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sábado, 23 de julho de 2016

SANTA BRÍGIDA DA SUÉCIA, Viúva, Religiosa e Mística. Uma das maiores místicas da História da Igreja (memória em 23 de julho).





O que o Salvador disse a Nicodemos: O espírito sopra onde quer, o mundo cristão o viu, pelos fins do século XIV em Santa Brígida, da Suécia e Santa Catarina de Siena. Aquela nasceu nos confins extremos da Suécia, na província de Upland, no domínio de Finstad, não longe de Upsala, então capital de todo o reino. Nasceu no começo do século XIV, no ano de 1302. Seu nome é propriamente Birgida, transforma em Brígida pelo uso comum. Sua família era uma das mais ilustres; tinha parentesco próximo com a família real e descendia dos antigos reis do país.

Nela a piedade era hereditária, como a nobreza. O avô, o bisavô e o trisavô do pai de Brígida, por devoção aos mistérios da Paixão do Salvador, fizeram uma peregrinação a Jerusalém e aos outros santos lugares, que Jesus Cristo ilustrou com sua presença. O príncipe Birger, seu pai, juiz ou governador da província de Upland, era homem cheio de piedade e de virtude. Fundou grande número de igrejas e de mosteiros; fez peregrinações a Roma, a Jerusalém e a outros santos lugares, a exemplo de Pedro, seu pai e de seus antepassados. Jejuava, confessava-se e comungava todas as sextas-feiras, a fim de conseguir a graça de sofrer pacientemente as cruzes que Deus lhe mandava até a sexta-feira seguinte. A princesa, sua esposa, chamada Indeburga, filha de Ligride, não tinha menos piedade. O túmulo dos dois esposos existe ainda na catedral de Upsala.

Quanto à Santa Brígida, da qual temos uma vida contemporânea escrita por Birger, arcebispo de Upsala, seu nascimento foi ilustrado por diversos prodígios. Sua mãe, a princesa Ingenurga, escondia terna piedade, sob hábitos, convenientes à alta linhagem.

Uma religiosa, vendo-a assim vestida, taxou-a de orgulhosa, em seu coração. Na noite seguinte, durante o sono, um personagem venerável apareceu-lhe, dizendo: Por que pensaste mal de minha serva, tratando-a de orgulhosa, o que, entretanto, não é verdade? Dela farei nascer uma filha, com a qual farei aliança, conferindo-lhe uma graça tão grande, que todas as nações não serão suficientes para admirá-la. A essa circunstância maravilhosa, o arcebispo de Upsala, bem como os outros biógrafos acrescentam uma segunda. A princesa Ingeburga, estando grávida de Brígida, naufragou nas costas da Suécia e foi salva do perigo pelo irmão do rei. Na noite seguinte, um personagem vestido, com uma roupa brilhante apareceu a Ingeburga, e lhe disse: Foi em consideração à criança que trazeis, que fostes salva da morte; tende cuidado em criar no amor de Deus o que Deus vos deu especialmente. Enfim, no nascimento de Brígida, o vigário da paróquia, homem venerável por sua idade e virtude, passava as noites em oração numa igreja vizinha, quando viu uma nuvem luminosa e no meio da nuvem a Santa Virgem sentada, tendo na mão um livro e dizendo-lhe: Nasceu em Birger uma menina cuja voz admirável será ouvida por todo o mundo. Eis o que refere o arcebispo de Upsala, bem como os outros biógrafos contemporâneos de Santa Brígida.

Entretanto, a maravilhosa criança ficou muda durante os três primeiros anos. No fim desse tempo, começou, não a balbuciar, como as crianças, mas a falar perfeitamente como as pessoas já adultas. Viu-se aí um efeito da sabedoria divina que abre a boca dos mudos e torna eloquentes as línguas das crianças, a fim de tirar da boca das crianças, e daqueles que ainda mama, um louvor perfeito. Esperando, sua piedosa mãe, cheia de boas obras e esmolas, como outro Tabit, caiu gravemente doente. Soube e predisse a morte vários dias antes. Vendo a aflição do esposo e dos outros, disse-lhes com muita coragem: Por que afligir-vos. É muito ter vivido e ter vivido bastante; ao contrário, devemos alegrar-nos de que sou chamada a um Senhor mais poderosos, Tendo-se, então, despedido de todos, adormeceu no Senhor. A jovem Brígida dói confiada pelo pai e uma tia materna tão prudente quão piedosa.

Na idade de sete anos, a criança viu diante do leito um altar, e sobre ele uma senhora assentada com vestes resplandecentes, tendo na mão uma coroa e que lhe disse: Vem, Brígida. A menina levantou-se logo e correu para o altar. A senhora perguntou-lhe: Queres esta coroa? A criança disse que sim e a senhora colocou-a sobre a cabeça e Brígida sentiu-a como um círculo. Voltando ao leito, a visão desapareceu. Ela jamais, porém, a esqueceu. O que não é de admirar, observa o arcebispo de Upsala, pois era sinal de que seria um altar de holocausto, onde o fogo da caridade divina arderia sempre e Jesus Cristo, seu esposo lhe conservaria uma coroa imortal e sem mancha nos céus.

Na idade de dez anos, era como um lírio muito puro que se erguia da terra ao céu. Ostentava o modelo de todas as virtudes, a sobriedade, com a modéstia, a simplicidade com a ponderação, a humildade com a obediência, com a beleza na consciência, a hilaridade na paciência com uma caridade infatigável. Aparecia como esposa de Deus, como uma pérola brilhante, cheia de graça a todos os olhos e amada por todos. Devia, porém, subir ainda mais alto.

Um dia, ouviu um sermão sobre a Paixão de Jesus Cristo; ficou tão emocionada, que escreveu aquela Paixão nas tábuas do coração. Na noite seguinte, viu Jesus Cristo, sendo crucificado, o qual lhe disse: Eis como fui tratado. Ela, pensando que era coisa recente, respondeu-lhe: Senhor, quem vos fez isso? - Aqueles que me desprezam e são insensíveis a meu amor, respondeu Jesus Cristo. Desde esse momento, refletindo, ela sentia-se tão sensível à paixão do Salvador, que não podia lembrá-la sem derramar torrentes de lágrimas. Uma noite, quando as jovens companheiras dormiam, saiu do leito e prostrou-se em adoração e em lágrimas diante do crucifixo do quarto. Naquele mesmo momento lá entrou secretamente a tia, que, muito admirada de vê-la naquela posição, julgou ser uma brincadeira da sobrinha e mandou buscar umas varas para corrigi-la e tornar mais discreta. Mas, com sua grande surpresa, as varas quebraram-se-lhe na mão. Disse então: Que fizestes, Brígida? Alguma mulher vos ensinou essas orações enganadoras? A jovem virgem respondeu chorando: Não, senhora, mas eu me levantei do leito para louvar àquele que sempre me assiste. - E quem é Ele? - É o Crucificado, que vi ultimamente. - Desde aquele dia, a tia começou a ter por ela mais afeto e veneração, compreendendo que semelhantes disposições não vêm dos homens, mas de Deus.

Outra vez, quando a jovem virgem brincava com as companheiras, o diabo apareceu-lhe sob forma horrível, tendo cem mãos e cem pés. De espanto, ela correu ao quarto, e recomendou-se humildemente ao Crucificado. O diabo lá apareceu, mas disse: Nada posso fazer, se o Crucificado não o permitir. A tia soube mais tarde o que havia acontecido e recomendou-lhe que guardasse silêncio, sobre o que tinha visto e pusesse a confiança em deus, amando a Jesus Cristo acima de todas as coisas, sabendo que a vida de nossa peregrinação não pode ser sem tentação, a fim de que cada qual aprenda a ser conhecer; aliás não se pode ser coroado, se não se tiver vencido, nem vencer sem combate, nem combater sem experimentar as tentações do inimigo.

Brígida desejara ter permanecido sempre virgem, mas na idade de treze anos, seu pai fê-la desposar Ulphon, príncipe ou governador de Nerícia, que tinha dezoito, A exemplo dos jovens Tobias e Sara, sua esposa, guardaram a continência, perto de dois anos, para obter de Deus a graça de usar santamente do matrimônio e ter filhos fiéis em servi-lo.


Tiveram oito, quatro meninos e quatro meninas.

A mãe, depois de ter vivido santamente na virgindade não viveu menos santamente no casamento. Regulou tão bem toda a vida, que jamais deixou motivo a alguma suspeita sinistra, nem a maledicência alguma. Para isso, não admitia nem criadas nem companheiras cuja reputação não fosse sem mancha, para que sua familiaridade não lhe atraísse alguma má fama.


Sabendo que a ociosidade é mãe de todos os vícios, dedicava-se com suas domésticas a trabalhos para as igrejas e para os pobres, lia as vidas dos santos e a Bíblia, que tinha feito traduzir em língua gótica; ora, ia à igreja e ouvia com prazer o ofício divino. Com seu esposo, o príncipe Ulphon, confessava-se todas as sextas-feiras e comungava todos os domingos e festas. Como Judite tinha um oratório secreto, onde, de vez em quando, se recolhia na presença de Deus, examinava a consciência, chorava as faltas; onde, quando o marido estava ausente, passava as noites inteiras em oração, vigílias, jejuns e outras mortificações; sempre se abstinha de iguarias, as mais delicadas, mas secretamente, para não ser notada pelo marido ou por outros. Tinha a mais terna devoção pela Santa Virgem que, nos partos laboriosos, lhe concedia um fácil resultado, quando todos pensavam que ia perder a vida. Suas esmolas eram muito grandes. Tinha uma casa muito ampla para os pobres. Todos os dias, alimentava doze deles em casa; na quinta-feira, lavava-lhes e beijava-lhes humildemente os pés, em memória do que Nosso Senhor tinha feito a seus apóstolos. Restaurou grande número de hospitais no país natal e em suas terras; lá ia visitar os pobres e os enfermos, acompanhada pelas filhas, especialmente Santa Catarina. Lá a piedosa mãe medicava com as próprias mãos as chagas e as úlceras dos enfermos, dando-lhes esmolas e dirigindo-lhes palavras de consolo, mostrando aos filhos, com o exemplo, como deviam um dia servir também aos pobres e aos enfermos por amor de Deus. Depois do nascimento do oitavo filho, Ulphon e Brígida guardaram continência.

No ano de 1335, o rei Magno, da Suécia, desposou Branca, filha do conde Namur; queria que Brígida, sua parente, fosse governanta da jovem rainha, Brígida interessou-se vivamente pela salvação e pela prosperidade de uma e de outro, tanto mais que ambos eram jovens. Rogava por eles, dava-lhes bons conselhos, às vezes mesmo advertências, resultado de revelações sobrenaturais. A princípio muito eles aproveitaram. Mas ambos eram de caráter inconstante, e por outro lado, outros conselhos lhe foram sugeridos. Com o tempo, o mal venceu o bem; Brígida, anunciou calamidades: o rei ria-se e perguntava a Birger, filho da santa: Que foi que nossa prima, vossa mãe, sonhou esta noite a nosso respeito? Mas as predições de Brígida se realizaram. O reino de Magno, com o resultado do mau governo, encheu-se de perturbações e de revoluções; os estados insurgiram-se contra sua tirania; ele foi excomungado pelo papa por ter confiscado as rendas da Igreja; a rainha Branca pereceu miseravelmente em 1363; o rei, depois de ter perdido a coroa da Suécia, morreu acidentalmente, afogado, no ano de 1374.

Brígida deixou a corte muito cedo e Ulphon seguiu o exemplo da esposa. Pensavam somente em se santificar, bem como a família. Fizeram muitas peregrinações à Noruega, França, Espanha, Itália, Alemanha: na Noruega, visitaram, em Nidrósia ou Drontheim, capital do reino, o túmulo do rei e mártir Santo Olaus; na Espanha, São Tiago de Compostela. Embora tivessem numerosa equipagem, Brígida fazia uma parte do caminho a pé por espírito de piedade e de mortificação.

Depois de ter visitado muitos santuários, voltavam à pátria, quando o príncipe Ulphon caiu doente na cidade de Arras; mal se tornou tão grave, que ele recebeu os últimos sacramentos das mãos do bispo, deixando Brígida em viva ansiedade. Ela invocou São Dionísio, apóstolo da França. O santo apareceu-lhe, predisse-lhe que Deus queria por meio dela tornar-se conhecido do mundo e que ela estava entregue à sua especial proteção e como prova disse, seu esposo não morreria daquela doença.

Alguns dias depois, ela teve uma revelação de como ele passaria a Roma e à santa cidade de Jerusalém, e enfim, sairia deste mundo. Deus realizou misericordiosamente tudo aquilo, diz o arcebispo de Upsala. O príncipe reconquistou a saúde, depois de uma doença muito longa; voltaram ambos com saúde à pátria. Renovaram o voto de conservar a continência e resolveram entrar cada qual num convento.

Tendo então regulado os negócios e disposto os bens, o príncipe Ulphon entrou no mosteiro de Alvastre, ordem dos cistercienses, fundado em 1150 por Suercher, rei da Suécia. Aí viveu alguns anos na prática de todas as virtudes, e morreu em 1344. O príncipe Ulphon de Nerícia é nomeado no menológio de Cister, a 12 de fevereiro.

Poucos dias depois da morte do esposo, Brígida dividiu os bens entre os filhos e os pobres, Renunciou à condição de princesa para se consagrar inteiramente à penitência. Usava apenas uma túnica de linho com exceção do véu, com que cobria a cabeça; usava um hábito grosseiro, que prendia com uma corda cheia de nós. As austeridades que praticava são incríveis; duplicava-as ainda, às sextas-feiras, e nesses dias passava somente a pão e água. Tendo feito construir o mosteiro de Watstein, na diocese de Lincopen na Suécia, lá colocou sessenta religiosas; instalou, num edifício separado do mosteiro, treze sacerdotes em honra os doze apóstolos e de São Paulo, quatro diáconos para representar os quatro doutores da Igreja e oito irmãos conversos; deu a todos as regras de Santo Agostinho, as quais acrescentou constituições particulares. Lemos, em alguns autores que o Salvador mesmo ditou essas regras, mas com ordem de submetê-las ao exame do soberano Pontífice, visto que o Salvador veio a este mundo não para destruir a lei, mas para aperfeiçoá-la.

Santa Brígida ficou assim dois anos na Suécia, perto do mosteiro de Alvastre, onde estava enterrado o esposo, como no novo mosteiro de Watstein. Sua vida pobre e penitente, depois de um estado de princesa, atraiu-lhe as zombarias do mundo, respondeu: Não foi por causa de vós que comecei; não será por causa de vós que terminarei. Resolvi, em meu coração, suportar as palavras. Rezai para que eu persevere.

Com suas vestes de pobre, não deixou de se apresentar ao rei da Suécia, para lhe anunciar que ele e seu reino seriam castigados, com grandes calamidades, se não se corrigissem de certos defeitos e desordens. Alguns dos grandes murmuravam e ter-lhe-iam mesmo provocado confusão, se não soubessem que ela era parente do rei. Pelo menos zombaram dela entre si mesmos, tratando-a de feiticeira, a tal ponto que os filhos queriam vingar-se disso; mas ela rogou-lhe que nada fizessem, dizendo: Deus é testemunha de que prefiro, por amor de Jesus Cristo, sofrer esses desprezos e essas zombarias a ter a coroa do rei sobre a minha cabeça.

Se a santa viúva teve de sofrer da parte dos homens, Deus a consolou superabundantemente com revelações e comunicações sobrenaturais. Essas revelações foram examinadas por doutores católicos e aprovadas pela Santa Sé, neste sentido, que nada contém de contrário a fé, e que nelas se pode crer piamente.

Os principais objetos dessas revelações e contemplações de Santa Brígida são: a Paixão do Salvador e a Santa Virgem. Quanto à Paixão do Salvador, nada se vê aí, mais do que no Evangelho, a não ser certas circunstâncias de particulares muito naturais. Com relação à Virgem, diz-se expressamente que ela foi concebida sem pecado, e que subiu aos céus, em corpo e alma. Uma das particularidades mais tocantes é a Virgem mesma, narrando a Santa Brígida seu progresso no conhecimento de Deus e de sua lei: 
"Desde a mais tenra idade, quando compreendi o que Deus era, sempre fui cuidadosa e temerosa de minha salvação e de meu procedimento. Mas, quando compreendi mais plenamente que o mesmo Deus era meu criador e juiz de todas as minhas ações amei-o intimamente, temi ofendê-lo mais que nunca, quer por obrar, quer por palavras. Depois, quando soube que tinha dado sua lei e seus mandamentos ao povo, e tinha feito com ele tantas maravilhas, resolvi firmemente em minha alma só amar a ele e nada mais do que ele, e as coisas mundanas eram-me grandemente amargas.

Enfim, tendo sabido que o mesmo Deus resgataria o mundo e ele nasceria de uma virgem, fui tomada de tão grande amor para com ele, que só pensava em Deus, que só queria a deus. Afastei-me, quanto possível, das conversas familiares e da presença de parentes e amigos. Dava aos pobres tudo o que podia e reservava-me apenas o simples vestuário e o pouco de que precisava para viver. Nada me agradava, fora de Deus. Sempre eu desejava em meu coração viver até o tempo de seu nascimento, na esperança de que eu mereceria talvez tornar-me indigna serva da mãe de Deus. Fiz também voto, em meu coração, de guardar a virgindade, se Deus o tivesse por agradável, e nada possuir no mundo. 

Encontramos revelações muito semelhantes na vida de Santa Isabel da Turíngia. Além das revelações que se referem à fé, há em Santa Brígida como nas profecias da antiga lei, muitas exortações, advertências, às vezes muito severas a Papas, a reis, a povos, a classes de homens, padres e cavaleiros. Mais de uma vez essas exortações encerraram ameaças proféticas que tiveram sua realização.

No ano de 1371, a ilustre viúva sueca, como outrora a ilustre viúva romana, Santa Paula, da família dos Gracos e dos Cipiões, empreendeu, em idade avançada, ante uma revelação particular, a peregrinação a Jerusalém. Chegando a Roma já enferma, ficou mais doente ainda. Sentindo-se perto do fim, deu avisos muito comoventes ao filho, o príncipe Birger e à filha, Santa Catarina de Suécia, que estava com ela; depois quis ser estendida sobre um cilício para receber os últimos sacramentos.

Morreu, a 23 de Julho de 1373, na idade de setenta e um anos. Enterraram-na na igreja de São Lourenço, in Panis-Perna que pertencia às pobres Clarissas. No ano seguinte, o príncipe Birger, seu filho, e Santa Catarina sua filha, fizeram levar-lhe o corpo para o mosteiro de Watstein, na Suécia. Foi canonizada pelo Papa Bonifácio IX, a 7 de Outubro de 1391.


 (Fonte: Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 273 a 284)

terça-feira, 19 de julho de 2016

Beato Luís Tezza, presbítero camiliano e co-fundador das Filhas de São Camilo.


Luís Tezza nasceu em 1º de novembro de 1841, na cidade de Conegliano, na Itália. Sua família era muito religiosa e gozava de boa situação financeira. Seus pais chamavam-se Augusto e Catarina Nedwiedt. Seu pai era médico e sua mãe era uma santa mulher, cuidava de casa. Devido questões de trabalho de Augusto, a família muda-se para Veneza, ele foi exercer medicina no hospital São João e São Paulo de Veneza. Passado um ano e meio, Augusto novamente é transferido; foi para um município próximo de Veneza, para onde levou sua família.
O pequeno Luís amava e admirava muito seu pai, Augusto, pois era um homem muito bom. No exercício de sua profissão foi capaz de curar e confortar a muitas pessoas doentes. O exemplo dele mais tarde refletiu na vida de se filho. Quando Luís tinha oito anos de idade, seu pai faleceu, no dia 11 de janeiro de 1850. Com a morte de Augusto, o pequeno Luís e sua mãe retornam para a cidade natal, Conegliano, permanecendo juntos dos parentes e familiares.
Ali o jovem Luís começou os estudos fundamentais. Em certa ocasião, ainda bem jovenzinho, ele escreveu ao Padre Luís Artini, camiliano, superior da Casa Santa Maria del Paradiso, em Verona. O jovem manifestava o desejo de conhecer o carisma e a espiritualidade camiliana e conversar pessoalmente com o Padre Artini. Na verdade, Luís Tezza buscava discernir sua vocação. No dia 29 de outubro de 1856, Catarina, acompanha seu filho à comunidade de Santa Maria del Paradiso. Ali iniciava sua formação religiosa, sob a orientação do Padre Artini.
Uma vez separada de Luís, sentindo-se muito sozinha, Catarina, no dia 31 do mesmo mês, ingressou no mosteiro da Visitação. Renunciou a todos os bens, doando-os aos pobres e ao Instituto, que a acolhera. No dia 21 de agosto de 1857, Catarina recebeu o hábito das Monjas da Visitação do Mosteiro de Pádua, cerimônia, a qual o religioso camiliano Luís Tezza estava presente. Sua mãe morreu no dia 2 de agosto de 1880.
Quando contava com 18 anos de idade, Luís emitiu a profissão Religiosa perpétua, em 8 de dezembro de 1858, aos 23 anos, no dia 21 de maio de 1864, foi ordenado presbítero. Padre Luís Tezza muito jovial, inteligente e bondoso inicia seu apostolado. Desempenhou serviços difíceis e delicados: Mestre de noviços, Superior Provincial, Vigário Geral etc.
Em 1866, padre Tezza viveu momentos complicados com a lei de supressão das Ordens e Congregações Religiosas. Ele sempre alimentou o afã pelas missões. Teve convite para um projeto de missões, por meio do missionário Daniel Comboni, hoje, Bem-aventurado. Por obediência aos seus superiores recusou. Após essa recusa, ele foi mandado para Roma e nomeado Vice Mestre de Noviços, em 1869. Um ano depois foi nomeado Vice Provincial da Província Francesa.
Depois de três anos depois ele voltou para Roma. Com ele vários religiosos e noviços. Saíram expulsos da França. Todos foram acolhidos em Verona. Padre Tezza retorna à França em 19 de abril de 1881, onde ocupou a função de Superior de Lille e, em 1885, foi feito Superior Provincial. Após quatro anos, em 1889, durante a celebração do 36º Capítulo Geral da Ordem, foi eleito Consultor Geral. Nesta época já pensava em formar uma Congregação feminina, sob o espírito de São Camilo.
No mês de dezembro de 1891, Padre Luís Tezza, foi assessorar um retiro espiritual no convento das Irmãs de Nossa Senhora do Cenáculo. Dentre as participantes estava a jovem Judite, mais tarde, Madre Josefina Vannini, também beatificada. 
Com a autorização do Cardeal Vigário, no dia 2 de fevereiro de 1892, na Capela da Casa Geral dos Camilianos, em Roma, o Padre João Mattis, Superior Geral, conferiu à Judite e duas companheiras, o escapulário e a cruz vermelha de São Camilo. Toda a cerimônia foi assistida e apoiada profundamente pelo Padre Tezza. Aquele momento foi o marco de um sonho, ele via nascer a Congregação Filhas de São Camilo.
No dia 26 de abril de 1900, o Padre Tezza com o Padre Ângelo Ferroni, foram enviados à Comunidade de Lima, Peru. Chegaram no dia 19 de junho do mesmo ano. Alguns anos depois de atividade em Lima, os Padres Tezza e Ferroni deveriam regressar para Roma. Mas atendendo ao pedido do Núncio de Lima, Padre Tezza permanece e Padre Ferroni voltou a Roma. Padre Luís Tezza foi nomeado pela Autoridade Eclesiástica de Lima confessor do Seminário Central da Arquidiocese e de muitos outros, como também atendeu várias Ordens de vida contemplativa.
Depois de uma vida toda entregue ao serviço da caridade para com os doentes e necessitados, no dia 26 de setembro de 1923, em Lima, na Casa de Santa Maria da Boa Morte, Padre Luís Tezza faleceu. A cidade de Lima ficou consternada pela grande perda, do santo de Lima. Assim ficou conhecido: o “Apóstolo de Lima”. No dia 28 de novembro de 1947, seu corpo foi exumado e levado para Buenos Aires. Seus restos mortais foram colocados na Capela da Casa Provincial das Filhas de São Camilo, no dia 20 de fevereiro de 1948.

O Padre Luís Tezza foi proclamado pela Igreja Bem-aventurado no dia 4 de novembro de 2001, por sua Santidade o Papa João Paulo II.

(Fonte: site Fraternidade São Gilberto) 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Beato Josef Mayr-Nusser, Leigo e Mártir (condenado à morte por negar-se a jurar obediência a Hitler). Reconhecimento recente do martírio.



Josef Mayr-Nusser nasceu em Bolzano (Itália), em 27 de dezembro de 1910, em uma família de camponeses profundamente cristãos. Casou-se aos 22 anos e teve um filho. Entre suas leituras favoritas estavam as obras de São Tomás Moro, Santo Tomás de Aquino e Frederic Ozanam, assim como a vida de São Vicente de Paulo.

Aos 22 anos, uniu-se à Sociedade de São Vicente de Paulo e à organização internacional de voluntários católicos dedicada a servir aos pobres e necessitados, a qual buscava imitar a caridade do santo.

Além disso, envolveu-se na Ação Católica e chegou a ser líder na Diocese de Trento em 1934. Em 1937, chegou a ser presidente da sucursal da Sociedade de São Vicente de Paulo em Bolzano.

Dois anos depois, começou a Segunda Guerra Mundial. Mayr-Nusser não perdeu tempo e entrou para o movimento antinazista “Andreas Hofer Bund”.

Ao reconhecer o martírio do Venerável Servo de Deus Josef  Mayr-Nusser, aprovando-lhe a beatificação, o Papa Francisco disse, “dar testemunho é a nossa única arma eficaz” e deve-se mostrar a todos que “o único chefe que tem direito a uma completa e ilimitada autoridade e a ser nosso ‘condutor’ é Cristo”, assinalou em referência ao surgimento do fascismo na Europa.

Entretanto, em 1943 a Itália entrou em uma guerra civil depois da breve detenção de Benito Mussolini. Neste contexto, os alemães invadiram a região norte do país. Os nazistas estabeleceram o “Schutzstaffel” ou “esquadrão protetor”, normalmente conhecido como as “SS”. Jozef foi obrigado a unir-se em 1944 às “SS”.

Em uma carta dirigida à sua esposa, Jozef escreveu: “Reze por mim, para que na hora da provação possa atuar sem indecisões segundo o parecer de Deus e da minha consciência (…) você é uma mulher corajosa e nem sequer os sacrifícios pessoais que possivelmente te exijam poderão endurecer o teu coração e condenar o teu esposo, porque preferiu perder a vida do que abandonar o caminho do dever”. 
Deste modo, no momento do juramento de lealdade a Hitler, Jozef se negou. De acordo com uma testemunha, Jozef estava “pensativo e preocupado”, mas com “voz forte” respondeu ao general: “não posso fazer um juramento a Hitler em nome de Deus. Não posso fazê-lo porque a minha fé e a consciência não me permitem”.

Por isso, foi preso e condenado à morte por traição em 1945. Foi enviado no trem ao campo de concentração de Dachau (Alemanha), onde deveria ser fuzilado.


Entretanto, durante a viagem teve uma disenteria e morreu no dia 24 de fevereiro de 1945 aos 34 anos, antes de chegar a Dachau. Quando encontraram seu corpo, Jozef estava com um Bíblia e um rosário.