Páginas

sábado, 29 de outubro de 2016

SANTO AFONSO MARIA FUSCO, Presbítero e Fundador. Canonização em 16 de outubro de 2016.




Afonso Maria Fusco, primogênito de cinco filhos, nasceu aos 23 de março de 1839, em Angri, Província de Salerno, diocese de Nocera-Sarno, do casal Aniello Fusco e Giuseppina Schiavone, ambos de origem camponesa, mas educados desde o nascimento com sadios princípios de vida cristã e no temor de Deus.

Casaram-se na Colegiada de São João Batista, no dia 31 de janeiro de 1834 e por quatro longos anos o berço preparado com amoroso cuidado, ficou desoladamente vazio.

Em Pagani, pouco distante de Angri, estão guardadas as relíquias de Santo Afonso Maria de Ligório. Em seu túmulo, no ano de 1838, chegaram para rezar, Aniello e Giuseppina. Nessa ocasião ouviram profeticamente do Redentorista Francisco Saverio Pecorelli: «Tereis um filho, o chamareis Afonso, será sacerdote e repetirá a vida do Beato Afonso».

O menino logo revelou um caráter manso, humilde, amável, sensível à oração e aos pobres. Teve como mestres na casa paterna sábios e santos sacerdotes, que o instruíram e o prepararam ao primeiro encontro com Jesus. Aos sete anos recebeu a Primeira Comunhão e logo em seguida a Crisma.

Aos onze anos comunicou aos pais o desejo de ser sacerdote e aos 5 de novembro de 1850 «espontaneamente e apenas para servir a Deus e a Igreja», como ele mesmo declarou muito tempo depois, entrou no Seminário de Nocera dei Pagani.

No dia 29 de maio de 1863 foi ordenado sacerdote pelas mãos do Arcebispo de Salerno, Dom Antonio Salomone, entre a exultação de seus familiares e o entusiasmo do povo.

Distinguiu-se logo entre o clero da Colegiada de São João Batista de Angri pelo zelo, pela assiduidade no serviço litúrgico e pela diligência na administração dos sacramentos, especialmente da reconciliação, na qual demonstrava toda a sua paternidade e compreensão pelos penitentes.

Dedicava-se à evangelização do povo com uma pregação profunda, simples e eficaz.

A vida cotidiana de Padre Afonso era apenas aquela de um sacerdote zeloso, que, porém guardava no coração um antigo sonho. Nos últimos anos de seminário, uma noite, tinha sonhado com Jesus de Nazaré, que lhe havia pedido para fundar, logo que fosse ordenado sacerdote, um Instituto de Irmãs e um orfanato masculino e feminino.

Foi o encontro com Madalena Caputo de Angri, mulher de caráter forte, aberto e simples, desejosa de se consagrar a Deus na vida religiosa, que impulsionou Padre Afonso a acelerar os tempos para a fundação do Instituto.

No dia 25 de setembro de 1878, a Caputo e outras 3 jovens durante a noite, entraram na pobre casa Scarcella, no rione de Ardinghi em Angri. As jovens desejavam dedicar-se à própria santificação através de uma vida de pobreza, de união com Deus, de caridade empenhada no cuidado e na instrução das órfãs pobres.

A Congregação das Irmãs Batistinas do Nazareno estava fundada; a semente tinha caído na terra fecunda de quatro corações ardentes e generosos; as privações, as lutas, as oposições, as provas se desabaram, mas o Senhor a fez desenvolver abundantemente. A casa Scarcella recebeu logo o nome de Pequena Casa da Providência.

Começaram a vir outras postulantes e as primeiras órfãs, e com elas, também as primeiras dificuldades. O Senhor, que faz sofrer muito a quem muito ama, não podia poupar penas e sofrimentos ao Fundador e às suas filhas.

Padre Afonso aceitou as provas, e às vezes muito duras, manifestando um total conformidade com a vontade de Deus, uma heroica obediência aos superiores e uma ilimitada confiança na Providência.

A injusta tentativa do Bispo diocesano, Dom Saverio Vitagliano, de demitir, por acusações infundadas, Padre Afonso da função de diretor da Obra; a recusa de abrir-lhe a porta da casa da Rua Germanico em Roma, por parte de suas próprias filhas, por uma ideia de separação; as palavras do Cardeal Respighi, Vigário de Roma: «Você fundou uma Congregação de Irmãs dedicadas que fazem o seu dever. Agora se retire!», foram para ele momentos de grandes sofrimentos, que o viram rezar com o coração angustiado, como Jesus no horto, na capelinha da Casa Mãe em Angri e na igreja de São Joaquim nos Prati, em Roma.

Padre Afonso não deixou muitos escritos. Amava falar com o testemunho de vida. As breves frases ricas de sabedoria evangélica, que se podem retirar dos seus escritos e dos testemunhos de quem o conheceu, são reflexos que iluminam a sua vida simples, o seu grande amor pela Eucaristia, pela Paixão de Jesus e a sua filial devoção à Virgem das Dores. Repetia com frequência às suas Irmãs: «Façamo-nos santos seguindo de perto Jesus... Filhinhas, se viveis na pobreza, na pureza e na obediência, resplandecereis com estrelas no céu».

Dirigia o Instituto com grande sabedoria e prudência e, como pai amoroso, vigilava sobre as Irmãs e sobre as órfãs. Era de uma ternura quase materna para com todas, especialmente pelas orfãzinhas mais necessitadas; para elas tinha sempre um lugar na Pequena Casa da Providência, mesmo quando o alimento era escasso ou até faltava. Então Padre Afonso tranquilizava suas filhas temerosas, dizendo: «Não vos preocupeis, minhas filhas, agora vou a Jesus e ele nos pensará». E Jesus respondia com prontidão e grande generosidade. A quem crê tudo é possível!

Em um tempo no qual a instrução era privilégio de poucos, proibida aos pobres e às mulheres, Padre Afonso não poupava sacrifícios para dar às crianças uma vida serena, o estudo e uma pequena profissão aos maiores, de modo que, uma vez crescidos, pudessem viver como cidadãos honestos e como cristãos convictos. Quis que suas Irmãs iniciassem logo a estudar, para estarem habilitadas a ensinar aos pobres e, através da instrução e da evangelização, preparar os caminhos de Jesus nos corações, sobretudo das crianças e dos jovens.

A tenacidade da sua vontade, totalmente ancorada na divina Providência, a colaboração sábia e prudente de Madalena Caputo, que se torna a primeira superiora do nascente Instituto, com o nome de Irmã Crucifixa, o estímulo contínuo do amor a Deus e ao próximo, permitiram, em breve tempo, o desenvolvimento extraordinário da obra.

O aumento de pedidos de assistência para um número sempre maior de órfãs e de crianças, impulsionaram Padre Fusco a abrir novas casas, primeiro na Companhia, depois em outras regiões da Itália.

Aos 05 de fevereiro de 1910 se sentiu mal durante a noite. Pediu e recebeu com piedade e fervor os Sacramentos e na manhã do dia 6 de fevereiro, depois de abençoar com a mão tremendo suas filhas que choravam em volta do seu leito, exclamou: «Senhor, vos agradeço, fui um servo inútil». Depois, voltando-se às Irmãs: «Do céu não vos esquecerei, e rezarei sempre por vós», e se adormentou placidamente no Senhor.

Logo se espalhou a notícia da sua morte e, por toda a jornada daquele domingo, foi uma contínua procissão, e as pessoas chorando diziam: «Morreu o padre dos pobres, morreu o santo!».

O seu testemunho é uma fonte de vida e de graças, de modo particular para as suas Irmãs espalhadas hoje em quatro Continentes.

No dia 12 de fevereiro de 1976, o Papa Paulo VI reconheceu suas virtudes heroicas e o Papa João Paulo II, no dia 7 de outubro de 2001, proclamando-o beato o entrega como exemplo aos sacerdotes e o indica a todos como educador e protetor, especialmente dos pobres e dos necessitados.
Foi canonizado solenemente em 16 de outubro de 2016 pelo Papa Francisco.



domingo, 23 de outubro de 2016

Servo de Deus Lafayette da Costa Coelho, presbítero e pároco. Modelo para os sacerdotes.



Lafayette da Costa Coelho nasceu em Serro, interior de Minas Gerais em uma quarta feira, 10 de novembro de 1886, filho de José da Costa Coelho e Julia Felisbina de Jesus. Da família Coelho emergiu e emerge ainda hoje inúmeras vocações sacerdotais e religiosas.

O próprio Servo de Deus teve dois irmãos também consagrados à igreja: Monsenhor José da Costa Coelho, do clero diamantinense e Irmã Apoline Coelho, Filha da Caridade de São Vicente de Paulo.

No ano posterior, em 30 de abril de 1887, foi batizado na igreja matriz Nossa Senhora da Conceição de Serro, pelo reverendíssimo padre José Alves de Mesquita. Neste dia, sob o olhar da doce e terna Senhora da Conceição, o menino Lafayette foi acolhido entre o ditoso número dos cristãos.

O menino Lafayette cresceu em virtude, em um ambiente essencialmente religioso como era a cidade de Serro em sua época, marcada por uma grande devoção mariana, pois a cidade era marcada pela fé na Santa Virgem Maria, presentes na Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo (na época, viva e atuante em serro).

Lafayette teve uma infância comum na cidade de Serro, crescendo e se tornando um jovem virtuoso. Foi professor primário na fazenda de Teotônio Magalhães, respondendo ao chamado sacerdotal mais tarde do que era de costume aos jovens da época, que ingressavam no seminário ainda na adolescência.

Padre Layette, recém ordenado.
Aos vinte e dois anos, ingressou no seminário provincial de diamantina, para dar início à sua formação presbiteral.

Após dez anos de formação presbiteral, Lafayette escreve a próprio punho o pedido para ser incorporado definitivamente ao clero, como era de costume, e se encontra até hoje nos arquivos episcopais de diamantina. Segue abaixo a transcrição:






"La­fa­yet­te da Cos­ta Coe­lho, nas­ci­do, ba­ti­za­do e mo­ra­dor na Freguesia de Nos­sa Se­nho­ra da Con­cei­ção do Ser­ro, des­te Bis­pa­do de Dia­man­ti­na, fi­lho le­gí­ti­mo de Jo­sé da Cos­ta Coe­lho e Jú­lia Fe­lis­bi­na de Je­sus, na­tu­rais da di­ta fre­gue­sia, ne­to pa­ter­no de Ro­gé­rio da Cos­ta Coe­lho e Ma­ria Eu­frá­sia de Je­sus, e ma­ter­no de Ber­nar­di­no da Cos­ta Coe­lho e Ma­ria Eu­lá­lia da Luz, com vin­te e no­ve ­anos de ida­de, de­se­jan­do ser pro­mo­vi­do às or­dens sa­cras até o pres­bi­te­ra­to, vem ro­gar a V. Ex.a Rev.ma se dig­ne ad­mi­ti-lo à ha­bi­li­ta­ção de ge­ne­re, man­dan­do pro­ce­der as di­li­gên­cias de es­ti­lo. Nes­tes ter­mos, pe­de a V. Ex.a Rev.ma be­nig­no de­fe­ri­men­to e E.R.M. Dia­man­ti­na, 22 de mar­ço de 1916."


Foi ordenado diácono em 08 de abril de 1915 e sacerdote no dia 15 de abril de 1917 (o mesmo ano das aparições de Fátima, em Portugal) por imposição das mãos de dom Joaquim Silvério de Souza aos 30 anos de idade, sendo o único de sua turma a ser ordenado presbítero. Sendo enviado logo após para santa Maria de São Félix (atual santa Maria do Suaçuí).


 
Os dois filhos religiosos da Sra. Julia Felisbina de Jesus:
monsenhor José Coelho (a esquerda) e
o Cônego Lafayette Coelho (a direita).



Também seu irmão mais velho, José da Costa Coelho, era sacerdote da arquidiocese de Diamantina e professor de língua portuguesa no seminário provincial.
Diferente do irmão que era introspectivo e sério, o jovem Lafayette era mais extrovertido e sorridente, característica que manteve durante seu exercício pastoral.

Após a morte do antigo pároco, Pe. José Maria dos Reis em 1919, o jovem padre Lafayette assumiu definitivamente a paróquia de santa Maria eterna em santa Maria do Suaçuí onde exerceu seu ministério pastoral por 44 anos, com a simplicidade que lhe era própria, mas marcado por uma extrema fé. O santo cônego cativou e evangelizou gerações de fiéis, sendo nas suas celebrações eucarísticas, seja no seu atendimento pastoral que lhe era peculiar, em cima de um burro a ir pelas áreas rurais ou até mesmo a pé pelas terras do Suaçuí.


Cônego Lafayette junto ao clero diamantinense. Ele está indicado pelo número 08, e seu irmão monsenhor José Coelho ao número 13.


Em 1927 o padre Lafayette criou em Santa Maria do Suaçuí a guarda de honra, da qual fazia parte também em diamantina na época de seminarista, neste ano convocou para a paróquia as missões redentoristas.

Em 1930 criou na paróquia de Santa Maria eterna a associação das filhas de Maria, como fruto de sua grande devoção mariana.

Em 1947, já sentindo a velhice, o padre Lafayette consagrou a paróquia da cidade ao imaculado coração de Maria a pedido de dom serafim gomes jardim, e neste mesmo ano é nomeado cônego titular da catedral de diamantina.

Em 1949, foi nomeado vigário forâneo da comarca das sete dores.

À semelhança do Beato Pe. Eustáquio, era conhecido principalmente através da sua benção da saúde, e que era fonte de prodígios advindos do Servo de Deus ainda em vida como constam em muitos dos relatos dos fieis que ainda vivem em santa Maria do Suaçuí. As pessoas vinham de longe para recebê-la.

O santo cônego sempre tinha uma palavra de reconciliação, apaziguando situações de desavença que ocorriam na cidade. Era e ainda é a referência da cidade.



Seu ministério sacerdotal foi fortemente voltado para a evangelização. Promoveu diversas missões populares em sua imensa paróquia e também colaborou com estas missões em outras paróquias. Foi um grande promotor das vocações sacerdotais na arquidiocese de diamantina, sendo cônego catedrático do cabido diamantinense, vigário forâneo na arquidiocese e inspetor escolar em santa Maria do Suaçuí.

Homem de intensos jejuns, orações e sacrifícios, atraía o povo pela sua santidade e piedade. Sua fama ultrapassou os limites paroquiais. Diariamente era procurado em sua residência (e até mesmo por cartas) para conceder sua benção da saúde para as pessoas, atendendo a todas com a mesma paciência e presteza. São inúmeros casos de pessoas beneficiadas com a bênção recebida.

Em 1961, falece após vários dias de enfermidade na casa paroquial de santa Maria do Suaçuí em uma quinta feira, dia 21 de setembro. Seu sepultamento foi no dia seguinte, sendo as exéquias celebradas pelo seu irmão, monsenhor José Coelho.

Cônego Lafayette foi um sacerdote fiel á igreja e ao seu ministério, tornando-se in persona christi para todos aqueles que procuravam ver a deus e o encontravam em seu olhar sereno, e na sua grandeza demonstrada e vivida na simplicidade.


Homem de humildade e obediência
"Sua obediência aos superiores era extrema. Certa vez passou mal em uma reunião do clero, para qual o arcebispo convocou todos os padres e não queria que nenhum faltasse, em especial o decano. Embora estivesse com a saúde abalada, em nome da obediência, o cônego compareceu, mas sofreu um desmaio em plena reunião".


Homem de paciência e doação
"Na véspera das primeiras sextas-feiras atendia confissões na matriz até às 23 horas. Dona Madalena, encarregada dos serviços da casa na época, contou que o vigário rezou o breviário até os últimos dias de vida. Certa vez ele deixou o livro cair e ela o aconselhou a deixar de rezá-lo e ouviu como resposta: 'minha filha, desde a ordenação sacerdotal, nunca deixei de rezar o breviário."


Homem de fé
"A semelhança entre São João Maria Vianney (o Santo Cura de Ars) e o Cônego Lafayette de Santa Maria é que ambos agiam com a mesma fé no Cristo ressuscitado, a mesma paciência com as pessoas, a mesma serenidade face às intempéries ou ao cansaço físico, os dois viviam o mesmo amor a Deus e a mesma caridade para com aqueles e aquelas em favor dos quais exerciam o ministério da salvação".

Homem da simplicidade
"As crianças não viam barreira que as separassem do pastor. Ele interrompia o que estivesse fazendo para atendê-las com alegria e carinho. Dava-lhe santinhos e também biscoito de polvilho, os seus preferidos. Em santa Maria há muitos adultos que se recordam dos biscoitos e dos "santinhos" dados pelo cônego, que gostava de ver os pequeninos correndo pelo assoalho da casa paroquial, como se ali fosse a casa deles."


Homem de oração, jejuns e sacrifício
"O povo sabia, mais ou menos, que cônego Lafayette era um homem de austeras penitências. A família que o hospedava em São Sebastião do Maranhão afirmava que frequentemente ele deixava a cama e se estirava no chão duro do quarto de dormir, após longas horas de oração, noite ou madrugada adentro."


Homem da caridade
"Cônego Lafayette enfrentava longas viagens de carro ou a cavalo para fazer-se presente às numerosas comunidades de sua paróquia ou para colocar à cabeceira de enfermos que residiam longe de Santa Maria e solicitavam sua presença confortadora que os dispusesse para comparecer diante do Senhor."

Homem da missão
"Sempre interessado em oferecer aos seus fieis toda assistência espiritual e catequética, em agosto de 1919, o Servo de Deus convocou as missões populares pregadas pelos padres lazaristas. Essas missões populares sempre representavam um novo despertar da fé no coração do povo de Deus. Era uma grande benção."


Homem das vocações
Cônego Lafayette teve a alegria de ver quatro de seus paroquianos chegarem ao sacerdócio. Muitas também foram as moças da paróquia de santa Maria do Suaçuí que se consagraram à vida religiosa. Por ser leitor atento dos padres da igreja, o Servo de Deus passava ao povo uma verdadeira catequese sobre a Virgem Maria, celebrada na paróquia no dia 15 de agosto, sob o título de Santa Maria eterna.


Homem da benção

"O Servo de deus era um homem de intensa oração pessoal, fazia frequentes jejuns e sacrifícios e tinha um grande amor ao povo. Seu grande carisma era a benção da saúde: benção para salvar as pessoas da doença física, das compleições morais, do alcoolismo, através da sua fé. Sua oração e benção sacerdotal realizaram e realizam mudanças extraordinárias na vida das pessoas”. 

Oração ao Servo de Deus