o Servo de Deus como eu o conhecia, perceberia facilmente, ao ler suas mencionadas anotações, que ele diz menos do que se cala, querendo deste modo, sem dúvida, cumprir o preceito imposto pela obediência sem prejuízo de sua profunda humildade". Apesar disso, fica registrada para a História uma vida marcada pela grandeza da humildade, e sua pena revela os mais belos contrastes harmônicos de uma personalidade ímpar que cruzou boa parte do século XIX, numa existência profícua em fatos memoráveis.

Meditar na eternidade: semente do missionário

Nascido numa família de profundas raízes religiosas, diz o Santo a respeito de sua primeira infância: "A Divina Providência sempre velou por mim de forma particular".3 É interessante notar que, ao contar sua origem, menciona a pequena Sallent, onde nasceu, na Diocese de Vic, província de Barcelona, bem como os pais, Juan Claret e ­Josefa Clará - a quem qualifica como "honrados, tementes a Deus, muito devotos do Santíssimo Sacramento do Altar e de Maria Santíssima" -, mas não a data de seu nascimento, apenas a de Batismo: 25 de dezembro de 1807.

As primeiras ideias de que tem memória remontam aos seus cinco anos. Havendo recebido dos pais as primeiras noções de bem e mal, Céu e inferno, tinha noites de insônia e se punha a pensar na eternidade: "sempre, sempre, sempre; imaginava distâncias enormes, e a estas se acrescentavam outras e outras, e ao ver que não alcançava o fim, estremecia e pensava: aqueles que tiverem a desgraça de ir para a eternidade de penas, jamais deixarão de sofrer, sempre padecerão? Sim, sempre, sempre terão de penar!".5 E se condoía do fundo da alma.

Este pensamento foi o motor, "a mola e o aguilhão de meu zelo pela salvação das almas", do apostolado em prol da "conversão dos pecadores, no púlpito, no confessionário, por meio de livros, estampas, folhetos, conversas familiares". Pois, "ao ver a facilidade com que se peca, a mesma com que se toma um copo d'água, por riso ou por diversão; ao ver a multidão de pessoas ­continuamente em pecado mortal e que vão assim caminhando para a morte e para o inferno, não posso ter repouso, preciso correr e gritar".8 A esta preocupação pela salvação das almas, não tardou em unir-se o zelo pela glória de Deus: "Se um pecado é de uma malícia infinita, impedir um pecado é impedir uma injúria infinita a meu Deus, a meu bom Pai".



Despertar da vocação sacerdotal

Bem menino ainda entrou na escola, onde aprendeu as primeiras letras. Vivo e inteligente, tudo assimilava com rapidez, em especial o catecismo e a História Sagrada. Aos dez anos fez a Primeira Comunhão e, a partir daí, não mais deixou de frequentar os Sacramentos. Logo se despertou no pequeno Antônio a vocação sacerdotal: "Com que fé, confiança e amor falava com o Senhor, com meu bom Pai! Eu me oferecia mil vezes a seu santo serviço, desejava ser sacerdote para consagrar-me dia e noite a seu ministério".

Encaminharam-no ao estudo do latim, mas o curso fechou alguns anos depois e as dificuldades da época obrigaram o pai a levá-lo para trabalhar em sua pequena fábrica de fios e tecidos, em vez de mandá-lo ao seminário.


A fábrica ou o sacerdócio?

Como primeira tarefa, enchia os carretéis das lançadeiras dos teares. Mais tarde tornou-se chefe dos operários, e nesta função aprendeu "como é verdade que melhor proveito se tira tratando os outros com doçura do que com aspereza e irritação".

Entretanto, ele considera esta fase de sua vida como um período de entibiamento, por se ter lançado com ímpeto no mundo dos teares, trocando sua vocação pelas máquinas, desenhos e urdiduras. Em 1825 encaminha-se a Barcelona, onde se aperfeiçoou na arte da tecelagem. Autodidata, só de analisar as mostras de tecidos vindos de Paris ou Londres já ideava um meio de fabricá-los, com resultados idênticos ou melhores. Por três anos estes assuntos ocuparam sua mente a ponto de ter, mesmo durante a Missa, "mais máquinas na cabeça do que santos havia no altar".

Até que, como uma flecha aguçada a penetrar-lhe o coração, em plena Missa recordou-se desta passagem do Evangelho: "Que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?" (Mc 8, 36). "Senti-me, como Saulo, no caminho de Damasco [...]. Despertaram-se em mim os fervores de piedade e devoção".

De cartuxo a jesuíta...

Decidiu tornar-se cartuxo para fugir do século, com grande pesar do pai, que punha a esperança de seus negócios no talento do filho. Voltou para Vic e iniciou os ­estudos de ­filosofia, tomando gosto pela contemplação, disciplina e penitência. Para onde fora seu desejo de ser apóstolo e salvar almas? É que as vias de Deus não são humanas...

A caminho da Cartuxa de Monte Alegre, próxima de Barcelona, enfermou-se gravemente e precisou regressar a Vic. Compreendeu, então, haver sido circunstancial o chamado à vida contemplativa: "O Senhor me levava mais longe para desligar-me das coisas do mundo, e para que, desapegado de todas elas, me fixasse no estado clerical".

Afinal, ingressou no seminário e, completados os estudos, foi ordenado sacerdote em 13 de junho de 1835. Enviado para a Paróquia de Santa Maria, em sua cidade natal, constituiu para si uma rigorosa regra de vida. Sem embargo, Deus o incitava a ser missionário. "Em muitas passagens da Santa Bíblia sentia a voz do Senhor que me chamava a pregar. O mesmo acontecia na oração. Assim, decidi deixar o curato, ir a Roma e apresentar-me à Congregação de Propaganda Fide para ser mandado a qualquer parte do mundo".

A caminho da Cartuxa, enfermou-se gravemente e precisou regressar a Vic; compreendeu, então, haver sido circunstancial o chamado à vida contemplativa

Lá chegando, o Cardeal Giacomo Filipo Fransoni, Prefeito da Congregação, estava de viagem. O padre Claret aproveitou a espera para fazer com os jesuítas os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola e, ao terminá-los, prestou contas de suas disposições de alma ao padre diretor. Este o convidou para entrar na Companhia de Jesus: "tornei-me jesuíta da noite para o dia".


...de noviço a missionário e fundador

O tempo do noviciado lhe foi muito útil: "Ali aprendi o modo de dar os Exercícios de Santo Inácio, o método de pregar, catequizar, confessar, com grande utilidade e proveito".

Sentia-se muito bem na Companhia de Jesus, mas um problema na perna o levou à enfermaria e não havia como curá-lo. Os superiores viram nisto um sinal sobrenatural de não estar ele onde era chamado por Deus e determinaram seu regresso à Espanha, incentivando-o a entrar, de fato, nas sendas das missões.

O Bispo de Vic, Dom Luciano Casadevall, enviou-o para a aldeia montanhosa de Viladrau, onde começou seu trabalho de conquistar almas para o Céu. Jamais ia a lugar algum sem ser mandado. E aconselhava aos missionários: "Não temam as dificuldades que se apresentem ou as perseguições que se levantem; Deus os enviou pela obediência, Ele os protegerá".18 Tal como os Apóstolos, com ufania anunciava o Evangelho, expulsava demônios e curava muitas doenças.

Ao voltar de uma viagem evangelizadora nas Ilhas Canárias, em meados de maio de 1849, pôs em prática um plano já bem refletido de fundar uma congregação de sacerdotes missionários, na qual cada membro devia ser "um homem que arde em caridade e abrasa por onde passa; deseja eficazmente e procura por todos os meios atear no mundo inteiro o fogo do divino amor. Nada o amedronta; delicia-se com as privações; busca os trabalhos; abraça os sacrifícios; compraz-se com as calúnias e se alegra com os tormentos. Não pensa senão em como seguirá e imitará Jesus Cristo no trabalhar, sofrer, e procurar sempre unicamente a maior glória de Deus e a salvação das almas".

Reunindo no seminário de Vic cinco outros sacerdotes, e de posse das autorizações episcopais, fundou em 16 de julho daquele ano a Congregação de Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria. "Hoje começamos uma grande obra", afirmou.

Não obstante, eis que menos de um mês depois o Bispo o chamou e entregou-lhe uma carta de nomeação como Arcebispo de Santiago de Cuba...

Na Arquidiocese de Cuba: amado e perseguido

Alegando não poder abandonar a livraria religiosa que dirigia, bem como sua congregação nascente, recusou. Todavia, ao receber ordem formal de seu prelado para aceitar, confiou a pequena comunidade a Maria Santíssima e, tendo sido ordenado Bispo, partiu para Barcelona, a fim de cruzar o Atlântico rumo à sua arquidiocese.

É impossível narrar aqui as aventuras da viagem, na qual cada parada servia-lhe de pretexto para pregar, e menos ainda tudo quanto na antiga Pérola do Caribe se passou em termos de riscos, catástrofes naturais, epidemias, trabalhos e peripécias missionárias. Ele pôs ordem em tudo e a força de sua palavra serenava revoltas, moralizava os costumes e obtinha conversões em massa. "Em seis anos e dois meses visitei quatro vezes cada paróquia", escreveu ele.

Por todo o bem ali feito, Santo Antônio Maria Claret conheceu de perto tanto a gratidão dos que beneficiara quanto o ódio e a perseguição. Já as provara na Espanha, mas em Cuba esta última chegou a ponto de quase matá-lo. Em princípios de 1856, terminou um fogoso sermão, saiu da igreja e caminhava pela movimentada Calle Mayor da cidade de Holguin, quando sofreu um terrível atentado. Fingindo querer beijar seu anel episcopal, aproximou-se dele um delinquente, no intuito de cortar-lhe o pescoço com uma navalha de barbear. Como, porém, ele tinha naquele momento a cabeça inclinada e cobria a boca com um lenço, o golpe o atingiu no rosto, da orelha ao queixo, e no braço direito. "Não posso explicar o prazer, o gozo e a alegria de minha alma ao ver que havia conseguido o que tanto desejava: derramar o sangue por amor a Jesus e Maria, e poder selar com o sangue de minhas veias as verdades evangélicas", foi a reação do santo Bispo. Algum tempo depois se recuperou da profunda ferida, ficando, contudo, com o rosto bastante desfigurado, e regozijava-se por poder repetir com São Paulo: "trago em meu corpo as marcas de Jesus Cristo" (Gal 6, 17).

A pena de Santo Antônio Maria Claret revela, em sua Autobiografia, os mais belos contrastes harmônicos de uma personalidade ímpar. Nomeado confessor da rainha Isabel II, partiu de La Habana para Madri, em março de 1857. Afinal pôde contemplar os progressos de sua congregação. Exerceu a nova função com total integridade, sem entrar nas intricadas questões políticas da época; mas sua benéfica influência sobre a soberana e a sociedade deu origem a uma torrente de calúnias e perseguições, que culminaram com seu exílio na França.

Antes, ele era admirado e até louvado por todos; com o desterro passou a ser desprezado pela opinião pública: "todos me odeiam e dizem que o padre Claret é o pior homem que jamais existiu e que sou a causa de todos os males da Espanha",23 chegou a afirmar.

Abrasado de caridade

Como prêmio por tanto amor a Deus, foram-lhe concedidos muitos favores místicos, entre os quais a previsão de acontecimentos futuros e a permanência eucarística: "No dia 26 de agosto de 1861, estando em oração na Igreja do Rosário, em La Granja, às 7 horas da tarde, concedeu-me o Senhor a grande graça da conservação das Espécies Sacramentais, de ter sempre, dia e noite, o Santíssimo Sacramento no peito; por isso, devo estar sempre muito recolhido e devoto interiormente; ademais, devo rezar e fazer frente a todos os males da Espanha, como me disse o Senhor".

Ancião, enfermo e cansado, ainda teve fôlego para assistir ao Concilio Vaticano I e ali comoveu a assembleia com seu discurso em defesa da infalibilidade pontifícia. Em 24 de outubro de 1870, de regresso à França, abrasado de caridade e fugindo de seus perseguidores, entregou sua alma a Deus no Mosteiro Cisterciense de Fontfroide.

Este belo trecho de uma ardente oração por ele composta no noviciado jesuíta resume a sede de almas que o consumia no curso de toda a sua vida: "Como se dirá que tenho caridade ou amor a Deus se, vendo meu irmão em necessidade, não o socorro? [...] Como terei caridade se, sabendo que lobos vorazes estão degolando as ovelhas de meu Senhor, me calo? Como terei caridade se emudeço ao ver como roubam as joias da casa de meu Pai, joias tão preciosas que custaram o Sangue e a vida do próprio Deus, e ao ver que atearam fogo à casa e à herança de meu amadíssimo Pai? Ah! Minha Mãe, não posso calar-me em tais ocasiões. Não, não me calarei, mesmo sabendo que serei despedaçado [...]. E se ficar rouco ou mudo de tanto gritar, levantarei as mãos aos Céus, se eriçarão meus cabelos e baterei os pés no chão para suprir a falta de minha língua. Portanto, minha Mãe, desde já começo a falar e a gritar, e recorro a Vós. Sim, a Vós, que sois Mãe de misericórdia: dignai-Vos socorrer em tão grande necessidade; não me digais que não podeis, pois sei que na ordem da graça sois onipotente. Dignai-Vos, eu Vos suplico, dar a todos a graça da conversão, pois sem esta nada faríamos, e então me enviai e vereis como se convertem".



(Revista Arautos do Evangelho, Outubro/2015, n. 165, pp. 34 à 37)

Beato Justo Takayama Ukon, Leigo e Mártir (em breve sua beatificação). Um samurai santo.



Um samurai será elevado aos altares, após reconhecimento de seu martírio.

Takayama Ukon, foi um samurai que viveu durante o século XVI e, como o Papa Francisco aprovou em 22 de janeiro o decreto que reconhece seu martírio, será declarado beato e entrará na lista de católicos japoneses que preferiram morrer a renunciar a sua fé.

Inclusive, antes de morrer deixou tudo por Cristo. Renunciou a sua alta posição social e as suas riquezas: era dono de extensas propriedades e comandava grandes exércitos.

Pe. Anton Witwer, S.J., Postulador Geral da Companhia de Jesus (jesuítas), explicou anteriormente ao Grupo ACI que embora o samurai Takayama tenha morrido no exílio, seu martírio consistiu em “morrer por causa dos maus tratos que sofreu em sua pátria, por isso o processo de beatificação é o de um mártir”.


Segundo o Pe. Witwer, a vida de Takayama exemplifica “a grande fidelidade da vocação cristã, ele perseverou apesar de todas as dificuldades”.

Em 2013, a Conferência Episcopal Japonesa enviou uma solicitação de 400 páginas para a beatificação do mártir samurai à Congregação para as Causas dos Santos. Agora que este decreto foi aprovado, o processo da beatificação está em caminho.



A vida do samurai

Takayama nasceu em 1552, três anos depois que o missionário jesuíta São Francisco Xavier introduziu o cristianismo no Japão. Um dos conversos foi seu pai, que o batizou quando tinha 12 anos com o nome de Justo pelo sacerdote jesuíta Pe. Gaspare di Lella.



 


Os Takayama eram daimio, membros da classe governante dos senhores feudais que secundavam os shogun, desde a época medieval até o início da era moderna no Japão. Pelo fato de serem daimio, possuíam várias propriedades e tinham direito a formar exércitos e contratar samurais.

Por isso, os Takayama ajudavam nas atividades missionárias no Japão e eram protetores dos cristãos e dos missionários jesuítas.


Em 1587, quando o samurai completou 35 anos, o Chanceler do Japão, Toyotomi Hideyoshi, começou uma perseguição contra os cristãos: expulsou os missionários e obrigou os católicos japoneses a abandonar a fé.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Beata Francisca da Encarnação, Virgem e Mártir (Guerra Civil Espanhola, 1937).



Maria Francisca Espejo y Martos nasceu no dia 2 de fevereiro de 1873 em Martos, Espanha; pertencia a uma família humilde, era sobrinha de uma monja trinitária, Irmã Maria do Rosário. Ao ficar órfã muito jovem, Francisca entrou como educanda no convento de Martos, ficando sob a proteção da tia; na adolescência sentiu desejo de permanecer no convento como monja e pediu para ser admitida na comunidade.
     Em 2 de julho de 1893 recebeu o hábito e em 5 de julho de 1894 emitiu sua profissão religiosa tomando o nome de Irmã Francisca da Encarnação.
     Durante anos nada pressagiava a tormenta que se avolumava no horizonte até que as chamas devoraram as igrejas de Nossa Senhora da Vila e de Santo Amador na fatídica madrugada de 18 para 19 de julho de 1936. Dois dias depois, o convento das Trinitárias se tornava alvo dos perversos sanguinários, que o invadiram e deixaram as religiosas desprovidas de tudo; elas foram obrigadas a recorrer às pessoas generosas.
     Irmã Francisca da Encarnação e sua tia encontraram refúgio na casa de seu irmão, Ramón. Ali levavam uma vida muito similar ao do convento, entre orações e trabalhos e auxiliando nas tarefas da família.
     Em 12 de janeiro de 1937, uns milicianos se apresentaram e prenderam as duas monjas e a cunhada de Irmã Francisca. Seu irmão havia sido preso e liberado. Irmã Rosário tinha mais de 80 anos; sua sobrinha, Irmã Encarnação, tinha quase 64. Devido à idade, deixaram Irmã Rosário voltar para casa.
     Irmã Francisca Encarnação foi posta no cárcere por erro: os revolucionários haviam decidido fuzilar as superioras dos três conventos femininos de Martos, no caso das Trinitárias se enganaram de monja. No calabouço Irmã Francisca e outras religiosas unidas em oração se amparavam mutuamente e se consolavam com o exemplo dos primeiro mártires.
     No dia 13 de janeiro elas foram obrigadas a subir numa camioneta e foram conduzidas a vários quilômetros de distância de sua cidade natal, concretamente a Casillhas de Martos. A baixeza e a brutalidade dos assassinos se mostraram com toda sua crueza quando, depois de fuzilar covardemente vários homens que tinham capturado, se propunham a violentar as três religiosas. Elas se defenderam com unhas e dentes. Em meio a brutal luta, os verdugos, contrariados e impotentes para realizar seus propósitos, deixaram no corpo abandonado da Beata os sinais de sua ferocidade.

Corpo incorrupto da mártir. Face protegida por uma máscara
de cera. 

     

Seus restos mortais foram exumados no início de julho de 1939 e foram levados para a igreja das monjas trinitárias. Em 1986 eles foram reconhecidos e se conservavam incorruptos. Novamente eles foram reconhecidos por ocasião de sua beatificação. Bento XVI a beatificou em 28 de outubro de 2007. Seu corpo incorrupto se conserva no Mosteiro da Santíssima Trindade de Martos.


Fonte (com permissão):  http://heroinasdacristandade.blogspot.com.br/2016/01/beata-francisca-da-encarnacao-martir-de.html

domingo, 24 de janeiro de 2016

SANTA TERESA COUDERC, Virgem e Co-Fundadora.




No dia 2 de fevereiro de 1805, os sinos de Sablières, um recanto perdido do Alto-Ardèche, anunciaram a entrada na Igreja de Maria Vitória, que nascera na véspera no lar de Cláudio Couderc e Ana Méry.
A infância de Maria Vitória transcorreu no amor de uma família modesta, mas muito unida; era a segunda dos 10 filhos. Por João, o mais velho de seus oito irmãos, que viria a ser padre, Maria tem uma afinidade especial.
Aos 17 anos, seus pais puderam enviá-la para o colégio das Irmãs de São José, em Vans. Maria sente cada dia mais a sede de conhecer e amar a Deus.
Na primavera de 1825, o pai vai buscá-la em Vans. Toda a família ia participar de uma missão que aconteceria em Sablières para estimular a fé e a vida cristã da paróquia. Os pregadores vinham de Lalouvesc, centro de Missões diocesanas e de peregrinações.
Entre os pregadores, o Padre Estevão Terme, apóstolo inflamado, a quem Maria Vitória confia seu desejo de ser toda de Deus. Ele reconheceu nela as disposições naturais e sobrenaturais que a tornavam capaz de um amor absoluto. “Dêem-ma e farei dela uma religiosa”, disse ele a Cláudio Couderc.
Em Lalouvesc, o túmulo de São Francisco Régis atraía as multidões, e o padre Terme via com pesar que as peregrinações eram ocasião de desordens. Tomou então a iniciativa de abrir uma casa destinada a acolher senhoras e moças, casa que confiou a algumas das Irmãs de São Régis, pequena Comunidade fundada por ele.
 Em 1826, Maria Vitória ingressa no pequeno noviciado de Vals, onde, sob a direção da Irmã Clara, o Padre Terme reunia as vocações colhidas nas suas andanças apostólicas. Maria Vitória recebe o nome de Irmã Teresa. Em 1826-27, nascia a Congregação de Nossa Senhora do Retiro no Cenáculo, em Lalouvesc, no meio de um povo cuja fé fora abalada pela ignominiosa Revolução Francesa.
Em 1828, os acontecimentos o levam o Padre Terme a nomear Irmã Teresa como Superiora, se bem que esta tivesse apenas 23 anos. Durante esse tempo, aos olhos dos homens, Madre Teresa capina os jardins, lava a louça, mergulha no silêncio e na sombra. Como a semente, escondida na terra, morre para virem os frutos.
Madre Teresa logo percebeu que o acolhimento dado a qualquer pessoa que se apresentasse era incompatível com as exigências de uma vida religiosa e um serviço apostólico autênticos. Pediu e obteve permissão do Padre Terme para serem recebidas apenas as peregrinas que aceitassem fazer de sua estada um tempo de oração mais intenso; ela sugeria de 3 a 9 dias de retiro.
No outono de 1829, ao fazer seu próprio retiro, o Padre Terme descobre os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola. Ficou entusiasmado e quis que as Irmãs também os experimentassem imediatamente. Em seguida ordenou-lhes utilizar daí em diante, junto às pessoas acolhidas na Casa, esta forma de retiro que unia tão intimamente a experiência de oração e a reflexão sobre os mistérios da fé.
Conduzidos pelo Espírito de Deus, que lhes indicava o retiro e a instrução religiosa como os meios para atingir seus objetivos, os fundadores visavam a renovação da fé e a extensão do Reino de Deus.
Em 1831, o Padre Terme consagra os bens e as pessoas da comunidade ao Sagrado Coração de Jesus pelas mãos de Maria Santíssima. Em 1832, Madre Teresa se torna superiora geral de todas as comunidades fundadas pelo Padre Terme; Lalouvesc torna-se então a Casa Mãe.
O Padre Terme inicia uma missão em Viviers, depois vai a Lanarce, e finalmente a sua aldeia natal, Le Plagnal. Ali, esgotado por seu intenso ministério e minado pela febre, falece no dia 12 de dezembro de 1834, na idade de 43 anos. Em seu testamento ele confia sua obra a Madre Teresa, que tinha então 29 anos.
Madre Teresa pediu então ao bispo que a comunidade fosse confiada ao Padre Renault, o Provincial dos Jesuítas da França. Ela dirige a pequena Congregação com o apoio dos jesuítas e colabora com eles.
Alguns anos de paz e de vida apostólica são quebrados pela separação dolorosa das Irmãs de São Regis, que iam cuidar das escolas, e as Irmãs do Retiro (mais tarde Nossa Senhora do Cenáculo).
Esgotada, Madre Teresa adoece e deve repousar em Nossa Senhora d’Ay. Em 15 de agosto de 1837, em sua oração, Madre Teresa foi impelida a confirmar e ampliar um ato do Padre Terme, consagrando novamente a Congregação a Nossa Senhora. Com profunda humildade, percebeu o que lhe parecia ser a vontade de Deus: entregou-se a ela plenamente e demitiu-se de toda autoridade.
Em outubro de 1838, de acordo com o Bispo de Viviers, o Padre Renault demite Teresa e nomeia a Sra. de Lavilleurnoy, uma viúva que entrara na comunidade. Logo o Padre Renault se deu conta de seu erro e a demite. Ela deixara a comunidade em plena desordem.
O Padre Renault estava prestes a dar novamente a responsabilidade da Congregação a Teresa, mas ela se esconde no silêncio e na humildade, e encoraja as Irmãs a elegerem Madre Charlotte Contenet. Esta consegue reverter a situação e a Congregação se desenvolve. Mas, ela confina Teresa nos trabalhos mais humildes e penosos, mantendo-a a distância da comunidade.
Teresa e uma outra Irmã são enviadas para limpar uma casa que seria usada em um projeto de fundação em Lyon. Vendo que o local não era conveniente, ela toma a iniciativa de procurar um outro local e de assinar a compra de um terreno na colina de Fourvière. Madre Contenet descobre então as capacidades e o devotamento de Teresa, que recupera sua confiança.
Em 1844, uma comunidade se instala em Fourvière e Teresa é nomeada assistente. A Congregação adota o nome de Nossa Senhora do Cenáculo. Em 1850, uma fundação feita em Paris tem uma superiora que fomenta um projeto de cisão. Teresa é enviada a Paris para conter a crise e acalmar os espíritos. No final de 1856, ela se torna superiora da comunidade de Tournon. Em 1860, é nomeada assistente da superiora de Montpellier.
Em 1867, Madre Teresa volta para Lyon, que não deixaria mais. Embora não tenha mais funções de autoridade, ela continua envolvida no apostolado: encarregada dos catecismos; da formação dos adultos e dos adolescentes, preparando-os para os sacramentos; ela acompanha as retirantes.
Madre Teresa se vê mais e mais cercada de estima e de afeição; as retirantes bem como as Irmãs se beneficiavam de todos os recursos de seu coração, da sua oração e da sua experiência.
Em 1877, a nova superiora geral, sabedora das diversas crises enfrentadas pela Congregação, faz reconhecer oficialmente Madre Teresa como sua co-fundadora com o Padre Terme. Em 1878, católicos leigos são ligados a Congregação.
Santa Teresa Couderc morre no dia 26 de setembro de 1885, no Cenáculo de Fourvière. Seu corpo é transferido para Lalouvesc.


 Ela foi declarada Beata por Pio XII em 4 de novembro de 1951, e canonizada no dia 10 de maio de 1970 por Paulo VI. A aldeia de Lalouvesc (Ardèche), local de peregrinação a São João Francisco Regis, tornou-se também local de peregrinação a Santa Teresa Couderc.
A aprovação definitiva das Constituições da Congregação pela Santa Sé, que ocorreu em 1886, confirmou a orientação da fundação e reconheceu sua missão na Igreja.

     Meu Deus, fazei que eu Vos ame como me amastes, que eu Vos ame como o mereceis, que eu Vos ame no tempo e na eternidade. Senhor Jesus, eu me uno a vosso Sacrifício perpétuo, incessante, universal. Eu me ofereço a Vós por todos os dias de minha vida e por todos os instantes  do dia, conforme vossa santíssima e adorável vontade. Fostes a vítima de minha salvação, quero ser a vítima de vosso amor. Atendei meu desejo, aceitai minha oferta, ouvi minha oração. Que eu viva de amor, que eu morra de amor, e que o último pulsar de meu coração seja um ato do mais perfeito amor. Assim seja!
    

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ENTREGAR-SE

“Várias vezes, Nosso Senhor já havia me dado conhecer o quanto era útil, para o progresso de uma alma desejosa de perfeição, ENTREGAR-SE sem reserva à ação do Espírito Santo. Mas, nesta manhã, a divina Bondade dignou-se me agraciar com uma visão toda particular. Estava me preparando para começar minha meditação, quando ouvi o ressoar de vários sinos chamando os fiéis para assistir aos divinos Mistérios. Neste momento, desejei unir-me a todas as missas que estavam sendo celebradas e com este intuito, dirigi a minha intenção para que participasse de todas elas. Tive então uma visão geral de todo o universo católico e de uma profusão de altares nos quais se imolava, ao mesmo tempo, a adorável Vítima.
O Sangue do Cordeiro sem mancha corria abundante sobre cada um desses altares que me pareciam envoltos numa leve fumaça que subia para o céu. Minha alma era tomada e penetrada por um sentimento de amor e de gratidão à vista dessa tão abundante satisfação a nós oferecida por Nosso Senhor. Mas também surpreendia-me muito o fato de que o mundo inteiro não se achasse santificado em conseqüência. Perguntava-me como era possível que o Sacrifício da Cruz, oferecido uma só vez, tenha sido suficiente para salvar todas as almas e que, renovado tantas vezes, não bastasse para santificá-las todas. Eis a resposta que julgo ter ouvido: - O Sacrifício é sem dúvida suficiente por si mesmo e o Sangue de Jesus Cristo mais que suficiente para a santificação de um milhão de mundos, mas às almas falta corresponder generosamente. Pois o grande meio para entrar na via da perfeição e da Santidade – é o de ENTREGAR-SE ao nosso Bom Deus.
Mas que significa ENTREGAR-SE? Percebo toda a extensão desta expressão “ENTREGAR-SE”, porém não posso explicitá-la. Sei apenas que é muito extensa e abrange o presente e o porvir.
ENTREGAR-SE é mais que se dedicar; é mais que se doar; é até maior que se abandonar a Deus.
ENTREGAR-SE, finalmente, significa morrer a tudo e a si mesmo, não se preocupar mais com o EU a não ser para mantê-lo sempre orientado para Deus.
ENTREGAR-SE é ainda mais que não se procurar a si mesmo em nada, nem no espiritual, nem no corporal; quer dizer deixar de procurar a satisfação própria, mas unicamente o bel-prazer divino.
É preciso acrescentar que “ENTREGAR-SE” significa, também, esse espírito de desapego que não se prende em nada, nem nas pessoas, nem nas coisas, nem no tempo, nem nos lugares. É aderir a tudo, submeter-se a tudo.
Mas, talvez se acredita que isso seja muito difícil de se conseguir. Desenganem-se, não existe nada mais fácil de se fazer e nada tão suave de se praticar. Tudo consiste em fazer uma só vez um ato generoso, dizendo com toda a sinceridade de sua alma: “Meu Deus, quero ser inteiramente seu (sua), queira aceitar minha oferenda”. E tudo será dito.
Permanecer de agora em diante nesta disposição de alma e não recuar diante de nenhum dos pequenos sacrifícios que possam servir ao nosso progresso em virtude. Lembrar-se que SE ENTREGOU.
Rogo a Nosso Senhor que forneça o entendimento desta expressão a todas as almas desejosas de Lhe agradar, inspirando-lhes um meio de santificação tão fácil. Oxalá fosse possível compreender de antemão toda a suavidade e toda a paz que se desfruta quando não se guarda reserva com nosso Bom Deus!
De que forma Ele se comunica com a alma que O procura com sinceridade e que soube ENTREGAR-SE. Experimentem e vereis que lá é que se acha a felicidade procurada em vão alhures.

A alma entregue encontrou o Paraíso na Terra, pois ali goza esta paz suave que constitui em parte a felicidade dos eleitos”.