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segunda-feira, 31 de julho de 2017

SÃO LUÍS GUANELLA, Presbítero, Pároco e Fundador

Dom Bosco, pai e mestre da juventude e dos salesianos, cativou e auxiliou muitos homens e mulheres na descoberta e vivência de suas vocações através do carisma de sua Congregação Salesiana. Dentre estes muitos seguidores de sua obra, destacamos Luís Guanella, o qual foi declarado pelo Papa Paulo VI venerável em 6 de abril de 1962 e beatificado em 25 de outubro de 1964. Foi canonizado pelo atual Papa Bento XVI em 23 de outubro de 2011.





Nascido em 19 de dezembro de 1842, na aldeia alpina de Francisco di Campodolcino em Val San Giacomo, na província de Sondrio, Itália, Luís foi o nono dos treze filhos de uma família montanhesa dotada de sólidos princípios cristãos. Possuía um caráter forte, no qual a firmeza, temperança e espírito de sacrifício eram marcas de destaque. Era mais ainda possuidor de uma forte fé, enriquecida e alimentada pela piedade popular adquirida na convivência com os pobres e povo simples. Fez seus estudos no Colégio Gallio de Como e em vários seminários diocesanos.

São Luís Guanella e os primeiros membros de sua congregação.


Sinais precoces da vocação

Desde muito cedo, numerosos indícios, premonições e acontecimentos extraordinários iam indicando ao pequeno Luís as vias traçadas para ele pela Providência Divina.
Um destes fatos ocorreu no dia de sua Primeira Comunhão, aos nove anos. Por ser Quinta-Feira Santa, não houve festa e, regressando a casa, mandaram-no cuidar das ovelhas, como em qualquer dia comum. Ainda tocado pela graça, sentou-se em um dos gramados da colina Motto, parecido a um sofá, onde costumava descansar enquanto pastava o rebanho, e pôs-se a rezar a Nossa Senhora, agradecendo-Lhe a ventura de haver recebido Jesus em seu coração.
Sentia-se tomado por uma suave doçura que o impelia a fazer generosos bons propósitos. Contudo, a certa altura caiu no sono com seu livrinho de orações nas mãos e foi acordado por uma voz feminina que o chamava pelo nome. Não vendo ninguém ao redor, julgou tratar-se de um sonho. Retomou a leitura e adormeceu novamente.
Mais uma vez, o fato se repetiu. E, como aconteceu com Samuel (cf. II Sm 3, 8), ainda houve uma terceira vez, na qual a voz se fez ouvir mais forte e nítida: “Luís, Luís”. Nesse momento, narra o santo, “eis que vejo uma Senhora estendendo seu braço direito como a indicar alguma coisa. Ela me disse: ‘Quando você for adulto, fará tudo isso em prol dos pobres’. E como num telão, vi tudo o que deveria fazer”.



Forjando o temperamento

Aos doze anos Luís recebeu uma bolsa de estudos e matriculou-se no Colégio Gálio, em Como. Fortalecido pela frequência aos Sacramentos e sua ardorosa devoção a Maria, ali cultivou os germens da vocação, manteve-se firme em seus princípios e inabalável no grande apreço às virtudes da castidade e da modéstia, apesar dos ventos revolucionários e liberais que sopravam na Itália e no mundo. Após seis anos de colégio, ingressou no seminário diocesano Santo Abôndio, onde ficou ainda mais vincada a vocação específica que a Providência lhe dera desde a infância. Ao retornar, durante as férias, à sua aldeia natal, empenhava-se em ajudar os pobres e enfermos da região, sobretudo os mais desamparados.



Equilíbrio entre firmeza e doçura

O pai, Lorenzo di Tomaso Guanella, corpulento, robusto e de rija personalidade, inspirava confiança pela sua simples presença. Assim o descreverá o filho, em sua Autobiografia: “Esbanjava saúde e seu caráter era firme e decidido, à semelhança do monte Calcagnolo, logo acima de Fraciscio”.
A mãe, Maria Antonieta Bianchi, piedosa e dedicada ao trabalho, como o marido, contrastava com este por sua notável doçura de trato. A seu respeito escreveu o padre Luís Guanella: “O peso da autoridade paterna, no tocante aos filhos, era contrabalançado, providencialmente, pela mãe […] uma mulher criativa e muito amorosa; um tesouro da Providência!”.
Entre os irmãos, todos se relacionavam bem. Mas Catarina, apenas um ano mais velha, foi sua predileta. Ainda crianças, conversavam sobre as peripécias dos santos e aprenderam a ver nos pobres a figura de Jesus. Perto de sua casa, havia uma rocha com cavidades que pareciam panelas. Ali, as inocentes crianças misturavam água e terra, e mexiam aquela mescla dizendo: “Quando formos adultos, faremos assim a sopa dos pobres”.




Uma espada de fogo no ministério santo”

Em um ambiente de ressentimento e raiva, marcado pelas profanações de igrejas realizadas em Como pelos seguidores de Garibaldi, Luís foi ordenado presbítero, em 26 de maio de 1866. Naquele dia, com a alma transbordante de júbilo, o novo sacerdote fez uma promessa a Deus e a seus irmãos: “Quero ser uma espada de fogo no ministério santo!”.




Três anos de “aprendizagem” com Dom Bosco

Mais tarde, atraído pela pessoa de São João Bosco, optou por se dirigir a Turim. Ali passou três anos (1875-1878) em “aprendizagem”, como diria depois, seguindo os passos do fundador dos salesianos no caminho da santidade e colaborando com sua obra pedagógica em favor da juventude. Nesta mesma ocasião, conheceu a obra caritativa de São José de Cottolengo, a qual também deixou profundas impressões em sua alma.
Convocado por seu Bispo, regressou à Diocese de Como. Sair de Turim, separar-se dos salesianos e principalmente de Dom Bosco, foi-lhe muito doloroso. “Não senti tamanha dor nem mesmo quando faleceram meus pais, tendo-os em meus braços”, afirma em sua Autobiografia.





Primeira casa da Divina Providência

Na paróquia de Traona, para onde foi enviado em 1878, com a missão de ajudar o pároco enfermo, tentou transformar um antigo convento em escola para jovens pobres aspirantes ao sacerdócio, no estilo salesiano. Poucos meses depois, recebeu ordem de ir para Pianello. Ali um orfanato e um asilo fundados por seu predecessor recém-falecido, o padre Carlos Coppini, postos sob os cuidados de algumas jovens aspirantes à vida religiosa. Foi a partir deste empreendimento que se originou, em 1886, sua primeira fundação, a Congregação das Filhas de Santa Maria da Providência. Abriu por fim, em Como, a primeira Casa da Divina Providência – mesmo nome utilizado por São José de Cottolengo -, com o objetivo de atender os pobres e necessitados. A instituição começou a crescer e não faltaram generosos benfeitores nem almas dispostas a se dedicarem àquela obra de caridade.
Numa viagem a Turim, pediu orientação a Dom Bosco sobre seu desejo de fundar também um instituto masculino. Este lhe mostrou a conveniência de tal empresa e nasceu, assim, sob as bênçãos do Arcebispo de Milão, Beato André Carlos Ferrari – que até 1874 fora Bispo de Como – a Congregação dos Servos da Caridade.




Mais necessário é morrer bem…

Depois de passar inúmeras vicissitudes e provas, Dom Guanella viu, no fim de sua existência, sua obra expandir-se por quatro continentes. Convencido de que os homens são meros instrumentos, pois “è Dio che fa” – quem faz é Deus – o fundador estimulava o ardor missionário dos seus filhos e filhas dizendo-lhes: “Vossa pátria é o mundo”. Ele próprio acompanhou a fundação de novas casas em outros países, como a dos Estados Unidos, em 1912.
Em meio a tantas atividades, ainda encontrou tempo para escrever numerosas obras de formação cristã, além de mais de três mil cartas nas quais transparecem suas virtudes, seu senso profético e seu particular amor aos pobres e abandonados.
Coroando uma vida santa, essa boa morte chegou também para Dom Guanella, em 24 de outubro de 1915, aos 73 anos de idade. Seu corpo é venerado no Santuário do Sagrado Coração, em Como. Possa sua elevação à honra dos altares desvelar ao mundo de hoje, tão confiante em si mesmo, o segredo de sua santidade como modelo a ser seguido: abandonar-se nas mãos da Providência Divina, certo de que, por mais que os homens atuem, “è Dio che fa”!



Sobre seus escritos

Nos dois últimos anos Guanella editou o texto “Os caminhos da Providência”, uma espécie de autobiografia na qual expõe as vicissitudes da sua missão caritativa. No texto abre seu coração para explicar aos coirmãos a insistência obstinada no tocante às suas opções, não obstante as inúmeras contrariedades. Para ele tratava-se de uma missão que se fundamentava no chamado de Deus e na sua Providência. A obra é fundamental para entender a vida e a missão de Luís Guanella.
São Guanella redigiu muitos textos. Quando trabalhava nas Paróquias publicou 41 obras divididas em 45 opúsculos com diversos conteúdos: pastoral, histórico para a edificação do povo. Quando iniciou sua obra caritativa, redigiu regulamentos, estatutos, regras, constituições e cartas circulares para a formação de seus discípulos, sacerdotes e irmãs. Conservam-se, até hoje, 3.200 cartas escritas por ele. Publicou a revista mensal “A Divina Providência”, redigindo numerosos artigos.



O carisma de São Luís Guanella

No tocante a estes escritos procedeu-se a um estudo do carisma e da espiritualidade do bem-aventurado. Diversos escritores se dedicaram a esta tarefa (Leonardo Mazzucchi, Attilio Beria, Pietro Pasquali). Seu carisma é o anúncio bíblico da paternidade de Deus. Essa paternidade divina, constitui, para Guanella, uma profunda experiência pessoal, com uma conotação mística e profética. Isso faz com que sua santidade e missão tenham uma dimensão típica e qualificada. Uma experiência que tem em vista comunicar, particularmente aos mais pobres e abandonados que Deus é Pai de todos, um Pai que não esquece e não marginaliza nenhum de seus filhos. Em semelhante perspectiva são valiosos seus dois livros “Andiamo al Padre” (“Vamos ao Pai” – 1880) e “Il Fondamento” – “O Fundamento” – 1885). Suas casas se organizam de modo coerente com base nas necessidades das pessoas, com estilo de família e adotam um método específico, o assim chamado “método preventivo” (cf. Regulamento dos Servos da Caridade, 1905), confiadas à paternidade de Deus. A orientação e a condução são confiados a Ele: “É Deus quem faz”.
A santidade de Luís Guanella encontra-se não somente na perfeição moral, mas também na ontológica, em consonância com a experiência da paternidade de Deus. Sempre procurou, desde a juventude, uma coerência entre o pensar, o crer e o agir. Seu professor de religião consegue notá-lo desde o tempo de ginásio: “procura aprofundar, com particular diligência, tudo o que se ensina. Sente e ama o que aprende, transformando-o em vida” (Registros escolares, arquivo do Colégio Gallio em Como). Na condição de sacerdote, ministro do Senhor, seu encontro com Deus Pai consistiu numa participação à sua imensa caridade, à onipotência criativa e providente, à misericórdia encarnada e redentora; e tornou-se um caminho para o encontro dos homens com Deus, através e mediante a caridade do santo para os irmãos necessitados (cf. G.L. “Il montanaro”, 1885, pág. 32-34).
Acrescente-se a tudo isso o específico daquela época: a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, à Virgem Imaculada e uma ascese austera de penitências, de oração, de severidade e observância, de trabalho e sacrifício para a missão caritativa. Mas havia um modo específico para a ação, dando espaço a algumas características: simplicidade, tolerância, misericórdia, esperança alegre, características essas que praticamente contrastavam com o seu caráter enérgico, voluntarioso, decidido para enfrentar obstáculos, algumas vezes impulsivo e irascível. Neste caminho rumo à santidade, Guanella conduziu sua discípula, Irmã Clara Bosatta, obra-prima da sua arte de educador e de diretor espiritual.



ORAÇÃO A SÃO LUÍS GUANELLA

Senhor Jesus, Tu vieste sobre a terra para oferecer a todos o amor do Pai e para ser sustento e conforto aos pequeninos e sofredores. Agradecemos-te por ter nos dado o teu servo fiel, São Luís Guanella, como sinal do grande amor de Deus.
Faz com que o exemplo da sua vida possa resplandecer em todo o mundo para a glória de Deus Pai e para o auxílio do povo cristão.
Pela sua intercessão, concede-nos a graça que neste momento te pedimos… e faz com que possamos imitar suas virtudes:

A ardente piedade para com a Eucaristia, a confiança serena na providência, a caridade terna para com os mais pobres, a paixão pastoral pelo teu povo, a fim de que, junto com ele, possamos receber o prêmio da alegria que preparaste para nós na casa do Pai.
Amém!
*Com a aprovação do cardeal Ângelo Comastri.

Relíquia de São Luís Guanella nas mãos do agraciado
pelo milagre que o elevou aos altares.



Fontes:
auxiliadoracampinas.org.br/especiais/santos-salesianos
santidadefs.blogspot.com/2012/10/sao-luis-guanella-o-servo-da-caridade.html+&cd=15&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br

Imagens do Google.


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