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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 11 de junho de 2016

SÃO BARNABÉ, APÓSTOLO



Membro destacado da Igreja apostólica, inflamado de zelo pela conversão dos pagãos.
 (por Plínio Solimeo)
Nos primeiros dias da Igreja o fervor dos cristãos era tão grande, que eles renunciavam a seus bens, colocando-os à disposição dos Apóstolos para que os utilizassem em proveito de todos: “Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade” (Atos 4, 35). Sem ser obrigatória, esta prática se tornava possível devido ao pequeno número de fiéis. Com o crescimento da Igreja, ela continuou a florescer nas ordens religiosas.

Entre esses generosos cristãos destacava-se um, pelo que é nomeado por São Lucas: “Assim José – a quem os Apóstolos deram o sobrenome de Barnabé que quer dizer filho da consolação –, levita natural de Chipre, possuía um campo. Vendeu-o e trouxe o valor dele e depositou-o aos pés dos Apóstolos” (At 4, 36-37).

Segundo tradição oriental Barnabé se radicou em Jerusalém, e tendo ouvido Nosso Senhor pregar no Templo, tornou-se admirador de sua doutrina. Por seu zelo e conselhos, mereceu ser chamado Apóstolo, apesar de não ser dos 12. Era grave e afável, com amplidão de vistas e chama profética, e, sobretudo, como diz São Lucas, “homem bom e cheio do Espírito Santo” (At 11, 24).

Por tais predicados, São Barnabé tornou-se muito considerado naqueles tempos da primavera da fé. Seu porte devia impressionar, pois mais tarde os pagãos o tomaram por Zeus, o pai dos deuses entre os gregos.

Quando o recém convertido São Paulo procurou os Apóstolos em Jerusalém, eles tentaram evitar sua presença, pois ninguém podia crer que esse perseguidor de cristãos se tornara agora um deles.

Segundo a tradição, São Barnabé – a quem São Paulo deve ter narrado todos os pormenores de sua conversão – conhecera o Apóstolo dos Gentios na escola de Gamaliel.

E convencido da sinceridade de seu ex-condiscípulo, serviu-lhe de “anjo da guarda”. Conduziu-o e apadrinhou-o junto a São Pedro e São Tiago, pois além desses, diz São Paulo, “não vi nenhum outro Apóstolo” (Gal 1,19). São Barnabé “contou-lhes como Saulo vira o Senhor no caminho, e que lhe havia falado, e como em Damasco pregara com desassombro o nome de Jesus” (At 9, 27).

Depois de ter passado 15 dias com São Pedro, por causa das ciladas dos judeus “os irmãos levaram-no [São Paulo] para Cesaréia, e dali o enviaram a Tarso” (At 9, 27-30).

São Barnabé procura o auxílio de São Paulo

Entretanto, os fiéis disseminados pela perseguição que se seguiu ao martírio de Santo Estevão iam espalhando por toda parte a semente da palavra divina. Desse modo alguns deles, “de Chipre e de Cirene”, foram para Antioquia, onde pregaram a boa nova da salvação: “A mão do Senhor estava com eles, e grande foi o número dos que receberam a fé e se converteram ao Senhor” (At 11, 21). Notícias desse sucesso chegaram aos ouvidos dos Apóstolos, que enviaram Barnabé para verificar o espírito que presidia a essa nova cristandade.

São Barnabé “alegrou-se, vendo a graça de Deus, e a todos exortava a perseverar no Senhor com firmeza de coração, pois era um homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé” (At 11, 23).

Humilde, esse apóstolo não se julgou apto para orientar os novos cristãos sozinho. Lembrou-se então de Saulo, e foi buscá-lo em Tarso para ser seu companheiro de apostolado.

São Paulo estava em pleno vigor varonil e na força de seu primeiro entusiasmo. Se a igreja de Antioquia já experimentava antes um grande impulso, com os dois Apóstolos cresceu ainda mais.

Eles permaneceram um ano inteiro naquela cidade, onde pela primeira vez os discípulos de Jesus começaram a ser conhecidos como “cristãos”. Essa foi também a primeira igreja a desligar-se do solo originário do judaísmo.

Quando houve fome em toda a Palestina, Paulo e Barnabé foram escolhidos para levar o auxílio dos antioquenhos aos cristãos de Jerusalém (At 11,30).

A primeira viagem apostólica
Os dois apóstolos continuavam a dirigir com fervor a cristandade de Antioquia. Certo dia, “enquanto celebravam a liturgia em honra do Senhor e guardavam os jejuns, disse o Espírito Santo: ‘Segregai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os chamo’”. Essa obra seria a primeira viagem apostólica (At 13,2). “Então, depois de jejuarem e de orarem, eles [os anciãos] lhes impuseram as mãos e os despediram” (At 13, 3).

“Essa imposição das mãos sobre Saulo e Barnabé era a ordenação episcopal? É o sentimento geral. A vocação milagrosa para o apostolado, não tendo isentado Saulo da obrigação de receber o batismo das mãos de Ananias, não se vê por que essa mesma vocação o teria isentado de receber o sacramento da Ordem. Nas vocações mesmo extraordinárias, Deus, que age sempre com medida, não suprime as regras que estabeleceu”.1

Os dois Apóstolos tomaram consigo São Marcos e partiram para a grande aventura apostólica.

Provavelmente foi São Barnabé quem propôs passarem por Chipre. Desembarcaram no porto de Salamina, perto de Famagusta, de onde era originário. Ele sabia que todas as cidades do lado oriental da ilha contavam com prósperas sinagogas e que havia nelas grupos de cristãos (At 11, 19).

São Barnabé – que dirigia a missão – resolveu então atravessar a ilha até Pafos. Nessa cidade residia o procônsul romano Sérgio Paulo, “varão prudente”. Este, sabendo da chegada de Barnabé e de Paulo, chamou-os, “desejando ouvir a palavra de Deus” (At 13, 7).

Depois de um incidente com o mago Bar-Jesus – judeu e falso profeta, que desejava impedir de todos os modos o contato do procônsul com os Apóstolos e que ficou cego após ser increpado por São Paulo –, o procônsul creu.

Admirados pelos prodígios que realizavam,
Paulo e Barnabé foram "adorados" como deuses
pelos pagãos que evangelizavam. 
Abrindo para os pagãos as portas da fé
Na pequena cidade de Listra, São Paulo curou um paralítico de nascença. Devido a esse milagre os pagãos quiseram adorá-lo como deus, gritando que Zeus (ou Júpiter) e Hermes (ou Mercúrio) “desceram a nós”. Diziam que São Paulo, por causa de sua eloqüência, era Mercúrio, e São Barnabé, por seu digno e majestoso porte, era Júpiter. Foi difícil aos missionários convencer a multidão de que eram homens, e não deuses. “Porém, judeus vindos de Antioquia e de Icônio seduziram as turbas, que apedrejaram Paulo e o arrastaram para fora da cidade, deixando-o como morto” (At 14, 18-19).

Posteriormente, os dois apóstolos pregaram em Derbe, na Galácia, e na volta fizeram o caminho inverso para visitar e firmar as cristandades por eles fundadas. Retornaram então a Antioquia da Síria, depois de quatro anos de ausência (At 14, 23-26). Os apóstolos “tinham aberto para os pagãos a porta da fé” (At 14, 27).

Surgiu então um incidente com os cristãos judaizantes: insistiam que os pagãos convertidos deveriam submeter-se aos ritos judaicos: “É preciso circuncidá-los e impor-lhes a observância da Lei de Moisés” (At 15,5).

Ora, “fazer a admissão daqueles [pagãos] na Igreja depender da circuncisão e da Lei ritual, significava reduzir a Igreja à estreiteza da Sinagoga, e negar a universalidade da redenção”.2 E era exatamente isto que desejariam os judaizantes, como revela o próprio São Paulo (Gal. 2,4). Tanto ele como São Barnabé eram contrários a essa medida. Resolveu-se então que iriam a Jerusalém decidir a questão com os Apóstolos.

Na assembleia dos Apóstolos na Cidade Santa, considerada o primeiro Concílio da Igreja, São Pedro e São Tiago Menor, sobretudo, declararam-se a favor dos dois apóstolos, contanto que os cristãos oriundos do paganismo se abstivessem das “contaminações dos ídolos, da fornicação, das carnes sufocadas, e do sangue” (At 15, 6-21).

Os Apóstolos enviaram Judas e Silas “com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que têm exposto suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (At 15, 25-26) para transmitir aos fiéis de Antioquia a decisão a que haviam chegado. Silas permaneceu depois em Antioquia, associando-se a São Paulo em suas viagens apostólicas.

São Paulo “resiste em face” ao primeiro Papa
Mas depois ocorreu outro fato a que São Lucas não se refere, e que mostra como a situação continuava ainda crítica por causa da influência dos judaizantes. É o próprio São Paulo quem narra aos Gálatas, com muita vivacidade, esse penoso conflito: “Quando Cefas foi a Antioquia, resisti-lhe em face, porque ele se tornara repreensível. Pois, antes de virem alguns dos de Tiago, ele comia com os gentios; mas, quando aqueles chegaram, ele se retraía e se afastava, por medo dos da circuncisão. E os outros judeus o acompanharam na mesma simulação, tanto que até Barnabé se deixou arrastar à simulação deles” (2, 11).

Palavras duras estas do Apóstolo Paulo em relação ao primeiro Papa! É bom notar que se tratava não de um erro doutrinário de São Pedro, mas de uma atitude prática, se bem que com repercussões muito sérias para o futuro da Igreja. Convém ressaltar também que São Pedro estava inteiramente aberto ao apostolado de São Paulo com os pagãos e lhe deu razão. Ele próprio, no início, sentia-se confortável no meio deles.

Se mais tarde creu que era seu dever acomodar-se às circunstâncias, não foi porque pensasse de modo diferente de São Paulo. Ocorreu que, sendo especialmente encarregado de pregar o Evangelho aos judeus, talvez por receio de ofendê-los, começou a separar-se da mesa dos fiéis provenientes da gentilidade. E essa atitude equívoca arrastou outros judeus, até mesmo a São Barnabé.
Pelo que, continua São Paulo: “Mas, quando vi que eles não caminhavam com retidão segundo a verdade do Evangelho, disse a Cefas diante de todos: ‘Se tu, sendo judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a adotar costumes judaicos?’” (Gal. 2,14-21).

São Pedro “não viu, no lance fogoso e inesperado do Apóstolo das Gentes, um ato de rebeldia, mas de união e amor fraterno. E, sabendo bem no que era infalível e no que não era, cedeu ante os argumentos de São Paulo. Os Santos são modelos dos católicos”.3

Humildemente, São Pedro recebeu a admoestação, reconheceu seu erro e estendeu a mão para São Paulo, desarmando a todos os que tinham escandalizado com sua conduta.

São Paulo e São Barnabé permaneceram em Antioquia “com muitos outros”, pregando o Evangelho, até o dia em que o primeiro propôs ao segundo que voltassem a visitar as cristandades por eles fundadas (At 15,36).

Surgiu então uma divergência entre os dois santos: São Barnabé queria levar de novo São Marcos. Contudo São Paulo se opôs, pois o jovem os havia abandonado sem explicações na Panfília. “Produziu-se certo dissentimento de sorte que eles se separaram um do outro” diz São Lucas (At 15,19). São Jerônimo assim comenta: “Paulo, mais severo, Barnabé, mais clemente. Cada um insiste no seu parecer. Seja como for, a discussão tem algo da humana fragilidade”.4

São Barnabé partiu com João Marcos para a Selêucia, e São Paulo, levando consigo Silas, da igreja de Jerusalém (cf. 1Ped 5, 12), percorreu a Síria e a Cilícia nessa segunda viagem apostólica (At 15, 40).

O incidente com São Barnabé foi rapidamente esquecido tanto por São Paulo quanto por São Marcos. De tal modo que, mais adiante, estão novamente juntos, pois o Apóstolo escreveu a Timóteo: “Traze-me Marcos contigo, pois ele me é muito útil para o ministério” (2 Tim, 4,11).

A partir desse momento, São Barnabé não é mais citado nos Livros Santos, dando lugar a São Paulo.

Segundo antiga tradição, São Barnabé morreu em Chipre, em cuja capital (Salamina) seu corpo foi encontrado no ano de 488. Sua festa comemora-se a 11 de junho.

__________
Notas:
1. Les Petits Bollandistes, Saint Paul, Apôtre des Gentils et Martyr, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo VII, p. 469, nota 1.
2. Holzner, José, San Pablo, Heraldo de Cristo, Editorial Herder, Barcelona, 1946, p. 128.
3. “A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas. Para a TFP: omitir-se? ou resistir?”, in “Folha de S. Paulo”, 10-4-1974.

4. Apud Pe. José Leite, Santos de Cada Dia, Editorial A.O., Braga, 1987, tomo II, p. 230.

(Fonte: site Catolicismo) 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

SANTO ANTÃO, Abade, Pai do Monaquismo no Oriente, modelo de vencedor contra os demônios e suas tentações.




Pai do monaquismo cristão, Santo Antão nasceu no Egito em 251 e faleceu em 356; viveu mais de cem anos, mas a qualidade é maior do que a quantidade de tempo de sua vida, pois viveu com uma qualidade de vida santa que só Cristo podia lhe dar. Com apenas 20 anos, Santo Antão havia perdido os pais; ficou órfão com muitos bens materiais, mas o maior bem que os pais lhe deixaram foi uma educação cristã. Ao entrar numa igreja, ele ouviu a proclamação da Palavra e se colocou no lugar daquele jovem rico, o qual Cristo chamava para deixar tudo e segui-Lo na radicalidade. Antão vendeu parte de seus bens, garantiu a formação de sua irmã, a qual entrou para uma vida religiosa.

Enfim, Santo Antão foi passo-a-passo buscando a vontade do Senhor. Antão deparou-se com outra palavra de Deus em sua vida “Não vou preocupeis, pois, com o dia de amanhã. O dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado”(Mt 6,34). O Espírito Santo o iluminou e ele abandonou todas as coisas para viver como eremita. Sabendo que na região existiam homens dedicados à leitura, meditação e oração, ele foi aprender. Aprendeu a ler e, principalmente a orar e contemplar. Assim, foi crescendo na santidade e na fama também.

Sentiu-se chamado a viver num local muito abandonado, num cemitério, onde as pessoas diziam que almas andavam por lá. Por isso, era inabitável. Ele não vivia de crendices; nenhum santo viveu. Então, foi viver neste local. Na verdade, eram serpentes que estavam por lá e , por isso, ninguém se aproximava. A imaginação humana vê coisas onde não há. Santo Antão construiu muros naquele lugar e viveu ali dentro, na penitência e na meditação. As pessoas eram canais da providência, pois elas lhe mandavam comida, o pão por cima dos muros; e ele as aconselhava. Até que, com tanta gente querendo viver como Santo Antão, naquele lugar surgiram os monges. Ele foi construindo lugares e aqueles que queriam viver a santidade, seguindo seus passos, foram viver perto dele. O número de monges foi crescendo, mas o interessante é que quando iam se aconselhar com ele, chegavam naquele lugar vários monges e perguntavam: “Onde está Antão?”. E lhes respondiam: “Ande por aí e veja a pessoa mais alegre, mais sorridente, mais espontânea; este é Antão”.

Ele foi crescendo em idade, em sabedoria, graça e sensibilidade com as situações que afetavam o Cristianismo. Teve grande influência junto a Santo Atanásio no combate ao arianismo. Ele percebeu o arianismo também entre os monges, que não acreditavam na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Antão também foi a Alexandria combater essa heresia. Santo Antão viveu na alegria, na misericórdia, na verdade. Tornou-se abade, pai, exemplo para toda a vida religiosa. Exemplo de castidade, de obediência e pobreza.



 Ele nasceu em Fayum, no Alto Egito perto de Heracleopolis Magna cerca de 251. Ele tinha 20 anos quando seu pais faleceram e ele herdou os bens da família. Era muito rico.

Tinha 20 anos quando seus pais faleceram e ele herdou os bens da família. Foi nesta época que, participando de uma liturgia, ouviu as palavras de Jesus:
 "Vai, vende tudo que tens, distribui o dinheiro aos pobres e terás um tesouro duradouro no céu; então, vem e segue-me!(Mc 10, 21).
Estas palavras atingem o jovem, que vende sua herança, coloca sua irmã em um convento e inicia uma vida de eremita. Vivia em uma antiga tumba perto de sua vila.

 Após 15 anos de orações, durante um tempo que sofreu vários assaltos dos demônios e as mais terríveis tentações (os demônios apareciam-lhe em formas medonhas e espantosas), Antônio foi para uma montanha em Pispir (agora Deir el-Memum) e ficou lá em uma vida solitária por mais 20 anos.

Pessoas que o apoiavam, atiravam comida sobre a parede do forte, mantendo-o vivo, mas nunca viam sua face.

Vagarosamente outros construíram uma comunidade em cavernas ou cabanas por perto do local onde o Santo vivia.

Eles pediam a Antônio que saísse de sua reclusão para dirigir a suas preces e dar o seus conselhos e lições. Era o ano 305 d.C.. Antão, apesar da vida austera e de muita penitência, mantinha grande vigor e saúde. Ele ficou com os eremitas por cerca de cinco anos, regulamentando o trabalho comunitário, as orações e as penitencias.

Então ele foi para um deserto entre o Nilo e o Mar Vermelho, em um local chamada Monte Kalzim. Um monastério, chamado Diem Mar Antonios, foi erigido neste local.

Este período de reclusão não era tão restrito quanto os anteriores, pois Antônio foi para Alexandria em 311 confortar os mártires das perseguições que estava acontecendo na época e ele voltou anos mais tarde para argumentar vigorosamente contra a heresia ariana lado a lado de Santo Atanásio de Alexandria.

Antão não estava sozinho no deserto. Ele tinha companhia e discípulos.

Antão ficou conhecido como um homem bom generoso, corajoso, com bom senso, leal e sem nenhum excesso e ostentação.

Santo Atanásio tem o credito de ter feito a biografia de Antônio que conta os detalhes de suas provações, sofrimentos e milagres.

Visita de Santo Antão a São Paulo de Tebas.
Antônio era amigo de São Paulo de Tebas, chamado de o "eremita" que recebia meio pão por dia dos corvos.

Diz a tradição que no dia que Santo Antão foi visitá-lo, os corvos trouxeram um pão inteiro.

 O Imperador Constantino, o grande (323-337) era um dos milhares que procuravam Antão para ensinamentos e inspiração.

Antão escreveu varias cartas e sermões para jovens eremitas.

 A vida de Antão, descrita por Santo Atanásio, trás também muitos dos sermões e discursos de Antão.

 Uma regra monástica datada daquela era é creditada como tendo os seus ideais, suas idéias e suas crenças.

Antão morreu em 17 de janeiro de 365, aos 105 anos, e foi enterrado em um cova não marcada conforme seu pedido, mas em 561 suas relíquias foram descobertas e foi trasladado para Alexandria, Constantinopla.

La Motte, a casa matriz da Ordem dos Hospitaleiros de Santo Antão, fundada em 1100 , afirma que tem as suas relíquias.

Porem, acreditam os estudiosos do assunto, que as relíquias de Santo Antão foram salvas dos Sarracenos em Constantinopla (agora Istambul, Turquia) em 635 DC.

Relíquias deste santo também são tidas como estando em Siena, na Itália e Burngundy, na França.

Ele é o padroeiro de várias ordens e dos Cavaleiros de Santo Antão e também dos pobres, dos doentes, dos açougueiros e dos animais domésticos.

 Ele é invocado contra incêndios e pragas.

Na arte litúrgica da Igreja ele é representado como um monge da Ordem de Santo Antão.

O porco e o sino são associados a ele como resultado da Ordem dos Hospitaleiros de Santo Antão.

 Parece que os porcos naquela época ganharam o privilegio de andarem nas ruas da cidade.

Membros da Ordem tocavam o sino para pedir esmolas aos benfeitores.

Santo Antão é também mostrado com uma capa em T e um sino, o símbolo do eremita.

Ensinamentos de Santo Antão, o Grande:

‡ A maior obra dos homens é esta: ser capaz de manter seus pecados diante de Deus e estar preparado para a tentação até o último suspiro.

‡ "Quem não tiver sido tentado não poderá entrar no reino do céu. Se suprimires a tentação, ninguém se salvará."

‡ Aquele que senta-se em solicitude e quietude escapou de três batalhas: ouvindo, falando e vendo. Mas mesmo assim ele tem uma constante guerra: no seu próprio coração.

‡ O demônio teme a humildade, o bom trabalho e o jejum. Ele não consegue impedir a minha boca de falar contra ele. A ilusão do demônio logo desvanece especialmente, se o homem se arma com o Sinal da Cruz. O demônio treme ao Sinal da Cruz do Nosso Senhor, porque Ele triunfou sobre ele e o desarmou.

‡ Segundo Santo Antão, as tentações são manifestamente uma condição indispensável para se entrar no céu. É através das tentações que o homem obtém um faro do Deus verdadeiro. Sem tentação o homem estaria no perigo de apoderar-se de Deus e torna-lo inofensivo e inócuo. Pela tentação, porém, o homem experimenta existencialmente a sua distância de Deus, sente a diferença entre o homem e Deus. O homem permanece em luta constante, enquanto Deus repousa em si mesmo. Deus é amor absoluto, enquanto o homem é continuamente tentado pelo maligno.

‡ Caríssimos, não descuidemos de nossa salvação. Sabei que se alguém se entrega a Deus de todo o coração, Deus tem piedade dele e lhe concede o Espírito de conversão.

‡ Sabemos que desde as origens do mundo, os que encontraram na Lei da Aliança o caminho do seu Criador foram acompanhados por sua bondade, sua graça e seu Espírito. Mas os homens, incapazes de exercerem sua inteligência segundo o estado da criação original, inteiramente privados de razão, sujeitaram-se à criatura em vez de servir ao Criador.

‡ Eu vos suplico, irmãos, penetrai-vos bem da maravilhosa economia da salvação.

‡ Todo ser dotado de inteligência espiritual, aquele para quem veio o Senhor, deve tomar consciência de sua própria natureza, isto é, deve conhecer-se a si mesmo.

‡ Seja-vos dado tomar bem consciência da graça que Ele vos deu. Não é a primeira vez que Deus visita as suas criaturas. Ele as conduz desde as origens do mundo e, de geração em geração, mantém cada uma desperta pelos acontecimentos de sua graça. Não negligenciemos, pois, chamar a Deus dia e noite. Fazei violência à ternura de Deus. Do céu Ele vos enviará Aquele cujo ensinamento vos permitirá conhecer o que é bom para vós.

‡ Filhos, é certo que nossa enfermidade e nossa humilhação são dor para os santos e causa das lágrimas e gemidos que oferecem por nós diante do Criador do Universo.

‡ Compreendei bem o que vos digo e declaro: Se cada um de vós não chega a odiar o que é da ordem dos bens terrestres e a isso não renunciar de todo coração, assim como a todas as atividades que daí dependem, se não chega a elevar as mãos e o coração ao Céu para o Pai de todos nós, não é para si a salvação. Mas se fazeis o que acabo de dizer, Deus vos enviará um fogo invisível, que consumirá vossas impurezas e devolverá vosso espírito à sua pureza original. O Espírito Santo habitará em vós, Jesus permanecerá junto de nós e poderemos adorar a Deus como é devido.

‡ Que Deus abra os olhos de vosso coração para que percebais os múltiplos malefícios secretos, lançados todos os dias sobre nós no decorrer do tempo. Faço votos que Deus vos dê um coração clarividente e um espírito de discernimento a fim de vos apresentardes a Ele como uma vítima pura e sem mancha.

‡ Persuadi-vos bem que vosso ingresso e vosso progresso na obra de Deus não são obra humana, mas intervenção do poder divino que não cessa de vos assistir.

‡ Sede, pois, vigilantes, caros filhos, não permitais que vossos olhos durmam nem que vossas pálpebras dormitem, mas clamai dia e noite a vosso Criador para que vossos pensamentos se firmem no Cristo.

‡ No Senhor eu vos suplico, caros filhos, deixai-vos penetrar bem pelo que vos escrevo. Voltai vossa alma para vosso Criador. Perguntai a vós mesmos o que seria possível retribuir ao Senhor por todas estas graças. É tão grande a sua bondade que Ele quis que o próprio Sol se ponha a nosso serviço nesta habitação de trevas, assim como a Lua e as estrelas, para sustentar fisicamente um ser cuja fraqueza o condenaria a perecer. Não sofreram por nós os patriarcas? Não nos dispensaram os sacerdotes os seus ensinamentos? Não combatiam por nós os juízes e reis? Não foram mortos por nós os profetas? Não sofreram os Apóstolos perseguição por nós? E não morreu por todos nós o Filho bem amado? Agora é a nossa vez de nos dispormos a ir ao nosso Criador pelo caminho da pureza.

‡ Meus caríssimos no Senhor, a vós que sois coerdeiros dos santos, rogo que desperteis em vosso coração o temor de Deus. Preparemo-nos, pois, santamente, e purifiquemos nosso espírito para sermos puros a receber o batismo de Jesus e a nos oferecermos como vítimas agradáveis a Deus. O Espírito Consolador, recebido no Batismo, nos conduzirá a nosso estado original.

‡ Caros irmãos, chamados a partilhar da herança dos santos, agora estais próximos de todas as virtudes. Todas elas vos pertencem se não vos embaraçais na vida carnal, mas permaneceis transparentes diante de Deus. É a pessoas capazes de me compreender que escrevo, a pessoas em condições de se conhecerem a si mesmos. Quem se conhece, tem a obrigação de adorar a Deus como convém.



FONTES:

http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/hagiografia/s_antonio_o_grande.html
  http://www.sintoniasaintgermain.com.br/santos.html

  http://www.padresdodeserto.net/antao12.htm








AS TENTAÇÕES DE SANTO ANTÃO



Mas o demônio, que odeia e inveja o bem, não podia ver tal resolução num jovem, e se pôs a empregar suas velhas táticas também contra ele .
 Primeiro tratou de fazê-lo desertar da vida ascética recordando-lhe sua propriedade, o cuidado de sua irmã, os apegos da parentela, o amor do dinheiro, o amor à glória, os inumeráveis prazeres da mesa e todas as demais coisas agradáveis da vida.
Finalmente apresentou-lhe a austeridade e tudo o que se segue a essa virtude, sugerindo-lhe que o corpo é fraco e o tempo é longo.
Em resumo, despertou em sua mente toda uma nuvem de argumentos, procurando fazê-lo abandonar seu firme propósito.

O inimigo queria sugerir-lhe pensamentos baixos, mas ele os dissipava com orações; procurava incitá-lo ao prazer, mas Antão, envergonhado, cingia seu corpo com sua fé, orações e jejuns.

Atreveu-se então o perverso demônio a disfarçar-se em mulher e fazer-se passar por ela em todas as formas possíveis durante a noite, só para enganar a Antão.

 Mas ele encheu seus pensamentos de Cristo, refletiu sobre a nobreza da alma criada por Ele, e sua espiritualidade, e assim apagou o carvão ardente da tentação.

 E quando de novo o inimigo lhe sugeriu o encanto sedutor do prazer, Antão, enfadado com razão, e entristecido, manteve seus propósitos com a ameaça do fogo e dos vermes (cf Jd 16,21; Sir 7,19; Is 66,24; Mc 9,48) (20).
Sustentando isto no alto, como escudo, passou por tudo sem se dobrar.

Decidiu então mudar-se para os sepulcros  que se achavam a certa distância da aldeia. Pediu a um de seus familiares que lhe levasse pão a longos intervalos.

Entrou, pois, em uma das tumbas; o mencionado homem fechou a porta atrás dele, e assim ficou dentro sozinho.

Isto era mais do que o inimigo podia suportar, pois em verdade temia que agora fosse encher também o deserto com a vida ascética.

Assim chegou uma noite com um grande número de demônios e o açoitou tão implacavelmente que ficou lançado no chão, sem fala pela dor.

 Afirmava que a dor era tão forte que os golpes não podiam ter sido infligidos por homem algum para causar semelhante tormento. 


Era como se os demônios abrissem passagens pelas quatro paredes do recinto, invadindo impetuosamente através delas em forma de bestas ferozes e répteis.

 De repente todo o lugar se encheu de imagens fantasmagóricas de leões, ursos, leopardos, touros, serpentes, víboras, escorpiões e lobos; cada qual se movia segundo o exemplar que havia assumido.

O leão rugia, pronto a saltar sobre ele; o touro, quase a atravessá-lo com os chifres; a serpente retorcia-se sem o alcançar completamente; o lobo acometia-o de frente .

E a gritaria armada simultaneamente por todas essas aparições era espantosa, e a fúria que mostravam, feroz.

Antão, atormentado e pungido por eles, sentia aumentar a dor em seu corpo; no entanto, permanecia sem medo e com o espírito vigilante. Gemia, é verdade, pela dor que atormentava seu corpo, mas a mente era senhora da situação e, como por debique, dizia-lhes:

"Se tivessem poder sobre mim, teria bastado que viesse um só de vocês; mas o Senhor lhes tirou a força e por isso se esforçam em fazer-me perder o juízo com seu número; é sinal de fraqueza terem de imitar animais ferozes".

 De novo o Senhor não se esqueceu de Antão em sua luta, mas veio ajudá-lo.

Pois quando olhou para cima, viu como se o teto se abrisse e um raio de luz baixasse até ele.

Foram-se os demônios de repente, cessou-lhe a dor do corpo, e o edifício estava restaurado como antes.

Notando que a ajuda chegara, Antão respirou livremente e sentiu-se aliviado de suas dores.

 E perguntou à visão: "onde estavas tu? Por que não aparecestes no começo para deter minhas dores?".

E uma voz lhe falou:

"Antão, eu estava aqui, mas esperava ver-te enquanto agias. E agora, porque aguentaste sem te renderes, serei sempre teu auxílio e te tornarei famoso em toda parte".

Ouvindo isto, levantou-se e orou: e ficou tão fortalecido que sentiu seu corpo mais vigoroso que antes.


 Tinha por aquele tempo uns trinta e cinco anos de idade.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Serva de Deus Antonietta Meo: uma menina de seis anos que poderá ser proclamada santa.


Esta menina italiana poderia ser em breve a santa mais jovem da história da Igreja, uma mística de apenas 6 anos de idade.

Antonietta Meo nasceu em Roma no dia 15 de dezembro de 1930, e morreu aos seis anos de idade, em 03 de julho de 1937. Em breve ela poderia chegar a ser a santa confessora mais jovem canonizada pela Igreja Católica. Mas qual é a história de Antonietta?

Quando tinha apenas cinco anos de idade, Nennolina (como era chamada pela sua família) caiu e machucou o joelho. Ao ver que seu joelho não se curava, foi diagnosticada com osteosarcoma, uma forma agressiva de câncer nos ossos.

Sua perna precisou ser amputada e ela começou a usar uma perna artificial. Segundo seus biógrafos, a menina suportou tudo com uma alegria excepcional.

Além disso, Nennolina escreveu mais de cem cartas extraordinárias a Jesus e a Maria, o que a fez ganhar fama de mística entre os teólogos católicos, devido ao conteúdo das cartas.
 
Escritas durante seus últimos meses de vida, as cartas mostram uma compreensão dos mistérios da fé e das ações espirituais que vai muito além da capacidade de qualquer criança da sua idade.

Algumas das cartas se dirigiam a Jesus: “Querido Menino Jesus, Tu és santo, Tu és bom. Ajuda-me, dá-me a tua graça e devolve a minha perna. Mas se não é isso que queres, que se faça a tua vontade”. Outras descrevem visões celestiais.

Nennolina insistiu em escrever uma última carta a Jesus alguns dias antes de sua morte. Nela, pediu a Jesus que cuidasse de todos aqueles a quem amava, e pediu fortaleza para suportar a dor pela qual estava passando.

A carta ficou inconclusa, interrompida pela doença da menina. As últimas palavras que ela escreveu foram: “Tua menina te manda muitos beijos”.
Pouco depois, disse à sua mãe que estava prestes a morrer: “Daqui a algumas horas eu vou morrer, mas não vou sofrer mais, e você não precisa chorar. Eu deveria viver alguns dias a mais, mas Santa Teresinha do Menino Jesus me disse: ‘É suficiente'”.

Após a morte da menina, sua mãe teve uma visão de Nennolina na glória, garantindo-lhe que já estava no céu.


As relíquias de Antonietta Meo se encontram atualmente na Basílica da Santa Cruz, em Roma, onde foi batizada e passou grande parte do seu tempo rezando e meditando.


Nennolina escribió más de cien cartas extraordinarias a Jesús y la Virgen María, que le han ganado la reputación de ser una mística a carta cabal, entre los teólogos católicos, debido a su contenido.


(Fonte: site Aleteia)