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terça-feira, 26 de julho de 2016

SANTO ALBERTO CHMIELOWSKI, Leigo, Terciário Franciscano, Anjo da Caridade na Polônia.



Santo Alberto Chmielowski, definido pelo Papa São João Paulo II, grande devoto seu, como “o São Francisco polonês do século XX” pela forma de vida marcada por uma pobreza rigorosa e alegre, nasceu em Igolomia, perto de Cracóvia, em 20 de Agosto de 1845, como primogênito de Alberto Chmielowki e de Josefa Borzylawska. Foi batizado a 26 desse mês, com o nome de Adão Hilário Bernardo. A família era abastada, detentora de enormes propriedades. Aos sete anos, perdeu o pai. A mãe mudou-se para Varsóvia, onde Adão prosseguiu os estudos, primeiro na escola de cadetes, depois no instituto de agronomia, para melhor se dedicar à sua lavoura.


Em 1863, aos 18 anos, participou da insurreição contra o domínio do Czar da Rússia. Foi ferido, na batalha de Melchow e levado prisioneiro. No cárcere, foi-lhe amputada a perna esquerda, sem anestesia, operação que aguentou com heroica valentia. Após um ano, conseguiu fugir. Matriculou-se em Paris, numa academia de pintura. Foi para a Bélgica e, posteriormente, para Mônaco, regressando depois a Varsóvia, onde se formou em pintura e arquitetura. As suas telas tornaram-no muito popular e conhecido.


A meditação sobre a paixão de Cristo levou-o a mudar de vida. Começou a preocupar-se e a afligir-se com os necessitados e pobres. Ingressou na Terceira Ordem de São Francisco e começou a socorrer mendigos, vagabundos e doentes abandonados por serem repugnantes. Fazendo-se pobre com os pobres, à semelhança de Cristo, que de tudo Se despojou em favor dos outros, ia distribuindo os haveres, ganhos com os trabalhos de pintor notável, entre os mais necessitados, que reunia nos albergues públicos, onde também ele dormia. Chegou a mendigar com eles.


Portando o hábito de burel, prosseguiu na sua caridade para com os indigentes. Como não se sentisse capaz de sozinho socorrer tantos pobres, com a aprovação do bispo de Cracóvia, reuniu alguns companheiros e lançou os fundamentos de uma nova congregação, os Servos dos Pobres, mudando o seu nome para Alberto, ao fazer os seus votos de pobreza, castidade e obediência.
Não escreveu nenhuma Regra, mas o seu exemplo e proceder foram incentivo e modelo inédito de viver à maneira de Cristo. Construiu oficinas várias, para os necessitados poderem ganhar alguma coisa e reconstituírem a vida. Jamais aceitou bens imóveis ou auxílios econômicos estáveis.


De tal modo essa obra de assistência se multiplicou, que à sua morte deixou 21 grandes casas de asilo para pobres e 92 eremitérios com função de sanatórios para religiosos doentes. Tudo isso era organizado e administrado pelos irmãos e irmãs da Ordem Terceira de São Francisco, Servos dos Pobres, que se comprometiam a uma plena e perene disponibilidade para servir os miseráveis, os sem abrigo, os marginalizados, os abandonados, os vagabundos, os doentes, os idosos e os moribundos. Ele próprio adotara a forma de vida dos mendigos, morando nos seus tugúrios e compartilhando com eles as esmolas recebidas. Em comunidade era tratado por “Irmão Ancião”.

Vivendo em casas do Estado ou da Diocese, limitava-se a receber o que lhe iam dando, dia a dia. Nos albergues acolhia todos os infelizes, sem querer saber suas origens, raça, etnia ou religião. A 15 de Janeiro de 1891, ao reparar nas necessidades de tantas mulheres, com a cooperação de Ana Francisca Lubanska e Maria Cunegundes Silokowka, seduzidas pelo seu exemplo, fundou um ramo feminino da sua associação, para que alimentassem as famintas e as acolhessem em abrigos decentes, sobretudo nos casos de epidemias.

Com palavras de ânimo e conselhos apropriados, com pregações sobre os desajustamentos sociais, ressaltando a obrigação de todos, sobretudo os mais favorecidos em riquezas, de ajudarem os ignorantes e miseráveis, Santo Alberto não só formava os seus seguidores como suscitava nos ricos um desprendimento que os impulsionasse a uma generosa caridade. Para a direção das duas congregações recorria aos conselhos de prudentes sacerdotes. Para a fundação de novas casas nunca prescindia da opinião e do consentimento do bispo.

Santo Alberto e seu grande amigo e diretor espiritual, São Rafael Kalinowski, carmelita descalço.


Não obstante a prótese rudimentar na perna, viajava imenso para fundar novos asilos e visitar as diversas casas religiosas. A sua fama cedo ultrapassou os limites de Cracóvia e se estendeu a toda a Polônia, concentrando-se num só nome: Frei Alberto. Tudo nascera do nada; tudo ia "de vento em popa", com o capital inesgotável da Providência.
Em tudo seguiu o exemplo de São Francisco de Assis. Sempre confiou a sua missão à Providência divina. Tomava forças na oração, na Eucaristia e na meditação do mistério da Cruz.
Nos últimos dez anos da vida andou atormentado com um tumor no estômago; mas ninguém o soube senão os poucos meses antes da morte, quando o mal se agravou. Sem exprimir qualquer lamento, expirou no dia de natal de 1916, no hospício dos pobres, em Cracóvia.

Antes de morrer, apontando para a imagem de Nossa Senhora de Czestochowa, disse aos irmãos e irmãs: “Esta Senhora é a vossa Fundadora, lembrai-vos disso”. E ainda: “Em primeiro lugar observai a pobreza”. Por ocasião de sua morte, tinha já várias comunidades ao serviço dos pobres, com mais de uma centena de discípulos. Junto das pessoas que ele tinha aproximado e conhecido, deixou um testemunho maravilhoso de fé e de caridade. Em Cracóvia, na Polônia, é conhecido como o Pai dos pobres, e por sua pobreza evangélica.

   Com sua morte, sua maior aventura ainda não terminara. As suas exéquias foram uma celebração triunfal, em que participou toda a cidade, mas os pobres constituíam a nota dominante do enorme cortejo fúnebre.
O irmão Alberto deixou um rastro eficaz na história da Igreja. Ele não só agiu no caminho direito do Evangelho sobre a misericórdia de Cristo, aceitando-a, mas acima de tudo introduziu-a na sua própria vida religiosa. Hoje, os irmãos Albertinos e as irmãs Albertinas realizam o carisma do Fundador prestando os seus serviços na Polônia. As irmãs se espalharam pela Itália, pelos EUA e na América Latina.


    Os seus restos mortais repousam na igreja dos carmelitas de Cracóvia, meta incessante de peregrinação. Em 22 de Junho de 1983 o Papa São João Paulo II beatificou a Alberto em Cracóvia, durante sua segunda viagem apostólica à Polônia. Foi proclamado Santo em 12 de Novembro de 1989, em Roma, pelo mesmo Santo Pontífice, seu compatriota. A Igreja considera-o como um modelo para o nosso tempo, uma testemunha do amor de Deus, que se manifesta no amor cristão ao próximo, no espírito da bondade evangélica, desafio constante à capacidade de ver a imagem de Deus nos mais miseráveis, naqueles a quem a sociedade costuma chamar marginalizados, mendigos, abandonados, deficientes, drogados... É essa a caridade que caracteriza os santos.