Páginas

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

AS CATORZE VENERÁVEIS MONJAS CONCEPCIONISTAS, VIRGENS E MÁRTIRES (Guerra Civil Espanhola, 1936)




Bem aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo tipo de calúnia contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos Céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.” (Mt 5,11-12)


Vamos relembrar os principais fatos que marcaram aqueles angustiosos meses de outubro e novembro de 1936, em que as Irmãs Concepcionistas Franciscanas foram chamadas a dar provas de sua fé, todas marcadas com o sinal do martírio, e, junto ao Altar do Cordeiro, (segundo a visão apocalíptica) elas fazem parte do cortejo dos mártires.
Em 1936, quando transcorria o centenário da fundação do Recolhimento, onde tivera o Mosteiro de São José de Madri, desabou sobre ele e sua veneranda comunidade uma tremenda tempestade, que, por uns momentos, fez acreditar no seu desaparecimento. 
Por cinco vezes as monjas tiveram que abandonar seu silêncio, a clausura e procurar abrigo em casa de pessoas amigas e corajosas, que não temiam opor-se aos senhores que por momentos, pisoteavam a terra espanhola, até chegarem à casa da Rua Francisco Silvela, número 19, onde viveram seus últimos momentos e de onde partiram para a morte.
Era a Guerra Civil Espanhola e nossas irmãs viviam num clima de intensos sofrimentos e incertezas, em cujo fundo pairava a sombra do Martírio que a comunidade ia assimilando, lentamente. A lenta e dolorosa preparação, serviu-lhes para confirmá-las e dar-lhes a força necessária para testemunharem sua fé e amor ao Criador.
Em fins de outubro, as Irmãs se reuniram mais uma vez e tentaram reorganizar a vida conventual, ainda que precariamente. O grupo permaneceu na rua Francisco Silvela e seu sossego durou pouco. Certo dia, apresentou-se-lhes um grupo de milicianos, "amistosamente", manifestando a intenção de levá-las ao fronte para ajudarem como enfermeiras.
A Madre acreditou e aceitou a proposta, embora colocando que a maioria das Religiosas eram idosas e enfermas, mas que poderia mandar algumas mais jovens para desempenhar o ofício e assim o fez. Enviou as irmãs Maria do Sacrário e Maria Beatriz, ordenando que regressassem, logo que compreenderam que haviam caído em uma cilada. Todo tipo de vida religiosa era considerado um crime e a condenação era a morte.
Uma vez reunidas, transformaram a habitação em prisão e começaram a montar guarda. O grupo via a proximidade do fim, com uma preparação física e moral, uma espera angustiosa.
Dia 07 de novembro de 1936 foi a sexta-feira santa daquelas religiosas, Já ao despertar tiveram a impressão de que o final se aproximava. O espírito estava preparado, mas, como Cristo no Horto das Oliveiras, a carne estremecia. No decorrer da manhã chegaram algumas religiosas que estavam em casas particulares - fato raro, pois a vigilância cortava qualquer tentativa de visita -. Naquele dia parecia a última delicadeza de Deus. Foi a última reunião da comunidade do Mosteiro de São José.
Não demorou e um veículo parava em frente, com um grupo de milicianos, que, subindo as escadas, deram fortes pancadas na porta. Apavoradas, as Irmãs achegaram-se em torno da Madre que dirigia as últimas recomendações e, vacilante, foi abrir a porta. Deram ordem que descessem três a três, começando pelas mais jovens; e assim foram. Entre as últimas havia uma paralítica e os desalmados queriam fazê-la descer rolando escada abaixo, só com muita insistência foi permitido às outras religiosas auxiliá-la nesta última caminhada.
Como despojamento final, a abadessa, após abraçar a filha do porteiro, entregou-lhe 45 pesetas - toda a posse material da comunidade. Momentos depois entravam nos cárceres do Centro Comunista e não se sabe bem como foram seus últimos momentos e os sofrimentos que selaram seu martírio. As 4 ou 5 da manhã era lida uma lista dos que eram “libertados”. Na verdade, eram carregados em caminhões e assassinados aos arredores de Madri.
Dentre as Irmãs, duas morreram durante a perseguição, dez foram fuziladas entre os dias 06 e 12 de novembro, cinco Irmãs da comunidade sobreviveram e se tornaram sementes de esperança.





14 mártires Concepcionistas da Guerra Civil da Espanha

MOSTEIRO DE SÃO JOSÉ (Madri)
1. Madre Maria del Carmen (54 anos)
Borja: 03.Novembro.1882 - Madrid: 8.Novembro.1936
2. sor Maria Pilar de los Dolores (73 anos)
Pamplona: 29.Abril.1863 - Madrid: 8.Novembro.1936
3. sor Maria de la Asunción (72 anos)
Anaya [Segóvia]: 20.Setembro.1864 - Madrid: 8.Novembro.1936
4. sor Maria del Santísimo Sacramento (49 anos)
El Toboso[Toledo]: 25.Junho.1887 - Madrid: 8.Novembro.1936
5. sor Maria Balbina de San José (49 anos)
Madrid: 10.Março.1886 - Madrid: 8.Novembro.1936
6. sor Maria Guadalupe de la Ascensión (44 anos)
Madrid: 09.Agosto.1892 - Madrid: 8.Novembro.1936
7. sor Maria del Pilar (39 anos)
Valdealcón [León]: 04.Junho.1897 - Madrid: 8.Novembro.1936
8. sor Maria de Jesus (47 anos)
Moradillo del Castillo [Burgos]: 14.Agosto.1889 – Madrid:
8.Novembro.1936
9. sor Maria Juana de San Miguel (75 anos)
Arraiza [Pamplona]: 27.Dezembro.1860 - Madrid: 8.Novembro.1936
10. sor Maria Beatriz de Santa Teresa (28 anos)
Náva de los Caballeros [Léon]: 18.Março.1908 – Madrid:
8.Novembro.1936

MOSTEIRO DE EL PARDO (Madrid)
11. Madre Inés de San José (46 anos)
Avedillo [Zamora]: 02.Novembro.1889 - Madrid: 21.Agosto.1936
12. sor Maria del Carmen (40 anos)
Avedillo [Zamora]: 28.Outubro.1895 - Madrid: 21.Agosto.1936
Estas duas monjas são irmãs de sangue.

MOSTEIRO DE ESCALONA (Toledo)
13. Madre Maria de San José (65 anos)
Pamplona: 1871 - Madrid: Novembro.1936
14. sor Maria de la Asunción Pascual (49 anos)
Villarobe[Burgos]: 14.Agosto.1887 - Madrid: 1936






Nenhum comentário:

Postar um comentário