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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Beata Teresa Maria da Cruz, Fundadora das "Carmelitas de Florença".


Teresa Adelaide Cesina Manetti nasceu numa família humilde em San Martino, em Campo Bisenzio (Florença, Itália), em 2 de março de 1846. A Fundadora das Carmelitas Terceiras de Santa Teresa era conhecida pelo apelido carinhoso de Bettina, dado por seu pai.
     Ficou órfã de pai muito cedo e logo conheceu a dureza da vida. Apesar disso, ajudava aos pobres, privando-se até do que lhe era mais necessário. Era uma jovem alegre, vivaz, com caráter generoso, gostava de ser admirada e de chamar atenção, com seus belos olhos azuis e cabelos castanhos encaracolados. Gostava de inventar moda e suas companheiras a acompanhavam.
     Aos 19 anos compreendeu que Jesus a queria para si. Desapegada de suas vaidades, das ilusões do mundo, decide mudar de vida. Foi muito criticada pelas pessoas, mas isso não a perturbava, o que ela queria era ser toda de Jesus. Passou a dedicar-se aos mais necessitados.
     Em 15 de julho de 1874, juntamente com duas amigas, que agora a seguiam para fazer o bem, retirou-se numa casinha no campo situada à beira de um rio de Bisenzio, onde começou uma vida de oração, penitência e caridade. Ali “oravam, trabalhavam e reuniam algumas jovens para educá-las com boas leituras e ensinar-lhes a doutrina cristã”.
     Naqueles anos, foram de muita importância as sugestões e os conselhos do jovem pároco, Pe. Ernesto Jacopozzi, que acompanhou as atividades de Bettina até 1894.
     Em 16 de julho de 1876, foram admitidas na Ordem Terceira do Carmelo Teresiano (que atualmente é chamada de Ordem dos Carmelitas Descalços Seculares ou, simplesmente, Ordem Secular), e mudou seu nome para Teresa Maria da Cruz.
     Em 1877, uma mãe doente disse a Bettina que morreria feliz se ela cuidasse de suas crianças e ela viu nesse pedido um sinal de Deus. E a partir desse momento as mãos postas em oração se abriram para o serviço. Após receberem as primeiras órfãs, o número delas foi crescendo dia a dia. Aquelas meninas abandonadas eram seu “maior tesouro”.
     Em 12 de julho de 1888, as 27 primeiras religiosas vestiram o hábito da Ordem das Carmelitas Descalças, às quais se haviam juntado em 12 de junho de 1885.
     O sucesso da Congregação levou a Madre, com a ajuda de Deus e do povo de San Martino, a realizar seu sonho: construir um grande convento e uma igreja (1880-1887). As atividades do Instituto se ampliaram e novas sedes foram abertas na Toscana, e depois em toda a Itália e em outras partes do mundo.
     Em 27 de fevereiro de 1904, o Papa São Pio X aprovou o Instituto com o nome de Carmelitas Terceiras de Santa Teresa (atualmente são conhecidas como Irmãs Carmelitas de Santa Teresa ou como "Carmelitas de Florença"). Madre Teresa Maria da Cruz com grande alegria viu o Instituto estender-se até a Síria e o Monte Carmelo, na Palestina.
     O nome “da Cruz” assentava muito bem à Madre; frequentemente ela dizia: “Tritura-me, Senhor, espreme-me até a última gota!” Sua caridade não tinha limites. Entregava-se a todos e em tudo, esquecendo-se sempre de si mesma. O bispo Dom Andrés Casullo, que a conhecia muito bem, afirmava a seu respeito: “Ela deixava de viver a própria vida para fazer o bem”. 
     Em 1908, Madre Teresa Maria da Cruz foi atacada por uma terrível doença que, apesar dos cuidados, levou-a a morte terrena no dia 23 de abril de 1910. Ela havia completado a subida de seu Calvário, depois de passar por noites escuríssimas: estava preparada pela graça de Deus. Faleceu enquanto repetia uma vez mais: “Ó meu Jesus, eu quero sofrer mais...” E murmurava em êxtase: “Está aberto!... Já vou!”
A fama de sua santidade foi confirmada por numerosos testemunhos de graças e milagres, o que levou a se iniciar, em 1930, o processo de sua beatificação. Seus escritos, ao mesmo tempo simples e profundos, foram aprovados em 27 de novembro de 1937.
O Papa São João Paulo II a beatificou em 19 de outubro de 1986. Em 7 de dezembro de 1999 o Concelho Comunal de Campi Bisenzio a proclamou Patrona da Cidade, acolhendo o pedido de uma petição popular que recolhera milhares de assinaturas entre os concidadãos de “Bettina”.


Fontes: www.santiebeati.it; Gisèle Pimentel gisele.pimentel@gmail.com

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

SANTO EGÍDIO MARIA DE SÃO JOSÉ, Irmão Franciscano e Taumaturgo.


Chamado de “o protetor de Nápoles”, eminentemente “franciscana”, Francisco Pontillo nasceu em Taranto, na Puglia, em 16 de novembro de 1729, filho de Cataldo e de Grazia Procaccio, em uma casa humilde, em uma das muitas vielas sinuosas da velha cidade medieval.

Sua família era composta de artesãos modestos, que apesar do penoso e extenuante trabalho, tinham magros rendimentos. No santo batismo recebeu o nome de “Francisco Antônio Pascoal”, grandes nomes da Ordem Seráfica, prenúncio de que no futuro a abraçaria, na época de uma rígida reforma (franciscanos alcantarinos) promovida por místicos. São Pedro de Alcântara, um dos primeiros em magnitude, foi sua estrela. De São Francisco de Assis, foi grande imitador na pobreza. De Santo Antônio, parecia imitador no tocante aos milagres e de São Pascoal Baylon imitou o fervor eucarístico.

Desde a infância, cresceu aumentando cada dia mais o fervor ao Santíssimo Sacramento, a prática da comunhão frequente, as visitas diárias ao tabernáculo e a devoção a Nossa Senhora, rezando devota e diariamente o Santo Rosário.

Provavelmente nunca soube o que é uma escola. Desde menino, foi enviado a trabalhar em uma loja como “serviços gerais”, para ganhar seu sustento. Também no trabalho, mantinha sempre uma atitude devota. Antes do início da labuta, ia bem cedo à igreja para assistir a Santa Missa. Cada tarefa que lhe ordenavam, iniciava fazendo piedosamente o Sinal da Cruz. Seu mestre uma vez disse: “desde que tenho comigo o Francisco que minha loja se tornou um oratório”.

Aos 18 anos, seu amado pai faleceu. Superando a dor aguda, passou a ser o apoio para sua família pobre, que incluía sua mãe e três irmãos mais novos. Deixou a antiga loja de artesanato em cordas (era cordoeiro) e conseguiu trabalho em outra maior e mais rentável. Após separar o suficiente para o sustento de sua família, uma parte de seus ganhos, dava-os aos pobres, para não manter qualquer coisa para si.

Sua mãe contraiu pela segunda vez o matrimônio, para grande desprazer de Francisco. Mas, os desígnios de Deus tornaram-se bem claros e definidos. Seu padrasto o tirou de seus deveres como arrimo de família, dando-lhe a disponibilidade de seus ganhos, tornando assim mais fácil a implementação de seu sonho de se fazer religioso – vocação que desde a adolescência havia florescido nele e que a morte repentina de seu pai havia atrasado.

A 27 de fevereiro de 1754, aos 24 anos, entrou para os Franciscanos Alcantarinos de Taranto, onde foi recebido como irmão leigo. Em Galatone fez o noviciado, mudando o nome para Frei Egídio da Mãe de Deus. Neste ambiente de treinamento e de grande perfeição religiosa, sentiu-se bem à vontade, encantado com tanta pobreza, tanto fervor e tanta paz interior, despertando assim a admiração e o carinho de seus superiores e dos confrades.

No convento de Santa Maria delle Grazie, em Galatone, após julgamento de seus superiores e formadores, em 28 de fevereiro de 1755 fez a profissão solene, emitindo os votos de pobreza, obediência e castidade. Na ocasião, seu nome religioso foi modificado para Egídio Maria de São José.
Depois de um período em Galatone, foi transferido para a comunidade de Squinzano. Em 1759, será transferido pelo superior para o convento de São Pascoal, em Nápoles, o que tornará a cidade ainda mais famosa e conhecida, com a santidade de sua vida.

A princípio, tinha a atribuição de cozinheiro. Em seguida, trabalhou na confecção de lã do mosteiro e, finalmente, o serviço de porteiro, ofício esse que, de acordo com as regras dos “alcantarinos” era confiado apenas ao melhor dos irmãos leigos, visto que o modo de se comportar dos porteiros – em relação a bem receber e a bem lidar com os leigos que atendem – resulta na estima e no bom nome dos frades.
As boas vindas, a paciência, o amor que ele tinha para com os pobres, que naquela grande cidade eram numerosos e reuniam-se diariamente à porta do convento, garantiu que o seu nome e suas virtudes fossem exaltados por esses mesmos pobres e se espalhassem por toda Nápoles.
Tudo isso convenceu a seus superiores que Frei Egídio era uma lâmpada que não poderia ser mantida escondida e, portanto, com as virtudes que dele emanavam e com o brilho de suas palavras e comportamento, poderia ser mais útil para a glória de Deus, trazendo almas para Sua misericórdia. Assim, confiaram-lhe a tarefa da mendicância (trabalho muito valorizado naqueles tempos entre os frades franciscanos, que ocupou durante 50 anos).
A partir daquele momento, Egídio será sempre encontrado por todas as ruas, becos, praças, bairros e casas de Nápoles, passando a maior parte do dia andando por esmolas (para o convento e para ajudar os pobres). Mas, sua visita era muito mais uma visita de caridade e de bom exemplo que a simples coleta de alimentos para sua sacola.  

Retornava de suas andanças e visitas, devido a sua personalidade sensível e apaixonada pelas almas, com o coração cheio de lágrimas e de dores. Assim, depois das orações no coro, ia chorar à noite, diante da Madonna Del Pozzo (título mariano venerado no convento), implorando saúde para os doentes, providência para as famílias pobres e paz para os infelizes. Pedia também à Virgem Maria a graça do arrependimento para os opressores do povo, para que fossem perdoados e também eles pudessem ser salvos.
Sua presença era muito desejada à cabeceira dos doentes e dos moribundos. A todos procurava socorrer com suas orações, seus conselhos, palavras de exortação e de bom ânimo. Ricos e pobres encontravam nele conforto e esperança em suas tribulações e dificuldades da vida.
O humilde frade tornou-se também famoso pelos muitos milagres que o Senhor se dignou realizar por sua intercessão. Utilizava-se da relíquia de São Pascoal para realizar grandes prodígios. Foram tão numerosos, bem documentados e descritos que foram suficientes para formar muitas páginas no processo canônico para sua futura beatificação e canonização.  
Profecias, previsões, curas repentinas, aparições de objetos, de frutas, de peixes, ressurreições de mortos, multiplicações de alimentos, etc. Tudo isso o fizeram muito popular em Nápoles, a tal ponto que, durante a ocupação francesa, as autoridades temiam possíveis revoltas causadas pela grande multidão que muitas vezes o seguiam caso seu livre trânsito fosse impedido.
Dentre muitas histórias, cito aqui um episódio, um dos mais conhecidos e pitorescos. Os frades de São Pascoal tinham um bezerro que andava pelas ruas de Nápoles e era conhecido por todos, pois tinha uma placa de metal com o nome de “Catarinella”. O bezerro, como foi dito, andava pela cidade e, no final do dia, retornava. Um dia, porém, isso não aconteceu. Os irmãos, angustiados, reportaram-se a Egídio, preocupados com o sumiço do bezerro.


Na manhã seguinte, foi direto para uma área da cidade usada como matadouro chamado “Pignasecca” e, sem preâmbulos, diz firmemente ao açougueiro: “pegue a chave e a lanterna e siga-me para dentro da caverna. Lá encontraremos Catarinella”. A caverna era o “refrigerador” daquele tempo. O açougueiro vilão foi tomado de tão grande medo que não se opôs à ordem. Lá encontraram o bezerro morto, dissecado e sem pele. Frei Egídio mandou esticar a pele, colocar dentro todas as partes e peças de acordo com sua localização natural e costurou as bordas da pele em conjunto com as partes dentro da mesma. Depois, para assombro dos que viram o prodígio, desenhando no ar um grande sinal da cruz e disse: “em nome de Deus e de São Pascoal, suba, Catarinella, para convento”! Houve um grande rugido, moveram-se todos os membros e o bezerro saltou vivo e bem, como antes. O clamor era enorme! O bezerro foi acompanhado em procissão a partir de Pignasecca até o convento de São Pascoal.
Sofrendo já por muito tempo de dor ciática severa, a irmã morte veio ao encontro do Santo. Atingido também por sufocação por asma, logo em seguida foi acometido por uma “hidropisia” no peito. Tudo suportou em paz, resignação e confiança em Deus.

Encomendando-se a Maria, morreu em 07 de fevereiro de 1812, entre os gritos de dor de toda a cidade de Nápoles, que lamentou a morte de seu Santo. Seu corpo foi sepultado na igreja do Convento de São Pascoal. 



Procissão com a imagem de Santo Egídio Maria de São José em Taranto, sua cidade natal.