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Encontre o (a) Santo (a), Beato (a), Venerável ou Servo (a) de Deus

sábado, 4 de março de 2017

Venerável Serva de Deus Maria Montserrat Garcia Grases, Virgem e Leiga do Opus Dei.


Em publicação anterior, havia anunciado a promulgação do decreto de Venerabilidade da Serva de Deus Maria Monteserrat Garcia Grases, leiga e virgem do Opus Dei. Hoje, trago aos leitores, mais detalhes sobre sua vida, tão especial, que pode ser vir de exemplo para todos nós, católicos, especialmente para os jovens.


Infância
Maria Montserrat Garcia Grases (ou “Montse”, como era chamada, nasceu em Barcelona em 10 de julho de 1941 em uma família profundamente cristã. Foi a segunda de nove filhos do casal Manuel e Manolita García Grases. Foi batizada nove dias após o nascimento, em 19 de julho, na paróquia de Nossa Senhora do Pilar, em Barcelona.

No final de 1942 foi atingida por uma “bronquite capilar”, e, por causa dessa doença, a família teve que se mudar temporariamente, mas não melhorou. Porque o médico aconselhou a seus pais que levassem a criança a respirar ar puro, Montse passou o verão de 1943 na cidade de Seva, no sopé do maciço de Montseny. No mesmo local, na freguesia de Santa Maria, Maria Montserrat recebeu o Sacramento da Confirmação em 11 de junho de 1944, juntamente com seus irmãos Enrique e Jorge.



Educação e caráter
Em outubro de 1946, ela começou a escola primária no Colégio de Jesus e Maria. Em 27 de Maio de 1948, fez sua Primeira Comunhão. Na escola tinha aulas de música e piano. Depois, passou a estudar no Colégio del Niño Jesus.
Maria Montserrat foi distinguida pela abertura do caráter, simpatia, bom gosto, paixão pela dança, esporte e caminhadas. Às vezes seu temperamento forte a levou a reações intempestivas, mas, sempre tentando se corrigir, como testemunhado por seus parentes e professores.


Um encontro com o Opus Dei
Em 1954, reuniu-se pela primeira vez em um curso de exercícios espirituais da instituição (hoje uma prelatura pessoal) Opus Dei, fundada em 1928 pelo padre Josemaría Escrivá, que foi canonizado em 2002. Seu ensinamento fundamental é que atividades diárias, vividas com perfeição humana e com todo o amor de Deus, podem determinar o alcance da santificação do cristão no meio do mundo.



Família García Graces: numerosa e cristã. 



Os pais Montse eram membros do Opus Dei há alguns anos, por isso sua mãe a incentivou a participar do centro Llar, que oferecia educação humana e cristã para meninas. Ela mesma, com o tempo, percebeu que o Senhor a estava pedindo para segui-lo de forma mais concreta, no sentido de pertencer somente a Ele. Enquanto isso, depois de concluir a escola primária, em 1956, ela continuou seus estudos na Escola Profissional de Mulheres da cidade de Barcelona.


Em 24 de dezembro de 1957, portanto, pediu a admissão no Opus Dei como uma numerária, ou seja, dando a sua virgindade a Deus, dedicando-se ao apostolado. Desde então, se comprometeu ainda mais decisivamente nos deveres de cada dia, quer fossem eles um jogo de tênis, de basquete ou os afazeres da vida familiar. Em primeiro plano, sempre procurou estar na presença de Deus, fomentando ainda profunda e dedicada devoção a Nossa Senhora, da qual que tinha o nome. Estava muito feliz. Mesmo ela que tinha a virtude da comunicação, não conseguia expressar devidamente aos amigos e parentes a esmagadora alegria que resultou de sua união com Deus.


Em sua luta para alcançar a santidade, destacou sempre o amor à Humanidade Santíssima de Cristo, a piedade eucarística, a devoção à Santíssima Virgem, uma profunda humildade e o esforço por servir aos demais. Soube encontrar a Deus no cumprimento — por amor — dos seus deveres de estudo e de trabalho, bem como nas coisas pequenas de cada dia.


A doença como uma oportunidade de encontro entre Deus e os homens.
Pouco antes de completar dezessete anos, Montse ficou doente com câncer: um Sarcoma de Ewing, no fêmur da perna esquerda. Ela já não podia assistir às aulas, mas, mesmo assim continuou com o compromisso com o estudo, mostrando grande fortaleza e determinação.

O diagnóstico preciso foi realizado em janeiro de 1958. Durante nove meses sofreu muito devido à dor severa, porém, em nenhum momento teve um único momento de desespero.  Esperava ansiosamente o momento de encontro com Deus, sem perder o bom humor habitual.


Como aconteceu com tantos outros casos de meninos e meninas marcadas por sofrimento, mas capaz de transformá-lo em uma oportunidade de reunir Deus e o homem, o quarto de Montse tornou-se um lugar de freqüentes visitas de meninas desejosas de conhecer sua alegre espiritualidade. Sempre saudava a todas, incentivando, aconselhando, estimulando à perfeição cristã, sempre com um sorriso e repetindo: "Vale a pena" (frase tomada das reflexões de seu santo fundador, Padre Josemaría Escrivá).



Montse, já doente, com sua mãe. Exemplo de fé perante a
vontade de Deus. 


Durante a sua doença, mediante essa sua contagiante alegria, que apesar de tudo sempre esteve com ela, e uma capacidade de amizade que brotava de um verdadeiro zelo pelas almas, continuou aproximando de Deus a muitas amigas e companheiras de estudo.

Montse morreu na casa de seu pai, em Barcelona, no dia 26 de março de 1959, Quinta-feira Santa, depois de receber os sacramentos com alegria. Tinha dezessete anos. Foi sepultada no cemitério do Sudoeste Barcelona.







Causa de Beatificação
Diante de sua crescente reputação de santidade, que se espalhou por todo o mundo, foi dado início a sua causa de beatificação. A fase diocesana, realizada em Barcelona, foi aberta pelo Arcebispo Dom Gregório Modrego Casaus em 19 de dezembro de 1962, tendo sido concluída em 26 de Março 1968, no 9º aniversário de morte de Montse, sob o mandato do novo arcebispo, Dom Marcelo González Martín.

Devido a mudanças na legislação das causas de beatificação e canonização do Beato Paulo VI e de São João Paulo II, os trâmites tornaram-se mais céleres, no entanto, a fama de santidade do Montse ajudou e muito o impulso dos trabalhos.

Em 15 de maio de 1992, a Congregação Vaticana para as Causas dos Santos declarou a validade do processo diocesano. A decisão foi tomada para iniciar novas investigações, até mesmo para implementar os documentos do processo anterior. O processo complementar, aberto em seguida, teve lugar de 10 junho - 28 outubro de 1993 em Barcelona e foi validado em 21 de janeiro de 1994. No mesmo ano, os restos de Montse foram transladados para a capela do Colégio Mayor Bonaigua em Barcelona. A “positio” sobre as virtudes da Serva de Deus foi apresentada em Roma em 21 de Novembro de 1999.

Em 10 de Junho de 2015, consultores teológicos da Congregação para as Causas dos Santos pronunciaram-se afirmativamente sobre o exercício das virtudes cristãs em grau heroico pela menina; O parecer positivo foi confirmado pelos cardeais e bispos dos membros da Congregação em 19 de Abril de 2016. 

No dia 26 de abril de 2016, após receber em audiência o cardeal Ângelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto pelo qual María Montserrat Garcia Grases foi declarada Venerável. A notícia, por uma feliz coincidência, foi tornada pública no dia seguinte, 27 de abril, memória litúrgica de Nossa Senhora de Montserrat e, portanto, seu dia de onomástico.


Fonte: site santiebeati.it






A todos os que obtiverem graças por intercessão da Serva de Deus Montserrat Grases, pede-se o favor de comunicá-las à Prelazia do Opus Dei - Escritório para as Causas dos Santos, Rua João Cachoeira, 1496, CEP 04535-007, São Paulo, SP.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Beata Felipa de Gueldre, viúva e religiosa e Beata Francisca Ana da Dolorosa, virgem e religiosa (27 de fevereiro)



Como são admiráveis as obras de Deus! No dia 27 de fevereiro, entre outros tantos Santos, festejamos duas Beatas tão diferentes quanto ao berço, à época em que viveram, à cultura, às obras de suas vidas, mas tão semelhantes na busca da santidade. Fizemos questão de colocá-las juntas aqui, porque certamente estão gozando juntas da visão beatífica.


Felipa de Gueldre, duquesa da Lorena 
e de Bar, Rainha da Sicília 
e de Jerusalém, Clarissa Coletina.
 Beata Felipa de Gueldre
 Felipa nasceu em Grave, Brabante do Norte (atual Países Baixos), no dia 9 de novembro de 1467. Era filha de Adolfo d’Egmont, Duque de Gueldre e de Catarina de Bourbon,
Ela cresceu primeiro na corte dos duques de Borgonha, depois na corte da França. Por razões de estado, casou-se em 1485 com Renato II, Duque da Lorena e de Bar, príncipe generoso, piedoso e terciário da Ordem de S. Francisco, com quem teve 12 filhos, dos quais sete morreram jovens.
Quando seu esposo faleceu, em 1508, ela desejava tomar a regência do Ducado da Lorena, mas como seu filho mais velho tinha 19 anos, ele foi considerado apto a reinar.

No dia 15 de dezembro de 1519, ela entrou no convento das Clarissas de Pont-à-Mousson onde viveu 28 anos em oração e penitência. Ela favoreceu a reforma de Santa Coleta de Corbie em diversos mosteiros.
Quando, no dia 26 de fevereiro de 1547, uma sexta-feira, as freiras disseram que ela ia morrer, respondeu: «Não morro hoje, bem o sei, porque toda a felicidade que tive neste mundo me veio ao sábado. Foi num sábado que me casei com o bom Renato que Deus o haja; foi num sábado que vim para a Lorena; foi num sábado que fiz minha profissão religiosa; e será ainda num sábado que hei de entrar no Paraíso». Morreu efetivamente num sábado, 27 de fevereiro de 1547.
Felipa de Gueldre é considerada beata na família franciscana, embora ela jamais tenha sido beatificada oficialmente. Ela sofria em si os tormentos que afligiram Nosso Senhor na Paixão. Nos últimos sete anos de sua vida tais sofrimentos foram visivelmente constatados por aqueles que a conheciam. Esta Duquesa da Lorena e Rainha da Sicília e de Jerusalém morreu em odor de santidade como uma pobre Clarissa no pobre mosteiro de Santa Clara de Pont-à-Mousson.
 Nota: O mosteiro de clarissas de Pont-à-Mousson, fundado em 1447 por Santa Coleta, reformadora da Ordem, foi devastado pelos revolucionários em setembro de 1792, quando as monjas foram expulsas.



* * *



Beata Francisca Ana Cirer y Carbonell

Nasceu em Sencelles, Maiorca (Ilhas Baleares), Espanha, no dia 1 de junho de 1781, filha de João Cirer e Joana Carbonell, agricultores tão pobres que nunca puderam deixá-la frequentar a escola; mas tão fervorosos, que no mesmo dia do seu nascimento a levaram à fonte batismal, quando recebeu o nome de Francisca Ana Maria Boaventura.
Sem saber ler nem escrever, entretanto aprendeu a doutrina católica de viva voz e mereceu ser crismada aos sete anos por Mons. Pedro Rubio Benedetto, bispo da diocese, e em seguida, admitida à Primeira Comunhão.
Crescendo, adquiriu a sabedoria das virtudes católicas com tal perfeição, que a levava a praticá-las todas em grau heroico e a tornava capaz de ensinar o catecismo às crianças, o que fazia após as Missas do domingo.
     Ajudava aos pais nos trabalhos domésticos e agrícolas, mas, com a permissão dos pais, voltava à igreja no fim do dia para tomar parte no Rosário ou na Via Sacra.
     Francisca sentia desejo de se tornar religiosa, mas os pais se opunham, pois ela era o único amparo para a velhice deles. Assim, em 1798, aos 17 anos, ingressou na Ordem Terceira de S. Francisco e, em 1813, na Confraria do Santíssimo Sacramento.
     A Beata tinha grande devoção à Santíssima Trindade, à Paixão de Cristo e a Nossa Senhora das Dores, a quem honrava com o terço diário e o jejum sabatino. Rezava com frequência pelas almas do Purgatório.
     Em 2 de maio de 1815, a Beata, que compreendia a importância da conformidade com a vontade de Deus e obedecia sem lamentações, recebeu a revelação de que sua casa seria transformada em um convento das Filhas de Caridade de São Vicente de Paula.
     Aos 40 anos, Francisca ficou órfã de pai (sua mãe já havia falecido). Sendo praticamente impossível realizar seu desejo de se tornar religiosa pela idade, falta de instrução e sem dote, procurou viver como verdadeira religiosa no mundo, em companhia de uma prima, Clara Llabrés, e depois de alguns anos, de Madalena Cirer, sua sobrinha.
     Finalmente, aos 70 anos, no dia 23 de dezembro de 1850, com a aprovação de seu pároco, sua casa tornou-se convento das Irmãs da Caridade, que foi juridicamente aprovado no dia 7 de dezembro de 1851. Tinham por finalidade cuidar dos doentes e ensinar o catecismo em casa e nas paróquias. Naquele dia ela e as duas companheiras vestiram o hábito. Francisca foi eleita para ficar à frente do grupo: governou com sabedoria, prudência e humildade, cuidando da perfeita observância dos votos religiosos.
     A Beata faleceu repentinamente no dia 27 de fevereiro de 1855, aos 76 anos de idade, após ter recebido a Eucaristia. Seu funeral foi triunfal. Seus restos são venerados no Oratório da Casa de Caridade de Sencelles.

     Como se estendesse mais e mais a sua fama de santidade, deu-se início aos processos habituais para sua beatificação. Após a confirmação de um milagre obtido por sua intercessão, foi beatificada no dia 1 de outubro de 1989 por São João Paulo II.